Eu? Robô? — Morte Súbita inc.
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Klaatu barada nikto

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siga a estrada de tijolos amarelos: Blog Eu? Robô?

Eu? Robô?


Klaatu barada nikto

Em 1988 Anton Szandor LaVey escreveu um texto que ficou conhecido como Revisionismo Pentagonal. A idéia era pegar a doutrina Satânica e colocá-la em pratica. Após décadas desenvolvendo a filosofia do Satanismo, LaVey criou algumas metas para serem alcançadas em sociedade. Dentre elas ele escreveu:

Desenvolvimento e produção de companhias humanas artificiais - a industria proibida. Uma sacada econômica que permitira que qualquer pessoa exerça seu poder sobre alguém. Uma forma de escravidão educada, sofisticada e tecnologicamente viável.

Para muitos esta idéia pode parecer a ressaca de uma mente febril que acompanhou o surgimento e desenvolvimento das doutrinas futuristas dos anos 60 e 70, mas a realidade se mostra mais estranha do que a imaginação. Hoje empresas perceberam que apesar das pessoas terem mais acesso a tecnologia `nunca estiveram tão sós. Há anos no mercado fabricantes como o Real Dolls, vem criando companhias tanto para homens, quanto para mulheres, mesmo aqueles com fetiches especiais como aficcionados em quadrinhos podem encontrar seus parceiros artificiais.

Mas isso ainda não é ainda exatamente o que LaVey tinha em mente, afinal por mais realistas que sejam são apenas bonecos. Foi com os passos dados pela robótica que a sugestão dada por LaVey da realização máxima de nosso lado dominador tomou a forma do que pode se tornar um pesadelo interessante.

Há alguns anos a ideia de criar robôs capazes de executar tarefas simples como andar sobre duas pernas ou prestar atenção ao ambiente que os cercava era um desafio. Hoje isso tudo e realidade. Se antes criar um robô que conseguisse se equilibrar era um sonho hoje temos robôs que andam de bicicleta, que consegue correr, subir ladeiras e andar sobre pedras e quem sabe, se aproximando mais da visão LaVeyana futuras stripers cibernéticas ou mesmo boas moças para apresentarmos para nossas mães, ou nossos pais.

Mas algo com o qual LaVey talvez não contasse seria a reação das pessoas quando essas companhias artificiais deixassem de apenas nos servir para começarem a criar. A Toyota desenvolveu uma serie de robôs que tocam musica, uma banda robotica e até um robô violinista, a reacao das pessoas ao  verem robôs deixando de obedecer para aparentemente criar é surpreendente, muitas pessoas criticam, vociferam, afirmam que essa ideia e tola já que robôs nunca serão capazes de compor algo que preste, já que diferente dos humanos não tem uma alma para colocarem na musica, comentários como este:

"Chegará o dia em que os robôs nos substituirão em tudo... e o seu humano normal terá muito trabalho para conseguir um emprego."

"Isto não é criativo, claro que robôs nunca tocarão músicas da mesma forma que um músico de verdade faz."

"Mesmo sendo um invento incrível eu sinto, pessoalmente, que isto é uma coisa horripilante. Onde estão os sentimentos? Como ficam esses movimentos e expressões e essa sensação quando vemos uma pessoa que toca com o coração?"

"Isto é muito estranho! O problema é que robôs definitivamente não "sentem" a música que estão "tocando", por isso nunca substituirão o toque humano. Música tem que ser sentida, não simplesmente reproduzida."

Não muito tempo atrás eram as mulheres, os negros e índios que se tornavam alvos de comentários exatamente iguais a esses. Eram excluidos de uma participação plena da sociedade ou exibidos como curiosidades em feiras e circos, para depois serem incorporados no dia a dia como força de trabalho "automatizada".

Tão logo a tecnologia consiga elevar o nível de complexidade de interação de robôs, substituindo aquelas caixinhas que aspiravam o chão, ou estranhos insetos metálicos que tinham comportamento semelhante a suas contra partes orgânicas é possível começar a notar uma ponta de preconceito forte surgindo. Historiadores dizem que não foi a escravidão que criou o racismo, mas o racismo que criou a escravidão. O que dizer de uma nova forma de racismo não contra seres inferiores, mas sobre "organismos" criados e desenvolvidos?

E depois os céticos dizem que o que atrapalha o desenvolvimento da genética é a igreja, hora de olhar par ao próprio umbigo. Vamos apenas esperar que de fato consigam desenvolver as leis propostas por Asimov antes dos robôs começarem a se questionar porque é que eles fazem o trabalho duro e são tratados como coisas.


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