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siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões A primeira divindade a gente nunca esquece

A primeira divindade a gente nunca esquece

Seios fartosCada vez que acordamos de noite para ir ao banheiro no meio da madrugada fria - justamente quando decidimos dormir sem roupa e o choque térmico é tão brutal que decidimos nem acender a luz do quarto para chegar logo à privada que sabemos estar ainda mais gelada do que o ar - e então batemos nosso pé descalço, geralmente o dedinho, em algo que estava no caminho, é que paramos para nos maravilhar com o mundo que nos cerca e pensamos, enebriados por este maravilhamento: "de fato, tudo é composto de matéria".

Deixando a física e as ciências exatas para os supersticiosos que se agarram a seus profetas malucos e seus livros sagrados, não podemos deixar de notar, sentindo a bexiga pe

ando e se contraindo com o frio que só aumenta, que nas língua indo-européias, existe uma semelhança assustadora entre as palavras usadas para designar matéria - Latim: materium, Francês: matiere, etc. - e as palavras para designar o ato de se medir algo - Francês: metre, Inglês: measure, etc. Mas, mais assustador do que isso, talvez seja o fato como essas palavras parecem ter alguma relação com a palavra mãe - Latin: mater, Alemão: mutter, Francês: mere.

Olhando para o passado, sabemos hoje, que o mais antigo dispositivo criado para se medir o tempo, datado de aproximadamente 32.000 anos, tirando ou pondo uma semana, curiosamente tinha a imagem de uma figura feminin
marcando cada vigésimo oitavo (28o) dia. Até hoje não sabemos exatamente porque o fabricante daquele calendário em especial fez isso, muitos afirmam que isso seria uma forma óbvia de registrar no calendário os dias em que os rituais dedicados à deusa lua, que muda de fase a cada 28 dias, eram celebrados. Nós poderíamos nos arriscar a lançar uma hipótese de que talvez aquela fosse a primeira tabelinha, ou a única restante, de uma adolescente cro-magnon que achava que preservativos feitos com intestinos de bode eram nojentos, e preferia evitar a gravidez de outra forma não tão segura mas mais limpinha. Mas deixemos de lado tais especulações por um momento e vamos expandir nossa atenção para algo mais amplo e antigo do que calendários: o cosmos (também feito de matéria)! Aparentemente a crença que reinava na época da adolescente cro-magnon era a de que o universo era uma grande mãe, que havia parido a vida na Terra. Claro que essa crença não era exclusiva de nossos parentes simiescos, as antigas mulheres sábias (chamadas de wiccas, palavra que significava "sábias"), possuiam uma afinidade especial com essa mãe, ou pelo menos é o que diziam, e por mais que leiamos Freud ou Jung para tentar tomar o controle de nossa vida novamente, naquele então essa mãe não era vista como uma simples metáfora ou considerada uma idéia que representava alguma outra coisa ou uma egrégora. Ela era uma presença viva tão real quanto eu ou você.

Os índios norte-americanos ainda se referem ao nosso planeta como uma mãe viva que eventualmente vai se sacudir e jogar para fora, para o espaço, todos os brancos malucos que desenvolveram uma magia tecnológica bizarra que não serve a outro propósito que não atacá-la, da mesma forma que um cachorro se sacode depois de tomar um banho para se livrar de toda aquela água incômoda.

Vejam que coincidência maluca os primeiros e mais antigos romanos conceberem aquela faixa brilhante de estrelas no céu noturno como uma Via Galactica, um "Caminho de Leite" ou , como chamamos hoje, uma Via Láctea. A própria palavra galáxia se deriva da palavra "galaxias", ou como os gregos diziam " kyklos galaktikos", ou círculo leitoso. Isso porque tanto para os Gregos quanto para os Romanos, aquela faixa branca luminosa que atravessava os céus havia de fato sido esguichada dos peitos da deusa da Terra, Hera.

Quando lemos Fausto, de Goethe, encontramos um outro exemplo clássico do simbolismo que os seios tomam constantemente na mente desocupada das pessoas, especialmente aquelas que tem um cromossomo Y abraçado ao cromossomo X:

FAUSTO (dançando e cantando):

Em macieira de estima
sonhei ver duas maçãs;
tão d’enche-mão, tão louçãs
que lhes saltei logo em cima.

BELA (idem):

Se de maçãs tanto gostas,
não vás com o Éden sonhar.
Também eu no meu pomar
cá tenho maçãs bem-postas.

Eu poderia comentar sobre o que se passa aqui de fato, mas poderia não ser levado a sério, por nunca ter tido meu pedigree comprovado, assim deixemos alguém com mais gabarito expressar minhas idéias: "não existe a mais leve dúvida sobre o que Goethe estava se referindo quando escreveu sobre maçãs e macieiras" - esse foi Freud falando. De fato, existe uma gíria entre os habitantes nativos do East End de Londres - os não tão famosos e nem tão conhecidos assim Cockneys -, usada para se referir a um belo par de seios firmes e redondos: "apple dumpling shop" - ou, "venda de bolinhos de maçã", sendo os bolinhos neste caso trouxinhas de massa, como os guiozas orientais só que recheadas de maçãs.

Ignorando o pedido da encantadora Bela, vamos deixar suas maçãs bem-postas onde estão, e vamos sonhar um pouco com o Jardim do Éden, com a bela Eva, zanzando para cima e para baixo sem nenhuma roupa, pulando corda, fazendo polichinelos ou se alongando, tocando a ponta dos pés com os dedos das mãos, sem dobrar os joelhos. Eu sei, devem haver leitoras imaginando que tipo de porco chauvinista deve estar escrevendo este texto, sem as calças, apenas para imaginar a reação dos leitores; se este for o seu caso, calma que esse assunto será tocado em profundidade em breve, mas já que o assunto é Eva, vamos nos concentrar nela, e em suas maçãs, ou especialmente na que ela decidiu comer. Claro que a Bíblia não diz que a fruta que ela comeu foi uma maçã, na verdade a Bíblia não fala nada a respeito da natureza do fruto proibido, apenas diz que ele nascia em uma árvore; mas a voz do povo é a voz de Deus, e a tradição popular sempre associou o fruto com a maçã; assim que Eva come a maçã, e a oferece a Adão, chega Yahweh, o Deus de fogo e fúria, e amaldiçoa o casal e os expulsa do paraíso e, por causa disso, a Bíblia tem mais do que 5 páginas e todos nós pudemos nascer e existir hoje. Mas Eva não foi a única figura religiosa a ser associada com maçãs e com desastres que se seguiram.

A Deusa Eris, que a paz e bênção do Deus criado por seus filhos estejam sobre ela, sofreu uma desfeita de Zeus (qualquer semelhança com o nome Deus em latim não é mera coincidência, já que obviamente coincidências não existem), que não a convidou para um banquete de celebração no Olimpo. Como todo Deus deveria saber, isso seria um puta erro, afinal "não há furia no inferno semelhante à de uma mulher ludibriada".

Por falar em putas...  Puta, em latim, era uma deusa muito antiga e muito importante. Provém do verbo putare, "podar", cortar os ramos de uma árvora, pôr ordem, "pensar", contar, calcular, julgar, onde Puta era a deusa que presidia à podadura. Com o sentido de cortar, calcular, julgar, ordenar, pensar, discutir, muitos são os derivados de putare em nossa língua, como deputado, amputar, putativo, computar, computador, reputação. O sentido pejorativo, ao que parece, surgiu pela primeira vez num texto escrito entre 1180-1230 d.e.c. Não é difícil explicar a deturpação do vocábulo. É que do verbo latino mereri, receber em pagamento, merecer uma quantia, proveio meretrix, "a que recebe seu soldo", de cujo acusativo meretrice nos veio meretriz, que também, a princípio, não tinha sentido erótico. Mas, como putas e meretrizes, que se tornaram sinônimos, se entrevam não só para obter a fecundação da tribo, da terra, das plantas e dos animais, mas também recebiam dinheiro para o templo, ambas as palavras, muito mais tarde, tomaram o sentido que hoje possuem.

Voltando a nossa história, quando Eris soube que foi ludibriada, ficou furiosa, e tratou de confeccionar uma maçã de ouro, e nessa maçã ela escreveu: KALLISTI, ou, para aqueles para quem grego antigo é grego, "Para a Mais Bela", e quando passou pelo salão de banquetes, rolou a maçã como se fosse uma granada lá para dentro. Assim que viram aquele orbe dourado, todas as deusas enlouqueceram e pularam em cima dela, cada uma clamando a maçã para si. A confusão ficou tão feia que os deuses tiveram que se meter e criar um concurso para julgar qual das deusas era a mais bela, e por causa do concurso os mortais tiveram que se meter para decidir qual das deusas era a mais bela e como resultado tivemos a guerra de Tróia, Eris se tornou conhecida como a deusa do caos e a maçã de ouro ficou conhecida como a Maçã da Discórdia.

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