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siga a estrada de tijolos amarelos: Lovecraft Mitos de Cthulhu A Magia do Necronomicon Origens dos Nomes Bárbaros do Necronomicon

Origens dos Nomes Bárbaros do Necronomicon


Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

 

Eu tenho que admitir que não fiz pesquisas suficientes nessa área AINDA. Esse é o meu próximo grande projeto. Eu vou postar qualquer coisa interessante que aprender em minha pesquisa. As traduções para Yak-Set Thoth e Asa-Thoth são de “The Rites of the Gods”. A tradução de Nyarlathotep é de “Further Notes on the Necronomicon” por William Hamblin. Se você quiser mais informação a respeito de palavras rituais egípcias em geral tente pesquisar por Copta, Gnóstico ou Greco-Egípcias. Os melhores livros disponíveis sobre mitologia egípcia são de E.A. Budge.

É dito (por HPL) que Alhazred fez uma jornada até ao Egito em procura de segredos ocultos. Isso é consistente com o período de tempo em que é presumido que tenha acontecido. Entre o quarto e o décimo século, estudiosos orientais interessados em questões mágicas viam o Egito como uma fonte inestimável de informação. Durante esse período muitas palavras e frases egípcias corrompidas se inseriram em escritos mágicos. Palavras rituais gnósticas, cópticas e grego-egípcias foram incorporadas em grande número em já existentes sistemas mágicos árabes. Os nomes bárbaros freqüentemente apenas se assemelham de forma vaga com os seus antecedentes egípcios. 

Por exemplo, Asar Un Nefer se tornou Osorronophris. Apesar do nome ter sido mal corrompido, o original ainda pode ser decifrado. Freqüentemente, palavras egípcias e suas corruptelas correspondentes podem ter bem menos similaridade fonética do que neste exemplo. Já foi sugerido que alguns dos nomes bárbaros usados na ficção de Lovecraft podem ser de fato palavras egípcias corrompidas. Particularmente Yog-Sothoth, Azathoth e Nyarlathotep são ditos serem de origem egípcia. (Note os finais obviamente egípcios “hotep” e “thoth”). Foi-me dado um documento impresso privadamente chamado “The Rites of the Gods”.

Este documento consiste de sete rituais curtos e uma introdução. É dito ser uma tradução de um documento árabe. Eu sinto que isso é, entretanto, bem improvável. Eu vou ter que permanecer cético a respeito da origem árabe deste livrinho e sua antiguidade até eu ter evidências sólidas (como o original em árabe). Provavelmente deve ser uma tentativa dereconstruir “rituais anciãos” dedicados aos Outros Deuses. Apesar de eu considerar este documento como um provável apócrifo, a introdução contém algumas especulações bem interessantes e provavelmente exatas a respeito da origem de nomes como Yog-Sothoth e Azathoth. “The Rites of the Gods” sugere as seguintes origens para esses nomes.

AZATHOTH


É dito que Azathoth deriva de Asa-thoth. O “The Rites of the Gods” afirma que Asa se traduz como “fonte” em antigo egípcio, e Thoth (Tehut) é, claro, o popular nome do deus. Asa é um nome alternativo para Thoth. Um amigo que conhece bem mais a mitologia egípcia que eu assegura-se que Asa, o deus, é bastante associado com o conceito de “fonte” (ele é considerado a “fonte” por causa de sua associação com o inicio dos tempos). Ausaa- thoth ou Aasaa-Thoth é traduzido como a inteligência de Thoth.

 

YOG-SOTHOTH

De acordo com “The Rites of the Gods” Yog-Sothoth é derivado de Yak-Set Thoth. Supostamente traduzido como o seguinte Yak signifcia “um” ou “união” (Yak, ou talvez mais corretamente Iak) e Yog parece ser bem diferente na superfície. É uma ilusão o “og” em Yog ser pronunciado como “dog” (cachorro). O som vogal “a” em Yak é pronunciado como “ah”. Deste modo o som vogal em ambas as palavras é idêntico. K e G são baseados no mesmo som-raiz. K e G são formados exatamente na mesma forma pela língua e o palato. A única diferença é o jeito que o ar é solto no final. Yak e Yog são equivalentes fonéticos. Para provar isto à você mesmo tente dizer Yog (como em dog, [cachorro]) e então Yak (como em hawk [falcão]) alternadamente. Eles soam bem similares. Set é, claro, a divindade e Thoth é de novo o deus Thoth. Deste modo Yak-Set Thoth é traduzido como “Set e Thoth são um” ou “a união de Set com Thoth”. Set e Thoth são os aspectos escuro e iluminado da Lua respectivamente na mitologia egípcia. De acordo com “The Rites of the Gods” o significado mágico do nome Yak-Set Thoth é “a união dos opostos em um contexto lunar-vaginal”.


NYARLATHOTEP

 

Nenhuma tradução para Nyarlathotep foi proposta na introdução de “The Rites of the Gods”. Eu primeiro percebi, muitos anos atrás, que Ny e Hotep são palavras egípcias que significam que significam “não” (negação) e “pacífico” respectivamente. “Não pacífico” certamente parece se encaixar no Nyarlathotep de Lovecraft. Eu ainda não sabia o que “Arlat” poderia significar. Eu devo de novo à William Hamblin pela completa tradução completa. Ny significa “Não” Har significa “em” ou “através” Lut “portal” ou “lugar de julgamento” e Hotep significa “paz” ou “descanso”. Deste modo Nyarlathotep é traduzido como “não existe paz através do portal” ou “não existe paz (descanso) no lugar do julgamento”.As funções mágicas de Nyarlathotep são bem próximas das de Thoth (Teht).

De fato, algumas pessoas sugerem que eles talvez realmente representem a mesma força. A equivalência Thoth-Nyarlathotep vai provavelmente esclarecer o significado de Asa-Thoth. (Por favor, note que só porque usei informações dos escritos de William Hamblin neste texto não significa que sr. Hamblin compartilhe alguma opinião expressa nele). 

É bem interessante que os nomes bárbaros associados com o Necronomicon não apenas tem uma palavra egípcia e obedecem fonética egípcia mas parecem vir de palavras egípcias e obedecer gramática egípcia. Palavras e frases egípcias corrompidas freqüentemente aparecem em textos mágicos árabes. A possibilidade do que parecem ser verdadeiros nomes bárbaros na ficção lovecraftiana deve causar uma séria reflexão. Será que HPL derivou estes nomes de um raro livro sobre magia árabe? Poderia ser coincidência?

Eu estive pesquisando magia árabe (e sua conexão com Lovecraft) por aproximadamente 10 anos então eu não poderia ser capaz de listar cada fonte que usei. Contudo eu devo ser capaz de oferecer recursos para as pessoas interessadas em verificar TODAS as alegações que eu fiz.

Mas primeiro deixe-me falar o que eu não usei como fontes. Eu não usei nenhuma das idéias de A. Crowley sobre mitologia ou línguas do Antigo Oriente como fonte de informação de magia e misticismo árabes. Também não usei nenhuma das idéias de Crowley em minhas sugestões a respeito do significado egípcio dos nomes bárbaros (Ainda que tenha usado as idéias de W. Hamblin sobre Nyarlathotep). Crowley não foi uma fonte. Eu não usei a “pesquisa” de Colin Wilson (Filósofo escritor inglês que atacou a ficção de H.P. Lovecraft chamado-o de “doente” e “péssimo escritor”) de jeito algum. Nem usei o “Necronomicon” de Simon como um recurso principal. Eu adaptei UMA idéia daquele livro depois de eu a ter VERIFICADO CUIDADOSAMENTE em outras fontes respeitáveis.

IREM DOS PILARES

 

Aqueles que procuram por fontes gerais devem começar com estas. “A Dictionary of mythical places” by Robin Palmer. As Mil e uma Noites ed. Por R.F. Burton (consiga a coleção de 10 volumes). Para aqueles que querem pesquisar como Irem se encaixa na magia e misticismo árabes devem tentar achar este livro “The Muqarribun: Arab Magic and Myth” por Steve Lock e Jamal Khaldun (fala sobre o significado “secreto” de Irem e etc). Eu acredito que Idries Shaw também mencionou como Irem se posiciona no misticismo Sufi em um de seus livros mas não consigo lembrar qual. Sr. Shaw brevemente falou sobre o duplo significado de “Pilares” em árabe (que significam “Os Antigos”) em “The Sufis” (a arte de codificar/decodificar significados secretos em escritos místicos árabes se chama Tawil).

 

RUB AL KHALI

 

As fontes do Rub al Khali são basicamente as mesmas de Irem. Você também pode checar “Hecate Fountain” de Kenneth Grant. Note que NÃO estou insinuando que Grant deva ser lido como uma boa fonte histórica, ele não é. ENTRETANTO suas idéias sobre Rub al Khali são quase as mesmas dos antigos Muqarribun.

 

POETA LOUCO

 

Se você quer um atalho para verificar a palavra árabe para louco “majnun” que também significa “possuído por Jinns” e que poetas são ditos serem inspirados pelos jinns apenas procure por Jinns em “Man, Myth and Magic”. Se você gostaria de ir até as fontes originais ache as notas de “Arabian Nights and the Modern Egyptians” por Lane. “The Sufis” por Idries Shaw também brevemente menciona “Majnun”.

 

OS JINNS

 

Novamente o atalho para verificar a validez do que foi escrito sobre os Jinns é procurarpor Jinns em “Man, Myth, and Magic”. Se você quer uma fonte mais detalhada procure por Genii em “A Dictionary of Islam”. Esse livro tem muita informação não oferecida por M.M.M. Em “A Dictionary of Islam” é dito dos Jinns que eles vieram à Terra antes do homem existir. Eles foram os primeiros mestres da Terra. Eles construíram vastas cidades cujas ruínas ainda existem em lugares esquecidos. Éons depois, muitos jinns foram forçados à deixar a Terra enquanto outros foram encarcerados. Outros ainda perambulam lugares desolados até hoje. É dito que os Jinns são invisíveis aos homens normais. Eles, entretanto, capazes de acasalar com humanos mas o humano talvez sofra quando a cria sombria nascer (parecido com “O Horror de Dunwich”). Os Jinns vão, de acordo com a lenda, sobreviver à humanidade (os últimos mestres da Terra?). Eu não preciso apontar os paralelos em relação aos Antigos de Lovecraft. Se você quer mais informação do que é oferecido em “A Dictionary of Islam” experimente “Notes on Arabian Nights by Lane” também tente pesquisar por Jinns. Existem livros inteiros a respeito dos Jinns.

 

KHADHULU

 

Khadhulu e a palavra árabe que significa “abandonador” ou “desertor”. A fonte primária a ser lida para pesquisar o papel do “Abandonador” na magia árabe é “The Muqarribun: Arab Magic and myth” por Steve Lock e Jamal Khaldun. Neste livro a transliteração de “o Abandonador” é “al qhadhulu”. (eu usei a transliteração “Khadhulu” porque me disseram que é a mais correta). Nesse livro os autores alegam que al qhadhulu (Khadhulu) é o tipo de força espiritual que fortalece as práticas do Tafrid e Tajrid. Estes são exercícios que são usados para transcender (abandonar) a programação normal imposta pela cultura da pessoa. A idéia é que transcendendo (abandonando) Dogma e crenças fixas a pessoa pode ver a realidade como ela realmente é. Al qhadhulu é estimulado pelos Nafs (respiração ou alma). O “abandonador” estimulado então causa o Hal ou estado espiritual. A relação entre Nafs, al qhadhulu e Hal é muito complexa e isto é muito simplificado. Lock e Khaldun alegam que o Abandonador é mencionado na poseia sufi. Outra fonte que talvez você queira ler é “Further Notes On the Necronomicon” por William Hamblin (Autor de “Further Notes on the Necronomicon” que analisa a pesquisa etimológica de Phileus P. Sadowsky do Al Azif). Sr. Hamblin compara Cthulhu com Khadhulu nesse artigo. Eu odeio admitir mas eu já possuí “The Muqarribun...” por pelo menos três anos antes de eu ler o artigo do Sr. Hamblin e nunca notei o quão próximo al qhadhulu (Khadhulu) é de Cthulhu. Eu também não sabia que Khadhulu aparece no Alcorão (25:29) até eu ler o artigo do Sr. Hamblin. I tenho desde então falado com alguns muçulmanos sobre esse verso. O verso traduzido é “Humanidade, Shaitan is al khadhulu”. Eles me explicaram duas interpretações ortodoxas deste verso, a primeira é que Shaitan vai abandonar os homens. A outra é que Shaitan vai provocar homens à abandonar o Islamismo e sua cultura. Você vai notar que a segunda interpretação é razoavelmente consistente com o significado espiritual que é dado pelos Muqarribun à al qhadhulu. (Obviamente que muçulmanos ortodoxos que as práticas Muqarribun são pecaminosas). Esse verso no Alcorão é importante porque ele liga o “Abandonador” Khadhulu com Shaitan, o Velho Dragão, Senhor das Profundezas. 

 

SHAITAN, LEVIATHAN E TIAMAT

 

A imagem de Shaitan como O Dragão foi bem estabelecida pela escrita do Alcorão. O velho Dragão é Leviatã. Leviatã está relacionado à Lotan. Lotan à Tietan. E Tietan é Tiamat. Isso pode ser verificada em MUITAS fontes. Um padrão seria “The Gods of the Egyptian” por E.A. Budge. S.N. Kramer é outra. (veja abaixo) 

 

KUTULU

 

Kutulu é uma tradução suméria do titulo “Senhor das Profundezas”. KUTU significa Profundezas (Abismo). LU significa senhor ou pessoa de importância. L.K. Barnes foi o primeiro à notar a similaridade de Cthulhu e Kutulu em “Necronomicon” de Simon. Eu era portanto bem cético de sua exatidão. I cuidadosamente li “History Begins at Sumer” e “Sumerian Mythology” por S.N. Kramer como também alguns outros livros sobre mitologia/culura suméria. Eu descobri que a tradução dada à Kutulu é TOTALMENTE EXATA. Eu também verifiquei que KUTU é proximamente ligado ao Dragão Adormecido (Tiamat) na mitologia suméria.

 

POESIA MÍSTICA ÁRABE

 

Poesia mística árabe é um campo de estudo completo por si mesmo. Os profetas pré-Islâmicos usavam o estilo Sadj de verso. Esse é o mesmo estilo no qual o Alcorão é escrito. As primeiras poesias Muqarribun são no estilo Ruba’i que é razoavelmente simples. Mais adiante. Poesia Muqarribun e Sufi foram escritas na forma Mathnawi de verso. Lelah Bakhtiar tem um curto capítulo sobre poesia em “Sufi Expressions of the Mystic Quest”. Outra fonte mais detalhada é “Structural Continuity in Poetry. A linguistic study of five Pré-Islamic Odes” por Mary C. Bateson.

 

 


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