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siga a estrada de tijolos amarelos: Lovecraft Rituais Cthulhianos Shoggoths, servos do mal

Shoggoths, servos do mal


Shoggoth - NecronomiconDe acordo com Howard Phillips Lovecraft, Shoggoths eram (originalmente) criaturas sem a capacidade de pensar por sí próprias criadas como servos/escravos pelos Honoráveis Antigos (os seres com cabeça em forma de estrela de 5 pontas que entre outros lugares habitavam o que mais tarde se tornaram nossos polos). Eles podiam assumir qualquer forma que seus mestres desejassem para poder realizar suas respectivas tarefas. Com o tempo eles foram se tornando mais inteligentes (possivelmente um resquício psíquico de seus criadores) e se rebelaram contra aqueles que os haviam criado e escravizado. Eventualmente eles se organizaram e travaram uma guerra civil contra seus antigos mestres. Lovecraft também escreveu algumas vezes que Shoggoths são vistos em visões causadas por plantas alucinógenas.

Várias tradições mágicas ao redor do mundo possuem fórmulas próprias para criar criaturas magickas como criados/escravos. Essas criaturas podem ser criadas em qualquer forma que se deseje pelo mago. Essas criaturas mágickas são chamadas "Tulpas" ou "Formas de Pensamento" pelos tibetanos. No "Mystery and Magic in Tibeb" Alexandra David-Neal conta como ela criou um Tulpa em uma experiência. Conforme o tempo foi passando o Tulpa foi se tornando cada vez mais independente e arruaceiro. Eventualmente a Senhorita David-Neal teve que parar com as experiências por causa do crescente poder que o Tulpa estava desenvolvendo.

O Sr. G.H. Estabrooks em seu livro "Hypnotism" escreve sobre uma tentativa dele de criar um Urso polar de estimação através da auto hipnose. "A técnica de auto sugestão é difícil de ser manipulada, mas pode ser 'domada'. Uma vez que a pessoa conseguiu se tornar um mestre na arte da auto sugestão ela irá descobrir que pode não somente criar alucinações com o transe mas pode chegar a sugerir uma alucinação pós-hipnótica para si própria. Isso soa estranho mas pode ser feito... Auto sugestão nos dá um método excelente para estudar coisas estranhas". O escritor tinha um urso polar de estimação que ele era capaz de chamar simplesmente contando até 5. Este animal iria desfilar ao redor do hospital de uma maneira muito realista, passar por baixo e por cima de camas, beijar as enfermeiras e morder os médicos. Era muito curioso notar como ele era obediente com os comandos "mentais", chegando até a pular da janela do terceiro andar quando ordenado. Mas a auto sugestão tem um problema que este urso fantasma ilustrou muito bem. Ele se tornou tão familiar que se recusava a desaparecer. Ele aparecia nos lugares mais inesperados e sem ter sido chamado. O escritor estava jogando Bridge um dia e quase causou um onda de pânico em seus convidados quando comentou "Olha lá a porcaria do urso de novo, eu queria que alguém desse um tiro no maldito animal de uma vez." Ele também desenvolveu o habito desagradável de aparecer em esquinas escuras de noite, era um alívio notar que o que havia te assustado era uma invenção fantasmagórica, não que isso compensasse pelos sustos que se havia levado. Então ele foi banido e ordenado a nunca retornar. Levou um mês para o escritor ter certeza que a forma fantasmagórica do seu bichinho não apareceria sorrindo para ele no pé de sua cama no meio da noite durante uma tempestade de relâmpagos e trovões.

Os escritos magickos e xamânicos do mundo também registram como uma criatura criada magicamente pode se tornar independente e encrenqueira, e até às vezes perigosamente rebelde. Budistas Tibetanos e xamãns ao redor do mundo dizem que essas "formas de pensamento" ou criaturas mágickas podem ser observadas no estado gnostico causado por plantas alucinógenas. Dai podemos ver que esses Tulpas (também chamados de egrégoras nas tradições ocidentais) tem uma semelhança muito grande com os Shoggoths citados pelo Lovecraft, ambos são entidades criadas, ambos são servos ou escravos que podem assumir qualquer forma requisitada por seus mestres, ambos podem se tornar rebeldes, ambos podem ser vistos após a ingestão de plantas alucinógenas, por isso eu acho que existem várias semelhanças sólidas entre os Shoggots Lovecraftianos e as formas de pensamento magickas e xamânicas.

Criando um Shoggoth 

Nesta sessão nós iremos dar uma olhada em algumas considerações práticas relacionadas com a criação de um Shoggoth (entidade de forma de pensamento). Existem muitas técnicas para a criação de formas de pensamento pregadas pelas tradições magickas e Xamânicas, nós devemos considerar qual dentro das inúmeras técnicas é a mais indicada para se criar um Shoggoth Lovecraftiano magickamente.

De acordo com Kenneth Grant a palavra Shoggoth está relacionada com a palavra caldáica "shaggathai". Shaggathai teria uma tradução que significaria "fornicação" e fornece uma pista importante para qual metodologia a ser utilizada. "Beth Shaggathai", que significaria "Casa da Fornicação" pode estar relacionada ou ser ainda anterior ao "Pit os Shoggoths" (Abismo dos Shoggoths) do Lovecraft. A ideia de um elo entre Shaggathai (fornicação) e Shoggoths não é tão estranho quanto pode parecer à primeira vista. O uso de energia sexual na criação de entidades de forma de pensamento é uma técnica antiga e poderosa.

Esta técnica é particularmente indicada para a criação de entidades violentas, poderosas e imprevisíveis como um Shoggoths, não é a toa que o fenômeno Poltergeister estar quase sempre associado com jovens que entram na puberdade. O aumento e consequente liberação de energia sexual quando na puberdade podem, especialmente em pessoas emocionalmente perturbadas ou reprimidas, resultar em um poltergeister. É por isso que as técnicas utilizando energia sexual são, talvez, as mais indicadas para a criação de um Shoggoth. A técnica clássica envolve uma manipulação direta dos fluídos sexuais para se criar uma entidade de forma de pensamento. A descrição passado por Lovecraft de um Shoggoth sem forma como uma massa viscosa de protoplasma parecem estar relacionadas com esta técnica. Algumas das fórmulas para se criar Homunculus são formas particularmente potentes desta metodologia. Uma descrição medieval para se criar um Homunculus conta que o mago deveria pegar uma vasilha e encher de estrume, então durante três noites o mago a regaria com o seu esperma recitando os cânticos específicos e fazendo as visualizações necessárias. Este processo iria dar início à existência da entidade. Então o mago iria colocar algumas gotas do próprio sangue na vasilha todo dia durante quarenta dias. No fim deste período de quarenta dias o Homunculus estaria maduro e poderia deixar seu "cativeiro". Esta técnica é particularmente perigosa e poderosa por causa do uso do sangue. O mago deve sempre usar o próprio sangue, isso acontece pois o sangue de outros pode ser muito difícil de se manipular, apesar dessa magia permanecer perigosa e poderosa, sendo difícil de se controlar, até quando se usa o próprio sangue. A energia que emana do sangue pode ser diretamente manipulada para encarnar a entidade. Em seu romance "The Dunwich Horror" HPL diz que existem certas entidades que "não podem desenvolver um corpo sem a ajuda do sangue humano". O uso do próprio sangue é uma técnica perigosa que deveria ser evitada por novatos. A fórmula acima para se criar um Homunculus será adaptada abaixo como método de se gerar um Shoggoth.

O Ritual 

Primeiramente você deve decidir qual a função do Shoggoth. Uma vez que você tenha determinado qual a tarefa dele você deve criar um sêlo que represente o propósito dele.

Prepare um recipiente dos Veneráveis Antigos do lado de fora da tampa e o talismã de Yhe na superfície interna da tampa. Coloque o Sêlo que você criou no fundo do recipiente.

Você deve escolher uma forma para o seu Shoggoth assumir que seja tanto consistente com a tarefa escolhida e com a natureza dos Shoggoths de formageral. (As pinturas e esculturas de H.R. Giger são uma boa fonte de inspiração para as imagens dos Shoggoths.)

Coloque o recipiente em um altar dedicado a Shub-Niggurath (Shub-Niggurath é escolhido aqui pela associação do Bode Preto com a fertilidade e assim com a criaçào da vida.) O local do ritual deve ser preparado com as cores preto e marrom, simbolos de bodes, árvores, pentagramas inversos, etc. e sons, que pode ser a gravação de um bode gritando ou um som de tambores, tudo isso relacionado com Shub-Niggurath.

E o mago inicia o Ritual da seguinte maneira:

De Frente para o altar ele pega a sua adaga e traça um círculo (normalmente o círculo mágico não é utilizado na magia Cthulhiana, mas em rituais devemos utilizá-los para evitar que outras inlfuências removam a energia destinada ao Shoggoth ou mude o direcionamento do ritual). Ele então devolve a adaga para seu lugar no altar. Ele encara a representação física de Shub-Niggurah e declara:

"Shub-Niggurath é o lorde das florestas. Dos Poço da Noite aos Golfos do Espaço, e dos Golfos do Espaço para Os Poços da Noite, sempre louvando o Grande Cthulhu, de Tsathogguau, e a Ele, que não deve ser nomeado. Que suas preces e abundância estejam sempre para O Bode Preto das Florestas. Ia! Shu-Niggurath! O Bode Preto com as Mil Crias!"

"Shub-Niggurath, Grande Lorde das Florestas, doador de vida, faça uso de sua produtividade neste ritual. Nos conceda sua fertilidade. Regojizamos os prodígios de sua fecundidade. Que as preces estejam sempre sobre Shub-Niggurah o Bode Preto da Floresta. Ia! Shub-Niggurath."

O mago então remove seu robe (negro) e abre o recipiente e começa a se maturbar enquanto olha para o sêlo do Shoggoth. Ele deve visualizar com todo o cuidado a forma escolhida para o Shoggoth dentro do recipiente. Conforme a energia for crescendo ele deve visualizar a energia indo para o Shoggoth, o vivificando. Deixar que a respiração fique pesada e ofegante pode ser usado como forma de fortalecer a energia do ritual. Quando o orgasmo se aproximar o mago faz a evocação:

"(Nome escolhido para o Shoggoth)! Venha" 

Quando o climax estiver se aproximando ele deve deixar que sua mente seja envolvida pelas sensações, eliminando completamente (se possível) o pensamento consciente. Neste estado vazio da mente o Sêlo (que deve estar sendo observado pelo Mago) é o foco inconsciente e o direcionamento da energia. O mago permite que seus fluidos sexuais atinjam o Sêlo, o energizando e encarnando o Shoggoth. Depois disso o recipiente é fechado e o mago diz:

"Obrigado e minhas preces estão com Shub-Niggurath, O Bode Preto" 

"Ia! Shub-Niggurath" 

Ele então faz o Sinal de Koth, seguido pelo Sinal dos Veneráveis Antigos. Ele então encerra esta porção do ritual como desejar e estiver acostumado.

O processo descrito acima deve ser repetido três vezes durante três dias (que podem ou não ser consecutivos). O próximo passo do ritual é alimentar o Shoggoth. Novamente um círculo mágico é aconselhado. O mago abre o recipiente com sua mão esquerda e faz o Sinal dos Veneráveis antigos com sua mão direita. Ele então ergue sua adaga e faz um pequeno corte nele mesmo, fazendo surgir uma pequena quantidade de sangue. Enquanto o sangue pinga no Sêlo do Shoggoth ele diz:

"(Nome do Shoggoth)!, Eu ordeno que você se alimente e cresça em tamanho e poder, para que então você possa servir a meus propósitos!" 

"Eu ordeno que você se alimente e cresça em tamanho e poder, para que então você possa servir a meus propósitos!" 

"Eu ordeno que você se alimente e cresça em tamanho e poder, para que então você possa servir a meus propósitos!" 

"(Nome)! Beba meu sangue e forme seu corpo!" 

Conforme faz isso ele visualiza MUITO INTENSAMENTE a forma do Shoggoth. Se ele desejar ele pode visualizar o Shoggoth crescendo aos poucos. "Imaginanar" a forma do Shoggoth de maneira clara é MUITO importante para o sucesso deste ritual. Cada vez que isso for repetido a imagem do Shoggoth deveria se tornar cada vez mais clara e independente. Conforme os dias passam o Shoggoth deveria aparecer no recipiente mesmo antes do mago começar a visualizar ele. Este processo é repetido todo dia pelos próximos 37 dias. Todo o ritual leva quarenta dias para se completar, no último dia após alimentar o Shoggoth o mago o comanda da seguinte maneira:

"(Nome)! Eu ordeno que você deixe seu receptáculo. Entre no mundo e realize sua tarefa conforme eu ordenar. Vá e (diga qual é a tarefa destinada ao Shoggoth). Assim eu ORDENO!" 

Ele então faz o Sinal Voorish e destroi o talismã de Yhe e o Sêlo dos Veneráveis Antigos na tampa do recipiente. Se a função do Shoggoth for algo permanente (ex. guardião de um local ou objeto) ele vai precisar de uma "recarga" periódica de energia sexual ou qualquer outro método de liberar energia mágicka que o mago deseje.

O Shoggoth deveria ser MUITO poderoso, dentro do possível a uma entidade de forma de pensamento. Ele deve também ser (ou rapidamente se tornar) bem independente e capaz de ações autônomas. Com a contínua existência e uso, o Shoggoth ira desenvolver sua própria personalidade e pode se tornar um encrenqueiro. Se o Shoggoth se tornar rebelde a sua destruição pode se tornar necessária. Um banimento padrão e a destruição do Sêlo do Shoggoth devem ser o suficiente para isso acontecer.

~ParkRyan


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