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siga a estrada de tijolos amarelos: Demonologia Livros de Demonologia Malleus Maleficarum Como distinguir um encantamento de um defeito natural

Como distinguir um encantamento de um defeito natural


Malleus Maleficarum

Segue um tema incidental, com algumas outras dificuldades. O membro de Pedro foi arrebatado, e não sabemos se por bruxaria ou alguma outra maneira, como, pelo poder do demônio, com a licença de Deus. Entre estas, existe alguma forma de determinar ou distinguir? Pode contestar-se como segue. Primeiro que aqueles a quem estas coisas ocorrem com mais freqüência são adúlteros ou fornicadores. Pois quando não respondem à exigência de suas queridas, ou se desejam as abandonar e se unirem as outras mulheres então, suas queridas, por vingança, fazem que aconteçam essas coisas, ou por algum outro poder conseguem que o membro seja eliminado. Segundo, pode distinguir-se pelo fato de que não é permanente. Pois se não se deve à bruxaria, a perda não é permanente, mas se restabelece com o tempo. Mas aqui surge outra dúvida, se isso se deve à natureza da bruxaria: o fato de que não seja permanente. Contesta-se que pode ser permanente, e durar até a morte, tal como julgam os Canonistas e os Teólogos a respeito do impedimento da bruxaria no matrimônio, que o temporário pode chegar a ser permanente. Porque Godofredo diz em seu Summa: “um encantamento nem sempre pode ser eliminado por quem o provocou, seja porque morreu, ou porque não sabe o eliminar, ou porque o encanto se perdeu”. Portanto podemos dizer, da mesma maneira, que o feitiço feito sobre Pedro será permanente se a bruxa que o fez não puder curá-lo. Pois há três graus de bruxas. Porque algumas curam e danam; outras danam, mas não curam; e algumas só parecem ser capazes de curar, isto é, de eliminar danos, como veremos mais adiante. Pois assim nos ocorreu quando, duas bruxas discutiam, e injuriadas, uma disse: “não sou tão malvada como tu porque sei curar àqueles a quem quero”. O feitiço também será permanente se, antes de ter sido curado, a bruxa se ausentar, seja porque mudou de morada ou porque morreu. Porque São Tomás também diz: “qualquer feitiço pode ser permanente quando é de tal modo, que não há remédio humano; ou se houver os homens não o conhecem ou é ilegal; ainda que Deus possa encontrar um remédio por meio de um anjo santo que obrigue ao demônio, quando não à bruxa”. Mas o principal remédio contra a bruxaria é o sacramento da Penitência. Porque a doença corporal procede com freqüência do pecado. Na Segunda Parte deste Tratado mostraremos como podem ser eliminados os feitiços das bruxas. Soluções dos argumentos Em quanto ao primeiro, está claro que não cabe dúvida de que, com a licença de Deus, podem matar os homens, como também os demônios podem tirar esse membro, ou mesmo outros, em verdade e realidade. Mas então não atuam por intermédio de bruxas, a respeito do qual já se fez menção. E disso também fica claro na resposta dada no segundo argumento. Mas é preciso dizer isso: que Deus outorga mais poder de bruxaria sobre as forças genitais porque, etc... Portanto inclusive permite que esse membro seja tirado em verdade e realidade. Mas não é válido dizer que isso ocorre sempre. Pois não seria próprio da bruxaria se isso fosse assim; e ainda que as bruxas, quando fazem essas obras, não pretendem possuir o poder de restabelecer o membro quando desejarem, nem que saibam o faze-lo. Pelo qual está claro que não o retiram em realidade, senão só por um feitiço. Em quanto ao terceiro, a respeito da metamorfose da esposa de Lot, dizemos que foi real, e não um feitiço. E a respeito do quarto, de que os demônios podem criar certas formas substanciais e, portanto também as eliminar, deve-se dizer, a respeito dos magos do faraó, que criaram serpentes para valer; e que os demônios, com a ajuda de outro agente, podem produzir certos efeitos sobre as criaturas imperfeitas, que não podem provocar sobre os homens, que estão sob a guarda de Deus. Pois se diz: Importa-lhe o Deus dos bois? No entanto com a licença de Deus podem fazer aos homens um verdadeiro dano, e também criar um feitiço danoso, e com isso aclara a resposta do último argumento.


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