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siga a estrada de tijolos amarelos: Miscelânia Textos Diversos 23 Razões para Agradecer (de joelhos) aos Católicos A Literatura

A Literatura


23 Razões para Agradecer (de joelhos) aos Católicos

shakespeareHoje quando paramos para pensar na destruição da cultura dos povos antigos, muitas pessoas pensam em dois grandes desastres, três se se esforçarem um pouco para se lembrar de algum documentário do History Channel: a destruição da biblioteca de Alexandria e a Igreja Católica durante a Idade Média - e talvez os Nazistas queimando livros em praça pública. O que a maioria das pessoas, o que provavelmente inclui você, não sabe é que essa mania de se queimar livros e bibliotecas é muito mais antiga e muito mais popular do que se pode imaginar. Só na antiguidade existem o registro de pelo menos 24 incidentes onde bibliotecas e quantidades massivas de livros foram deliberadamente queimadas. Na Idade Média pelo menos 17, e desde então mais de 100 episódios ao redor do mundo.

Parando para pensar nisso chega a ser assombroso ainda termos algum livro para ler, e você sabe quem é o maior responsável por ainda termos algo que se assemelhe à literatura hoje em dia? Está na hora de você repensar a lista no começo do primeiro parágrafo. Se não fosse pela Igreja Católica, hoje você teria apenas manuais práticos e revistas como a Caras para ler.

A Idéia de que a Igreja foi responsável pelo fim da cultura européia - o que pode ser lido como cultura mundial, se você não considerasse o extremo oriente como mundo na época - está tão enraizada em nossa cultura científica contemporânea que parece um grande paradoxo a idéia da igreja preservando a literatura. "Com certeza apenas para adulterar os livros a seu bel prazer!" pensam alguns.

Isso não passa de um cinismo amargo, uma realidade completamente diferente do que podemos constatar com fatos históricos. Ao contrário do que muitos gostam de imaginar, a Igreja não era uma entidade onipresente dominadora e sempre alerta. Um Big Brother steam punk medieval. Ela era tão desorganizada quanto qualquer empresa multinacional poderia ser em uma época em que a comunicação era tão rápida quanto as pernas dos carteiros da época. Não havia também um plano de controle mundial, em muitos momentos da história religiosos e governantes seculares bateram cabeças por causa da divergência de objetivos. Fora isso a Igreja era formada por religiosos, que seguiam os próprios instintos e a própria fé, e esses religiosos muitas vezes tinham um amor muito grande pela literatura e a igreja lhes dava meios para adquirir os livros. Os monastérios católicos logo se tornaram as maiores bibliotecas existentes, e não formada apenas por livros "aprovados" pela igreja, mas por todo tipo de livros. Livros de Ciências, Filosofia, Artes, etc… todos eram não apenas armazenados como também reproduzidos. Haviam adulterações conscientes, assim como haviam adulterações acidentais, os livros eram copiados a mão, um a um, em um processo impensável nos dias de hoje. E ninguém investiria tempo, dinheiro e homens num processo de preservação e reprodução literária se o objetivo fosse simplesmente desaparecer com os livros.

O fato é que a Igreja não apenas preservou toda a literatura greco-romana, que teria sido destruídas pelos bárbaros, mas fez ela mesma contribuições que superaram as da antiguidade - suas apalogéticas, textos polêmicos, sermões, poemas, hinos, autobiografias espirituais e reflexões filosóficas.

Mas a influência da Igreja não pára apenas com a preservação e a criação de obras literárias. A importância e difusão do grego e do latim dentro do catolicismo incentivou enormemente a produção literaria em todos os países nos quais se estabeleceu, já que estes alfabetos são incrivelmente mais fáceis de aprender do que os ideogramas chineses, japoneses e egípcios. Este é um fato tão inegável que hoje em dia os jovens chineses e japoneses escrevem usando o alfabeto latino que só então o computador converte para os símbolos nacionais. Salvo pelos patriarcas durante as invasões bárbaras, e disseminados por missionários e exploradores católicos nos séculos seguintes, o alfabeto latino é o alfabeto mais amplamente usado em todo mundo como sistema de escrita. Até os próprios bárbaros passaram a usá-lo e hoje o francês, o inglês e o alemão, todos eles, usam o mesmo eficiente alfabeto latino.

Foi inclusive durante o renascimento carolíngio, quando a igreja levou o cristianismo aos francos que os padres inventaram uma série de inovações na linguagem escrita com objetivo de facilitar seu uso entre estrangeiros. Entre essas inovações estão o espaço usado para separar palavras, o uso organizado de vírgulas e pontuação e a existência de letras minúsculas. Dai o nome, minúscula carolingea e posterioremente minúsculas gótica. O ponto de interrogação foi criado pelo padre Alcuíno de Iorque no século VIII. Alguma pergunta?

A Igreja também desenvolveu os alfabetos armênio, georgianos, glagolítico e o círíico. Este último, que recebe o nome graças a seu pai, São Cirílo, merece destaque por ser até hoje a base de toda literatura eslava (bielorrusso, búlgaro, macedônio, russo, sérvio e ucraniano). Tolstoi só existe porque um dia missionários bizantinos precisavam apresentar o evangelho a um povo que não tinha linguagem escrita, e assim, inventaram uma. Exatamente como o católico Louis Braille fez em 1852 quando inventou seu alfabeto.

Além disso o Catolicismo forneceu o ambiente cultural de onde nasceu boa parte da literatura universal. Só para citar alguns exemplos importantes temos épicos clássicos como 'O Cantar de Mio Cid' na Espanha, 'La Chanson de Roland', na França e 'Hymn of Cædmon' na saxônia. Este último é indiscutivelmente o texto mais antigo em inglês de que se tem notícia. 

Dos épicos floresceram uma multidão de obras primas. Santo Agostinho criou a primeira auto-biografia de que se tem notícia e nós nem vamos entrar no mérito de quantas formas de literatura podem ser encontradas, ou tiveram início, no Canone das Sagradas Escrituras. Considere apenas que Shakespeare era católico, Miguel de Cervantes era católico, Dante Alighieri era católico e James Joyce não só era católico como era irlandês. Dos populares mais recentes podemos citar J.R.R. Tolkien, que não só sempre foi um católico fervoroso como permeou toda sua obra de simbologia e moral católica. E sem Tolkien não teríamos tido o renascimento da moderna literatura de fantasia. Nada de Narnia, ou mesmo, Harry Potter.


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