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siga a estrada de tijolos amarelos: Jesus Freak Cristandades Os Santos Mais Estranhos de Todos os Tempos São Jorge

São Jorge


São JorgeTanto céticos como fanáticos têm problemas com abstrações. Do lado dos céticos tudo é farsa, do lado dos crentes tudo é real. Em algum lugar no meio São Jorge matou o Dragão. A história deste celebrado herói vem do "Legenda Aurea", uma popular compilação medieval do folclore dos santos cheia de magia, fábulas, relíquias sobrenaturais e milagres que eu sinceramente adoraria ver um dia na HBO.

No episódio de São Jorge um Dragão aterroriza a Capadócia. Quando os aldeões cristãos tentam enfrentá-lo ele passa a exigir sacrifícios humanos diários dentre os batizados. Uma princesa escolhida para ser a próxima vítima escreve pedindo ajuda a um soldado romano recém aposentado chamado Jorge que, após relutar, é convencido por Cristo em pessoa a heroicamente se opor a chacina e derrotar o monstro.

O poder desta narrativa varreu os séculos. Muito celebrado São Jorge tornou-se o santo dos policiais, dos cruzados, dos templários, dos militares e até dos escoteiros. É o patrono oficial da Inglaterra, Etiópia, Grécia, Palestina, Portugal, Rússia.. e do Corinthians.

Hoje os historiadores não acreditam mais em fábulas. Os livros sobre São Jorge se esforçam para nos convencer que o Dragão era na verdade o terrível imperador Diocleciano. Infelizmente a parte dos sacrifícios diários de batizados não foi fantasia e muitos morreram em suas mãos. Seja como for Jorge é festejado hoje em procissões e terreiros. O santo guerreiro serviu de inspiração para várias gerações que a vida obrigou a lutar contra monstros.

Para essas pessoas nunca fez diferença se o dragão era um genocida ou se o genocida era um dragão. Pinóquio foi importante não por ser um boneco falante mas por ensinar que mentiras fogem do controle. Os sapatinhos de cristal ensinam que pequenos golpes de azar podem virar grandes golpes de sorte e os sapatinhos de rubi que não há lugar como nosso lar. Isso significa que fadas e anjos não existem? Claro que não.

Como Chesterton, o maior apologista católico do século XX disse: contos de fada são verdadeiros não porque nos dizem que dragões existem, mas porque nos dizem que dragões podem ser derrotados.


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