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siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões A Adoração Oral em mamilos e verdade

A Adoração Oral em mamilos e verdade

Loira PeitudaO culto ao amor, promovido por trovadores e poetas, começou a se rivalizar com o culto ao asceticismo promovido pela igreja e o culto à guerra promovido pelos senhores feudais; graças a esta centralização do agente responsável por mudanças novamente nas mulheres, mudanças grandes e pequenas passaram a ocorrer, um exemplo de como isso afetou a visão de mundo que havia na época, até mesmo nos jogos, de como a mulher ganhou novo destaque, foi quando a peça da rainha, que era a mais fraca de todas no xadrez, se tornou mais poderosa do que o próprio rei, talvez uma indireta para os homens de poder. E não foram apenas mudanças como estas que animam papos de festas que ocorreram, novas doutr

nas, estranhas e radicais, começaram a ser pregadas por grupos cristãos, como os Cátaros, que ao que tudo indica, não eram ignorantes sobre formas de ocultismo sexual, as mesmas praticadas por Crowley no início do século XX; as beguinas, inspiradas por Santa Begga, foram mulheres independentes que estabeleceram sua própria ordem religiosa fora da hierarquia católica, os cavaleiros templários combinavam cristianismo com o misticismo sexual sufi que descobriram em Jerusalém, e a Irmandade da Bolsa Comunitária - Brethren of the Common Purse - que praticava voluntariamente o comunismo. Eventualmente a própria igreja acabou se contaminando com esse novo espírito, e a Mãe de Jesus,
ma figura esquecida que ocupava apenas um segundo plano na história do Messias, teve o mesmo destino que a peça de xadrez, ganhando uma posição dominante que até hoje, nas comunidades católicas e ortodoxas, ela mantém, e como se isso tudo não bastasse, o maior de todos os poetas católicos, Dante Alighieri, conseguiu, em sua obra máxima, dar um destaque a seu amor de infância - Beatrice Portinari - que nem Cristo, nem a preopria Virgem Maria, desfrutaram, transofrmando seu poema cristão ortodoxo, A Divina Comédia, em uma declaração de amor mais exaltada do que os poemas heréticos nos quais os trovadores franceses haviam exaltado de maneira blasfema suas amantes acima de todos os santos. Pierre Vidal brincou de maneira descarada com a haresia sufi quando escreveu "eu acredito ver Deus quando olho para o corpo nú de minha senhora", Dante conseguiu chegar ao mesmo lugar que Vidal chegara, mesmo que não tenha tido muita noção do que fazia. E, já que falamos de Vidal, podemos considerá-lo como o modelo do homem orientado pelo amor que Eleanor  definiu como o contraste ideal para o guerreiro ou o santo. Vidal era meio maluco das idéias - bem, deixando a hipocrisia de lado, podemos dizer que ele era completamente fodido das idéias - mas mesmo assim, ou talvez por casua disso, era um exímio artesão de rimas, seus versos ainda são elogiados por sua perfeição técnica e exuberância. Ele foi a maior vítima e o maior herói de sua própria paixão e das enrascadas em que ela o metia. Certa ocasião chegou a convencer uma cidade inteira de que era um lobisomem, apenas para impressionar uma mulher que havia lhe dado o fora, mas as coisas não pararam por ai. Ele não apenas convenceu a cidade e a mulher em questão, mas criou uma onda de pânico tão grande em todos que teve que fugir do local, ele foi caçado com cães pelas colinas em Arles (as mesmas colinas onde Van Gogh, sete séculos depois, enlouqueceria, e teria visões cósmicas - os locais atribuem essas febres do cérebro ao mistral ou "aquele vendo danado" como o chamam). Vidal finalmente foi apanhado e levado para o tribunal onde foi julgado por bruxaria e por pouco não terminou seus dias assando em uma fogueira.

Um caso similar, embora não tão bizarro, foi o protagonizado por Sordello, que se tornou o herói de um poema de Browning, que convenceu uma senhora casada, Cunniza da Romano, a fugir em segredo para viverem um relacionamento juntos. Eles viviam em uma Europa completa e totalmente católica e não tinha jeito de conseguirem legalizar o relacionamento, mas tanto Sordello quanto Cunniza confiavam no Amor Cortez mais do que nos tomos empoeirados dos pais da igreja. Dante curiosamente, não colocou nenhum dos dois em seu inferno, quando escreveu sua Divina Comédia. Sordello pode ser encontrado no Purgatório e, por mais estranho que seja, Cunniza está no Paraíso - a justificativa para seu destino foi o fato dela ter dado liberdade para seus escravos. Um grande número de estudiosos chegaram a questionar a ortodoxia de Dante por causa disso. Inspirado por Cunniza, Sordello escreveu aquilo que Ezra Pound entre outros, declarou ser a mais nobre hipérbole na história da poesia de amor:

If I see you not, lady with whom I am entranced
No sight I see is worth the beauty of my thought

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Se não te vir, senhora por quem estou encantado
Nenhuma visão que eu tenha é digna da beleza de meu pensamento

Este tipo de coisa acabou por se tornar lugar comum: o trovador Cabestan foi assassinado por um marido ciumento que então (possivelmente se considerando a peça central de uma tragédia grega), removeu seu coração e o serviu cozido para a esposa, lhe dizendo que era o coração de um cervo. Depois da refeição, quando ela já estava saciada com a iguaria, o marido lhe revelou a verdade, dizendo que ela acabara de jantar o coração do poeta safado! Chocada, a esposa se atirou de uma das varandas do castelo e morreu esborrachada nas pedras que haviam lá embaixo. Inacreditável, mas nem por isso menos real, essa história foi dramatizada no Canto 4 de Pound e no O Coração Devorado de Richard Aldington. E sim, eu concordo com você... por que, em nome da Deusa, Puccini não fez ópera com esta história?

Mas... eventualmente... os cavaleiros Templários foram suprimidos pela inquisição (123 deles queimados vivos depois de sessões de tortura onde confessaram capítulos e mais capítulos de abominações que grande parte dos hisotriadores consideram apenas uma tentativa de fazer a dor parar simplesmente dando a história incrível que os torturadores queriam ouvir) e a cruzada albigense foi lançada - seu objetivo primário era simplesmente acabar com a permissividade sexual dos cátaros, mas uma vez na estrada resolveram também dizimar a população do sul da França no que Kenneth Rexroth chamou de "a pior atrocidade na história, antes da invenção do Progresso". Os templários só voltaram à cena durante o século XVIII e os cátaros só surgiram novamente na década de 1920. Os valores do papado patriarcal reconquistaram a Europa e se mantiveram régios até o cisma protestante mas até hoje domina todo o sul europeu. Mas se a alma das pessoas acabou escolhendo abraçar o aspecto sombrio do controle masculino, seu espírito não abriu mão da poesia romântica. Geoffrey Chaucer acabou importando a ideologia romântica da França para a Inglaterra em seu Contos de Cavaleiros e em algunss de seus contos curtos, quando a era Elizabetana fincou suas raízes, quase toda a poesia que existia no Reino Unido era romântica. Por isso Shakespeare pode escrever qualquer coisa que lhe desse na telha quando criava suas peças, mas tão logo começou a destinar sua poesia para a página impressa ele ivariavelmente acabou vítima da língua, dos temas, dos conceitos tradicionais e de todo o aparato do amor místico trovadoresco. A influência de Shakespeare foi tão grande, por sua vez, que quando os poetas modernos finalmente começaram a escrever sobre outros assuntos por volta de 1910, a opinião estabelecida ficou chocada e foi dito na época que aquele material todo era "não-poético" - como se as batalhas de Homero, o misticismo de Ovídio, a indignação de Juvenal, os pés no chão de Villon, o racionalismo de Lucrécio, o cinismo das Antologias Gregas, os protestos sociais de Piers Plowman, etc., nunca tivessem existido e apenas o amor místico trovadoresco fosse a única forma poética existente desde sempre.

Considerando o quão anal nossa cultura tem sido, tirando a parte mais matriarcal de Eleanor e seu círculo, é incrível perceber que (assim como nosso progenitor religioso, Jesus) o mais influente poeta e dramaturgo de todos os tempos, tenha sido alguém com um biotipo distintamente oral. Uma coleção bem vasta de temas interrelacionados que nos mostram todo tipo de chupação e mastigação espalhadas em suas peças e sonetos serviu como base para muitos estudiosos afirmarem que o autor de tudo o que era atribuído a Shakespeare era de fato de autoria de uma única pessoa, já que existiam alguns que afirmavam que Shakespeare na verdade era um pseudônimo adotado por diferentes escritores.

Sucking the honey os his vows
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que saboreei o mel de suas juras
     - Hamlet

If music be the food of love, play on
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se a música é o alimento do amor, toque
     - A Décima Segunda Noite

Where the bees suck, ther suck I
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Onde as abelhas sugam, aí sugo eu
     - A Tempestade

Why, what a candy deal of courtesy
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Ora, que tipo doce de cortesia
     - Henrique IV, parte I

Oscar Wilde foi um dos primeiros a sugerir que o bardo inglês, graças a infindáveis alusões semelhantes a estas, fosse homossexual, ou ao menos bissexual, mas a idéia não pegou, ao menos não como os escritores pró liberação homossexual gostariam, como Elric Partridge deixou claro em seu As Obcenidades de Shakespeare (Shakespeare's Bawdy), simplesmente listando todas as referências sexuais de todos os trabalhos do bom e velho Francis Bacon. Todas as alusões que ele fazia eram tipicamente heterossexuais, mas assim como Jesus ele possuia um componente extremamente delicado (feminino) em sua personalidade, um componente que fez com que as pessoas que identificam brutalidade como sinal de masculinidade naturalmente ficassem inclinadas a pensar que ele era uma bicha louca - ou como os maníacos politicamente corretos prefeririam dizer, uma frutinha assanhada. Os apelidos que seus contemporâneos lhe davam - a Shakespeare, não Jesus - como "Doce Will" e "Will Gentil" indicam muito claramente que aquele careca barbudo, cronicamente sem grana, socialmente inaceitável, de tamanho miniatura, filho de um açougueiro de cidade pequena estava muito mais inclinado para um Allen Ginsberg do que para um Ernest Hemingway.

Para quem não entendeu, Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade. Uma de suas célebres frases é "quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura". Já Hemingway fez parte da "geração perdida". Teve uma vida turbulenta,  casou-se quatro além de vários relacionamentos românticos. Publicobras como "O Velho e o Mar" e "Por Quem Os Sinos Dobram". Era um toureiro amador e se alistou às forças republicanas contra o fascismo. No dia 2 de julho de 1961, aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, arteriosclerose, depressão e perda de memória, pegou um fuzil de caça e disparou contra si mesmo.

Mas nem por isso ele adorava menos as mulheres e aparentemente várias delas o adoravam também. Não estaríamos errados em ver Vênus como a sedutora agressiva de Adonis, no poema que dedicou a esta lenda, é comum que homens deste tipo geralmente "joguem o jogo da espera" (como Kurt Weill chamou em seu Música de Setembro), e permitem que a mulher tome a iniciativa. James Joyce chegou a discutir, se baseando nos imagens sexuais das peças de Shakespeare, que foi Anne Hathaway quem seduziu o poeta, e temos que ter em mente que de fato o casamento de ambos foi de certa forma forçado, já que que o primeiro filho do casal nasceu seis meses depois da cerimônia.

O romantismo do bardo, do qual todo autor inglês e americano foi vítima em maior ou menor grau, teve sua gênese com o misticismo sexual influenciado pelas filosofias sufis de Eleanor e de Pierre Vidal, como vimos. Outra influência, como Francis Yates notou em Giodarno Bruno e a Tradição Hermética, foi o arqui-herege Bruno de Nola, queimado na fogueira da inquisição em Roma, no ano de 1600. Ao que parece, Bruno foi o modelo para Berowne no 'Trabalhos de Amor Perdido' de Shakespeare; ele esteve na Inglaterra entre os anos de 1583 e 1585, e a sequência do soneto De gli eroici furori, publicada em Oxford em 1585 é uma celebração do amor sexual salpicada de passagens em prosa relacionando esses poemas à busca mística pela Unidade (o "sentimento oceânico" de Freud). O grande discurso de Berowne em Trabalhos de Amor Perdido

Pela coragem, não é o amor um Hércules
Ainda galgando as árvores nas Hespérides?
Sutil como a Esfinge, doce e musical
Como o alaúde do brilhante Apolo,Encordoado com seus cabelos;
E quando o Amor fala, a voz de todos os deuses
Deixa os céus estonteados com a harmonia.

não se trata apenas de um linguajar bonito, como acontece com os inúmeros imitadores de Shakespeare. É uma afirmação herege, seguindo a linha dos sonetos de Bruno e a tradição de Eleanor de Aquitânia, declarando corajosamente que a senda trilhada pelo amante é superior àquela trilhada pelo soldado ou pelo asceta. Como Francis Yates sugere, é possível que o Mago Próspero em 'A Tempestade', também tenha sido inspirado nas práticas de magia hermética de Bruno, práticas essas que envolviam porções generosas daquele tempero de ocultismo sexual dos Catáros-templários-trovadores.

Ezra Pound, o poeta moderno que mais deu atenção para a pesquisa histórica sobre a evolução dessas noções, explica em uma linguagem de certo modo velada (ele estava escrevendo para a simplória e um tanto limitada audiência inglesa de 1933):

"Eles [os trovadores] se opõe a uma forma de estupidez que não está limitada à Europa, ou seja, um asceticismo idiota e uma crença que o corpo é mau...

Os sentidos primeiro parecem se projetar a alguns metros além do corpo ... [em] um clima decente onde um homem deixa seus conjuntos de nervos abertos, ou permite que eles se afinem ao seu ambiente, ao invés de batalhar, como a  raça nórdica tem que fazer para sobreviver, para proteger o corpo dos ataques do clima...

Ele se nega, depois de um tempo, a limitar sua recepção a seu plexo solar. A coisa toda não tem nada a ver com tabus ou fanatismos religiosos. Vai muito além da simples forma física do mens sana in corpore sano. O conceito do corpo como o instrumento perfeito da inteligência que cresce cada vez mais vai além...

Parece que nós perdemos o mundo radiante onde um pensamento corta através de outro com uma lâmina limpa, um mundo de energias em movimento... magnetismos que tomam forma, que são vistos ou que beiram o visível, a matéria do paradiso de Dante, o espelho debaixo da água, a forma que parece uma forma vista no espelho, aquelas realidades perceptíveis aos sentidos... intocado pelos dois grandes males, a doença Hebréia, a doença Hindu, fanatismos e e excessos que produzem o Savonarola..."

Os Ensaios Literários de Ezra Pound - Literary Essays of Ezra Pound. Em seu O Espírito do Romance - The Spirit of Romance - ele escreve com igual clareza, mas também com igual cuidado, que o assunto que tratavam era  uma forma de yoga que utilizava as "polaridades opostas do feminino e do masculino". De Rougemont em Amor no Ocidente - Love in the Western World - não deixa dúvidas sobre o fato de se tratar de a yoga Tântrica clássica, prolongando o ato sexual até que se tornasse um transe onde as "almas" ou "magnetismos" se tornam, em algum grau, visíveis.

John Donne, que talvez tenha influenciado a poesia romântica inglesa tanto quanto Shakespeare, frequentava Oxford quando Bruno dava aulas lá, e parece que acabou adotando algumas das doutrinas de Nola. O fato de os poemas de Donne geralmente possuírem sentidos duplos e triplos, piadas ocultas e simbolismos ocultos é algo de que todos os críticos já se cansaram de falar a respeito, mas aparentemente ninguém nunca relacionou isso com o uso de pistas falsas usadas pelos "hermeticistas" como Bruno, que sempre buscou esconder seus ensinamentos sexuais dos olhos da Santa Inquisição se utilizando de truques semelhantes. Falemos então desta conexão, 'O Êxtase' - The Ecstasy - de Donne é notável como um poema que quase sempre se mostrou incompreendido pelos estudiosos que fizeram comentários a seu respeito. Aqui estão os principais versos, com a devida ênfase destacada para você, em negrito:

WHERE, like a pillow on a bed,
    A pregnant bank swell'd up, to rest
The violet's reclining head,
    Sat we two, one another's best.

So to engraft our hands, as yet
    Was all the means to make us one ;
And pictures in our eyes to get
    Was all our propagation.


As, 'twixt two equal armies, Fate
    Suspends uncertain victory,
Our souls—which to advance their state,
    Were gone out—hung 'twixt her and me.

And whilst our souls negotiate there,
    We like sepulchral statues lay ;
All day, the same our postures were,
    And we said nothing, all the day.

-----------------

Onde, qual almofada sobre o leito,
    A areia grávida inchou para apoiar
A inclinada cabeça da violeta,
    [Nós nos sentamos], olhar contra olhar.

Enxertar mão em mão é até agora
    Nossa única forma de atadura
E modelar nos olhos as figuras
    A nossa única propagação.


Como entre dois exércitos iguais,
    Na incerteza, o Acaso se suspende,
Nossas almas (dos corpos apartadas
    Por antecipação) entre ambos pendem.

E enquanto alma com alma negocia,
   Estátuas sepulcrais ali quedamos
Todo o dia na mesma posição,
    Sem mínima palavra, todo o dia.

~ Tradução de Augusto de Campos.

Quando ouvimos alguém discorrer sobre esta obra, ouvimos a mesma e eterna conversa sobre "amor platônico" e blá blá blá, mas com certeza não era isto que o poeta tinha em mente quando a escreveu. De fato, para qualquer leitor que não tenha conhecimento da tradição tântrica-sufi do Tibet, Índia e Oriente Próximo e de sua transmissão via o culto templário-trovador e dos vários "alquimistas" e illuminati, a conclusão de que se Donne e sua senhora "se sentaram" juntos então não houve nenhuma forma de contato sexual é natural. Mas se prestarmos atenção em qualquer imagem tibetana da posição yabyum, como é chamada, vemos que quando uma pessoa senta no colo de outra, ambas na posição de lótus, estamos falando de uma posição básica para qualquer forma de yoga sexual. De um ponto de vista tântrico essa posição é interessante porque neurologicamente ela desvia a energia originária da bio-eletricidade de nosso sistema nervoso central e a envia para nosso sistema autônomo (involuntário), mas se formos nos manter fiéis aos personagens que já surgiram em nosso ensaio vamos ver o que Freud diria sobre esta posição:

Sotaque Freudiano

- Oras, quando a homem se senta nú, sem os roupas, com a pinto dura, e o mulher se senta pelado também, em cima da pinto da homem, cria-se uma quadro interressante! A homem assume uma papel puramente passiva, como a infante que tem a peito do mãe no boca, assim, deste forma, temos o oralização da abraço genital!

Fim do sotaque Freudiano


Assim não é de se espantar que o objetivo deste ato recapture o sentimento oceânico de Freud ou o "transe da Unidade" como os místicos costumam chamar. Em algumas tradições, influenciadas por idéias de magia gnóstica, o casal deve fixar o olhar nos olhos do parceiro. Vamos nos lembrar de Donner de novo: "E modelar nos olhos as figuras / A nossa única propagação". Este método também tem a ótima função de servir como forma de controle de natalidade, já que permite que o homem tenha orgasmos completamente desvinculados da ejaculação, claro que é necessária alguma prática para se conseguir isso, mas nada que muito treino não resolva, e muita gente treinou. Este método foi usado como anticoncepcional na comunidade anarco-comunista "amor livre" dos Perfeccionistas Bíblicos da famosa Colônia Oneida em Nova Iorque entre os anos de 1840-1870. A Comunidade de Oneida foi uma comuna religiosa fundada por John Humphrey Noyes em 1848, em Oneida, Nova Iorque. A comunidade acreditava que Jesus Cristo havia retornado para a Terra no ano 70, isso era algo bom, já que eles podiam então criar o reino milenar de Cristo na terra e, graças a isso, estavam todos livres do pecado e eram todos perfeitos não apenas no paraíso, mas na terra também, essa crença se tornou conhecida como Perfeccionismo.

Mestres contemporâneos de Tantra pedem que seus pupilos imitem as famosas estátuas do Templo Negro, próximo de Benares - aquele cheio de esculturas eróticas - e então buscarem a imobilidade, como as estátuas. Cintando Donne de novo: "Estátuas sepulcrais ali quedamos". Esta posição pode ser mantida por muito mais tempo do que qualquer outra diversão sexual, provavelmente foi a posição na qual Baba Ram Dass se encontrava quando, sob a influência de LSD, experienciou um êxtase sexual que perdurou por horas e horas, ou "Todo o dia na mesma posição" como escreveu Donne. Além disso no poema Donne fala sobre as almas deixando o corpo para trás, novamente basta conversar com qualquer um que tenha dominado esta técnica e você ouvirá descrições ainda mais inacreditáveis, algumas que fariam a imagem que temos de uma alma deixando o corpo com vergonha. Para os curiosos, ou para aqueles que desejem saber como ler o livro dentro do qual estão presos, aqui vão as instruções na íntegra:

Onde, qual almofada sôbre o leito,
   A areia grávida inchou para apoiar
A inclinada cabeça da violeta,
   Nós nos sentamos, olhar contra olhar.

Nossas mãos duramente cimentadas
   No firme bálsamo que delas vem,
Nossas vistas trançadas e tecendo
   Os olhos em um duplo filamento;

Enxertar mão em mão é até agora
   Nossa única forma de atadura
E modelar nos olhos as figuras
   A nossa única propagação.

Como entre dois exércitos iguais,
   Na incerteza, o Acaso se suspende,
Nossas almas (dos corpos apartadas
   Por antecipação) entre ambos pendem.

E enquanto alma com alma negocia,
   Estátuas sepulcrais ali quedamos
Todo o dia na mesma posição,
   Sem mínima palavra, todo o dia.

Se alguém - pelo amor tão refinado
   Que entendesse das almas a linguagem,
E por virtude desse amor tornado
   Só pensamento - a elas se chegasse,

Pudera (sem saber que alma falava
   Pois ambas eram uma só palavras),
Nova sublimação tomar do instante
   E retornar mais puro do que antes.

Nosso Êxtase - dizemos - nos dá nexo
   E nos mostra do amor o objetivo,
Vemos agora que não foi o sexo,
   Vemos que não soubemos o motivo.

Mas que assim como as almas são misturas
   Ignoradas, o amor reamalgama
A misturada alma de quem ama,
   Compondo duas numa e uma em duas.

Transplanta a violeta solitária:
   A força, a cor, a forma, tudo o que era
Até aqui degenerado e raro
   Ora se multiplica e regenera.

Pois quando o amor assim uma na outra
   Interanimou duas almas,
A alma melhor que dessas duas brota
   A magra solidão derrota,

E nós que somos essa alma jovem,
   Nossa composição já conhecemos
Por isto: os átomos de que nascemos
   São almas que não mais se movem.

Mas que distância e distração as nossas!
   Aos corpos não convém fazermos guerra:
Não sendo nós, não convém fazermos guerra:
   Inteligências, eles as esferas.

Ao contrário, devemos ser-lhes gratas
   Por nos (a nós) haverem atraído,
Emprestando-nos forças e sentidos.
   Escória, não, mas liga que nos ata.

A influência dos céus em nós atua
   Só depois de se ter impresso no ar.
Também é lei de amor que alma não flua
   Em alma sem os corpos transpassar.

Como o sangue trabalha para dar
   Espíritos, que às almas são conformes,
Pois tais dedos carecem de apertar
   Esse invisível nó que nos faz homens,

Assim as almas dos amantes devem
   Descer às afeições e às faculdades
Que os sentidos atingem e percebem,
   Senão um Príncipe jaz aprisionado.

Aos corpos, finalmente, retornemos,
   Descortinando o amor a toda a gente;
Os mistérios do amor, a alma os sente,
   Porém o corpo é as páginas que lemos.

Se alguém - amante como nós - tiver
   Esse diálogo a um ouvido a ambos,
Que observe ainda e não verá qualquer
   Mudança quando aos corpos nos mudamos.

Pensando nisso agora, talvez seja injusto chamar o Dr. Bergler de exagerado por ter afirmado que a criança acredita que o peito da mãe seja parte de seu próprio corpo. Neste sentido  o livro Sexo e Drogas - Sex and Drugs - de Robert Anton Wilson, traz vários relatos interessantes de pessoas, que sob a influência da maconha, não sabiam dizer onde o próprio corpo terminava e o do amante começava. Claro que ao invés de ficar lendo um livro você poderia fazer a experiência.

É incrível que este poema tenha sido confundido com um idealismo etéreo ou platônico. Donne chegou a escrever outros poemas que tratavam do sexo como deveria ser tratado. Dispomos aqui alguns dos versos presentes no texto Indo para a Cama - To His Mistress Going to Bed, escrito na mesma época que o êxtase, que mostra que o platonismo de Donne podia ser qualquer coisa, menos platônico:

Tua saia, ao cair, revela tal primor,
Que é igual à sombra a se afastar do campo em flor.
Fora a coroa entrelaçada de metal;
Solta os cabelos, diadema natural.

Concede uma licença à minha mão errante,
Para ir ao meio, encima, embaixo, atrás, adiante.

Que esperas? Estou nu... e as horas se consomem.
Mais cobertura tu desejas do que um homem?


E como se não bastasse ele encerra o seu Êxtase rejeitando explicitamente a espiritualização tradicional do relacionamento amoroso:

Os mistérios do amor, a alma os sente,
   Porém o corpo é as páginas que lemos.

É certo que sempre haverão aqueles que questionarão: ok, podemos até abraçar a idéia que o ato de Eleanor tenha tido repercussões não diretamente ligadas a ele. Podemos aceitar que ele tenha inflamado a mente de pessoas que tem uma natureza "oral", e mesmo que essas pessoas tenham buscado formas de "ir além", o que neste caso seriam buscar ensinamentos sexuais de transcendência e conseguir "forçar a prótpria evolução". Se isso é verdade, podemos até supor que alguns poetas tenham escondido em suas obras esses ensinamentos para, seguindo o conselho de Jesus: "aqueles que tem ouvido que ouçam" e "não joguem pérolas aos porcos"! Mas quem garante que Donne estava falando da posição do Lotus, ou do duplo lotus, neste texto, se é que este texto dá mesmo instruções de rituais gnósticos-sexuais?

Bem, se Donne não foi o suficientemente explícito, então vamos prestar atenção em um "alquimista" que foi seu contemporâneo, Thomas Vaughan. A história da alquimia pode ser dividia em dois movimentos independentes: a alquimia chinesa e a alquimia ocidental, esta última desenvolvendo-se ao longo do tempo no Egito (em especial Alexandria), Mesopotâmia, Grécia, Roma, Índia, Mundo Islâmico, e Europa.

Os textos mais antigos sobre alquimia são os que se derivaram da alquimia chinesa, como o famoso Livro da Flor de Ouro. Nesta versão oriental da prática o principal objetivo do alquimista era fabricar o elixir da longa vida que, de acordo com as crenças, estava relacionado com a fabricação do ouro - o conceito de pedra filosofal e de "homunculus" não existiam, por serem conceitos puramente ocidentais. Na China a alquimia podia ser dividida em Waidanshu, a Alquimia Externa, que procura o elixir da longa vida através de táticas envolvendo metalurgia e manipulação de certos elementos - uma prática que podemos rotular como anal, metódica e extremamente lógica - e a Neidanshu, a Alquimia Interna ou espiritual, que procura gerar esse elixir no próprio alquimista - uma prática oral e emociaonal. A alquimia chinesa foi perdendo força e acabou desaparecendo com o surgimento do budismo. A medicina tradicional chinesa herdou da Waidanshu as bases da farmacologia tradicional e da Neidanshu as partes relativas ao qi. Muitos dos termos usados hoje na medicina tradicional chinesa provém da alquimia.

Na europa medieval, podemos encontrar os dois tipos de alquimistas ocidentais: aqueles que também buscam o elixir da longa vida e a pedra filosofal com o uso da alquimia externa e da interna. Ivariavelmente ambos os tipos podem levar o praticante ao resultado desejado e se diferem na natureza do praticante, não sendo uma forma mais potente do que a outra.

Com o desenvolvimento cada vez maior de nossa cultura anal não é de se esperar que a alquimia hoje seja vista apenas como uma processo externo e etiquetada como uma forma primitiva do que hoje chamamos de química.  Thomas Vaughan fez parte desta tradição e falou do mesmo ensinamento secreto em seu Coelum Terrae (escrito em 1650), sob o título inócuo de "A Matéria Prima" ou "A Pedra Filosofal":

"O verdadeiro forno é uma pequena e simples concha; tu podes segurá-la facilmente em uma de tuas mãos... Quanto ao trabalho propriamente dito; não é de forma alguma complicado; uma dama pode... tomar parte desta filosofia sem se preocupar. De minha parte, acredito que mulheres são muito melhor preparadas para ele do que homens, pois em assuntos como este são mais organizadas e pacientes, já que estão mais do que acostumadas à pequena química dos sack-possets e outros doces meticulosos...

OBS: Sack Posset e um creme doce tradicional do período elizabetano. Era uma sobremesa preparada com ovos, vinho madeira e noz moscada.

Mas eu quase me esqueço de dizer-te o mais importante de tudo e que é a maior dificuldade de toda a arte - precisamente o fogo... A proporção e o controle dele é muito escrupuloso, mas a melhor maneira de se fazê-lo é a do sínodo: "Não deixe que o pássaro voe diante do caçador". Faça com que se sente enquanto você prepara o fogo e então você pode ter certeza de sua presa. Para encerrar eu devo dizer-te que os filósofos chamam a este fogo de seu banho, mas este é um banho da Natureza, não um artificial; pois não é feito com nenhum tipo de água... Em uma palavra, sem este banho nada no mundo é gerado... Nossa Matéria é uma substância das mais delicadas e gentis, como o esperma animal, pois é quase como uma coisa viva. Não, sendo completamente sinceros, ele possui uma pequena porção de vida...

'Deixe ele que não seja familiar com Proteus que consiga a ajuda de Pan'"

Este texto foi criado para confundir o leitor comum, e com certeza ele obteve êxito. Para o leitor não ordinário o pássaro é claramente o esperma que, caso este método seja seguido e obtenha êxito, é desviado para a bexiga ao invés de ejaculado (embora possamos supor que Vaughan, assim como Bruno e os praticantes orientais de Tantra acreditassem que o esperma seguia a coluna vertebral em disparada por seu caminho até o cérebro). O trabalho é a cópula sem movimento, na posição sentada. O confuso fogo que também é um banho é o transe no qual a prática resulta. A Matéria trata novamente do esperma - note como Vaughan usa de sutileza para esconder e revelar este fato. A referência a Proteus, o deus das tranformações, e Pan, o deus da sexualidade, é outra dica. E se você ainda não conseguiu descobrir sobre o que ele fala quando se refere ao verdadeiro forno, leia este excerto do texto de Donne, 'Alquimia do Amor' - Love's Alchemy - onde ele escreve que:

And as no chemic yet th'elixir got
But glorifies his pregnant pot.
---------------
E como nenhum químico ainda o elixir conseguiu
Mas glorifica seu pote grávido

Ainda no livro de Fulcanelli, O Mistério das Catedrais, lemos que:

"[...]a Catedral fundada na Ciência Alquímica, investigadora das transformações da Substância Original (Energia Sexual) da Matéria Elemental."

Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões

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