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siga a estrada de tijolos amarelos: Miscelânia Textos Diversos 23 Razões para Agradecer (de joelhos) aos Católicos A Música Clássica

A Música Clássica


23 Razões para Agradecer (de joelhos) aos Católicos

roll over beethovenDesde o primeiro dia da criação a música faz parte da vida humana. Sabemos pelos historiadores que os Salmos eram cantados nas sinagogas judaicas e sabemos que os cantos e a poesia grega da antiguidade eram usadas para celebrar seus deuses. A relação entre a música e o sagrado é tão natural ao ser humano que toda expressão religiosa vem acompanhada de sua própria trilha sonora. E a trilha sonora do cristianismo são simplesmente as músicas mais belas que a humanidade já conheceu sendo a espinha dorsal daquilo que é popularmente conhecido como música clássica.

Já Santo Agostinho em seu tratado  De Musica, no século V dizia, que a tradição da Igreja ensina que as proporções matemáticas presentes na música faz dela uma das artes mais nobres pois estas são as proporções matemáticas do próprio universo e, por essa razão, eleva nossas mentes à contemplação da ordem divina. Em outra oportunidade e com mais coração disse ainda: "Quem canta ora duas vezes.". Não é a toa que os hinos e corais são uma realidade cristã desde a época das catacumbas.
O termo Música Clássica, poderia muito bem ser chamado de música Católica,e esta história começa no século VI quando o papa São Gregório Magno, o mesmo que compilou a lista final dos sete pecados capitais, vê a necessidade de padronizar os cantos sagrados em todas as igrejas do mundo, para manter sua unidade. Nasceu assim o Canto Gregóriano, o canto oficial da Igreja Católica.

O canto gregoriano resgatou as técnicas musicais da antiguidade greco-romana e tem com ela muitas similaridades Ele preservou as característica monódica, a ritmização em sílabas longas e curtas aliadas ao acento da palavra e então a preencheu com as verdades espirituais do cristianismo. Em busca da perfeição estética foram feitas certas inovações técnicas na métrica das escalas e dos movimentos melódicos bem como ornamentações e coloraturas, que servem para acentuar palavras importantes do texto religioso e marcar as sílabas finais da interpontuação. Em outras palavras o Canto Gregoriano é o ápice técnico da evolução da música da antiguidade. É sua síntese e aprimoramento e uma vez popularizada abriu as portas para as maravilhas musicais que viriam em seguida.

Nesta época a cristandade já estava espalhada por boa parte do mundo antigo e o intercâmbio entre os monasterios deu origem a necessidade de um registro mais preciso da música. Séculos antes os cristão inventaram a neuma como uma forma de notação musical primitiva, mas que não atendia mais as necessidades de um cenário musical agora em franca expansão. O principal responsável por este salto conceitual foi o monge beneditino Guido d'Arezzo do século X que entre outras invenções geniais (como a mão guidoniana e o solfejo) criou notação musical moderna.

A escala musical foi originalmente tirada de um hino em latim a João Batista:

Ut queant laxis resonāre fibris
Mira gestorum famuli tuorum,
Solve polluti labii reatum,
Sancte Iohannes.

Ut, re, mi, fa, sol, la e san

Em português os versos dizem:

 "Para que teus grandes servos, possam ressoar claramente a maravilha dos teus feitos, limpe nossos lábios impuros, ó São João.

O sistema de Guido d'Arezzo sofreu algumas pequenas transformações no decorrer do tempo: todas elas também propostas por católicos. Além das notas d'Arezzo concebeu anotação absoluta das alturas, onde cada nota ocupa uma posição na pauta de acordo com a nota desejada. É por esta razão que que a notação moderna utiliza até hoje termos em italiano e mesmo artistas de Black Metal devem aprender a usá-las. Graças ao intercâmbio musical entre os mosteiros, a música passou a poder ser perfeitamente registrada, aprendida e espalhada por toda terra e a partir de então as nuâncias da música não morreriam mais com seus compositores.

Os primeiros cantos gregorianos eram todos monofonicos, ou seja, apresentavam uma única linha melódica. O contraponto, como hoje é chamado, é proposto pela primeira vez no Musica enchiriadis, um método latino escrito pelo monge e Santo francês Odo de Cluny. Com isso o  canto gregóriano se expandiu criativamente e atingiu seu pico no final da Idade Média com o oraganum melismático. O Século XIII em especial viu nascer importantes obras primas como 'Dies Irae' composta por Thomas of Celano e ainda usada como requiem em missas solenes.

A nova música polifónica, estimulou o advento de um novo instrumento musical, capaz de produzir múltiplas melodias ao mesmo tempo. Da união de instrumentos de sopro e de corda nasceu o teclado do orgão. Artesãos na França, Alemanha e Holanda trabalhavam separadamente em seu desenvolvimento mas a necessidade litúrgica da Igreja promoveu
 a integração destes esforços e deu origem a "era de ouro" do orgão, que por muito tempo foi o acompanhante ideal dos corais dentro das Igrejas.

Nesta época a Igreja passou a formar, encorajar e comissionar artistas e compositores cujos trabalhos admiramos até hoje. O século XV viu nascer os primeiros Conservatórios, outra invenção católica. Um estabelecimento dedicado a conservação do patrimônio musical e o ensino de música e matérias relacionadas. O primeiro conservatório da história ensinava chamava Santa Maria de Loreto e foi fundado pelo padre José Tapia, em 1537 na cidade de Nápoles. Em especial eram encomendadas pela Igreja músicas que de tão belas passaram a ser executadas não apenas nas missas, corais e cantatas da Igreja mas também nos ambientes não-litúrgicos das salas de concerto.

O roseiral de gênios que floresceu no jardim da Igreja é imenso. É verdade que alguns deles não eram católicos, e os créditos lhes são certamente devidos como é o caso de do ortodoxo  Stravinsky ou do protestante Handel, mas independente disso ambos trabalharam para a Igreja Romana, e ademais, sem a Igreja não teríamos nem ortodoxos nem protestantes. Assim vamos colher apenas sete destes compositores, que não por coincidência podem ser considerados os mais importantes e influentes da música clássica:

Antonio Vivaldi

O mestre do barroco e criador da imortal de "As Quatro Estações" não era apenas católico, era um padre. Seu trabalho é admirado no mundo todo especialmente por seus concertos para violino. Vivaldi compos mais de 500 concertos, operas, sinfonias, sonatas e músicas para corais. Dentre estas talvez a mais conhecida seja sua composição coral para Glória.

Johann Sebastian Bach


É comumente aceito que Bach, o gênio do contraponto, era luterano. De fato era alemão, mas além de ter sido patrocinado pela Igreja Romana, existem algumas evidências que apontam para sua conversão tardia ao catolicismo. Bach viveu na itália por muitos anos, foi discípulo do Padre Martini em Bologna. Autores como Henry Burnett e Roy Nitzberg estimam sua conversão para meados de 1760. Seja como for, fato sabido é que nesta mesma época  Bach era o organista da Catedral de Milão. Ele escreveu cerca de 1100 composições e entre suas obras primas estão o Concerto de Brandenburg, Toccata e Fugue em D minor, Arioso e, é claro, sua eterna Missa em B menor.

Giuseppe Verdi

Verdade seja dita, como muitos italianos nacionalistas de sua época Verdi, o pai da ópera, era anti-clerical, mas sua obra ao mesmo tempo é o testemunho de uma alma profundamente católica. 'La traviata' é uma ópera sobre queda, sacrifício, amor, família e redenção. e em 'Forza del Destino' temos músicas que falam de algo muito familiar aos católicos: a beleza e compaixão feita carne por nós na Bendita Virgem Maria. Outras óperas famosas de Verdi incluem Nabucco, Rigoletto, Aida, Don Carlos, Otello e Falstaff.

Johann Strauss I e II

Se a família Strauss não existisse provavelmente nunca teríamos conhecido a Valsa. Johann Strauss I, judeo convertido ao catolicismo e seu filho Johann Strauss II criado na fé cristã composeram para diversos estilos como operetas, polkas, marchas, e quadrilhas, mas em especial criaram mais de 500 valsas e tornaram o estilo popular por toda Europa. Infelizmente por conta do divorcio Strauss II decidiu abandonar a fé católica no final de sua vida. Entre suas criações mais famosas estão, O Danúbio Azul, A Valsa do Kaises e Lorelei Rheinklänge.


Frederic Chopin

Chopin nasceu um menino prodígio com um talento assustador para música e cresceu para se tornar um devoto católico da classe média de Varsóvia. É conhecido especialmente por suas obras para piano e por seu indiscutível talento na execução. É o inventor da balada instrumental e a ele também são creditadas diversas outras inovações musicais. Entre suas obras mais famosas estão Nocturne em E maior, Op. 9 No. 2, Minute Waltz, Fantasie-Impromptu e a Marcha Fúnebre (Preludio em C menor),

Franz Joseph Haydn

Haydn foi um devoto que praticamente inventou a sinfonia e o quarteto de cordas. Foi um compositor admirável e seu nome é sinonimo de composição clássica. Em sua época
Haydn compôs muitas peças de música para a orquestra da corte de executar. O volume do seu trabalho é quase tão grande quanto sua genialidade. incluindo mais de 100 sinfonias e 60 quartetos de cordas.

Wolfgang Amadeus Mozart

Este celebrado compositor austríaco nasceu em uma família católica e permaneceu membro devoto da Igreja por toda sua vida. Aos cinco anos de idade já se destacava por seu talento e aos 35, quando morreu, havia composto mais de 600 obras em todos os géneros musicais que conhecidos naquela época. Entre seus trabalhos mais famosos estão Requiem, Sinfonia No. 40, as óperas A Flauta Mágica e o casamento do Figaro, Sonata para Piano No 16 em C Maior, Sinfonia No. 25, Concerto para piano No. 21 e Sonata para Piano No. 11.

Ludwig van Beethoven


Batisado, crismado, criado e casado na Igreja Católica, Beethoven está também entre os nomes dos gênios patrocinados pelo Vaticano. É também um dos compositores clássicos mais festejados de todos os tempos. Entre seus trabalhos mais celebrados é a Nona Sinfonia, onde celebra Cristo, Sonata ao Luar, a Quinta Sinfonia, a Sexta Sinfonia,  Bagatelle No. 25 (Für Elise) e Concerto para Piano 5 em E Maior.


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