Um certo Charles Reich desenvolveu uma tese, entitulada 'O
Rejuvenescimento da América'(The Greening of America) em que expõe uma
idéia interessante de que a sociedade americana, e por extrapolação as
sociedades de maneira geral ao redor do mundo, estão evoluindo de
consciência, de um estado patriarcal anal para uma estado matriarcal
oral. Reich escreveu sua tese na década de 1970. Claro que ele era gay e
claro que ele vivia em São Francisco e, claro, os movimentos feministas
estavam em plena ebulição, assim como os movimentos pró-gay. A tese de
Reich, curiosamente, pode ser atestada se procuramos paralelos na mídia e
no entreterimento, com a evolução das atrizes de seios fartos dos anos
1940, sendo substituídas pelas garotas da Playboy com seus seios nús,
nos anos 1950 e 1960, chegando finalmente às hippies e às feministas dos
anos 1960 e 1970.
Um parelalo curioso de como essa evolução dos seios ocorreu na mídia foi
traçada em paralelos por um artigo da revista Playboy entitulado The
Evolution of the Boob
(http://www.playboy.com/girls/landingpages/evolution-of-the-boob/ ) - A
Evolução dos Seios - que acompanha a forma dos seios das coelhinhas
desde a década de 1950, que foi a década a partir da qual fotos de
mulheres nuas se tornaram uma parte importante da cultura pop até os
dias de hoje. De acordo com o artigo na década de 1950 os seios eram
mostrados como objetos "Naturais, saudáveis e divertidos", e isso seria
um reflexo da euforia pós guerra que os Estados Unidos experimentavam na
época. "a mesma atitude que estava por trás da liberdade sexual que deu
origem à geração dos Baby Boom estava evidente nos seios daquela era:
nada planejada ou falso, apenas uma alegria pura, genuína expressa em
uma maneira sexual". Na década de 1960 surgiu a crise dos mísseis
cubanos por causa da Guerra Fria, e algo ocorreu também com a forma dos
seios, eles começaram a se parecer mais e mais com mísseis também, a
matéria da revista diz que isso foi uma resposta psicológica para a
tensão da época, como se dissessem: "Vocês vão apontar essas coisas
[mísseis]para nós? Bem, nós vamos apontar estas coisas [seios] de volta
para vocês!". Já nos anos 1970 o movimento Hippie que se iniciou na
década anterior se instalou com sua contracultura e suas incinerações de
soutien, houve então uma "queda" nos seios, eles perderam aquela
atitude tensa e relaxaram, em sintonia com a era do "paz e amor" e assim
os seios assumiram um formato de lágrima. Na década de 1980 a junk food
tomou conta da vida das pessoas, a era da cultura industrializada, e
assim a cultura do silicone e implantes dominou as páginas das revistas.
Nos anos 1990 a geração saúde deu sua resposta à década anterior e
seios pequenos e atléticos voltaram a chamar a atenção. Foi a era também
de destaque dos esportes femininos, quando soutiens atléticos ajudavam a
proteger e esconder seios maiores. O novo milênio foi caracterizado por
muitos como a década perdida, crises na economia, a bolha da internet,
modas que não duravam anos e assim as páginas da revista foram inundadas
por seios de todas as formas e tamanhos, como se não houvesse mais uma
ideologia a ser seguida.
Agora lembrem-se, vivemos em uma realidade onde os mamíferos que vestem
calças possuem o ditado: A Pressa é inimiga da perfeição! Esse ditado
recebeu o tempero de um ditado aparentemente não relacionado: Tempo é
dinheiro! e sofreu uma matamorfose para: O bom é inimigo do ótimo! É
assustaodr perceber como a cada dia que passa essa versão bizarra de
ditado se infiltra mais e mais em nossa realidade individual e nos
molda, "esperar algo é desperdício de vida ou prova de incompetência, se
algo demora muito não vale a pena, podia estar fazendo mais, para
ganhar mais, para ter mais!". Para fortalecer ainda mais esta visão, ou
dar uma base a ela, vivemos em uma realidade onde, de acordo com Susan
Blackmore, a natureza favorece bons imitadores. Se você tem um corpo que
naturalmente possui uma estrutura grande, vai ter mais chance de atrair
parceiras e se acasalar do que um corpo baixo, torto e gordo, por
exemplo. Isso nos parece óbvio, mas o que não é tão óbvio é que isso
implica que na natureza você não precisa ser bom, basta parecer bom para
obter sucesso entre sua própria espécie, não precisa ser ótimo e
consegue o mesmo resultado de algo ótimo.
Quando os movimentos de libertação da mulher, ou os movimentos
feministas, começaram a surgir nos EUA e a ecoar na Europa e resto do
mundo, eles não buscavam apenas liberdade e igualdade para as mulheres,
mas liberdade e igualdade para as mulheres em um mundo masculino. Agora,
para que criar uma sociedade com bases realmente igualitárias, ou seja,
uma sociedade onde os diferentes sexos teriam chances iguais de se
desenvolver economica, social, mentalmente, se era mais fácil e rápido
apenas adaptar a ideologia feminina para elas começarem a buscar
direitos de homens num mundo de homens? Para que ter uma dieta
balanceada e me exercitar, se meu metabolismo queima chocolate e fritura
como se fosse água?
É muito natural que cada onda de mudança seja vista como doente,
perversa e grosseira pela onda que a substituirá. Assim as musas
peitudas da década de 1940, eram coitadas para aquelas que exibiam os
peitos nús nas décadas de 1950 e 1960, que por sua vez eram vistas como
objetos idiotas e símbolos de uma sociedade que não demonstrava nem
respeito nem admiração por mulheres - as hippies e feministas das
décadas de 1960 e 1970; mas as mulheres que queimavam soutiens e exigiam
que a mulher deixasse de ser um objeto inferior e ganhassem ao menos
respeito e reconhecimento como seres humanos, além de maiores salários,
deram origem a mulheres que não são mais torturadas por homens, mas que
conquistaram o direito de se torturar. Elas criaram uma sociedade onde
possuem as mesmas chances de evoluir, mas a sociedade continua sendo
extremamente anal e patriarcal. Por isso não é motivo de surpresa que o
artigo da Playboy, explorando a mudança nas formas dos seios tenha
deixado muitas mulheres um tanto quanto revoltadas. Inúmeros blog na
internet, curiosamente blogs de outras mulheres, surgiram criticando o
artigo, dizendo que ele diz que hoje em dia todos os seios são muito
queridos "desde que estejam à mostra e grudados em uma loira magra". As
comentaristas, obviamente tem o desejo de deixar claro que o artigo
apenas mostra o tipo de seios que a Playboy escolheu publicar e não que
os seios de fato tenham mudado de década para década. Que todo tipo de
seio sempre existiu ao mesmo tempo, apenas alguns foram explorados por
uma revista masculina enquanto outros não. Algumas das mulheres que
atacaram o artigo foram atrás do que é considerado belo na pornografia,
dizendo que vendo as revistas explicitamente pornôs das mesmas décadas
do artigo, vemos mulheres muito mais "comuns" e chegam a afirmar que com
certeza elas nunca seriam contratadas por Hugh Hefner para posar em sua
revista por serem ordinárias. Outras apenas afirmam que esse tipo de
artigo faz com que as mulheres de hoje se sintam compelidas a buscar
ainda mais padrões impossíveis de serem seguidos. De fato são respostas
articuladas, de mulheres. Mas como imaginar que haveria outro tipo de
resposta ao artigo? "É muito natural que cada onda de mudança seja vista
como doente, perversa e grosseira pela onda que a substituirá." Isso
não significa que as mulheres devam começar a exaltar a industria de
nudez masculina nem nada, mas o aspecto sagrado da Grande Mãe, mesmo que
soterrado por homens capitalistas e punheteiros e mulheres capitalistas
e indignadas, não morre. Se por um lado sempre surgem as pessoas, de
ambos os sexos, que erguem bandeiras e tentam tranformar a própria
filosofia em uma guerra santa, existem, por outro, aquelas pessoas que
acabam sempre deixando a analálise anal para trás para voltar à diversão
oral; em todos os blogs de crítica feminina ao artigo mais de 95% das
respostas são de mulheres, e se resumem a "Quem mais aqui brincou de'de
que década vem meus seios'?" São listas de mulheres rindo comparando os
próprios seios aos mostrados pelo artigo e trocando comentários como
"ooh! os meus são década de 80, mas isso depois da operação de redução
de seios, antes eu era totalmente anos 70" ou "Definitivamente anos 90,
mas muito menores do que os das garotas das fotos". Isso nos mostra que
embora aquele espírito feminista militar ainda exista, onde uma mulher
deseja mostrar intelectualmente como todas as mulheres não são objetos e
por isso não devem ser humilhadas por esse tipo de artigo, ainda
existem aquelas que cosseguem se divertir com qualquer besteira
patriarcal que tente estabelecer um novo padrão de comportamento (mesmo
que essa besteira venha camuflada como um apelo feminista contra o abuso
do corpo feminino).
Compare nas tabelas dadas no capítulo anterior os pontos 1, 4, 5, 7, 8 e
11, e tente aplicá-los aos dias de hoje. Permissividade versus
restrição, política de guerra versus castidade, autoritarismo versus
democracia, atitude versus pesquisa, inibição versus espontaneidade, e
asceticismo versus hedonismo. Converse com as mulheres que afirmam que
estão em pé de igualdade com os homens e vejam como suas atitudes em
relação a esses pontos são extremamente anais - obviamente de maneira
geral, não existiriam regras se não existissem excessões. Observe os
valores passados por escritoras como Stephanie Meyer em sua saga
Crepúsculo, ou em mega sucessos teen como High School Musical. Existe
uma história sobre Mark Twain e sua esposa, que lutava para acabar com o
linguajar um tanto chulo do marido. Certa vez ela passou uma semana
anotando os pérolas que o ele soltava e então, num belo domingo, o
acordou recitando a enorme lista que havia feito. Ele ouviu
pacientemente e quando ela acabou ele lhe respondeu calmamente: "Minha
queria, você conhece as palavras, mas ainda não conhece a música".
O feminismo, até os dias de hoje, é como a esposa de Twain, conhece as
palavras, mas não a música. As feministas usam palavras como liberdade,
igualdade, dignidade... mas elas não conhecem a música ainda, não tem o
ritmo. Para ser sincero, termos como "feminista" hoje foram já quase
descartados, diferente do machismo, que continua firme, como uma falha
tão bizarra que se transforma em qualidade. Como bradou Timoth Leary,
"Mulheres que querem se igualar aos homens são pouco ambiciosas."
Talvez isso aconteça porque os movimentos de igualdade feminina nasceram
juntos, e foram alimentados, pelos movimentos políticos de esquerda,
como o Marxismo, por exemplo, que era um sistema estupidalmente anal,
embora pregasse a igualdade e a liberdade. Ou talvez isso aconteça por
causa do grande número de ex-religiosas que cansaram de sofrer abusos e
formaram os primeiros ranks do movimento feminista, e que trouxeram com
elas toda as atitudes religiosas patriarcais da antiga fé - você pode
tirar um bicho da selva, mas não pode tirar a selva do bicho. Isso não
significa que as mulheres que hoje defendem estarem em pé de igualdade
com homens sejam bichos do mato, apesar de muitas provavelmente
desenvolverem um desejo de arranhar, morder e urrar quando lerem isso,
apenas significa que sua crença está baseada em conceitos extremamente
anti-femininos. Hoje a maior parte das mulheres em países desenvolvidos e
países em vias de desenvolvimento, ainda recebem menos do que homens no
mesmo cargo, sofrem preconceito por serem mulheres, etc., e, como se
fosse uma piada de mal gosto, sabemos hoje que pessoas do sexo masculino
que mudam de sexo passam a ganhar menos, enquanto que pessoas do sexo
feminino que mudam de sexo, passam a ganhar mais. Mas elas tem acesso à
mesma educação, aos mesmos cargos, e tem a chance de reclamarem sobre
essas diferenças em um sistema que as ouve, mas elas mesmas, em
contra-partida, criaram um universo onde o prazer é algo a ser evitado,
seja o prazer sexual, onde é melhor se preservar do que ficar "dada" ou
virar uma galinha, seja o prazer pelo prazer, que acaba fazendo os
ponteiros da balança se afastarem do zero mais do que elas acham
prudente. Se antes o ascetismo feminino era impulsionado pelo machismo
dos homens, hoje ele é motivado pelo espaço que existe entre a cintura
da calça jeans e a pele da barriga. Se antes soutiens eram símbolos de
inferioridade, pois moldavam o corpo de amulher de forma a servirem de
objeto para os olhos masculinos e um dos principais alvos combatidos
pelas defensoras das qualidades da mulher, hoje os soutiens mais
apreciados pelas próprias mulheres são os que empinam os seios, dando
formas mais arredondadas, não deixam que eles caiam, ou os que aumentam o
volume dos seios. Soutien e bojo se tornaram unha e carne, tente
encontrar um modelo sem o enchimento para presentear sua deusa
particular e veja como o mercado trata essa heresia. Nem vamos entrar
agora no assunto de cirurgias e silicone.
Paremos para meditar, o que faz com que as donas dos seios, dêem tanta
importância a eles de uma forma não relacionada ao que eles podem
oferecer, mas à sua aparência? Uma carência generalizada da época em que
segurança estava ligada a conforto e não ao julgamento de terceiros?
Havia uma velha piada que dizia que um mundo sem homens seria repleto de
mulheres gordas e felizes. Hoje essa piada fará uma mulher olhar feio
para o interlocutor, como se ele estivesse lhe oferecendo um pote de
sífilis, e pior, sífilis normal e não do tipo diet.
Isso não quer dizer que uma mulher não deva ligar para a própria
aparência, existe uma lenda registrada por Pierre Verger que conta um
episódio da vida de Iemanjá, rainha do mar no candomblé. Neste registro
Iemanjá havia se casado e acabou dando a luz a dez filhos orixás. De
tanto amamentá-los, seus seios tornaram-se enormes, flácidos e
balouçantes. Um dia, ela se cansa da vida rotineira que leva, deixa a
casa, o marido, e vai conhecer outras terras. Lá, se apaixona por um rei
de nome Okere e se casa com ele, mas não sem antes obter dele a
promessa de que jamais zombará de seus seios. Ele promete. Mas um dia,
estando embriagado, faz galhofas e manga deles. Iemanjá se sente
injuriada. Com a auto-estima lá embaixo, magoada, transida pela
decepção, ela foge levando consigo um pote, que recebera de presente da
mãe, contendo uma poção mágica para os momentos de perigo. Okere sai no
encalço da esposa, tentando por todos os meios lhe barrar a fuga. Na
agonia, ela tropeça e cai, quebrando o pote. A poção mágica então jorra,
transformando-se num rio cujas águas a conduzem até o mar, onde mora
sua mãe e de onde ela nunca mais quis voltar. O cuidado com a aparência
dos seios tem também seu lugar no mito que envolve a Deusa mas a
paranóia que isso se tornou está longe da divindade.
Ao invés de liberdade sexual foi instaurada a libertinagem sexual, e a
libertinagem do tipo masculina ou seja do tipo possessivo e secreto. A
cada instante temos mais provas de que casos sexuais são a melhor
maneira para se acabar com a carreira política de alguém, deixe os
roubos, manipulações, fraudes e mortes de lado. A boca de Mônica
Lewinsky derrubou a carreira política do homem mais poderoso do mundo -
uma perversão de um prazer oral em um mundo anal - não houve boca de
urna que o salvasse. Sexo hoje é mais uma ferramenta de poder do que
algo dê prazer, claro que para muitos nada dá mais prazer do que poder.
Basta estar atento e notar que dificilmente jornais, revistas e a mídia
em geral conseguem passar mais de um mês sem publicar algum "escândalo
sexual". Vivendo em um mundo onde nossa espécie como a conhecemos transa
e faz sexo com tudo e todos há pelo menos 200.000 anos, como ainda
conseguimos chamar uma notícia, onde um ex-ator, ex-governador, que fez
sexo com uma mulher que não era a sua esposa, de ESCÂNDALO sexual? De
acordo com as últimas taxas de natalidade deste planeta, ainda é de se
surpreender que qualquer notícia de cunho sexual consiga despertar
qualquer interesse nas pessoas. Mas desperta, e não apenas casos atuais e
que seriam relevantes para nosso dia a dia: recentemente um vídeo onde
Marilyn Monroe aparece fazendo sexo oral em um homem não identificado
por 15 minutos foi vendido por U$1,5 milhões de dólares, 46 anos após a
morte da atriz, se esse não é o boquete mais caro da história deve estar
muito próximo dele. Eu esperava que a única coisa que pudesse ainda
chocar alguém seria uma pessoa pedófila o suficiente para investir uma
fortuna construindo uma máquina do tempo para poder voltar ao passado e
abusar de si mesma, mas aparentemente Freud estava certo, sexo ainda
atormenta e vai atormentar por muito tempo e continuará a ser o
responsável pelo desenvolvimento dos animais humanos.
Claro que este pedaço do texto pode parecer muito pessimista, mas não é
isso. Mesmo que o que tenha acontecido, ao invés da criação de uma
sociedade onde mulheres possam ser mulheres, tenha sido o surgimento
sociedade onde se mulheres agirem como homens não vão sofrer muito
preconceito. Se por um lado elas conceguem lutar por melhores empregos
que antes eram exclusividades masculinos, não existe uma preocupação em
se criar vagas para homens nos empregos previamente ocupados por
mulheres. Enquanto muitos homens agora dependem do serviço de mulheres
nas forças armadas e suas pesquisas cinetíficas, quantas mulheres tem
diaristas homens, ou fazem as unhas com manicures que tenham um pinto e o
guardem dentro de uma cueca? Caso você ainda acredite em coincidências,
é engraçado notar como a qualidade do ensino básico e fundamental caiu,
justamente na mesma época que mulheres começaram a abraçar a
oportunidade de deixar de serem professoras para se tornar advogadas.
Até algum tempo atrás eram comuns livros que mostravam que tudo o que
hoje tem algum valor foi criado originalmente por uma mulher. Claro que
esse tipo de literatura se iguala à época do blacksploitation, onde uma
série de filmes, seriados televisivos e eventos culturais foram criados
apenas com atuações negras, mas que não passavam de remakes de material
protagonizado por caucasianos. Novamente isso não significa que mulheres
ou negros não tenham valor, apenas que o mundo recompensa bem os
imitadores.
Hoje é bem evidente que as primeiras civilizações na região do crescente
fértil - lá pelos lados do Nilo e do Eufrates - eram bem matriarcais,
ao menos em orientação, inclusive algumas delas poderiam de fato ser
matriarcais, como afirmou Bachofen, ou muito próximas disso. Na
Babilônia, na Creta Minoana, no Egito antigo e na Itália Etrusca, as
primeiras divindades eram, aparentemente, variantes da Grande Mãe. As
estátuas que a retratam, nua com os seios à mostra, são incrivelmente
parecidas, não importa se são conhecidas como Astarte, Isthar, Isis ou
Ashtoreth. Mulheres ocupavam cargos de juízas, sacerdotizas e
governadoras. Elas possuíam os mesmo direitos dos homens, podiam comprar
e vender propriedades, realizar atividades comerciais, tinham uma
facilidade de se divorciar e ainda por cima possuíam uma qualidade inata
e superior de compreender o que a Deusa Mãe desejava e pedia a seus
filhos humanos. Pelo que podemos notar, elas não possuiam nenhuma das
misantropias que as feministas de hoje possuem. Mas o que levou as
mulheres a, com o tempo, passar a se colocar em uma situação inferior à
dos homens, chegando a odiá-los, ou ao menos odiar aquilo que eles
representam, criando seus próprios movimentos que clamavam por um fim à
orpessão masculina? Afinal até onde podemos ver, pelo menos até essa
época, os homens nunca as haviam oprimido. Claro que este "ódio" não
chega a ser uma fobia peniana ou uma guerra contra a testosterona,
estava muito mais para um rancor contra um sistema patriarcal, e logo
masculino, e de fato os movimentos mais violentos contra o patriarcado
foram realizados décadas atrás e em um país bizarramente mais religioso
do que este.
Sua Mãe é tão velha que os peitos dela saem leite em pó
Robert Graves escreveu que "a história começa quando os homens se
liberaram da influência feminina" em seu Mamman e a Deusa Negra. Claro
que Graves era dado a exageros, mas outros historiadores, que não
possuiam influência pró-homens ou anti-mulheres tão fortes, também
sugerem que o domínio e influência feminina (comparando com o domínio e
influência masculina que temos hoje) era algo muito raro, e que o mais
próximo que existia de algo assim era um estado de igualdade sexual
nessas primeiras cidades-estado.
No Brasil, existe um registro interessante da mudança de foco da cultura
indígena que pode jogar alguma luz sobre essas transições de sociedades
onde mulheres ocupam um lugar de destaque e então são substituídas por
sociedades dominadas por homens. Assim que os catequisadores portugueses
chegaram à nova terra, que hoje chamamos de lar, encontraram milhares
de índios esperando para receber o evangelho e se livrar do paganismo
que lhes maculava a alma. Para conseguirem salvar essas pobres almas os
novos professores tiveram que estudar a cultura indígena para descobrir o
que eles adoravam e eventualmente transformar essa figura no demônio e
então oferecer Deus para eles. Essa figura era Jurupari. Hoje Jurupari é
uma figura associada com pesadelos, terror e o diabo indígena, mas
naquela época a história era diferente. Os índios afirmavam que Jurupari
havia nascido de um índia Tenuiana virgem chamada Ceuci, que comeu a
fruta do Pücã - também conhecida como Cucura do Mato, Pomurã, etc. A
fruta estava tão doce e suculenta que enquanto a índia a devorava o sumo
escorria por seu corpo até que foi parar entre suas coxas em suas
"partes mais secretas". Assim que o índio nasceu ele desapareceu,
literalmente. A mãe apenas o sentia lhe sugar o seio e o ouvia brincar
ao seu redor, mas sem conseguir enxergá-lo. Eventualmente, quando
completou 15 anos se tornou visível e foi considerado um dos índios mais
fortes e bonitos. Só que na época que isso aconteceu a maioria da
população indígena era feminina. Havia uma falta de índios homens, e
como consequência as mulheres governavam a tribo. O papel de Jurupari
foi justamente o de arrebatar o poder das mulheres e de o devolver aos
homens. Vencendo as mulheres, ele reuniu os homens e lhes ensinou sua
doutrina, instituindo festas e os rituais necessários e iniciáticos para
que seguissem os costumes do "sol". As mulheres que assistissem a esses
ritos eram punidas com a morte. De acordo com a crença difundida por
Jurupari os homens deveriam ser sólidos, fortes, resignados, obedientes,
impassíveis à dor, resistentes, fiéis aos compromissos, devem seguir um
jejum, viver de acordo com uma determinada dieta e passarem por
constantes purificações. A Jurupari, que ficou conhecido como o
legislador por ter mudados as leis e costumes, não se pede perdão, não
existe súplica que o abrande e só a obediência a seus ritos pode
tranformar o guerreiro em ser imortal. Todos os índios deveriam se casar
cedo e ter apenas uma mulher, mas caso ela fosse estéril o guerreiro
poderia conseguir um divórcio e buscar outra fértil. Ele nunca foi
tocado por uma mulher, adora os homens fortes e as mulheres fecundas.
Esse relato é interessante porque mostra como em um Brasil pré colonial
já haviam ritos solares, substituindo a administração feminina. Essa
administração não era algo conquistado por ser mais ou menos eficiente,
mas uma necessidade causada pelo grande número de mulheres em relação ao
número de homens, assim que os homens reconsquistaram o poder eles
passam a governar a tribo, mostra que a meritocracia não é um fator aqui
e sim a maioria. Jurupari é figura solar, nascido de uma virgem para
divulgar o culto ao Sol. Em seu livro O Mistério das Catedrais,
Fulcanelli escreve:
"Maria, Virgem e Mãe representa pois a Forma; o Deus Sol Pai é o emblema
do espírito Vital. Da união destes dois princípios resulta a matéria
viva, submetida às vicissitudes das Leis de Mutação e Continuidade.
Surge então Jesus, o Espírito Encarnado, o fogo que toma corpo nas
coisas;"
Indo mais além, no evangélho de Tomé, o dídimo, Jesus aparece afirmando
que "Eu lancei fogo sobre o mundo, e eis que estou cuidando dele até que
queime".
Isso sugere de certa forma que a evolução social de sociedades tão
distantes e distintas segue mesmo um padrão freudiano, passando
instintivamente de um grupo oral para um anal, a não ser que acreditemos
que alguém na antiguidade passeou pelos continentes oferencedo as
mesmas regras de evolução religiosa e social. Chega a ser curioso o
trabalho que os jesuitas tiveram em demonizar Jurupari para divulgar a
crença em Cristo se o próprio Jurupari era uma figura nativa que possuía
o mesmo simbolismo do Cristo.
Também vamos nos atentar no detalhe de um estado posterior à criação de
leis que teve como momento de reviravolta uma mulher e um fruto, e o
fruto tornando um homem igual a Deus - no caso do livro do Gênese Deus
não fala Adão e Eva se tornaram como Nós e sim apenas que Adão se tornou
como nós.
Outro caso interessante é o das guerreiras amazonas, encontradas por
Francisco de Orellana na foz do Nhamundá, no dia 22 de Junho de 1541,
que deixou como registro:
"Estas mulheres são muito brancas e altas, tem cabelos compridos preso
por tranças, revoltos na cabeça, são membrudas e andam nuas em pêlo,
escondem suas vergonhas, com seus arcos e flechas nas mãos, fazem tanta
guerra quanto dez índios."
Guerreiras brancas em um mundo bronzeado, as Amazonas seriam mulheres
que criaram uma sociedade matriarcal guerreira, com uma hierarquia
militar. Elas viviam em grupos populacionais exclusivamente femininos,
buscando relações sexuais com menmbros de outros grupos. Isso está de
acordo com nossa tabela de características de uma sociedade matriarcal
que tem atitudes permissivas em relação a sexo, garantia de liberdade
para as mulheres, alto status social feminino, uma cultura militar mais
valorizada do que a castidade, revolucionária, tem um grau de
exibicionismo (não escondendo o corpo) e teme o incesto mais do que o
homoerotismo.
Curiosamente no relato de Orellana não existe menção à ablação de um dos
seios para melhor manejar o arco e flecha. Nas representações
artísticas dessas guerreiras elas são mostradas com ambos os seios,
embora um esteja exposto e outro coberto. Mesmo assim criou-se a figura
de guerreiras que removiam um dos seios para melhor apoiar e manusear o
arco. E isso fez com que a própria etimologia do nome amazonas sofresse
mudanças, do iraniano "ha-mazan-", que significa guerreiras, passou a
ser "sem-seio", "a-mazonos".
Esta sociedade obviamente oral e matriarcal não necessariamente era uma
sociedade complecente e frágil. Elas guerreavam, cada uma, como dez
índios. Elas não faziam prisioneiros, a não ser que fosse uma eventual
mulher, e não mostravam delicadeza e sim que feminilidade e força podem
ser sinônimos.
Um fato aparentemente não relacionado a nosso assunto, é que a falta de
defesas ou outros sinais de batalhas ao redor dessas primeiras cidades
serviram para convencer muitos arqueólogos de que não existia uma
indústria bélica na época em que supostamente havia uma igualdade de
sexos, e parece que a escravidão não surgiria até algum tempo depois
dela também. Will Durant em seu livro A História da Civilização, afirma
de forma persuasiva que a escravidão foi criada após as mulheres terem
sido subjulgadas, e que muito provavelmente foi inspirada por esse fato.
Algo que iria de frente contra o comportamento das Amazonas.
Na China, um padrão muito similar de evolução cultural oral > anal,
foi discernido por estudiosos contermporâneos. Em seu trabalho Ciência e
Civilização na China, Joseph Needham, demonstra que a tradição
matriarcal foi preservada no Tao Te King, que adota uma figura muito
semelhante com a Grande Deusa da área Mediterrânea:
o espírito do vale não morre
diz-se místico feminino
a porta do místico feminino
diz-se raiz do céu e da terra
suave e multíflua
parece lá existir
contudo opera fio a fio
ou ainda em outras traduções:
o espírito do vale não morre nunca
Ela é chamada a Mulher Eterna
evocando todas as qualidades Matriarcais que listamos muito acima.
Needham conclui seu trabalho afirmando que a cultura chinesa, antes da
dinastia Chou, era provavelmente matrilinear e vagamente semelhante às
culturas matriarcais defendidas por Bachofen.
Em Esparta, mesmo após o desenvolvimento do patriarcado como forma de
governo, as mulheres mantiveram quase todos os seus direitos até muito
tempo depois, quando começaram a adentrar no nosso período histórico.
Veja, caso você seja de fato uma pessoa culta ao invés de simplesmente
alguém entediado no escritório, na faculdade ou no ônibus a caminho de
casa, que em seu diálogo A República, Platão descreve, na forma de uma
propaganda pró-espartana, que o estado ideal possuiria a igualdade de
mulheres, além de outros toques típicos dos espartanos, como um estado
socialista e uma censura de arte que faria Stalin se emocionar. Até
mesmo em Atenas, onde as esposas tinham seu status quo muito aproximado
ao dos escravos, a classe cortesã possuía grande parte dos direitos
concedidos aos homens não escravos. Claro que outra coisa que havia em
Atenas era uma separação entre o sexo resultado do amor e o sexo
resultado da necessidade de encher o mundo de pequenos gregos; quando
lemos os poemas líricos escritos na época, vemos que eram dirigidos ou
inspirados por cortesãs ou joves garotos, o que nos faz pensar que os
poetas de lá nunca se sentiram particularmente inspirados pelos
sentimentos que nutriam em relação às mães de seus filhos.
Mas mesmo assim, no meio desses primeiros patriarcas pagãos, o amor e o
sexo eram muito apreciados e exaltados como grandes ornamentos da vida e
inextricavelmente conectados à vida religiosa.
Muitas pessoas podem se assustar se pedirmos a elas para procurar
pornografia na Bíblia, mas a verdade é que o Antigo Testamento, para
muitos a parte mais Heavy Metal da Bíblia, glorifica o sexo matrimonial
como uma das maiores alegrias e prazeres da vida, e claro que dá uma
atenção especial aos peitos:
"Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade.
Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o
tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. E porque, filho meu,
te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma
estranha?" - Provérbios 5:17-19
O livro Cânticos dos Cânticos, escrito por Salomão acaba até parecendo
uma carta enviada para uma revista masculina de contos eróticos escrita
por um poeta, um texto que supostamente incitaria as pessoas a
fornicarem:
"Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios." - Cânticos 4:5
Como o judaísmo e o cristianismo se tornaram religiões extremamente
anais, os rabinos e teólogos cristãos se apressaram em deixar claro que
este livro em especial prega justamente contra a liberdade sexual, e o
povo, claro, acreditou. Mas um olhar atento nos mostra que este livro
inteiro da Bíblia tem uma semelhança incrível com os cânticos entoados
durante os rituais mágicos de fertilidade das antigas religiões
matriarcais ou dos cultos pagãos existentes nos dias de hoje.
As primeiras manifestações religiosas no Egito possuíam uma base sexual
muito forte e eram totalmente voltadas ao culto da grande deusa mãe,
conhecida como Nuit, Isis, Nu-Isis, etc. Na época o único deus homem a
ter uma importância equivalente à das deusas era um pinto - na verdade
era representado por uma serpente, e seu nome era Seth, mas isso apenas
porque uma mãe sem um pinto não é uma mãe, a mulher precisa ser
inseminada para eventualmente parir. Se quisermos nos dedicar um pouco
ao grande pinto, podemos ainda rastrear o Deus Serpente Fálico até a
região do Congo, de onde foi absorvido pelos egípcios. No Congo ele era e
é até os dias de hoje uma figura muito importante, especialmente para
seus descendentes que mesmo expulsos do grande continente negro, ainda
praticam o vodú em Nova Orleans e outros pontos da América Central e do
Sul. Os ensinamentos passados nos antigos cultos Nuit-Isis foram
resumidos de maneira espetacular por Aleister Crowley quando afirmou
que: "O Khabs tá no Khu" - Khabs é a parte divina ou eterna da
humanidade e Khu é o órgão sexual feminino, a origem do termo latino
cunnus, que posteriormente virou cona e hoje chamamos de boceta - mais
do que apropriadamente o significado culto de boceta é "pequena caixa de
fantasia" e vulgarmante passou a ser associada com vulva. Isso foi
responsável por um costume que para alguns deve ter se mostrado algo
interessante e divertido e para outros algo completamente assustador, já
que a base da religião egípcia era o sexo era comum que retratassem
seus deuses de uma forma um pouco diferente daquela usada pelos
cristãos. Era comum encontrar representações de Atum se masturbando,
Isis fazendo um boquete em seu marido/irmão Osiris, etc. Dentre todas
essas situações uma delas acabou ficando mais famosa do que outras. Se
os egípcios não precisavam de decoro para representar seus deuses, o
mesmo não era verdadeiro para outras religiões, então as imagens que
foram absorvidas pelos outros povos não egípcios eram mais brandas, mas
nem menos impactantes, uma delas em especial, mostrando Isis, vestida
por um manto de céu, amamentando Horus, acabou se introduzindo dentro de
templos cristãos depois de duas pequenas mudanças, mudaram o nome de
Isis para Maria e de Horus para Jesus. O único problema é que quando
isso aconteceu, todo o significado sexual da cultura egípcia havia se
perdido, e assim a base física da crença egípcia se tornou a base
metafísica da filosofia Cristã e Helenística, assim, da mesma forma que
fizeram com o Cântico dos Cânticos de Salomão, a estátua passou a
representar não mais o peito da mulher que transava com o próprio irmão
que nutre a todos, mas o parentesco espiritual de Deus feito carne e a
humana que o pariu.
Homero, o grande escritor grego antigo, gostava de usar o termo
Bathykolpos para descrever mulheres possuidoras de uma bela venda de
bolinhos de maçã. A palavra se deriva de dois termos gregos que
significam respectivamente, "profundos" e "peitos", ou seja, uma
Bathykopos era uma grega com um par de peitões. Homero, como todos sabem
escreveu dois livros que até hoje circulam por ai, a Ilíada e a
Odisséia. Além de escritor e poeta ele era cego - ou ao menos é o que
dizem a respeito dele.
Considerando sua incapacidade de enxergar, ele deve ter aprendido a
apreciar esse tipo de seios da maneira mais complicada, usando o sistema
braile, e muitas pessoas o consideram um machista por focar sua
narrativa no herói que deixa as mulheres de lado a não ser para festas e
fica falando de bathykolpos, mas é interessante reparar que seus
valores são extremamente orais, isso fez com que muitos estudiosos e
historiadores afirmassem que os textos foram apenas atribuídos a Homero e
que na verdade eles se originaram em uma era se não total ao menos
parcialmente matriarcal; alguns ainda, como Samuel Butler, Robert Graves
e Elizabeth Gould Davis chegam a afirmar que Homero na verdade era uma
mulher. Seja qual for a posição de Homero - feminista, chauvinista ou
mulher - ele, ou ela, possuia todas as qualidades dos poetas homens de
hoje em dia que se colocam em uma posição notoriamente
antigovernamental, anti guerra, anti autoridade e que gostam de
mulheres, crianças, da natureza e de sexo. Obviamente, seguindo a lógica
Freudiana, Homero possuía uma personalidade oral. De qualquer forma os
valores dele/dela, e de poetas posteriores como Eurípedes, Sófocles e os
autores anônimos da Antologia Grega, sempre foram compatíveis com o
amor sexual; mas o relacionamento entre homens e mulheres começou a se
mostrar problemático quando o sistema patriarcal começou a ser
implementado e a mulher perdeu seu lugar de direito e se tornou um
cidadão de segunda categoria.
Com a chegada do cristianismo, qualquer traço matriarcal que ainda
poderia existir foi completamente e permanentemente enterrado, e as
mulheres passaram de cidadãos de segunda categoria para o status de
párias, ferramentas de Satã que deveriam ser temidas e nunca confiadas.
Seus peitos se tornaram uma armadilha safada de Satanás para atrair os
homens aos pecados da carne, e assim as evidências de que os deuses amam
o mundo e deliberadamente o encheram de beleza passaram a ser chamadas
de sacos de sujeira, almofadas de pecado, montes de bosta - lembrem-se
da terminologia típica de culturas anais? De acordo com Orígenes: elas
[as mulheres] deveriam ser tratadas como se tratam os escravos
traiçoeiros. Agostinho dizia que: já que foi uma mulher, Eva, que trouxe
o mal a este mundo, elas estavam inclinadas a fornicar com demônios. O
famoso inquisidor Sprenger escreveu completou o pensamento de Agostinho
dizendo que isso acorria porque o desejo de uma mulher é muito forte
para ser saciado por pobres mortais, assim, se não fossem bruxas, para
serem queimadas, deveriam ficar sob observação constante. Sempre que
vejo carros da versão moderna de mulheres liberais que trazem pérolas
como: UMA MULHER PRECISA DE UM HOMEM DA MESMA FORMA QUE UM PEIXE PRECISA
DE UMA BICICLETA! paro para pensar "Diabos, está demorando para esse
povo feliz adotar de vez a idéia que Agostinho tinha de que o próprio
prazer sexual é uma maldição que herdamos do pecado de Eva e Adão.
Agostinho filosofava que o prazer é algo tão corruptível que antigamente
não existia atração sexual, de acordo com ele Adão conseguia se
relacionar com Eva sem sentir desejo ou prazer, pois no início Deus os
havia feito puros, logo sem desejo ou tesão. Assim quando vieram para a
terra, Adão conseguiu uma ereção da mesma forma que uma pessoa consegue
mexer as orelhas ou o nariz sem tocar nelas, através do controle do
corpo pela mente, e não o oposto, como geralmente ocorre. Essa idéia se
tornou bem aceita na época de Agostinho, e assim aquela sensação de
cócegas formigando pelo corpo, ou qualquer outro tipo de sensação
durante o ato sexual, era um sinal claro de que você estava fazendo
alguma coisa errada, porque aquilo que você estava sentindo era o
pecado. As mulheres que incitavam esse tipo de sensação nos homens,
mesmo que simplesmente ao passar andando pela calçada sem dar bola para o
dito homem conferindo o troco do açougue ou concentradas em algo do
gênero, eram consideradas extremamente perigosas e a igreja se
certificava de lidar com elas da forma mais apropriada; assim,
catolicamente falando, uma mulher não tinha o direito de se divorciar de
seu marido caso ele a espancasse regularmente, se ele curtisse pegar
doenças venéreas e passar para ela por diversão ou caso ele trouxesse
para casa todas as suas amigas para ficar transando na frente da mulher,
nem mesmo caso depois ele matasse as amigas e empolgado pela matança
resolvesse degolar o cachorro, enquanto ainda estava pelado, na frente
das crianças. Mas... ela poderia conseguir uma anulação do casamento
caso o marido se recusasse a lhe gerar um futuro católico ou não a
avisasse com antecedência que não pretendia ter filhos nunca. Como forma
de aumentar ainda mais essa degradação (a de ser mulher), caso o
marido quisesse mais um crentezinho no mundo mas ocorresse qualquer tipo
de complicação durante a gestação e ficasse claro que havia uma
situação onde a vida da criança para nascer estivesse em risco, o
obstetra deveria a todo custo tentar salvar a criança, mesmo que isso
custasse a vida da incubadeira humana que havia resovido gerar a
criança.
Isso tudo, é óbvio, cheira a merda, o que deixa claro, logo de cara, que
são exemplos do que uma personalidade anal gosta. Embora pessoas orais
tenham uma personalidade mais razoável, no senso vernacular da palavra,
pessoas anais adoram a razão e a seguem sem nenhuma pena até onde ela os
levar. O problema é que vivemos em um mundo onde a lógica é
estupidamente super-valorizada, e o bom-senso é deixado de lado. Um
exercício clássico que demonstra como a lógica pode levar a caminhos
absurdos é o do queijo suíço. Um queijo suíço tem buracos. Um buraco
está ocupando o lugar de uma porção de queijo, assim, logicamente
deduzimos que quanto mais buraco tem uma fatia menos queijo temos. Agora
um pedaço grande de queijo tem mais buracos do que um pedaço pequeno,
assim, quanto mais queijo mais buracos. Se a lógica nos diz que quanto
mais queijo mais buracos, e quanto mais buracos menos queijo temos,
então a lógica nos dizendo que quanto mais queijo temos, menos queijo
temos. Assim, dando outro exemplo do exercício da lógica pura,
Agostinho, mais tarde conhecido como santo, provou, logicamente, que
crianças não batizadas não poderiam entrar no reino dos céus. A coisa
fica feia quando nos lembramos que na época do Agostinho a igreja ainda
não havia inventado o limbo e o purgatório, o que deixava só um destino
para o pobre petiz: a estrada para o Inferno. Eu sei, eu sei. Essa idéia
é chocante e bizarra, mas Agostinho não era um homem que mudaria de
idéia apenas porque ela pareceria chocante e bizarra para humanos
sentimentais - sentimentos, afinal de contas, eram extremamente
suspeitos: Deus criou Adão e Eva sem eles, lembra-se? Outros exemplos da
lógica brilhante da mente anal de Aquino eram as conclusões que as
abutres fêmeas engravidavam do vento. Tenha em mente que a lógica é o
presente que Deus nos deu, fatos, assim como sentimentos, eram coisas
ilógicas e ilusórias - não foi o diabo que recebeu o título de Príncipe
Deste Mundo? Isso deixa claro de quem os fatos deste mundo se derivam.
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