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siga a estrada de tijolos amarelos: Alta Magia Magia Cerimonial Autodefesa Psíquica Métodos Empregados para efetuar um Ataque PsíquicoEFETUAR UM ATAQUE PSIQUICO

Métodos Empregados para efetuar um Ataque PsíquicoEFETUAR UM ATAQUE PSIQUICO


Autodefesa Psíquica

Quem quer que leia os antigos livros sobre bruxaria, compilados  freqüentemente pelos caçadores profissionais de bruxas a partir das confissões,  obtidas sob tortura, das pretensas bruxas, descobrirá que os fenômenos descritos  caem em certas categorias gerais que são semelhantes em diferentes épocas e  em diferentes partes do mundo, que ficamos com a impressão de que deve haver  algum fogo sob tanta fumaça. Os registros públicos dos julgamentos de bruxas  na Escócia, os relatórios de um padre encarregado de extirpar a feitiçaria no  norte da Itália, os arquivos da Bretanha, as histórias da magia na literatura  clássica e, finalmente, os relatos dos viajantes sobre as práticas dos povos  primitivos em todo o mundo, todos se explicam mutuamente, concordando, no  que se refere aos fenômenos descritos, com as explicações dadas pelas bruxas  sobre seus métodos e com as divisões gerais em que caem os fenômenos .

 Devemos analisar, em primeiro lugar, a utilização das drogas, de que a  Fraternidade Negra em todas as épocas sempre possuiu um notável  conhecimento. Poções, ungüentos e fumigações foram utilizados amplamente, e  entre todos os ingredientes misteriosos e extraordinários de que eram compostos  podemos redescobrir as substâncias que, como sabemos, têm amplos poderes  medicinais. A papoula, que produz sono e sonhos, o cânhamo, que produz  visões, a datura, que causa a perda da memória, grãos empestados, que  produzem o aborto, insetos, que são poderosíssimos afrodisíacos, cascas de  árvores, que são eficazes anafrodisíacos, e, no Novo Mundo, os brotos de certos  cactos — tudo isso, e muito mais, desempenhou seu papel nas infusões das  bruxas. Paracelso obteve renome por utilizar algumas tradicionais poções  mágicas para fins medicinais. Os Bórgia obtiveram infâmia por empregá-las  como venenos sutis que destruíam a mente sem necessariamente destruir o  corpo. Conta-se que o filósofo romano  Lucrécio perdeu a sanidade devido a uma bebida mágica que sua mulher lhe deu para restaurar a sua afeição por ela.  Existem antigas receitas de ungüentos de bruxas que contêm ópio e cantárida.  Não é difícil imaginar que espécie de sonhos irromperiam no sono assim  induzido. C. S. Ollivier, em seu recente livro Analysis of Magic and Witchcraft,  opina que a assistência ao Sabbat era amiúde obtida através de sonhos induzidos  por drogas .

 Venenos sutis exercem também um papel na eficácia das maldições, sendo o  método favorito fazer um talismã de bronze, cobre ou chumbo, e prendê-lo  discretamente no fundo de um vaso de beber ou de uma panela. Que efeito tinha  o talismã, eis um dado conjectural, mas não há dúvida pelo menos quanto ao  efeito do chumbo, que se dissolve constantemente em pequenas quantidades, e  do verdete nos alimentos .

 Mas embora todas essas coisas fizessem parte, e parte considerável, do culto das  bruxas, não podemos considerá-las estritamente como um método de ataque  psíquico, e referimo-nos a elas nestas páginas apenas para que seus efeitos  possam ser excluídos da diagnose .

 Há três fatores num ataque psíquico, e qualquer um deles — ou todos —, pode  ser empregado numa dada ocasião. O primeiro deles é a sugestão hipnótica  telepática. O segundo é o reforço da sugestão pela invocação de certas forças  invisíveis. O terceiro é o emprego de alguma substância física como um point  d’appui, ponto de contato, ou vínculo magnético. A força empregada pode ser  utilizada como uma corrente direta, transmitida pela concentração mental do  operador, ou pode ser conservada numa espécie de acumulador psíquico, que  pode ser um elemental artificial ou um talismã .

 No Capítulo II, consideramos com alguma extensão a da sugestão, e não  precisamos repetir o que já foi dito, exceto para lembrar ao leitor que a essência  da telepatia consiste na indução simpática da vibração. Os psicólogos  experimentais sempre suspeitaram que a emoção é muito semelhante à  eletricidade; eles provaram conclusivamente que os estados emocionais alteram  a condutividade elétrica do corpo. O ocultista acredita que a emoção é uma  força de tipo elétrico, e que no caso do homem comum ela se irradia dele para  todas as direções, formando um campo magnético; mas no caso do ocultista  treinado ela pode ser concentrada num feixe e direcionada. Suponhamos que  você seja capaz de concentrar toda a sua atenção sobre uma única emoção,  inibindo tudo o mais, você terá alcançado um estado emocional puro, nãoadulterado e não-diluído. Toda a força vital que se juntou à sua alma fluirá, por  conseguinte, nessa simples subdivisão de um único canal, ao invés de espalharse pelas inúmeras ramificações dos três canais comuns anteriormente referidos.  A concentração será tremenda, mas ela será obtida a um preço tremendo. ~ para alcançar essa terrível concentração que os santos do Ocidente e os yogues do  Oriente praticam um ascetismo torturante. Você precisa vender tudo que possui  para adquirir essa pérola valiosíssima, e um eco do método persiste na tradição  dos contos de fada em que a pessoa que descobre a pedra da sorte só pode ter  um único desejo. Tal concentração é boa para um propósito, e apenas para um.  Podemos nos concentrar sobre uma cura, ou sobre uma destruição, mas não  podemos operar as duas simultaneamente;  e não podemos também mudar  facilmente de uma para outra. Não podemos combinar os incompatíveis nos  limites de uma única vida. Ou seja, se nos concentramos num trabalho de maldição e morte para realizar um ato de vingança, e a nossa raiva é saciada, não  podemos imediatamente virar a direção da alma e nos reconcentrar em trabalhos  de sabedoria e redenção. Podemos comparar a alma que se move com a maré  da. evolução a uma roda que gira no sentido dos ponteiros do relógio; e a alma  que se move contra a maré da evolução a uma roda que gira em sentido antihorário. A posição do eixo pode ser alterada de modo que a roda gire qualquer  ângulo sem que a direção de sua revolução seja afetada, mas o volante deve  parar antes que o engenho possa ser invertido, e um grande volante exige um  grande esforço para ser detido. Além disso, para inverter o volante, temos que  parar o mecanismo. O movimento normal da alma é no sentido horário, à frente  da corrente da evolução. Precisamos pensar muito antes de tentar inverter essa  direção, mesmo momentaneamente, a fim de realizar um trabalho de maldição e  morte. O velho refrão “Vai haver o diabo!” diz bem a verdade. Além disso, é  questionável se existe essa inversão momentânea da direção. O impulso deve  ser refreado e iniciado novamente antes que a inversão da direção possa ocorrer .

 Forças poderosas podem ser desenvolvidas por essa concentração subjetiva da  própria mente, mas mesmo as forças mais poderosas podem ser utilizadas se  aplicarmos o equivalente mecânico das marchas; se, em outras palavras,  enquanto essa tremenda concentração está sendo mantida, captamos os contatos  da força cósmica correspondente. Utilizamos os poderes da mente humana  como um arranque automático, e, enquanto a menor roda propulsora está  girando, engatamos a engrenagem do mecanismo principal. Há um breve  período de luta enquanto a pequena peça força as alavancas relutantes da grande  máquina, mas depois o vapor toma impulso e o mecanismo recomeça seu  trabalho. Depois disso é apenas engatar a marcha e dirigir — se você for capaz!  Ocorre o mesmo com a magia cerimonial .

 Examinemos um caso concreto de alguém que deseja servir-se de uma força  belicosa. Ele teria que recorrer a uma cerimônia do planeta Marte. Drapejaria  seu altar com um tecido vermelho e ele próprio vestiria uma túnica escarlate.  Todos os seus utensílios mágicos seriam de ferro e o seu bastão de força seria  uma espada nua. Sobre seu altar ele colocaria cinco velas, pois cinco é o  número de Marte. Sobre seu peito estaria o símbolo de Marte gravado num pentágono de aço. Em sua mão estaria um anel de rubi. Ele queimaria enxofre e  salitre em seu turíbulo. E então, de acordo com o trabalho em vista, invocaria o  aspecto angélico ou demoníaco da Quinta Sephira, Geburah, a esfera de Marte.  Invocaria o nome divino de Geburah, chamando o Deus das Batalhas para ouvilo, ou o arquidemônio da Quinta Morada Infernal. Tendo realizado essa  poderosa invocação, ele se ofereceria então a si próprio no altar como o canal  para a manifestação da força .

 Há ainda muitas fórmulas que ensinam como fazer para que uma força seja  captada sem a necessidade de o próprio mágico ser o canal. Em minha opinião,  elas são absolutamente ineficazes; o único substituto possível para o mágico é  um médium em transe. Ë por essa razão  que a magia ritual não consegue  realizá-la. Você não pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos, e se você  tenciona ser um mágico, você tem que ir até o fim. Quando se trata de captar o  aspecto angélico de uma força, a questão é inteiramente diversa. Ser o canal de  uma tal força constitui um grande privilégio e é uma iniciação em si. O  operador precisa apenas eliminar de sua natureza todas as incompatibilidades e  manter-se concentrado sem vacilações. O pior que pode acontecer é ele não  obter resultado algum. Mas quando ele procura captar o aspecto demoníaco de  uma esfera, o assunto muda de figura. Pouquíssimas pessoas desejam oferecerse para a manifestação de uma força como Asmodeus. Eu não acredito que haja  qualquer esquema para invocar os demônios sem ser obsediado por eles, a não  ser o método de Abramelin, que envolve seis meses de preparação e só é  operado após se ter alcançado o conhecimento e a familiaridade do Anjo  Guardião Sagrado. A beira do Abismo está bem protegida. Não é possível atirar  com o revólver e evitar o coice da arma .

 Tendo invocado e concentrado sua força, o feiticeiro tem em seguida que  considerar seu alvo. Ele precisa entrar em contato astral com a vítima. Para  fazê-lo, ele deve produzir uma relação, o que não é tão fácil quanto se imagina.  Em primeiro lugar, ele tem que encontrar sua vítima e estabelecer um ponto de  contato em sua esfera, e em seguida, operando a partir dessa base, conseguir  penetrar-lhe a aura. Uma força desfocada não é muito útil. Um foco deve ser  obtido. O método comum é obter algum objeto que esteja impregnado com o  magnetismo da vítima visada, uma mecha de cabelos, um cortador de unhas ou  qualquer coisa que ela vista ou manuseie. Tal objeto está vinculado  magneticamente ao seu possuidor, e o feiticeiro pode  seguir a pista e assim  penetrar na esfera de sua vítima e estabelecer uma ligação. Ele procede, então,  como qualquer hipnotizador que conseguiu colocar sua vítima nos primeiros  estágios de hipnose. Por meio do vínculo magnético, ele ganhou a atenção  psíquica de sua vítima, que ouvirá as suas sugestões subconscientemente. Resta,  então, observar se as sementes de pensamento assim plantadas lançarão raízes ou se serão expulsas da mente. Em todo caso, a vítima ficou perturbada e inquieta .

 Se um vínculo magnético não pode ser obtido, o praticante da magia negra  precisa recorrer a outros estratagemas. Um dos mais comuns é o da  Substituição. Um objeto é escolhido e por meio do cerimonial é identificado  com a vítima visada. Por exemplo, um pequeno animal pode ser batizado com o  nome da vítima, e depois imolado, normalmente por tortura, com o operador  concentrando-se entrementes na personalidade do original. O velho estratagema  de fazer uma imagem de cera e derretê-la diante do fogo, ou enfiar cravos numa  estátua de madeira, batizada com o nome da vítima, é freqüentemente  encontrado nos registros dos julgamentos de bruxas. Enfiar cravos não tem, de  fato, nenhum efeito imaginável sobre a vítima, mas ajuda a concentração do  operador .

 O método do talismã é também  empregado de várias maneiras. Um talismã é  um símbolo que representa uma certa força, ou uma combinação de forças,  gravado numa substância conveniente, e magnetizado pelo ritual Ele pode ser  feito de qualquer coisa que retenha o magnetismo; metais, pedras preciosas ou  pergaminho são empregados com freqüencia; o papel é menos eficaz, a não ser  que seja encerrado num estojo de metal. A água e o óleo podem ser  magnetizados eficazmente, mas logo perdem sua potência. Constrói-se um  talismã evocando-se a força  necessária, como já se descreveu, e então  concentrando-a sobre o objeto preparado, que é colocado sobre o altar antes do  início das evocações .

 Um talismã assim preparado deve em seguida ser colocado na esfera magnética  da vitima. Conta-se que a Sra. Burton, desejosa de converter seu marido livrepensador, o famoso Sir Richard Burton, o grande explorador, costumava pedir  ao seu padre para benzer pequenas estátuas de santos e colocava-as nos bolsos  de suas roupas. Um estratagema semelhante é utilizado pelos operadores do  ocultismo negro. Objetos magnetizados são colocados nos quartos  habitualmente ocupados pela vítima, ou enterrados em seu caminho, de modo  que ela deva passar sobre eles com freqüência. Esses talismãs malignos não  apenas agem por seu próprio poder, mas também servem para o feiticeiro como  ponto de concentração para suas meditações .

 Efeitos nocivos são também produzidos por objetos que foram utilizados na  magia negra e que se impregnaram com as forças em cuja geração foram  empregados.  As bugigangas do equipamento mágico aparecem em lugares  muito estranhos. Eu estava presente a um leilão numa cidade rural quando os  doze signos do zodíaco, caprichosamente pintados numa lousa, vieram à venda.  Várias de minhas amigas haviam adquirido tesouros mágicos, tais como lâmpadas de altar e queimadores de incenso que obviamente provinham de lojas  rituais, mas a melhor peça da coleção era uma vara mágica que foi posta em  leilão juntamente com um lote de pás e tenazes. Grandes globos de cristal são  vistos com freqüência nos antiquários. Todos esses objetos devem ser  cuidadosamente desmagnetizados antes de entrarem na esfera psíquica de  alguém .

 Eu estava participando certa vez de uma série de experiências psíquicas que  seguiam seu curso normal, quando, por nenhuma razão aparente, as coisas  começaram a sair errado e houve um verdadeiro cataclismo. Não soubemos  senão depois que o proprietário do apartamento em que as coisas ocorriam  havia adquirido um tapete que havia sido utilizado num ritual mágico por um  ocultista de quem somente a extrema brandura poderia ser considerada  duvidosa .

 O elemental artificial é realmente a base da eficácia das maldições. Nesse caso,  não se emprega nenhuma substância física, mas uma porção do Akasha é  modelada numa forma definida e assim conservada pela vontade do operador,  até que, por assim dizer, “endureça”. Derrama-se nessa forma a energia  concentrada do operador, algo de seu próprio eu vai para ela. Essa forma é a sua  alma, e é como um torpedo autogovernado que se põe a mover contra um alvo  escolhido. Ou o operador, se for um mágico experiente, pode deliberadamente  animar essa forma mental com essência elemental, que é a substância rude e  indiferenciada da vida extraída de um ou outro dos reinos elementais. É para se  fazer isso que se invoca a maldição em nome de algum ser. O amaldiçoador  declara “Eu o amaldiçôo por isso e aquilo”. E essa evocação chama a essência  que anima a forma mental, produzindo assim um elemental artificial que é  dotado de uma vida própria e independente .

 Se desejamos saber algo sobre a eficácia das maldições, devemos apenas  examinar o relato dos homens que estiveram envolvidos na abertura da famosa  tumba de Tut-ankh-amen. Há muitos outros casos igualmente bem  documentados .

 Podemos ser expostos a um aborrecimento oculto, seja contrariando ou de  alguma outra maneira enredando-nos com um ocultista inescrupuloso, seja  envolvendo-nos com uma duvidosa fraternidade oculta. No caso de uma disputa  com um ocultista, além dos motivos humanos comuns para um abuso de poder,  é preciso contar com o fato de que um adepto que não é dos mais puros sempre  sofre da desagradável enfermidade psíquica do “ego hipertrofiado”. Ele amará o  poder para seu próprio bem, e tomará qualquer deserção da parte de um antigo  seguidor, ou qualquer resistência à sua vontade imperiosa, como um insulto  pessoal ou mesmo como uma injúria. Com uma mente treinada, um pensador irado causará danos, e eu soube de casos de ocultistas que, por puro melindre,  chegaram a extremos da maldade. Só podemos esperar que eles não acreditem  na eficácia do que fizeram, e que apenas representaram para a galeria “pour  encourager les autres” e para assegurar-se da lealdade entre seus seguidores .

 Outra coisa que é vista particularmente com maus olhos por esse tipo de adepto  são as tentativas da parte de um pupilo que rompeu com o mestre de fazer uso  daquilo que lhe foi ensinado. Parece não haver nada que o ciumento guru não  faça para destruir fisicamente o seu cheia .

 Num caso que chegou ao meu conhecimento, uma cantora de concerto havia  feito um “tratamento” para melhorar a voz com um adepto medíocre. Ela  finalmente decidiu que não gastaria mais um tostão nesse empreendimento e  disse-lhe na visita seguinte que aquela deveria ser a última. Ele concentrou o  olhar sobre ela e disse-lhe que, se o fizesse, assim que subisse ao palco veria sua  face no ar diante de si e que sua garganta se fecharia e ela seria incapaz de  emitir um som, e que essa horrível experiência ocorreria todas as vezes que ela  tentasse cantar, cessando apenas quando retornasse e prosseguisse o  “tratamento” (a um guinéu a hora). Essa poderosa sugestão hipnótica revelou-se  efetiva, e a sua carreira estava prestes a terminar quando o encanto foi  quebrado .

 A seguinte carta contém uma experiência muito ilustrativa e é muito valiosa,  não apenas por relatar um ataque psíquico, mas também por descrever a  maneira pela qual o ataque foi combatido .

 “No inverno de 1921—1922 recebi a seguinte informação (dos Plano  Interiores): ‘Vemos a sua iniciação na Ordem de Cristo’. Não entendi muito  bem e aguardei .

 “Em julho de 1922, um oriental, o chefe de uma grande Ordem religiosa, veio  visitar-me. (Eu estava morando na Suíça.) Vamos chamá-lo de Z. Eu esperava  grandes coisas dele e via-o como uma espécie de Mestre. Sabendo que ele havia  conhecido Abdul Baha, pensei em agradá-lo colocando a foto de A. B. na  parede, mas quando Z. entrou em minha sala percebi que ele absolutamente não  gostou da idéia. Conversamos durante algum tempo e ele me fez diversas  perguntas. Subitamente, ele se ofereceu para iniciar-me em sua Ordem. Fiquei  confusa e não senti a aprovação interior. Disse-lhe que precisava refletir. Mais  tarde tive uma inspiração (?) e perguntei: ‘A sua Ordem é a Ordem de Cristo?’.  Ele respondeu: ‘Sim, é’. Eu lhe contei a minha experiência (relatada acima) e  aceitei a iniciação; mas eu tinha a convicção interna de que havia algo errado .

 “Não senti nenhuma reação interior aos vários incidentes durante a iniciação, e  comecei a invocar mentalmente e sinceramente ao Cristo, e continuei a fazê-lo até o término da cerimônia. (Soube depois que ele havia dito a um de seus  discípulos que eu aceitara a iniciação mas não o Mestre.) “Seria demais relatar outros detalhes menos importantes, de modo que vou  reportar-me ao segundo encontro durante o qual ele me pediu várias vezes para  deixar a cidade em que eu estava e juntar-me a ele num trabalho ativo. Dessa  vez eu ouvi claramente a voz interior; ela disse ‘Não’. Subitamente, ele disse:  ‘Sente-se à minha frente; eu vou curá-la’. (Eu estava muito doente nessa  ocasião.) Ele me fixou com um forte olhar de comando. Invoquei mentalmente  o Cristo e senti que se formara em torno de mim uma espécie de casca. ‘Pronto’,  disse ele, ‘eu a curei.’ A voz interior disse ‘Não’ .

 “Bem, ele se foi e eu passei por um mau bocado, pois eu tinha a sensação de  que havia algo errado, embora não suspeitasse algo maligno. (Como não  suspeito ainda hoje.) “Escrevi um relato desse encontro a uma amiga, e uma carta enviada por ela  cruzou-se com a minha. Ela contava-me que durante o meu encontro com Z., o  qual ela ignorava, ela fora instada a juntar-se ao nosso mestre espiritual para  auxiliar-me. Ela se retirou dos Planos Externos e percebeu, então, que  poderosas forças hipnóticas estavam chegando até mim em ondas. Ela teve que  usar todo o seu poder espiritual para ajudar-me a resistir a elas, mas finalmente  ‘fincamos pé numa rocha, banhada de luz e livre’. Minha carta deu-lhe a chave  do ocorrido; mas ela replicou: ‘Tome cuidado, Z. tentará novamente. Ele  percebeu que foi impedido; e tentará nos Planos Interiores na próxima vez’ .

 “Aqui começa a grande experiência. Poucas semanas depois, à noite, eu tive  uma visão muito vívida, ao que parecia, mas foi uma experiência real. Eu estava  no meio de um grupo de sete ou oito pessoas, das quais duas eu podia perceber  claramente. À minha esquerda estava uma mulher inteiramente velada de preto,  o que lhe tornava a figura assustadora. A direita estava Z. Ele disse: ‘Eu lhe  darei agora a segunda, a iniciação superior’. E prendeu-me o braço direito com  força. Mas eu me soltei e, permanecendo composta e calma, disse (posso ouvir  ainda a minha voz): ‘Antes que essa cerimônia prossiga, quero dizer algo. Não  posso admitir nada e ninguém entre mim e o Cristo’. Houve um lamento, mãos  em gestos ameaçadores e tudo desapareceu .

 “Pouco depois rasguei. meu cartão de iniciação, tirei Z. da cabeça e não tive  nenhuma experiência pessoal consciente com ele desde então .

 “Mas eu lhe havia apresentado um jovem músico francês de elevada posição  social, de quem ele havia gostado bastante. (Vamos chamá-lo de F.) F. e eu  somos muito amigos, e naquela época ele precisava de alguma música oriental para uma de suas composições  — e por outro lado, ele poderia ter sido  extremamente útil a Z. por quem ele se sentia fortemente atraído. Após a minha  própria experiência, comecei a ficar alarmada, mas senti que eu não era  suficientemente forte para lidar com a situação, de modo que nada disse a F.  mas orei para que ele pudesse ser protegido de todo mal. Pouco depois F. faloume em suas cartas de diversas experiências astrais. Em seus sonhos ele passava  por toda a sorte de coisas desagradáveis e vozes lhe diziam ‘Peça a Z. que o  ajude. Ele o ajudará’. Então ele percebia a minha presença e começava a evocar  o Cristo (tudo isso em seu sonho) e as imagens desapareciam. Isso aconteceu  mais de uma vez. Somente quando nos encontramos novamente eu lhe falei de  minha própria experiência .

 “Devo acrescentar que uma amiga com poder psíquico veio ver-me por esse  tempo e disse: ‘Na semana passada, à noite, eu a vi por três vezes. Você me  pedia para ajudar a salvar um jovem que estava em perigo. O que isso  significa?’ O caso acima indica claramente a utilização deliberada do poder mental por Z.  Sua pretensa “cura espiritual” era uma óbvia tentativa de hipnose. Minha  correspondente diz claramente que nunca suspeitou que ele tivesse qualquer  propósito maligno; e que ele agia corretamente de acordo com as suas luzes. Eu  afirmo, contudo, que qualquer tentativa para dominar os outros, ou manipular  de alguma maneira as suas mentes sem o seu consentimento, é uma intrusão  injustificável em seu livre arbítrio e um crime contra a integridade da alma.  Como podemos julgar as íntimas necessidades espirituais de  uma pessoa,  especialmente se ela preferiu não confiar em nós? Que direito temos de invadir  a sua privacidade espiritual e colocar o nosso nariz nos assuntos de seu ser mais  interior? É tão comum a prática de enviar nomes de pessoas aos círculos de cura  com o pedido de que eles se concentrem nelas, sem se tomar a precaução  preliminar de pedir-lhes sua permissão, que ouvi anunciado da plataforma de  um grande encontro público de espiritualistas que só seriam levados em  consideração os casos em que houvesse um assentimento por escrito do  interessado .

 Felizmente para todos, os procedimentos desses “círculos de cura” são  normalmente tão fúteis que ninguém precisa temer ser o alvo de sua  concentração, mesmo se eles estiverem tentando o assassínio .

 No entanto, resta o princípio, e só posso lembrar a minha opinião mais uma vez,  como já lembrei várias vezes, de que tal procedimento é uma ultrajante falta de  modos e de boa-fé, e contrária a toda a tradição ocultista. Penso que posso dizer  honestamente que nunca desejei dirigir as grandes correntes de destruição para  meus companheiros ocultistas, embora haja alguns dentre eles em quem eu  gostaria muito bem de dar umas palmadas!


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