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siga a estrada de tijolos amarelos: Miscelânia Textos Diversos Quem é John Galt?

Quem é John Galt?


por Ayn Rand

rockefeller2.jpgEm 1991 a biblioteca do congresso americano recebeu a missão de descobrir qual havia sido o livro que mais influenciara a vida das pessoas. A "Bíblia" ficou com o primeiro lugar, "Quem é John Galt?" ficou com o segundo lugar. O livro da escritora russa Ayn Rand foi lançado na década de 1950 e até hoje já vendeu milhões de exemplares ganhando dos críticos o título de "Guerra e Paz" do capitalismo.

Abaixo alguns trechos selecionados.

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Há doze anos vocês se perguntam: "Quem é John Galt?" Quem está falando é John Galt.

Eu sou o homem que ama a vida. Eu sou o homem que não sacrifica seu amor nem seus valores. (...) Os únicos conceitos de moralidade que vocês conhecem são o místico e o social. Vocês aprenderam que a moralidade é um código de comportamento imposto pelo capricho de um poder sobrenatural ou pelo capricho da sociedade, para servir os desígnios de Deus ou o bem-estar do próximo, para agradar a uma autoridade do outro mundo ou da casa ao lado - mas não para servir a sua própria vida e o seu próprio prazer. Vocês aprenderam que o seu próprio prazer se encontra na imoralidade, os seus próprios interesses residem no mal, e que todo código moral tem que ser voltado não para vocês, mas contra vocês, não para promover a vida, mas para abatê-la.

Durante séculos, a luta da moralidade foi travada entre aqueles que afirmavam que a sua vida pertence a Deus e aqueles que afirmavam que ela pertence ao próximo - entre aqueles que pregavam que o bem é sacrificar-se em nome de fantasmas no céu e aqueles que pregavam que o bem é sacrificar-se em nome dos incompetentes na terra. E ninguém veio para dizer-lhes que a sua vida pertence a vocês, e que o bem consiste em vivê-la.

Ambas as partes em conflito (místicos e coletivistas) estavam de acordo quanto a uma coisa: a moral exige que se abandone o interesse próprio e a mente, a moral e a vida prática são conflitantes, a moralidade não faz parte do domínio da razão, e sim da fé e da força. Ambas as partes concordavam que não é possível haver uma moralidade racional, que não há certo e errado na razão - que na razão não há razão para se agir conforme a moral.

Ainda que brigassem por vários motivos, todos os moralistas se uniam na luta contra a mente do homem. Era a mente do homem que todos os sistemas e dogmas deles visavam a saquear e a destruir. Agora vocês têm que optar: ou morrer ou aprender que ser contra a mente é ser contra a vida.

A mente do homem é o instrumento básico de sua sobrevivência. A vida lhe é concedida, mas não a sobrevivência. Seu corpo lhe é concedido, mas não o seu sustento. Sua mente lhe é concedida, mas não o seu conteúdo. Para permanecer vivo, ele tem de agir, e para que possa agir, ele tem que conhecer a natureza e o propósito de sua ação. Ele não pode obter seu alimento sem conhecer qual é seu alimento e como tem de agir para obtê-lo. Não pode cavar um buraco, nem construir um ciclotron, sem conhecer seu objetivo e os meios de atingi-lo. Para permanecer vivo, ele tem de pensar.

(...)

A felicidade é o estado de sucesso na vida; a dor é um agente da morte. A felicidade é aquele estado da consciência que decorre da realização dos valores que se têm. Uma moralidade que ousa dizer-lhes que vocês devem procurar a felicidade na renúncia à sua felicidade - valorizar o fracasso de seus valores - é uma insolente negação da moralidade. Uma doutrina que lhes dá como ideal o papel de animal a ser sacrificado em holocausto no altar dos outros lhes dá a morte como padrão. Por obra e graça da realidade e da natureza da vida, o homem - todo homem - é um fim em si, existe por si, e a realização de sua própria felicidade é seu mais elevado objetivo moral.

Mas nem a vida nem a felicidade podem ser alcançadas pela busca de caprichos irracionais. Assim como o homem é livre para tentar sobreviver de qualquer maneira aleatória - mas há de morrer se não viver de acordo com as exigências da natureza - assim também ele é livre para buscar sua felicidade em qualquer fraude irracional; nesse caso, porém, a tortura da frutração é tudo que ele encontrará, a menos que ele busque a felicidade própria do homem. O objetivo da moralidade é ensinar não a sofrer e morrer, e sim a gozar a vida e viver.

(...)

Não, vocês não são obrigados a viver como homens; esse é um ato de escolha moral. Mas vocês não podem viver como nenhuma outra coisa - e a alternativa é esse estado de morto-vivo que vocês agora vêem dentro de si próprios e a seu redor, esse estado de coisa incapaz de existir, que não é mais humano e é algo menos que um animal, que só conhece a dor e se arrasta na agonia da autodestruição irracional.

Não, vocês não são obrigados a pensar; esse é um ato de escolha moral. Mas alguém teve de pensar para mantê-los vivos; se vocês optam pela inconsequência, vocês fraudam a existência e repassam esse déficit para algum homem moralmente correto, na esperança de que ele sacrifique seu próprio bem para que vocês possam sobreviver a seu próprio mal.

Não, vocês não são obrigados a ser homens; mas hoje em dia aqueles que o são não estão mais aí. Eu retirei do mundo de vocês seus meios de sobrevivência - suas vítimas.

(...)

Do mesmo modo como sustento minha vida não por meio do roubo nem de esmolas, e sim pelo meu próprio esforço, assim também não tento basear minha felicidade na desgraça dos outros nem nos favores que os outros me concedam, porém a ela faço juz por minhas próprias realizações. Do mesmo modo como não considero o prazer dos outros o objetivo da minha vida, assim também não considero o meu prazer o objetivo das vidas dos outros. Do mesmo modo como não há contradições nos meus valores nem conflitos nos meus desejos - assim também não há vítimas nem conflitos de interesse entre homens racionais, homens que não desejam o imerecido nem se encaram uns aos outros com uma volúpia de canibal, homens que nem fazem sacrifícios nem os aceitam.

(...)

Vocês me perguntam que obrigação moral eu tenho para com os meus semelhantes? Nenhuma - senão aquela que devo a mim mesmo, aos objetivos materiais e a toda a existência: a racionalidade. Trato os homens como requerem minha natureza e as exigências deles: por meio da razão. Não busco nem desejo nada deles senão os relacionamentos nos quais eles escolham entrar por livre e espontânea vontade. Só sei lidar com suas mentes - e assim mesmo quando isso é do meu interesse - quando eles vêem que meu interesse coincide com o deles. Quando isto não acontece, não entro em relação alguma; quem discordar de mim que siga o seu caminho, que eu não me desvio do meu. Só venço por meio da lógica, e só a lógica me rendo. Não abro mão de minha razão, nem lido com homens que abrem mão da sua. Nada tenho a ganhar com idiotas e covardes; não tento ganhar nada dos vícios humanos: a estupidez, a desonestidade, o medo. O único valor que os homens podem me oferecer é o produto de sua mente. Quando discordo de um homem racional, deixo que a realidade seja nosso árbitro final; se eu estiver certo, ele aprenderá; se eu estiver errado, aprenderei; um de nós ganhará, porém nós dois lucraremos.

(...)

É apenas como retaliação que a força pode ser usada - e somente contra a pessoa que foi a primeira a usá-la. Não, não compartilho da maldade dela nem me rebaixo ao seu conceito de moralidade: apenas lhe concedo sua escolha, a destruição, a única destruição que ela tinha o diretito de escolher: a dela mesma. Ela usa a força para se apossar de um valor; eu a uso apenas para destruir a destruição. O assaltante tenta enriquecer matando-me; eu não me torno mais rico quando mato o assaltante. Não busco valores por meio do mal, nem submeto meus valores ao mal.

(...)

Vocês que cultuam o zero - vocês jamais descobriram que realizar a vida não é equivalente a evitar a morte. O prazer não é 'a ausência da dor', a inteligência não é 'a ausência da estupidez', a luz não é 'a ausência da escuridão', uma entidade não é 'a ausência de uma nulidade'. Construir não é coisa que se realize simplesmente pelo fato de não demolir; não adianta passar séculos parado, sem demolir: nem sequer uma viga se erguerá - e agora vocês não podem mais dizer a mim, o produtor: 'Produza e nos alimente, que em troca nós não destruiremos sua produção', pois eu responderei, em nome de todas as vítimas que vocês fizeram: Morram com o seu próprio vazio. A existência não é uma negação de negações. O mal, e não o valor (bem), é que é uma ausência e uma negação; o mal é impotente, e só dispõe do poder que lhe permitimos arrancar de nós. Morram, porque aprendemos que um zero não pode hipotecar a vida.

Vocês querem esquivar-se da dor. Nós queremos atingir a felicidade. Vocês existem para evitar o castigo. Nós existimos para fazer jus às recompensas. As ameaças não nos farão trabalhar; o medo não é nosso incentivo. Não queremos evitar a morte e sim viver.

(...)

O bem, dizem os místicos do espírito, é Deus, um ser cuja única definição é estar além do poder de concepção do homem - definição essa que invalida a consciência do homem e anula seus conceitos de existência. O bem, dizem os místicos dos músculos, é a Sociedade - algo que eles definem como um organismo que não possui forma física, um super-ser que não se concretiza em nenhum indivíduo específico e sim em todos em geral, mas nunca em vocês. A mente do homem, dizem os místicos do espírito, deve subordinar-se à vontade de Deus. O padrão de valor do homem, dizem os místicos do espírito, é o bel-prazer de Deus, cujos padrões estão além do poder de compreensão do homem e têm de ser aceitos pela fé. O padrão de valor do homem, dizem os místicos dos músculos, é o bel-prazer da Sociedade, cujos padrões estão além do direito de julgar do homem e têm que ser obedecidos como um absoluto. O objetivo da vida do homem, dizem ambos, é se tornar um zumbi abjeto que serve um objetivo que ele desconhece, por motivos que ele não pode questionar. Sua recompensa, dizem os místicos do espírito, lhe será dada após a morte. Sua recompensa, dizem os místicos dos músculos, será dada aqui mesmo na terra - a seus bisnetos.

O egoísmo - dizem ambos - é o mal do homem. O bem do homem - dizem ambos - é abrir mão de seus desejos individuais, negar-se a si próprio, renunciar a si próprio, render-se; o bem do homem é negar a vida que ele vive. O sacrifício - exclamam ambos - é a essência da moralidade, a mais elevada virtude ao alcance do homem.

Todo aquele que está agora ao alcance da minha voz, todo aquele que seja vítima e não assassino, que está me ouvindo falar ao pé do leito de morte da sua mente, a um passo daquele abismo negro no qual vocês agora estão se afogando, e se ainda resta em vocês o poder de lutar para não perderem os últimos vestígios daquilo que vocês tinham como seu - usem-no agora. A palavara que o destruiu é sacrifício. Use o que resta da sua força para entenderem o significado dessa palavra. Vocês ainda estão vivos. Vocês ainda têm uma chance.

(...)

Se vocês querem salvar os últimos vestígios de sua dignidade, não chamem as suas melhores ações de 'sacrifícios': esta palavra os rotula de imorais. Se uma mãe compra comida para seu filho que tem fome em vez de um chapé para si própria, isso não é sacrifício: ela dá mais valor ao filho do que ao chapéu; porém isso é um sacrifício para o tipo de mãe que dá mais valor ao chapéu, que preferia ver o próprio filho morrer de fome, e só lhe dá comida por obrigação. Se um homem morrer lutando por sua própria liberdade, isso não é sacrifício: ele não está disposto a viver como escravo; porém isso é um sacrifício para o tipo de homem que está disposto a viver como escravo. Se um homem se recusa a vender suas convicções, isso não é um sacrifício, a menos que ele seja o tipo de homem que não tem convicções.

(...)

Por que é imoral produzir um valor e ficar com ele, mas não o é dá-lo aos outros? E se é imoral para vocês ficar com esse valor, por que não é imoral para os outros aceitá-lo? Se vocês são altruístas e virtuosos quando o dão, eles não serão egoístas e maus quando o aceitam? Então a virtude consiste em servir o vício? Então o objetivo moral dos bons é imolar-se em benefício dos maus?

A resposta de que vocês se esquivam, a resposta monstruosa é: Não, os que recebem não são maus, desde que eles não mereçam o valor que vocês lhes deram. Não é imoral para eles aceitar a dádiva, desde que eles sejam incapazes de produzi-la, incapazes de merecê-la, incapazes de lhes dar algo em troca. Não é imoral para eles encontrar prazer nela, desde que eles não a obtenham por direito.

(...)

Assim como não pode haver riqueza sem causa, assim também não pode haver amor sem causa, nem nenhuma emoção sem causa. Uma emoção é uma reação a um aspecto da realidade, uma estimativa ditada pelos seus padrões: Amar é *valorizar*. O homem que diz que é possível valorizar sem valores, amar aqueles que vocês consideram desprovidos de valor, é o homem que afirma que é possível enriquecer consumindo sem produzir, e que papel-moeda é tão valioso quanto ouro.

(...)

O amor é a manifestação dos valores que se têm, a maior recompensa a que se pode fazer jus através das qualidades morais que se atingiram no caráter e na própria pessoa, o preço emocional pago por um homem pelo prazer que lhe proprocionam as virtudes de outro. A sua moralidade exige que vocês divorciem o seu amor dos seus valores e o entreguem a qualquer vagabundo, não como uma resposta a seu valor, e sim como um resposta à sua necessidade; não como recompensa, mas como esmola; não como remuneração de virtudes, mas como um cheque em branco concedido aos vícios. A sua moralidade lhes diz que o objetivo do amor é liberá-los das amarras da moralidade, que o amor é superior ao discernimento moral, que o verdadeiro amor transcende, perdoa e sobrevive a toda espéice de erro em seu objeto, e quanto maior o amor, maior a depravação permitida ao amado. Amar um homem por suas virtudes é mesquinho e humano, diz esta moralidade; amá-lo por seus defeitos é divino. Amar aqueles que são merecedores de valor não passa de interesse; amar os que não merecem amor é sacrifício.

(...)

Qual a natureza daquele mundo superior ao qual vocês sacrificam esse mundo que realmente existe? Os místicos do espírito amaldiçoam a matéria, os místicos da Sociedade amaldiçoam o lucro. Aqueles querem que os homens lucrem renunciando ao mundo; estes, que os homens herdem o mundo renunciando ao lucro. Os mundos sem matéria e sem lucros por eles propostos são terras em que nos rios correr café com leite, brota vinho das pedras quando eles assim ordenam, caem pastéis do céu quando abrem a boca. No mundo material em que vivemos, em que as pessoas correm atrás do lucro, é necessário um investimento enorme de virtude - de inteligência, integridade, energia e capacidade - para construir uma ferrovia de um quilômetro de extensão; no mundo sem matería e sem lucro que os místicos propõem, viaja-se de um planeta a outro graças à formulação de um desejo. Se uma pessoa honesta lhes pergunta 'Como?' - eles respondem, com indignação e escárnio, que 'como' é um conceito de realistas vulgares; o conceito dos espíritos superiores é 'de algum modo'. Neste nosso mundo circunscrito pela matéria e o lucro, as recompensa requerem o pensamento; num mundo libertado de tais restrições, basta desejar.

(...)

Toda vez que vocês se revoltam contra a causalidade, o que os motiva é o desejo fraudulento não de escapar dela, mas, o que é pior, de invertê-la. Vocês querem amor imerecido, como se amor, que é efeito, lher pudesse atribuir valor pessoal, que é a causa; querem admiração imerecida, como se a admiração, o efeito, pudesse lhes conferir virtude, a causa; querem riquezas imerecidas, como se a riqueza, o efeito, pudesse lhes conferir capacidade, a causa; imploram por piedade, PIEDADE não justiça, como se um perdão imerecido pudesse ter o efeito de apagar a causa do seu pedido de misericórdia. E para permitirem estas suas falsificações mesquinhas, vocês defendem as doutrinas de seus mestres, enquanto eles andam por aí proclamando que os gastos, que são o efeito, é que criam as riqueza, que é a causa; que as máquinas, o efeito, criam a inteligência, a causa; que os seus desejos sexuais, o efeito, criam os seus valores filosóficos, a causa.

(...)

A vida entre vocês é um gigantesco fingimento, uma farsa que um representa para o outro, cada um se achando o único diferente, o único culpado, cada um atribuindo a autoridade moral ao incognoscível que só os outros conhecem, cada um falseando a realidade que acha que os outros querem que ele falseie, nenhum com a coragem de quebrar o círculo vicioso.

(...)

Para vocês, a moralidade é um espantalho constituído de dever, tédio, castigo e dor, um cruzamento da primeira professora que vocês tiveram no primário com o coletor de impostos de agora, um espantalho colocado num campo estéril, sacudindo uma vara para espantar os seus prazeres - e prazer, para vocês é um cérebro empapado de álcool, uma prostituta animalesca, o estupor de um imbecil que aposta dinheiro numa corrida de animais, pois o prazer não pode ser algo moralmente correto.

(...)

Aceitem o fato de que vocês não são oniscientes, mas saibam que bancar o zumbi não vai torná-los oniscientes; aceitem o fato de que a sua mente é falível, mas admitam que livrar-se da mente não vai torná-los infalíveis; aceitem o fato de que um erro que vocês cometeram por iniciativa própria é mais seguro do que dez verdades aceitas por fé, porque a sua iniciativa lhes dá os meios de corrigi-lo, enquanto a mera aceitação destrói a sua capacidade de distinguir a verdade do erro. Substituam o seu sonho de autômatos oniscientes, aceitem o fato de que todo conhecimento que o homem adquire é fruto de sua própria vontade e de seu próprio esforço, e que isto é que o distingue no universo, esta é a sua natureza, sua moralidade, sua glória.

(...)

Aquilo que vocês não sabem não pode representar uma acusação moral contra vocês; mas aquilo que vocês se recusam a saber é marca da infâmia que cresce na sua alma. Tenham toda a tolerância possível com os erros de conhecimento; não perdoem nem aceitem nenhum deslize moral.

(...)

Um passo básico na aprendizagem do amor-próprio é encarar como sinal de canibalismo toda *exigência* de ajuda. O homem que exige ajuda de vocês está afirmando que a sua vida é propriedade dele - e por mais repugnante que isso seja, há algo ainda mais repugnante: concordar e aceitar. Perguntam vocês: é bom ajudar outro homem? Não, se ele afirma que se trata de um direito dele ou de um dever moral seu; sim, se isto é o que vocês desejam, com base no prazer egoísta que lhes proporciona o *valor* da pessoa e da *luta* do outro. O sofrimento, enquanto tal, não é valor. Só a luta do homem contra o sofrimento o é.

(...)

Direitos são um conceito moral - e a moral é uma questão de escolha. Os homens têm a liberdade de não optar pela sobrevivência do homem como padrão de sua moralidade e de suas leis, mas não a de esquivar-se do fato de que a alternativa é uma sociedade de canibais, que existe por algum tempo devorando o que ela tem de melhor e depois cai como um corpo canceroso, quando os saudávies já foram comidos pelos doentes, quando os racionais já foram consumidos pelos irracionais. Este sempre foi o destino histórico das sociedades, mas vocês se esquivaram do conhecimento da causa.

(...)

Vocês resolveram achar que era injusto que nós, que retiramos vocês das choupanas e lhes demos apartamentos modernos, rádios, cinemas e automóveis, tivéssemos palácios e iates - resolveram que vocês tinham direito a receber seu salário, mas nós não tínhamos direito de receber nossos lucros; que vocês não queriam que lidássemos com as suas mentes e sim com as suas armas, mas nossa resposta foi: 'pois que se danem!' E foi o que de fato aconteceu. Vocês se danaram.


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