Iemanjá é agredida por pais de santos no Réveillon — Morte Súbita inc.
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siga a estrada de tijolos amarelos: Blog Iemanjá é agredida por pais de santos no Réveillon

Iemanjá é agredida por pais de santos no Réveillon


Guardando as oferendas para nós mesmos desde 1996

Fim de ano é hora do povo fazer o que faz de melhor: papel de idiota.

No litoral do Brasil, uma das práticas mais comuns é pular algumas ondas e fazer oferendas para Iemanjá com velas, flores e comida. Na manhã seguinte, quando todos estão de ressaca, ninguém lembra de ver como a praia fica com toda essa sujeira que os orixás se esqueceram de levar para casa. O caso já é discutido por especialistas,  tamanho o lixo gerado.

Mesmo as pessoas sensatas, que no resto do ano achariam um absurdo alguém jogar lixo no mar, vão simplesmente ignorar os despejos de cerâmica, plástico e vidro em nome de uma tradição religiosa. Isso sem falar do enorme mercado de oportunidade que prospera nesta época, casas de produtos especializados vendem kits prontos com toda espécie de quinquilharia que acaba voltando para a praia ou acumulando no fundo do mar.

Isso já deveria bastar para olharmos com estranheza esta prática, mas alguns sacerdotes (ops.. digo Orixás) são ainda mais vaidosos e não se contentam com um pacote de pipoca e bijuteria barata. Existem muitas madames que no réveillon são convencidas por seus "conselheiros espirituais" a colocar jóias pessoais ou mesmo dinheiro vivo nas embarcações místicas. Obviamente, muitas destas oferendas tem seu conteúdo violado pelo pedágio não oficial das mãos rápidas de alguns sacerdotes dos cultos afro-brasileiros.

Nós do projeto Morte Súbita somos a favor da liberdade religiosa, então se você testemunhar alguns destes atos de ingenuidade, não interrompa! Pode ser que você tenha a sorte de encontrar entre o lixo gerado pelas ofertas um relógio de ouro que um pai de santo deixou escapar ou uma pulseira de prata enterrada na areia.

A grande ironia é que Iemanjá, que assiste a roubalheira, é a Orixá que reina e cuida dos oceanos e das praias. Justo no momento em que deveria ser homenageada tem seus reino agredido numa celebração de lixo descartável. Paciência rainha, isso sempre acontece quando a religião se torna uma obrigação social. O menino de Nazaré que o diga.

Odôyabá! Odó Iyá! E boas festas.


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