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Como um arco-iris na escuridão desde 1996

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A Jihad do Arco-iris: lançada Mithly a primeira revista homossexual árabe


Como um arco-iris na escuridão desde 1996

Em abril deste ano o mundo islâmico deu mais um passo para a conquista do mundo. É fato notório que o Islã é a religião que mais cresce no mundo, são 16% a mais de fiéis a cada ano que passa, perfazendo hoje um número que ultrapassa os 20% de total de habitantes do planeta. Mas este novo passo não é exatamente um que os líderes religiosos gostariam que tivesse sido dado. Este ano foi lançada oficialmente no Marrocos, um pais onde "atos licenciosos ou contra a natureza cometidos com indivíduos do mesmo sexo" podem ser punidos com prisão de seis meses a três anos além das eventuais multas, Mithly, a primeira revista gay a circular em árabe.

E parece que os membros de uma das religiões que conquistou o rótulo de uma das mais intolerantes do mundo não desaprovaram de todo a idéia. Apesar da grande polêmica causada nos meios de comunicação e do silêncio do governo do rei Mohammed VI, desde sua criação o site da revista já foi visitado por mais de 1.000.000 de visitantes únicos, de acordo com o periódico digital O Dia Online. A revista tem exemplares impressos distribuídos de forma clandestina e gratuita mas pode ser baixada de forma gratuíta e integral pela internet, veja aqui o primeiro exemplar

Em uma cultura onde não existe um termo equivalente a "homossexual" que não seja pejorativo - como "zamel" que significa efeminado ou "chaddh" que significa perverso - a escolha do nome da publicação não foi tarefa fácil, o título final escolhido, Mithly significa literalmente "igual a mim".

E assim o povo que alguns séculos atrás possuía poetas que escreviam belos textos sobre efebos e cortesãs e diálogos entre homens que amam mulheres e homens que amam homens ganha uma publicação que não faz provocações nem se promove graças a imagens apelativas de "nús artísticos", a revista tem diagramação simples com apenas 20 páginas e traz artigos sobre o dia internacional da mulher, testemunhos de gays que saíram do armário, o alto índice de suicídio entre homossexuais e outros assuntos que mostram o quão sério é ser gay onde a religião ainda é vista como lei. Mas o interessante é que a revista não propõe uma ruptura com o Estado ou a religião, pelo contrário o objetivo é integrar o discurso homossexual na vida do país.

No Brasil a comunidade islâmica tem uma visão clara sobre o que a revista significa, não importa o quão inteligente ou mesmo elitista sejam as matérias: "Homossexualidade é proibida, é pecado", como deixa claro o xeque Jihad Hassan Hammadeh, um dos líderes islâmicos aqui no país, mas isso não significa que ele ache que os homossexuais devam ser caçados. De acordo com Hammadeh a religião dá ao crente a possibilidade de não divulgar seu pecado, assim eventualmente ele pode se redimir e ter seu acerto de contas final direto com Allah, o conselho dele para os pecadores da comunidade, inclusive os homossexuais, é""Se pecou, não divulgue.

O número 2 de Mithy foi publicado dia 1 de junho, e o terceiro número está prometido para julho, trazendo inclusive uma matéria sobre o lesbianismo no mundo árabe, afinal pior do que ser um árabe gay, é ser um árabe gay e mulher.


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