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siga a estrada de tijolos amarelos: Lovecraft Mitos de Cthulhu Quatro deuses Lovecraftianos que não foram criados por Lovecraft

Quatro deuses Lovecraftianos que não foram criados por Lovecraft


Como toda obra digna de nota o universo criado por H.P.Lovecraft atraiu a atenção de uma série de outros escritores e entusiastas que de certa forma expandiam os Mitos de Cthulhu. O próprio nome  "Mitos de Cthulhu" foi criado August Derleth, um destes autores e ao contrário de alguns de seus fãs mais chatos de hoje em dia, Lovecraft em seu tempo sempre estimulou e apoio essas contribuições imaginativas e tinha até o hábito de se corresponder com vários destes escritores. Este era o chamado "Círculo de Lovecraft" um grupo de intelectuais que reconheceram e genialidade de Lovecraft antes de todo mundo e tiveram a chance de dialogar com ele sobre os mitos e os fazer crescer.

Entre as criações destes autores temos é sem duvida a invenção de novos deuses, muitos dos quais são tão ou as vezes até mais perturbadores do que aqueles criados na safra original. Alguns empolgaram tanto o gênio de Providence que ele praticamente reescrevia a história inteira usando o conceito original. Destacamos neste artigo quatro destes seres abissais que podem andar ombro a ombro com Cthulhu e companhia.

Mordiggian

 

GhoulsEste Grande Antigo apareceu pela primeira vez na obra de Clark Ashton, “The Charnel God" de 1934. É pode ser melhor descrito como uma ausência do que como algo que pode ser visto.  Mordiggian é um vácuo inteligente e sem forma que suga todo calor e energia que o rodeia. Onde quer que ele esteja o ambiente se torna frio e sem luz e quão mais negra e congelante forem as trevas mais próximo dele se está.

A mera presença de Mordiggian já é uma ameaça. Ele ataca suas vítimas primeiro sugando suas energias, depois fisicamente dissolvendo seus corpos em fluídos e por fim consumindo seus restos no vazio. Assim que se aproxima toda chama se esvai e todo calor consumido vai para um vórtex que parece também consumir a mente das pessoas deixando todos como que fascinados por sua forma sem formas. 

Ele é adorado pelos ghouls que por si só já são um pesadelo. Criaturas humanoides sem pelos de pele pálida ou esverdeada que vivem nas trevas com caninos, unhas e orelhas pontudas e que habitam os níveis mais profundos do mundo dos sonhos e tuneis subterrâneos esquecidos pela terra. Eles se alimentam de cadáveres humanos e alguns deles andam disfarçados entre os homens.

Mas apesar do horror e do poder de aniquilação imenso que possui Mordiggan não é particularmente um ser perverso. Ele é considerado inclusive uma divindade benigna pelos habitantes de Zul-Bha-Sair e pode poupa qualquer um que não tenha especificamente o ofendido a ele ou aos ghouls. Contudo sua ira quando despertada é mais terrível do que a ira dos outros deuses  uma vez que representa a mais perfeita  encarnação da entropia universal.

 

Yig

Yig
Também conhecido como "O Pai das Serpentes" Yig surgiu no conto "A Maldição de Yig" de Zealia Bishop que foi posteriormente refinado por Lovecraft. Sua aparência varia imensamente de ocasião em ocasião mas matem-se sempre dentro do tema ofídico que representa sua natureza: as vezes aparece como um homem cobra, outras vezes como uma enorme serpente com asas de morcego ou simplesmente como uma gigantesca anaconda.

Poderoso, temperamental mas igualmente fácil de agradar logo tornou-se objeto de adoração por todo o mundo. Das versões mais antigas da religião egípcia, passando pelos cultos ofídicos africanos até as Nagas hindus e budistas ele reinou em um misto fascínio e coerção. Mas em poucos lugares esse culto foi tão forte e duradouro como na América Central onde recebeu o nome de Quetzalcoatl, a Serpente Empluamada estando intimamente ligado com o nascimento e extinção de várias civilizações meso-americanas.

De fato ele parece ter sido o criador e ancestral de todos os répteis rastejantes deste planeta e é para com eles especialmente possessivo. Yig gosta de ser adorado mas também e se ofende fácil. Se sentir-se desrespeitado pode enviar seus servos em forma de serpentes ou homens serpentes chamados "Crianças de Yig" para destruir seus inimigos ou em alguns casos transformá-los com seus venenos em uma nova geração de servos répteis.

 

 

 

 

 

Hastur


HasturHastur foi originalmente criado por Ambrose Bierce (Autor de O Dicionário do Diabo) onde é citado como um deus dos pastores. Posteriormente apareceu em algumas das histórias de “O Rei de Amarelo” de Robert W. Chambers sendo citado hora como uma cidade, hora como um ser com poderes sobrenaturais e hora sem qualquer explicação específica. Essa sua natureza múltipla e difícil de identificar faz parte de sua própria personalidade. Não se sabe ao certo se Hastur é um objeto, um símbolo, um lugar, uma pessoa ou uma divindade. Talvez viva em uma realidade onde possa ser estas e outras coisas ao mesmo tempo, motivo pelo qual ele também é chamado de “The One Unspeakable”, (Aquele de quem não pode ser falado)

Lovecraft ficou tão impressionado quando leu ‘O Rei de Amarelo’ que incorporou vários de seus elementos em sua obra. Ele cita Hastur em “O Sussurrador nas Trevas” onde liga Hastur a um culto secreto de homens perversos dedicados a rastrear e contatar antigos deuses hediondos em nome de monstruosos poderes de outras dimensões. Mais tarde August Derlet desenvolveu o mito de Hastur dando-lhe vários novos avatares além do Rei de Amarelo e  colocando-o como o filho direto de Yog-Sothoth e possivelmente como o Magnum Innominandum, o mais antigo e mais poderoso dentre todos os Grandes Antigos servindo como ponte e entre estes e os Deuses Exteriores

Sendo o irmão mais velho de todos os Grandes antigos Hastur é a ponte pelo qual o poder dos deuses exteriores se manifesta.  Ele é atualmente prisioneiro sendo contido no núcleo de uma estrela negra próxima a constelação de Aldebaran, mas embora não possa agir diretamente tem grande influência indireta em muitas civilizações em particular em qualquer lugar em que a feitiçaria tenha prosperado. Ele é temido e reverenciado como o pai da magia mesmo por seres que pareceriam o ápice do poder e do horror para os seres humanos e representa inescapável e indefinível força dos poderes do desconhecido.

Y’Golonac

 

GonolacY'golonac não recebeu o nome de “O Profanador” por acaso. Ele está na categoria de ‘Deuses Exteriores” colocando-o no mesmo nível de Azathoth e Shub-Niggurath. Foi criado por Ramsey Campbell e apareceu pela primeira vez no seu conto  "Cold Print" de 1969. Y’Golonac é o deus da perversão e de depravação - não apenas a perversão humana como necrofilia e pedofilia, mas de todas e qualquer parafilia que possa ser concebida por qualquer ser senciente, esteja ele são e saudável ou não.

 Essa criatura está atualmente aprisionada atrás de um “muro de tijolos” em uma ruína desconhecida em algum lugar do universo, mas está tão próximo de qualquer ser quanto este ser estiver próximo da depravação, as vezes ele pode ser invocado pela mera leitura de seu nome das “Revelações de Glaaki”

Sua forma é incerta e pode variar mas quando possui um corpo humano ele se revela na forma de um homem grotescamente obeso e sem cabeça com bocas nas palmas das mãos. Assim como Nyarlathotep ele é capaz de entender e se comunicar com seres humanos, mas apresenta uma personalidade muito mais perversa e sádica. 

Y'golonac atrai para si aqueles que leem “literatura proibida” e vai levando estes para níveis cada vez mais profanos de depravação. Quando por fim ele é encontrado ele oferece ao invocador a duvidosa honra de ser seu sacerdote ou então simplesmente o devora enquanto se delicia da forma mais nefasta possível.

 

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