Ir para o conteúdo. |

  • A Empresa
  • Envie seu texto
  • Apoie
  • Contato
  • Seções:
siga a estrada de tijolos amarelos: Espíritos & Fantasmas Livros sobre Fantasmas Torne-se um Caça-Fantasmas por diversão e lucro Atividade Poltergeister

Atividade Poltergeister


Manual dos Caça-Fantasmas

Talvez dos casos que iremos expor agora, a atividade Poltergeister é a que mais se confunde com casos de fantasmas, na década de 1980 um filme com esse nome foi um grande sucesso e talvez seja parte da confusão, talvez não, mas muitas pessoas ainda confundem o que se convencionou a se chamar de atividade Poltergeister com atividades de fantasmas.

A palavra poltergeist, pronunciada “poltergáist”, tem origem alemã e deriva do verbo polter que significa “barulhento”, a palavra geist que completa o termo significa fantasma. Assim Poltergeister seriam fantasmas barulhentos, isso porque quando o termo foi cunhado se referia a entidades que fariam bagunça, derrubando coisas, causando bagunça e assustando as pessoas, algo como o nosso Saci-Pererê antes de Monteiro Lobato o tornar uma figura simpática.

Tradicionalmente as pessoas acreditavam que os poltergeisters eram espíritos travessos que assustavam pessoas e pregavam peças, como os espíritos zombeteiros da América Latina. Além de travessos esses espíritos eram extremamente bagunceiros e hiperativos, como crianças de sete anos, cheias de açúcar e energia que não querem ir dormir. Eles atiravam objetos, moviam coisas de lugar, faziam luzes piscarem, quebravam objetos, abriam tampas de potes, quebravam ovos, lâmpadas, fazendo barulho e algazarra e para completar eles pareciam gostar da atenção que atraíam, quando maior fosse a reação das pessoas maior era a atividade lhes valendo a fama de violentos e cruéis.

Os casos de poltergeist se distinguem das atividades fantasmagóricas normais por apresentar uma constância de certos fenômenos:

- pancadas secas em tetos, paredes ou móveis
- movimentos vistos ou não de objetos pelo recinto
- súbita aparição ou desaparecimento de objetos
- mal funcionamento de aparelhos elétricos (lampadas oscilando ou explodindo)
- copos e objetos frágeis quebrando sozinhos ou com leve toque
- vandalismos ao acaso e destruição de objetos domésticos
- pessoas que sentem que foram empurradas por uma força invisivel
- incêndios inexplicáveis (por exemplo num guarda roupa onde só as roupas de uma pessoa são queimadas)

De cara um poltergeister pode parecer o caso ideal de todo caçador, mas com o tempo notaram algumas coisas que fez com que as pessoas que pesquisavam o fenômeno mudassem de idéia em relação ao agente que causava toda a bagunça.

As pesquisas de atividades Poltergeiters geralmente começam com relatos como este, publicado em um jornal Canadense algum tempo atrás:

“St. Catharines, Ontário (CP) – Parece que um fantasma que levanta pesos e muda móveis, ronda esses dias o apartamento de uma família de St. Catharines. Dois médicos, dois advogados, dois padres e um grupo de policiais de St. Catharines dizem ter visto este espírito em ação. Eles assegura que uma cadeira, sobre a qual se sentava um menino de onze anos, eleveou-se várias vezes a 15 ou 20 cm acima do solo, mas um policial que pretendia elevar-se nas mesmas condições, não conseguiu. Leitos erguiam-se sobre uma ponta e cômodas deslocavam-se de uma parede à outra.”

O relato prossegue, mas por este trecho podemos ter uma idéia da comoção que este tipo de atividade causa. E de fato a primeira metade do século XX foi dedicada ao estudo deste tipo de fenômeno em particular. Os pesquisadores então levantavam dados sobre o local onde a atividade ocorria, sobre os arredores, levavam câmeras e uma parafernália de equipamentos e registravam tudo o que podiam. Com o tempo começaram a notar algumas peculiaridades sobre esses eventos,
como a duração deles, os locais em que ocorriam e começaram a notar que embora muitas atividades fossem vistas e experienciadas a entidade que supostamente as estava causando não era vista. Também perceberam que o fenômeno era temporário, variando de alguns dias a poucos meses e tudo o que acontecia parecia se concentrar não em um lugar, mas ao redor de uma pessoa presente no lugar.

Em 1967 pesquisadores ficaram sabendo de fenômenos que ocorriam em um tabelionato de Rosenhein, na Alemanha. Lâmpadas fluorescentes de 2,50m que ficavam no teto se desprendiam dos soquetes sozinha, os disjuntores elétricos saltavam sem motivo aparente, a tinta das máquinas de fotocópia esguichavam para fora das cubas sujando tudo ao redor, os quatro telefones tocavam ao mesmo tempo sem ninguém na linha, as contas de telefone eram enormes e os aparelhos tocavam incessantemente. O fenômeno foi estudado primeiramente pela companhia de eletricidade e a Sociedade Siemens e logo chegou aos televisores em dois programas transmitidos pela televisão alemã. Não demorou e alguns especialistas começaram a surgir, assim como pessoas acusando o fenômeno de ser causado por algum criminoso, o próprio diretor do escritório, Herr Adam, abriu um inquérito no departamento de polícia criminal, mas nenhuma interação humana foi encontrada. Além dos fenômenos elétricos outras coisas aconteciam, registrou-se, por exemplo, uma rotação de 320o em um quadro suspenso na parede.

O pensamento de todos se voltou para o sobrenatural e o professor Bender foi convocado ao local para pesquisá-lo a fundo. Foi quando começaram a notar que ele sempre se produzia quando estava na presença de empregada do tabelionato, ela tinha 19 anos na época e se chamava Anne-Marie Sch. Diante dos pesquisadores gavetas se abriam sozinhas, um classificador que pesava 175kg se afastou 30cm da parede sem que ninguém encostasse nele. Trocaram os tubos fluorescentes por lâmpadas incandescente, que ao invés de se soltarem dos soquetes passaram a estourar.  Foi então que fraulein Sch. Ficou doente e passou algum tempo se recuperando em sua casa. Os fenômenos no tabelionato cessaram no mesmo instante e passaram a se produzir em sua casa. Ela então mudou de emprego e o “fantasma elétrico”, como começou a ser conhecido, passou a agir no escritório onde ela estava agora trabalhando.

Passaram então a estudar a própria fraulein Sch. E descobriram que os fenômenos estavam ligados a estados de hipertensão. Esta é a chave para se distinguir um poltergeist de uma atividade fantasmagórica. O Poltergeist está ligado a uma pessoa ao invés de um lugar. Onde quer que a pessoa vá ela é o epicentro dos acontecimentos que a seguirá. Uma pessoa pode portanto fugir de uma atividade fantasmagórica mudando de endereço, mas não consegue escapar de um poltergeist, se estiver inevitavelmente ligado a ele.  Em um local assombrado por entidades ou impressões ou mesmo distorções, o caçador deve ser capaz de deixar
câmeras e gravadores no lugar e registrar atividades mesmo que o local esteja vazio, sem ninguém, com poltergeisters isso não ocorre.

Como na grande maioria dos casos de atividade Poltergeister os fenômenos parecem rondar um indivíduo específico e o indivíduo parece não ter controle ou mesmo consciência de ser ele a causa dos fenômenos. Fraulein Sch. Não tinha nenhum ressentimento com seus empregadores e chegou mesmo a perder o noivo em uma crise. Uma noite indo visitá-lo no boliche onde trabalhava todos os equipamentos elétricos e eletrônicos entraram em pane, o noivo assustado desmancha
o noivado. Realizaram uma bateria de testes parapsicológicos nela e descobriram que quando em seus momentos de tensão ela manifestava faculdades de clarividência de nível elevado, mas como vimos com o fim de seu noivado não era algo que ela controlasse ou mesmo tivesse consciência de como ativar ou desativar.

Outro caso muito mais recente, pesquisado pela equipe L.E.M.U.R., nos Estados Unidos, mostra que o fenômeno permanece muito semelhante hoje aos casos do passado. Eles receberam o pedido de uma mulher de 30 anos, chamada Débora, que sofria já com atividades Poltergeister por quase dois anos. Ela achava que estava sendo atacada por um espírito zombeteiro e que era o alvo principal da confusão que ele causava, já que quase toda a atividade que ele demonstrava acontecia quando ela estava presente. Ela tinha medo do que esse espírito poderia fazer com ela e sentia muito constrangimento dele pois ele parecia segui-la e
isso estava acabando com sua vida social. Um de seus maiores medos era ser considerada praticante de magia ou de feitiçaria se as pessoas a ligassem ao fenômeno, e por ser uma mulher religiosa se sentia especialmente mal com esse tipo de juízo que as pessoas pudessem fazer a seu respeito.

O grupo realizou uma investigação na casa dela e detectaram atividades fantasmagóricas. Flutuações maciças de energia eletromagnética e infravermelha, objetos que se moviam sozinhos. Tiraram fotografias e notaram que ao redor de Débora surgiam “áreas desgastadas”. Quando terminaram a investigação foram conversar com ela e mostraram o que haviam captado. Débora se sentiu um pouco aliviada de ver que não estava louca, que fenômenos físicos reais haviam sido captados e
perguntou como poderia se livrar da entidade. Os pesquisadores foram sinceros e disseram que não haviam meios garantidos de se livrarem dela. Foi então que aconteceu. Débora pareceu ficar extremamente triste e deprimida. Na parede atrás dela haviam pombas de madeira presas, de repente uma das pombas saiu voando pela sala em um grande arco e se espatifou no chão a metros de distância. Os pesquisadores que estavam falando com ela disseram ser capazes de sentir uma onda de energia palpável, como se fosse uma brisa, passar por eles. Foi quando repararam que Débora estava abaixada no chão, catando os pedaços da
pomba, ela olhou para eles e disse: “isso acontece o tempo todo”.


Realizaram outras investigações e estudos, e nunca foram capazes de captar alguma evidência da existência de uma entidade responsável por aqueles fenômenos, mas a constante era Débora, sempre que ela estava presente, eles aconteciam.

Por meio do estudo de diversos casos foi possível descobrir um padrão nas pessoas aflingidas. Notou é que o agente, seja uma pessoa que inconscientemente tem alguma capacidade fora do ordinário, seja alguém atormentada por um espírito que age através dela, costumam ser crianças e adolescentes que estejam sob um certo grau de estresse.


O fator estresse é importante, porque uma vez iniciado o fenômeno poltergeist cria um ciclo vicioso capaz de levar as famílias afetadas ao colapso. Ambientes emocionalmente conturbados estão sempre presentes antes das manifestações se iniciarem, o que leva a crer que possuem um papel importante em seu surgimento. Alguns pesquisadores sugerem que em geral a hostilidade reprimida de um jovem contra os adultos leva a formação de fenômenos de psicocinese espontânea recorrente (FPER) de natureza agressiva. A partir do momento em que um FPER começa, a tendência é que o estresse geral aumente agravando cada
vez mais a situação.

Felizmente este ciclo tem um fim. Parece existir sempre um ápice de violencias, mas assim que ele ocorre as atividades diminuem e somem como se a energia que precisava ser liberada já estivesse descarregada. Em alguns casos duras alguns dias ou semanas, em outros alguns meses. Dificilmente uma pessoa é o centro de uma atividade deste tipo por anos, apesar de alguns casos raros.

E também em alguns casos as idades varia e o sexo também, apesar de serem a maioria, essa atividade não ocorre exclusivamente com meninas. Isso levou muita gente a crer que a atividade esteja ligada às mudanças hormonais que a mulher passa quando entra na adolescência, combinadas com a carga emocional que as acompanha nesta época e com uma inclinação a capacidades psicológicas como telecinésia, clarividência e outras.

Até hoje não se sabe ao certo o que é de fato um poltergeister. Estudos apontam para a possibilidade de ser a capacidade inconsciente de uma pessoa de interagir com o ambiente ao seu redor, alguns estudiosos ainda defendem a possibilidade de um poltergeister de fato ser uma entidade que de alguma forma se liga a uma pessoa e age através dela, mas em 1972 foi realizada uma série de experiências em Toronto, Canadá que provaram a natureza explisivamente humana dos FPER. Uma equipe do Canadian Society for Pychical Research criaram detalhadamente um personagem fictício do século XVIII e em seguida, sem contar sua origem artificial contaram sua história a um grupo de oito pessoas, todas elas com perfils adequados a manifestação poltergeist. Foram realizadas então algumas seções semanais de contato com Philip, que em seguida passou a se manifestar inicialmente sob forma de ruidos e em seguida por meio de pancadas nas paredes,
chegando ao ponto de fazer uma mesa levitar perante as câmaras de vídeo que registraram o evento. Esse foi considerado o primeiro caso de poltergeist induzido.

Assim, caso seu objetivo seja caçar fantasmas, é até interessante encontrar casos de poltergeisters, para motivos de comparação e pesquisa. Entretanto tenha em mente que eles estão mais enquadrados na pesquisa parapsicológica do que da pesquisa do além vida.


Quer publicar seu texto no Morte Súbita inc? Envie para nós.