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siga a estrada de tijolos amarelos: Miscelânia Textos Diversos 23 Razões para Agradecer (de joelhos) aos Católicos A Quimica

A Quimica


23 Razões para Agradecer (de joelhos) aos Católicos

LavosierO domínio da Química tem um papel sem igual dentre as ciências no tocante de entender e controlar o mundo a nossa volta. Da tecelagem a construção civil não existe nenhuma atividade humana que não tenha sido revolucionado por ela.  A Química nos ajudou a entender a biologia e a física nos seus níveis mais fundamentais. Por meio dela são desenvolvidos novos remédios e métodos de tratamento que têm prolongado a vida de muitas pessoas; na agricultura tem permitido uma produção mais farta de alimentos, entre muitos outros aspectos extremamente importantes. Ao contrário das religiões orientais por exemplo, o catolicismo têm um fascinio próprio pela matéria e suas transformações, que se espelha, por exemplo no mistério da Eucaristia. Não é por acaso portanto que os católicos tenham um papel tão grande na ascensão e continuidade desta ciência através dos séculos.

Os alquimistas medievais foram os predecessores dos químicos modernos. Entre suas buscas experimentais estavam a transmutação dos metais para a criação artificial de ouro e prata e o elixir da longa vida. É bem verdade que em geral os alquimistas eram místicos e não eram muitos científicos, certamente porque os católicos ainda não tinham inventado a Ciência. De fato, foi do trabalho dos alquimistas em particular que a Ciência como um todo nasceu. Roger Bacon, por exemplo era ele mesmo um alquimista discípulo de Roberto de Grosseteste e escreveu um longo tratado sobre os metais.

Hoje existe uma tendência a retratar os alquimistas como ingênuos e fantasiosos, mas nada pode ser mais longe da verdade. Muitos alquimistas fizeram descobertas importantes que formaram a base da química moderna. O bispo domenicano Alberto Magno, discípulo de Jordão da Saxônia, conseguiu preparar a potassa caustica e a descrever uma série de compostos químicos como o do carbonato de chumbo e do mínioe. Raimundo Lúlio, franciscano criou a fórmula do bicarbonato de potássio e descobriu o ácido azótico e os calomelanos. Paracelso identificou o zinco; pioneiro na utilização medicinal dos compostos químicos. Basile Valentin, cônego beneditino, descobriu os ácidos sulfúrico e clorídrico e dissertou sobre o antimônio, os vinhos e a aguardente. Jan Baptist van Helmont fundou o que hoje chamamos de química pneumática. Até Tomás de Aquino, doutor da igreja escreveu largamente sobre o arsênico e dedicou uma parte de sua Summa Teológica para discutir se seria ética a venda do ouro artificial.

O rompimento drástico entre alquimia e química é uma propaganda iluminista que não condiz com a verdade. O que realmente houve foi uma evolução gradual. Muitas pessoas atribuem a publicação de "O Químico Cético" do protestante Robert Boyle como o ponta pé inicial desta mudança, e embora seu trabalho seja muito importante, tanto suas críticas como idéias já estavam presentes em publicações católicas anteriores. Sua retomada do atomismo já constava entre as bandeiras levantadas por Pierre Gassendi e René Descartes e sua mesmas crítica as superstições dos alquimistas podem ser encontradas três séculos antes em uma bula proferida pelo Papa Jõao XXII, "Spondent quas non exhibent" na qual ele repreende  os alquimistas desonestos. 'Spondent quas non exhibent' quer dizer em latim
'Garantias não apresentadas.'

Contudo foi no século XVIII que as grandes mudanças vieram. O primeiro dicionário moderno de Química foi criado por Pierre Macquer foi publicado em 1766 e proclamava a 'química racional', 'livre do jargão obscuro dos alquimistas'. Nesta mesma época tempo o grande marco de passagem entre a alquimia e a química moderna na obra de Antoine Lavoisier, frequentemente chamado de o “Pai” da química moderna. Talvez chamá-lo de pai seja um exagero, mas não é exagero dizer que ele fez com a química o que o Newton fez com a fisica. Ele foi o primeiro cientista a enunciar o princípio da conservação da matéria, identificou a batizou o oxigênio, sistematizou o uso da balança, refutou a teoria flogística. Ao descobrir a composição química do ar e da água Lavoisier deu um fim a teoria dos quatro elementos alquímico (terra, fogo, agua, ar). Disso resultou também a publicação de seu 'Tratado Elementar de Química' em 1789 e sua importante participação na reforma da nomenclatura química, tomando como ponto de partida o conceito de ‘elemento químico’. Também um dos pioneiros da bioquímica associou o calor animal ao produzido pelas combustões orgânicas dependentes do carbono e do hidrogênio, criou a medição calorimétrica eencontrou na combinação do oxigênio respirado com o ‘ar fixo’ proveniente do sangue o mecanismo de conservação dos calor nos seres animais. Bom, talvez ele seja realmente o "Pai da Quimica."

Curiosamente, não é muito divulgado que Lavoisier foi guilhotinado pela revolução francesa, romanticamente tida como o despontar da "Era da Razão".  Seja como for seu trabalho e impacto persistiu. Os católicos já haviam inventado a Química e o aspecto fantástico da alquimia estava definitivamente superado, embora seus sonhos prosseguissem em novos formatos. Pouco depois o ortodoxo Dmitri Mendeleiev formularia a tabela períodica e as contribuições de químicos católicos se tornaram ainda mais expressivas. Jean-Baptiste Dumas estabeleceu a massa atômica para diversos elementos. Joseph Louis Gay-Lussac e Henri Victor Regnault descobriram as leis fundamentais dos gases e Louis Nicolas Vauquelin identificou o Berilium pela primeira vez.

Esta história prosseguiu de forma ininterrupta até os dias de hoje sendo que atualmente a Igreja pode se orgulhar de possuir diversos ganhadores do prêmio Nobel em sue seio. Entre eles podemos mencionar Christian de Duve, Gerhard Ertl, o radioqúimico George de Hevesy, Mario J. Molina, que descobriu o buraco na cama de ozônio, o químico orgânico Vladimir Prelog, o biologista molecular Max Perutz, John Polanyi por seu trabalho com química cinética e a bioquímica Gerty Cori, que melhorou nossa compreensão sobre o problema da diabetes.

Entre os Nobels talvez o mais importante seja o de Madame Curie, que recebeu dois prêmios por suas investigações sobre a radioatividade e depois isolou o rádio pela primeira vez. O mundo foi transformado por suas descobertas. O entendimento sobre a radioatividade trouxe novas possibilidades e problemas para o mundo resolver e provou afinal que o sonho dos alquimistas de transmutar a matéria não era afinal, imposssível.


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