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siga a estrada de tijolos amarelos: Lovecraft Mitos de Cthulhu Tutulu

Tutulu

ktuluA palavra Tutulu foi ouvida por Crowley durante uma iniciação no Aethyr de Zaa1 a qual ele submeteu-se na Argélia em 24 de Novembro de 1909. Sua aparição em sua visão do 27° Aethyr sugere uma pericorese com a Corrente do Necronomicon. É provável que a palavra transcrita por H.P.Lovecraft como ‘Cthulhu” seja uma forma variante ou corrupção de Tutulu, da mesma forma que Choronzon é uma variante de Chozzar e Choronzain.

Crowley indicou em Liber 418 que Tutulu não podia ser traduzida. A razão para esta afirmação não fica clara porqu

no segundo Æthyr a palavra é traduzida sem comentários.

O número de Tutulu que é 66 é um número da Grande Obra, e de Nu e Had conjugados. Had, sendo idêntico ao deus Set, é o “trono” ou “assento” de Isis, cujo nome significa precisamente isso. Nu-Had é portanto uma forma de Nu-Isis, e assim também, é Tutulu. 66 é o número místico das Qliphoth, o “mundo das conchas”, que sugere a morada dos Abissais da qual Cthulhu ou Tutulu é soberano. 66 também é o número do Anjo At-Taum que revelou à Mani a Gnose da Dupla Corrente. Igualmente e por um certo sistema de gematria, 66 é um número de Aiwaz.2

É necessário notar que a litania contida em Liber 418, que inclui a ‘intraduzível’ palavra Tu-tulu está relacionado com uma fórmula de Gomorra (XI°) o que indica a Forma Reversa e o Caminho associado com o Tuat, o subconsciente.3

Por que Crowley declararia Tutulu como uma palavra intraduzível? No segundo Æthyr aparecem as letras Tu fu tu lu que ele traduz como “Quem a Vontade Deverá Alcançar”. Se esta foi uma tradução precisa, Tu-tulu então seria: “Quem Deverá Alcançar”. Isso pode ser interpretado como a confirmação da promessa da tão aguardada retomada de Cthulhu ao Trono dos Abissais, ou seja, o Assento de Nu-Isis. A inclusão de ‘fu’ em Tutulu, significando Vontade,4 pode ter feito Crowley decidir não traduzir Tutulu porque tal tradução poderia implicar na utilização da Corrente 93 pelos Abissais em sua tentativa à supremacia terrestre.

Em Cults of the Shadow examinei o ponto salientado por Frater Achad segundo o qual Crowley teria falhado em pronunciar uma palavra.5 Pode-se sugerir, timidamente, que a palavra Tutulu que Crowley recebeu em 1909, em conexão com o 27° Æthyr seja a Palavra do Aeon de Horus, ou Set.6 Uma análise completa da Palavra surgirá no tempo devido, aqui eu apenas chamarei a atenção para o fato de que Lovecraft fez Cthulhu a “estrela” de sua Mitologia. O conceito deve, portanto, ser examinada um tanto intimamente.

As Profundezas (Cthulhu) são refletidas nas Eminências (Yog-Sothoth), conforme Set é a sombra7 de Horus. Este ponto é importante, pois Lovecraft define Yog-Sothoth como “Um em Todos, Todos em Um”, que passou a ser o mote escolhido por Frater Achad quando assumiu o Grau de 8° = 3° (Mestre do Templo) na Ordem da Estrela de Prata.8 Achad tinha conhecimento da obra de Lovecraft, ele não teria falhado em comentar o fato de que este lema apareceu mais tarde na obra de Lovecraft em conexão com a contraparte de Cthulhu. Tais fatos são sincronicidades, normalmente inexplicáveis, mas perfeitamente lógicas no contexto de uma contínua pericorese mágica envolvendo Crowley, Jones, Lovecraft, e o presente sintetizador destes elementos.

Yog-Sothoth é o zênite do qual Tutulu é o nadir. Como pontos solsticiais, eles são equilibrados por suas contrapartes equinociais, Leste e Oeste, representados no ciclo do Necronomicon por Hastur e Shub Niggurath. A totalidade do complexo formula a Grande Cruz, que tipifica a travessia da matéria ao espírito. Isto é representado na Árvore da Vida por Daath, e pela Morte nas esculturas do Voodoo de Baron Samedhi.9

As quatro letras da Palavra do Aeon, a Palavra dada em Liber 418 que Crowley supostamente falsificou, são Ma Ka Sha Na. Ma é Maat, cujo elemento, o ar, simboliza o espaço; Ka é Kali, cujo elemento, água, simboliza o sangue; Sha é Shiva ou Set, cujo elemento, o fogo, simboliza o espírito; Na é Niggurath, cujo elemento, terra, simboliza a matéria. A palavra Makhashanah resume assim, a fórmula do Espaço-Tempo-Espírito-Matéria.

A palavra Tutulu, que Crowley evitou traduzir em um lugar, e em outro, traduziu como “Quem (A Vontade) Deverá Alcançar”, contém as chaves para o Espaço-Tempo-Espírito-Matéria. Os t’s gêmeos representam a Dupla Corrente, os Taus do de Dupla Baqueta.10 Os três Vaus (como Ayin) representam o 000 cabalístico, Ain Soph Aur, a matemática raiz cúbica de zero grifada algebricamente como ³√ 0.

Em Liber Trigrammaton11 o conceito é expresso como o “Nada sob suas três formas”.12 Crowley salientou em Liber LII que Zero, ou ZRO,13 é a essência mágica da Matéria. Isso foi usado (alguns dizem abusado) pelos feiticeiros de Atlântida. A letra restante de Tutulu, L, designa Maat-Matéria, cujo Aeon é prenunciado em Liber L.14 Crowley admitiu não ter ouvido certas palavras corretamente durante a transmissão de Liber L, e é provável que ele tenha entendido mal a palavra Tutulu. Ela pode ter sido Kutulu, caso no qual seria idêntica foneticamente, mas não cabalisticamente, com Cthulhu. A revisão de Schlangekraft do Necronomicon (Introdução, p.xix) sugere uma relação entre Kutulu e Cutha, ou Kutu, o oceano do submundo Sumeriano. Portanto, “Kutulu ou Cutalu (Cthulhu de Lovecraft Sumerianizado) significaria “O Homem de Kutu … o Homem do Submundo”, Satan ou Shaitan, como ele é conhecido pelos Yezidis (os quais Crowley considerava os remanescentes da Tradição Sumeriana)”. Note a referência aos Yezidis cuja zona de poder na Árvore da Vida supõe-se ser Yesod, a Fundação ou Assento. O número de Yesod é o número de ZAA, o nome do Æthyr que contêm a palavra Tutulu. O número 9 relaciona-se com a Lua do Tarot.  Ele contém o simbolismo dos Pilones Gêmeos (Tu Tu lu) e os zoo-tipos do Caminho Reverso, o chacal ou a hiena. Ambas as línguagens Lunar e Batílica nas quais está escrito, de acordo com Crowley, a litania contendo Tutulu, são conectadas com a Lua e com o Mar, a morada de Cthulhu. Batílico é uma linguagem dos Abissais. Ela está relacionada com a linguagem lunar assim como o Chinês está ao Japonês, os caracteres são comuns a ambas, mas suas interpretações diferem. As sereias e ninfas denotam os elementos em questão; elas estão relacionadas com a Lua (Atu XVIII) através do caminho que, em seu reflexo Tutuliano, torna-se o túnel de Qulielfi.15 Zaa sugere uma ligação com o Aeon de Zain e com a Serpente, o que, combinado com a A.’.A.’. sugere ainda a “Estrela e a Serpente”.

Qualquer que seja a interpretação de Tutulu, ou Kutulu, não há dúvida de que Cthulhu surgiu no Aeon de Zaa e foi “ouvido” por Crowley duas décadas antes de Lovecraft escrever (em 1926) The Call of Cthulhu que não foi publicado até 1928. Estas considerações não excluem a possibilidade de registros do nome terem sido anteriormente publicados, mas elas confirmam a “objetividade” do conceito e sua independência da faixa individualmente subjetiva de Lovecraft.

Os números mais significativos relacionados com o nome são 77 e 66.O primeiro é o nome de OZ, o título do “novo Manifesto da O.T.O.” de Crowley, que se refere aos “direitos do Homem”.16 66, por outro lado, denota o ‘mundo das conchas “, habitat dos Abissais. Oz inclui Ayin e Zain, o Olho da Serpente. Cthulhu é representado no mito de Lovecraft como um monstro marinho com um único olho piscando de forma sinistra de um aglomerado terminando em oito tentáculos que se contorcem. Os tentáculos tipificam o poder de agarrar, o domínio, a mão ou as entranhas da Força-Mãe (shakti) nas águas do Grande Abismo.17

Os objetos da consecução detalhados no Canto das Sereias (2° Æthyr) são a Espada,18 a Balança ou os Pratos da Balança,19 e a Coroa. Este último simboliza Cthulhu entronizado na Terra ou, mais precisamente, sob a Terra, pois de acordo com a Cabala de Besqul “há Tronos sob a terra”.20 Oz é um reflexo de Zaa e, portanto, um glifo de Yesod, não só porque o seu número é 9, mas também por causa de sua relação com a Estrela da A.’.A.’. (Z-AA), identificando assim esta Estrela com a Estrela dos Yezidi,21 que tem seu foco na nona zona de poder.22 A interrelação dos conceitos de Tutulu, Cthulhu, Oz, Zaa, Yezid, AL, L, Nu-Isis, etc, demonstra inequivocadamente a identidade essencial das Correntes do Necronomicon (555) e de Therion (666). Oz como o Manifesto e Manifestação do Homem é equiparado à Gnose do Necronomicon: “O Poder do Homem é o Poder dos Antigos. E este é o Pacto”.23 Um dos números do homem é 91, que também é o da API, a “deusa que concede proteção na forma de um hipopótamo”,24 um tipo de monstro marinho. Sendo 91 dois25 números a menos que 93, sugere que somente pela conjunção de ambos (homem e mulher) a Corrente Ofídiana é transmitida. Outro número de MAN, 741, é o de AMN, o “Deus Oculto ‘.

O conceito de Humano existe apenas em função de seu oposto, ou reflexo Inumano, o princípio não-humano que está oculto ou latente no coração do homem26 e que é a fonte da Man-ifestação.27 Tal equivalência demonstra a identidade das duas correntes. Mais uma prova da identidade pode ser encontrada na natureza da Grande Obra, que comporta a exaltação da filha ao trono da Mãe,28 que é precisamente a exaltação tipificada por Cthulhu vindo das Profundezas.

A sucessão dos aeons está implícita no simbolismo de Maat cujo glifo é o L líquido, hulu, emergindo ou projetado por Set ou Set-hulu, uma variação fonética de Cthulhu. Só assim pode o número místico das Qliphoth, 66, ser conciliado com a Grande Obra, pois o Mundo das Conchas tipifica a Morte, a Força das Trevas (Nox), externas à Luz da Consciência (Lux), que acabaram sendo integradas à consciência da humanidade,29 a fim de iniciar o Aeon de Maat como esboçado em Liber AL. O processo está implícito na palavra Makhashanah – o que não é, como supõe Crowley, outra forma da Palavra do Aeon, mas a fórmula mágica de Tutulu, Kutulu ou Cthulhu, o Abissal.


1 A Visão e a Voz (Liber 418). As invocações dos espaços exteriores que formam a base desse singular grimório foram escritas pelo Dr. Dee há mais de três séculos atrás.

2 Estou em débito com o Sr. André Cote por esta equação.

Consulte Tuatulu. A palavra = 67, o número de Zin, a forma Antlante de Sin, a Lua, a Corrente Lunar.

4 Vontade (Thelema) = 93. Este também é o número de Aiwaz e do Amor (Ágape), o modo da realização da Vontade.

5 É a função de um Magus pronunciar a Palavra ou fórmula que contêm a(s) vibração(ões) capazes de despertar as Forças do Aeon que o Magus representa.

6 Isto poderia ser entendido que Horus e Set são contrapartes interdependentes. Eles não podem existir separadamente. Esta Dupla Corrente aparece no Necronomicon como Cthulhu-Yog-Sothoth.

7 Note que a soma de ChAYOGA, a ‘Yoga das Sombras’ resulta em 93.

8 A Estrela de Prata ou Argenteum Astrum (A.’.A.’.) é o nome da Grande Loja Branca. Ela consiste em onze graus, cada um deles denotado por uma equação em que a soma dos fatores resulta em onze, o número das Qliphoth ou Exteriores. (Veja o Glossario, Qliphoth).

9 Consulte Satnadhi, que em Sânscrito significa ‘junto ao Senhor’. O Voodoo Samedi como Senhor da Encruzilhadas é um com Carrefour, Carfax, Carstairs, os degraus sendo o caminho acima para o Espírito ou abaixo para a Matéria.

10 Os Taus gêmeos estão explícitos na denominação A.’.A.’. dois uns ou onze, 11.

11 Veja The Magical & Philosophical Comentaries on the Book of the Law (Crowley), págs 219 à 223.

12 O valor de 000 = 210 quando Ayin = 70.  É a fórmula da absorção no Vazio. Seu reflexo, 012, é a fórmula da Manifestação, a aparente e material manifestação da consciência pelo mecanismo da dualidade.

13 Uma palavra Atlante que significa ‘sêmen’.

14 O Livro da Lei, Liber AL, foi originalmente intitulado Liber L. Veja The Equinox, vol. I, no. VII, pág. 386.

15 Veja Nightside of Eden, (Grant), cap. 19 (Parte 2).

16 E, por implicação, aos Ritos da Manifestação, pois o Homem é a manifestação de Nuit em Ma-ion. Veja as Correspondências Oficiais e Extra-oficiais de Achad para uma elaboração desta tese.

17 A Casa de Cthulhu, ou Domínimo, em R’lyeh. (Veja O Chamado de Cthulhu — Lovecraft)

18 Zain significa uma ‘espada’.

19 Libra, cuja letra é ‘L’. Os pratos da balança ["scale" que também pode ser traduzido como escamas] sugere a pele escamosa dos habitantes do mar.

20 Veja Outside the Circles of Time, citação inicial.

21 YZDI=31=AL.

22 Isto identifica a estrela da A.’.A.’. com a Estrela dos Yezidi denotada na Árvore da Vida pela Sephira Yesod.

23 Necronomicon, pag. 166, edição de Schlangecraft.

24 Book of the Dead (trad. Budge), pag. 421.

25 Dois=Beth=Both[Ambos].

26 “Todo homem e toda mulher é uma estrela”. (AL.I.3).

27 Veja a nota 16.

28 Isto pertence à Fórmula do Tetragrammaton que tem sido exaustivamente tratada em minhas trilogias. uma forma simplificada disto é dada em Magick de Crowley, pag. 160 (edição de Grant e Symonds).

29 A palavra ‘humano’, ‘ooman’, significa ‘nascido de uma mulher’.

Retirado da obra “Outer Gateways” de Kenneth Grant e traduzido por Lorkshem

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