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siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões O confuso fecho dos soutiens

O confuso fecho dos soutiens


Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões

Mamilos salientesUm certo Charles Reich desenvolveu uma tese, entitulada 'O Rejuvenescimento da América'(The Greening of America) em que expõe uma idéia interessante de que a sociedade americana, e por extrapolação as sociedades de maneira geral ao redor do mundo, estão evoluindo de consciência, de um estado patriarcal anal para uma estado matriarcal oral. Reich escreveu sua tese na década de 1970. Claro que ele era gay e claro que ele vivia em São Francisco e, claro, os movimentos feministas estavam em plena ebulição, assim como os movimentos pró-gay. A tese de Reich, curiosamente, pode ser atestada se procuramos paralelos na mídia e no entreterimento, com a evolução das atrizes de seios fartos dos anos 1940, sendo substituídas pelas garotas da Playboy com seus seios nús, nos anos 1950 e 1960, chegando finalmente às hippies e às feministas dos anos 1960 e 1970.

Um parelalo curioso de como essa evolução dos seios ocorreu na mídia foi traçada em paralelos por um artigo da revista Playboy entitulado The Evolution of the Boob (http://www.playboy.com/girls/landingpages/evolution-of-the-boob/ )  - A Evolução dos Seios - que acompanha a forma dos seios das coelhinhas desde a década de 1950, que foi a década a partir da qual fotos de mulheres nuas se tornaram uma parte importante da cultura pop até os dias de hoje. De acordo com o artigo na década de 1950 os seios eram mostrados como objetos "Naturais, saudáveis e divertidos", e isso seria um reflexo da euforia pós guerra que os Estados Unidos experimentavam na época. "a mesma atitude que estava por trás da liberdade sexual que deu origem à geração dos Baby Boom estava evidente nos seios daquela era: nada planejada ou falso, apenas uma alegria pura, genuína expressa em uma maneira sexual". Na década de 1960 surgiu a crise dos mísseis cubanos por causa da Guerra Fria, e algo ocorreu também com a forma dos seios, eles começaram a se parecer mais e mais com mísseis também, a matéria da revista diz que isso foi uma resposta psicológica para a tensão da época, como se dissessem: "Vocês vão apontar essas coisas [mísseis]para nós? Bem, nós vamos apontar estas coisas [seios] de volta para vocês!". Já nos anos 1970 o movimento Hippie que se iniciou na década anterior se instalou com sua contracultura e suas incinerações de soutien, houve então uma "queda" nos seios, eles perderam aquela atitude tensa e relaxaram, em sintonia com a era do "paz e amor" e assim os seios assumiram um formato de lágrima. Na década de 1980 a junk food tomou conta da vida das pessoas, a era da cultura industrializada, e assim a cultura do silicone e implantes dominou as páginas das revistas. Nos anos 1990 a geração saúde deu sua resposta à década anterior e seios pequenos e atléticos voltaram a chamar a atenção. Foi a era também de destaque dos esportes femininos, quando soutiens atléticos ajudavam a proteger e esconder seios maiores. O novo milênio foi caracterizado por muitos como a década perdida, crises na economia, a bolha da internet, modas que não duravam anos e assim as páginas da revista foram inundadas por seios de todas as formas e tamanhos, como se não houvesse mais uma ideologia a ser seguida.

Agora lembrem-se, vivemos em uma realidade onde os mamíferos que vestem calças possuem o ditado: A Pressa é inimiga da perfeição! Esse ditado recebeu o tempero de um ditado aparentemente não relacionado: Tempo é dinheiro! e sofreu uma matamorfose para: O bom é inimigo do ótimo! É assustaodr perceber como a cada dia que passa essa versão bizarra de ditado se infiltra mais e mais em nossa realidade individual e nos molda, "esperar algo é desperdício de vida ou prova de incompetência, se algo demora muito não vale a pena, podia estar fazendo mais, para ganhar mais, para ter mais!". Para fortalecer ainda mais esta visão, ou dar uma base a ela, vivemos em uma realidade onde, de acordo com Susan Blackmore, a natureza favorece bons imitadores. Se você tem um corpo que naturalmente possui uma estrutura grande, vai ter mais chance de atrair parceiras e se acasalar do que um corpo baixo, torto e gordo, por exemplo. Isso nos parece óbvio, mas o que não é tão óbvio é que isso implica que na natureza você não precisa ser bom, basta parecer bom para obter sucesso entre sua própria espécie, não precisa ser ótimo e consegue o mesmo resultado de algo ótimo.

Quando os movimentos de libertação da mulher, ou os movimentos feministas, começaram a surgir nos EUA e a ecoar na Europa e resto do mundo, eles não buscavam apenas liberdade e igualdade para as mulheres, mas liberdade e igualdade para as mulheres em um mundo masculino. Agora, para que criar uma sociedade com bases realmente igualitárias, ou seja, uma sociedade onde os diferentes sexos teriam chances iguais de se desenvolver economica, social, mentalmente, se era mais fácil e rápido apenas adaptar a ideologia feminina para elas começarem a buscar direitos de homens num mundo de homens? Para que ter uma dieta balanceada e me exercitar, se meu metabolismo queima chocolate e fritura como se fosse água?

É muito natural que cada onda de mudança seja vista como doente, perversa e grosseira pela onda que a substituirá. Assim as musas peitudas da década de 1940, eram coitadas para aquelas que exibiam os peitos nús nas décadas de 1950 e 1960, que por sua vez eram vistas como objetos idiotas e símbolos de uma sociedade que não demonstrava nem respeito nem admiração por mulheres - as hippies e feministas das décadas de 1960 e 1970; mas as mulheres que queimavam soutiens e exigiam que a mulher deixasse de ser um objeto inferior e ganhassem ao menos respeito e reconhecimento como seres humanos,  além de maiores salários, deram origem a mulheres que não são mais torturadas por homens, mas que conquistaram o direito de se torturar. Elas criaram uma sociedade onde possuem as mesmas chances de evoluir, mas a sociedade continua sendo extremamente anal e patriarcal. Por isso não é motivo de surpresa que o artigo da Playboy, explorando a mudança nas formas dos seios tenha deixado muitas mulheres um tanto quanto revoltadas. Inúmeros blog na internet, curiosamente blogs de outras mulheres, surgiram criticando o artigo, dizendo que ele diz que hoje em dia todos os seios são muito queridos "desde que estejam à mostra e grudados em uma loira magra". As comentaristas, obviamente tem o desejo de deixar claro que o artigo apenas mostra o tipo de seios que a Playboy escolheu publicar e não que os seios de fato tenham mudado de década para década. Que todo tipo de seio sempre existiu ao mesmo tempo, apenas alguns foram explorados por uma revista masculina enquanto outros não. Algumas das mulheres que atacaram o artigo foram atrás do que é considerado belo na pornografia, dizendo que vendo as revistas explicitamente pornôs das mesmas décadas do artigo, vemos mulheres muito mais "comuns" e chegam a afirmar que com certeza elas nunca seriam contratadas por Hugh Hefner para posar em sua revista por serem ordinárias. Outras apenas afirmam que esse tipo de artigo faz com que as mulheres de hoje se sintam compelidas a buscar ainda mais padrões impossíveis de serem seguidos. De fato são respostas articuladas, de mulheres. Mas como imaginar que haveria outro tipo de resposta ao artigo? "É muito natural que cada onda de mudança seja vista como doente, perversa e grosseira pela onda que a substituirá." Isso não significa que as mulheres devam começar a exaltar a industria de nudez masculina nem nada, mas o aspecto sagrado da Grande Mãe, mesmo que soterrado por homens capitalistas e punheteiros e mulheres capitalistas e indignadas, não morre. Se por um lado sempre surgem as pessoas, de ambos os sexos, que erguem bandeiras e tentam tranformar a própria filosofia em uma guerra santa, existem, por outro, aquelas pessoas que acabam sempre deixando a analálise anal para trás para voltar à diversão oral; em todos os blogs de crítica feminina ao artigo mais de 95% das respostas são de mulheres, e se resumem a "Quem mais aqui brincou de'de que década vem meus seios'?" São listas de mulheres rindo comparando os próprios seios aos mostrados pelo artigo e trocando comentários como "ooh! os meus são década de 80, mas isso depois da operação de redução de seios, antes eu era totalmente anos 70" ou "Definitivamente anos 90, mas muito menores do que os das garotas das fotos". Isso nos mostra que embora aquele espírito feminista militar ainda exista, onde uma mulher deseja mostrar intelectualmente como todas as mulheres não são objetos e por isso não devem ser humilhadas por esse tipo de artigo, ainda existem aquelas que cosseguem se divertir com qualquer besteira patriarcal que tente estabelecer um novo padrão de comportamento (mesmo que essa besteira venha camuflada como um apelo feminista contra o abuso do corpo feminino).

Compare nas tabelas dadas no capítulo anterior os pontos 1, 4, 5, 7, 8 e 11, e tente aplicá-los aos dias de hoje. Permissividade versus restrição, política de guerra versus castidade, autoritarismo versus democracia, atitude versus pesquisa, inibição versus espontaneidade, e asceticismo versus hedonismo. Converse com as mulheres que afirmam que estão em pé de igualdade com os homens e vejam como suas atitudes em relação a esses pontos são extremamente anais - obviamente de maneira geral, não existiriam regras se não existissem excessões. Observe os valores passados por escritoras como Stephanie Meyer em sua saga Crepúsculo, ou em mega sucessos teen como High School Musical. Existe uma história sobre Mark Twain e sua esposa, que lutava para acabar com o linguajar um tanto chulo do marido. Certa vez ela passou uma semana anotando os pérolas que o ele soltava e então, num belo domingo, o acordou recitando a enorme lista que havia feito. Ele ouviu pacientemente e quando ela acabou ele lhe respondeu calmamente: "Minha queria, você conhece as palavras, mas ainda não conhece a música".

O feminismo, até os dias de hoje, é como a esposa de Twain, conhece as palavras, mas não a música. As feministas usam palavras como liberdade, igualdade, dignidade... mas elas não conhecem a música ainda, não tem o ritmo. Para ser sincero, termos como "feminista" hoje foram já quase descartados, diferente do machismo, que continua firme, como uma falha tão bizarra que se transforma em qualidade. Como bradou Timoth Leary, "Mulheres que querem se igualar aos homens são pouco ambiciosas."  Talvez isso aconteça porque os movimentos de igualdade feminina nasceram juntos, e foram alimentados, pelos movimentos políticos de esquerda, como o Marxismo, por exemplo, que era um sistema estupidalmente anal, embora pregasse a igualdade e a liberdade. Ou talvez isso aconteça por causa do grande número de ex-religiosas que cansaram de sofrer abusos e formaram os primeiros ranks do movimento feminista, e que trouxeram com elas toda as atitudes religiosas patriarcais da antiga fé - você pode tirar um bicho da selva, mas não pode tirar a selva do bicho. Isso não significa que as mulheres que hoje defendem estarem em pé de igualdade com homens sejam bichos do mato, apesar de muitas provavelmente desenvolverem um desejo de arranhar, morder e urrar quando lerem isso, apenas significa que sua crença está baseada em conceitos extremamente anti-femininos. Hoje a maior parte das mulheres em países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento, ainda recebem menos do que homens no mesmo cargo, sofrem preconceito por serem mulheres, etc., e, como se fosse uma piada de mal gosto, sabemos hoje que pessoas do sexo masculino que mudam de sexo passam a ganhar menos, enquanto  que pessoas do sexo feminino que mudam de sexo, passam a ganhar mais. Mas elas tem acesso à mesma educação, aos mesmos cargos, e tem a chance de reclamarem sobre essas diferenças em um sistema que as ouve, mas elas mesmas, em contra-partida, criaram um universo onde o prazer é algo a ser evitado, seja o prazer sexual, onde é melhor se preservar do que ficar "dada" ou virar uma galinha, seja o prazer pelo prazer, que acaba fazendo os ponteiros da balança se afastarem do zero mais do que elas acham prudente. Se antes o ascetismo feminino era impulsionado pelo machismo dos homens, hoje ele é motivado pelo espaço que existe entre a cintura da calça jeans e a pele da barriga. Se antes soutiens eram símbolos de inferioridade, pois moldavam o corpo de amulher de forma a servirem de objeto para os olhos masculinos e um dos principais alvos combatidos pelas defensoras das qualidades da mulher, hoje os soutiens mais apreciados pelas  próprias mulheres são os que empinam os seios, dando formas mais arredondadas, não deixam que eles caiam, ou os que aumentam o volume dos seios. Soutien e bojo se tornaram unha e carne, tente encontrar um modelo sem o enchimento para presentear sua deusa particular e veja como o mercado trata essa heresia. Nem vamos entrar agora no assunto de cirurgias e silicone.

Paremos para meditar, o que faz com que as donas dos seios, dêem tanta importância a eles de uma forma não relacionada ao que eles podem oferecer, mas à sua aparência? Uma carência generalizada da época em que segurança estava ligada a conforto e não ao julgamento de terceiros? Havia uma velha piada que dizia que um mundo sem homens seria repleto de mulheres gordas e felizes. Hoje essa piada fará uma mulher olhar feio para o interlocutor, como se ele estivesse lhe oferecendo um pote de sífilis, e pior, sífilis normal e não do tipo diet.

Isso não quer dizer que uma mulher não deva ligar para a própria aparência, existe uma lenda registrada por Pierre Verger que conta um episódio da vida de Iemanjá, rainha do mar no candomblé. Neste registro Iemanjá havia se casado e acabou dando a luz a dez filhos orixás. De tanto amamentá-los, seus seios tornaram-se enormes, flácidos e balouçantes. Um dia, ela se cansa da vida rotineira que leva, deixa a casa, o marido, e vai conhecer outras terras. Lá, se apaixona por um rei de nome Okere e se casa com ele, mas não sem antes obter dele a promessa de que jamais zombará de seus seios. Ele promete. Mas um dia, estando embriagado, faz galhofas e manga deles. Iemanjá se sente injuriada. Com a auto-estima lá embaixo, magoada, transida pela decepção, ela foge levando consigo um pote, que recebera de presente da mãe, contendo uma poção mágica para os momentos de perigo. Okere sai no encalço da esposa, tentando por todos os meios lhe barrar a fuga. Na agonia, ela tropeça e cai, quebrando o pote. A poção mágica então jorra, transformando-se num rio cujas águas a conduzem até o mar, onde mora sua mãe e de onde ela nunca mais quis voltar. O cuidado com a aparência dos seios tem também seu lugar no mito que envolve a Deusa mas a paranóia que isso se tornou está longe da divindade.

Ao invés de liberdade sexual foi instaurada a libertinagem sexual, e a libertinagem do tipo masculina ou seja do tipo possessivo e secreto. A cada instante temos mais provas de que casos sexuais são a melhor maneira para se acabar com a carreira política de alguém, deixe os roubos, manipulações, fraudes e mortes de lado. A boca de Mônica Lewinsky derrubou a carreira política do homem mais poderoso do mundo - uma perversão de um prazer oral em um mundo anal - não houve boca de urna que o salvasse. Sexo hoje é mais uma ferramenta de poder do que algo dê prazer, claro que para muitos nada dá mais prazer do que poder. Basta estar atento e notar que dificilmente jornais, revistas e a mídia em geral conseguem passar mais de um mês sem publicar algum "escândalo sexual". Vivendo em um mundo onde nossa espécie como a conhecemos transa e faz sexo com tudo e todos há pelo menos 200.000 anos, como ainda conseguimos chamar uma notícia, onde um ex-ator, ex-governador, que fez sexo com uma mulher que não era a sua esposa, de ESCÂNDALO sexual? De acordo com as últimas taxas de natalidade deste planeta, ainda é de se surpreender que qualquer notícia de cunho sexual consiga despertar qualquer interesse nas pessoas. Mas desperta, e não apenas casos atuais e que seriam relevantes para nosso dia a dia: recentemente um vídeo onde Marilyn Monroe aparece fazendo sexo oral em um homem não identificado por 15 minutos foi vendido por U$1,5 milhões de dólares, 46 anos após a morte da atriz, se esse não é o boquete mais caro da história deve estar muito próximo dele. Eu esperava que a única coisa que pudesse ainda chocar alguém seria uma pessoa pedófila o suficiente para investir uma fortuna construindo uma máquina do tempo para poder voltar ao passado e abusar de si mesma, mas aparentemente Freud estava certo, sexo ainda atormenta e vai atormentar por muito tempo e continuará a ser o responsável pelo desenvolvimento dos animais humanos.

Claro que este pedaço do texto pode parecer muito pessimista, mas não é isso. Mesmo que o que tenha acontecido, ao invés da criação de uma sociedade onde mulheres possam ser mulheres, tenha sido o surgimento sociedade onde se mulheres agirem como homens não vão sofrer muito preconceito. Se por um lado elas conceguem lutar por melhores empregos que antes eram exclusividades masculinos, não existe uma preocupação em se criar vagas para homens nos empregos previamente ocupados por mulheres. Enquanto muitos homens agora dependem do serviço de mulheres nas forças armadas e suas pesquisas cinetíficas, quantas mulheres tem diaristas homens, ou fazem as unhas com manicures que tenham um pinto e o guardem dentro de uma cueca? Caso você ainda acredite em coincidências, é engraçado notar como a qualidade do ensino básico e fundamental caiu, justamente na mesma época que mulheres começaram a abraçar a oportunidade de deixar de serem professoras para se tornar advogadas.

Até algum tempo atrás eram comuns livros que mostravam que tudo o que hoje tem algum valor foi criado originalmente por uma mulher. Claro que esse tipo de literatura se iguala à época do blacksploitation, onde uma série de filmes, seriados televisivos e eventos culturais foram criados apenas com atuações negras, mas que não passavam de remakes de material protagonizado por caucasianos. Novamente isso não significa que mulheres ou negros não tenham valor, apenas que o mundo recompensa bem os imitadores.

Hoje é bem evidente que as primeiras civilizações na região do crescente fértil - lá pelos lados do Nilo e do Eufrates - eram bem matriarcais, ao menos em orientação, inclusive algumas delas poderiam de fato ser matriarcais, como afirmou Bachofen, ou muito próximas disso. Na Babilônia, na Creta Minoana, no Egito antigo e na Itália Etrusca, as primeiras divindades eram, aparentemente, variantes da Grande Mãe. As estátuas que a retratam, nua com os seios à mostra, são incrivelmente parecidas, não importa se são conhecidas como Astarte, Isthar, Isis ou Ashtoreth. Mulheres ocupavam cargos de juízas, sacerdotizas e governadoras. Elas possuíam os mesmo direitos dos homens, podiam comprar e vender propriedades, realizar atividades comerciais, tinham uma facilidade de se divorciar e ainda por cima possuíam uma qualidade inata e superior de compreender o que a Deusa Mãe desejava e pedia a seus filhos humanos. Pelo que podemos notar, elas não possuiam nenhuma das misantropias que as feministas de hoje possuem. Mas o que levou as mulheres a, com o tempo, passar a se colocar em uma situação inferior à dos homens, chegando a odiá-los, ou ao menos odiar aquilo que eles representam, criando seus próprios movimentos que clamavam por um fim à orpessão masculina? Afinal até onde podemos ver, pelo menos até essa época, os homens nunca as haviam oprimido. Claro que este "ódio" não chega a ser uma fobia peniana ou uma guerra contra a testosterona, estava muito mais para um rancor contra um sistema patriarcal, e logo masculino, e de fato os movimentos mais violentos contra o patriarcado foram realizados décadas atrás e em um país bizarramente mais religioso do que este.

Sua Mãe é tão velha que os peitos dela saem leite em pó

Robert Graves escreveu que "a história começa quando os homens se liberaram da influência feminina" em seu Mamman e a Deusa Negra. Claro que Graves era dado a exageros, mas outros historiadores, que não possuiam influência pró-homens ou anti-mulheres tão fortes, também sugerem que o domínio e influência feminina (comparando com o domínio e influência masculina que temos hoje) era algo muito raro, e que o mais próximo que existia de algo assim era um estado de igualdade sexual nessas primeiras cidades-estado.

No Brasil, existe um registro interessante da mudança de foco da cultura indígena que pode jogar alguma luz sobre essas transições de sociedades onde mulheres ocupam um lugar de destaque e então são substituídas por sociedades dominadas por homens. Assim que os catequisadores portugueses chegaram à nova terra, que hoje chamamos de lar, encontraram milhares de índios esperando para receber o evangelho e se livrar do paganismo que lhes maculava a alma. Para conseguirem salvar essas pobres almas os novos professores tiveram que estudar a cultura indígena para descobrir o que eles adoravam e eventualmente transformar essa figura no demônio e então oferecer Deus para eles. Essa figura era Jurupari. Hoje Jurupari é uma figura associada com pesadelos, terror e o diabo indígena, mas naquela época a história era diferente. Os índios afirmavam que Jurupari havia nascido de um índia Tenuiana virgem chamada Ceuci, que comeu a fruta do Pücã - também conhecida como Cucura do Mato, Pomurã, etc. A fruta estava tão doce e suculenta que enquanto a índia a devorava o sumo escorria por seu corpo até que foi parar entre suas coxas em suas "partes mais secretas". Assim que o índio nasceu ele desapareceu, literalmente. A mãe apenas o sentia lhe sugar o seio e o ouvia brincar ao seu redor, mas sem conseguir enxergá-lo. Eventualmente, quando completou 15 anos se tornou visível e foi considerado um dos índios mais fortes e bonitos. Só que na época que isso aconteceu a maioria da população indígena era feminina. Havia uma falta de índios homens, e como consequência as mulheres governavam a tribo. O papel de Jurupari foi justamente o de arrebatar o poder das mulheres e de o devolver aos homens. Vencendo as mulheres, ele reuniu os homens e lhes ensinou sua doutrina, instituindo festas e os rituais necessários e iniciáticos para que seguissem os costumes do "sol". As mulheres que assistissem a esses ritos eram punidas com a morte. De acordo com a crença difundida por Jurupari os homens deveriam ser sólidos, fortes, resignados, obedientes, impassíveis à dor, resistentes, fiéis aos compromissos, devem seguir um jejum, viver de acordo com uma determinada dieta e passarem por constantes purificações. A Jurupari, que ficou conhecido como o legislador por ter mudados as leis e costumes, não se pede perdão, não existe súplica que o abrande e só a obediência a seus ritos pode tranformar o guerreiro em ser imortal. Todos os índios deveriam se casar cedo e ter apenas uma mulher, mas caso ela fosse estéril o guerreiro poderia conseguir um divórcio e buscar outra fértil. Ele nunca foi tocado por uma mulher, adora os homens fortes e as mulheres fecundas.

Esse relato é interessante porque mostra como em um Brasil pré colonial já haviam ritos solares, substituindo a administração feminina. Essa administração não era algo conquistado por ser mais ou menos eficiente, mas uma necessidade causada pelo grande número de mulheres em relação ao número de homens, assim que os homens reconsquistaram o poder eles passam a governar a tribo, mostra que a meritocracia não é um fator aqui e sim a maioria. Jurupari é figura solar, nascido de uma virgem para divulgar o culto ao Sol. Em seu livro O Mistério das Catedrais, Fulcanelli escreve:

"Maria, Virgem e Mãe representa pois a Forma; o Deus Sol Pai é o emblema do espírito Vital. Da união destes dois princípios resulta a matéria viva, submetida às vicissitudes das Leis de Mutação e Continuidade. Surge então Jesus, o Espírito Encarnado, o fogo que toma corpo nas coisas;"

Indo mais além, no evangélho de Tomé, o dídimo, Jesus aparece afirmando que "Eu lancei fogo sobre o mundo, e eis que estou cuidando dele até que queime".

Isso sugere de certa forma que a evolução social de sociedades tão distantes e distintas segue mesmo um padrão freudiano, passando instintivamente de um grupo oral para um anal, a não ser que acreditemos que alguém na antiguidade passeou pelos continentes oferencedo as mesmas regras de evolução religiosa e social. Chega a ser curioso o trabalho que os jesuitas tiveram em demonizar Jurupari para divulgar a crença em Cristo se o próprio Jurupari era uma figura nativa que possuía o mesmo simbolismo do Cristo.

Também vamos nos atentar no detalhe de um estado posterior à criação de leis que teve como momento de reviravolta uma mulher e um fruto, e o fruto tornando um homem igual a Deus - no caso do livro do Gênese Deus não fala Adão e Eva se tornaram como Nós e sim apenas que Adão se tornou como nós.

Outro caso interessante é o das guerreiras amazonas, encontradas por Francisco de Orellana na foz do Nhamundá, no dia 22 de Junho de 1541, que deixou como registro:

"Estas mulheres são muito brancas e altas, tem cabelos compridos preso por tranças, revoltos na cabeça, são membrudas e andam nuas em pêlo, escondem suas vergonhas, com seus arcos e flechas nas mãos, fazem tanta guerra quanto dez índios."

Guerreiras brancas em um mundo bronzeado, as Amazonas seriam mulheres que criaram uma sociedade matriarcal guerreira, com uma hierarquia militar. Elas viviam em grupos populacionais exclusivamente femininos, buscando relações sexuais com menmbros de outros grupos. Isso está de acordo com nossa tabela de características de uma sociedade matriarcal que tem atitudes permissivas em relação a sexo, garantia de liberdade para as mulheres, alto status social feminino, uma cultura militar mais valorizada do que a castidade, revolucionária, tem um grau de exibicionismo (não escondendo o corpo) e teme o incesto mais do que o homoerotismo.

Curiosamente no relato de Orellana não existe menção à ablação de um dos seios para melhor manejar o arco e flecha. Nas representações artísticas dessas guerreiras elas são mostradas com ambos os seios, embora um esteja exposto e outro coberto. Mesmo assim criou-se a figura de guerreiras que removiam um dos seios para melhor apoiar e manusear o arco. E isso fez com que a própria etimologia do nome amazonas sofresse mudanças, do iraniano "ha-mazan-", que significa guerreiras, passou a ser "sem-seio", "a-mazonos".

Esta sociedade obviamente oral e matriarcal não necessariamente era uma sociedade complecente e frágil. Elas guerreavam, cada uma, como dez índios. Elas não faziam prisioneiros, a não ser que fosse uma eventual mulher, e não mostravam delicadeza e sim que feminilidade e força podem ser sinônimos.

Um fato aparentemente não relacionado a nosso assunto, é que a falta de defesas ou outros sinais de batalhas ao redor dessas primeiras cidades serviram para convencer muitos arqueólogos de que não existia uma indústria bélica na época em que supostamente havia uma igualdade de sexos, e parece que a escravidão não surgiria até algum tempo depois dela também. Will Durant em seu livro A História da Civilização, afirma de forma persuasiva que a escravidão foi criada após as mulheres terem sido subjulgadas, e que muito provavelmente foi inspirada por esse fato. Algo que iria de frente contra o comportamento das Amazonas.

Na China, um padrão muito similar de evolução cultural oral > anal, foi discernido por estudiosos contermporâneos. Em seu trabalho Ciência e Civilização na China, Joseph Needham, demonstra que a tradição matriarcal foi preservada no Tao Te King, que adota uma figura muito semelhante com a Grande Deusa da área Mediterrânea:

o espírito do vale não morre
diz-se místico feminino

a porta do místico feminino
diz-se raiz do céu e da terra

suave e multíflua

parece lá existir
contudo opera fio a fio

ou ainda em outras traduções:

o espírito do vale não morre nunca
Ela é chamada a Mulher Eterna

evocando todas as qualidades Matriarcais que listamos muito acima. Needham conclui seu trabalho afirmando que a cultura chinesa, antes da dinastia Chou, era provavelmente matrilinear e vagamente semelhante às culturas matriarcais defendidas por Bachofen.

Em Esparta, mesmo após o desenvolvimento do patriarcado como forma de governo, as mulheres mantiveram quase todos os seus direitos até muito tempo depois, quando começaram a adentrar no nosso período histórico. Veja, caso você seja de fato uma pessoa culta ao invés de simplesmente alguém entediado no escritório, na faculdade ou no ônibus a caminho de casa, que em seu diálogo A República, Platão descreve, na forma de uma propaganda pró-espartana, que o estado ideal possuiria a igualdade de mulheres, além de outros toques típicos dos espartanos, como um estado socialista e uma censura de arte que faria Stalin se emocionar. Até mesmo em Atenas, onde as esposas tinham seu status quo muito aproximado ao dos escravos, a classe cortesã possuía grande parte dos direitos concedidos aos homens não escravos. Claro que outra coisa que havia em Atenas era uma separação entre o sexo resultado do amor e o sexo resultado da necessidade de encher o mundo de pequenos gregos; quando lemos os poemas líricos escritos na época, vemos que eram dirigidos ou inspirados por cortesãs ou joves garotos, o que nos faz pensar que os poetas de lá nunca se sentiram particularmente inspirados pelos sentimentos que nutriam em relação às mães de seus filhos.

Mas mesmo assim, no meio desses primeiros patriarcas pagãos, o amor e o sexo eram muito apreciados e exaltados como grandes ornamentos da vida e inextricavelmente conectados à vida religiosa.

Muitas pessoas podem se assustar se pedirmos a elas para procurar pornografia na Bíblia, mas a verdade é que o Antigo Testamento, para muitos a parte mais Heavy Metal da Bíblia, glorifica o sexo matrimonial como uma das maiores alegrias e prazeres da vida, e claro que dá uma atenção especial aos peitos:

"Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. E porque, filho meu, te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma estranha?" - Provérbios 5:17-19

O livro Cânticos dos Cânticos, escrito por Salomão acaba até parecendo uma carta enviada para uma revista masculina de contos eróticos escrita por um poeta, um texto que supostamente incitaria as pessoas a fornicarem:

"Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios." - Cânticos 4:5

Como o judaísmo e o cristianismo se tornaram religiões extremamente anais, os rabinos e teólogos cristãos se apressaram em deixar claro que este livro em especial prega justamente contra a liberdade sexual, e o povo, claro, acreditou. Mas um olhar atento nos mostra que este livro inteiro da Bíblia tem uma semelhança incrível com os cânticos entoados durante os rituais mágicos de fertilidade das antigas religiões matriarcais ou dos cultos pagãos existentes nos dias de hoje.

As primeiras manifestações religiosas no Egito possuíam uma base sexual muito forte e eram totalmente voltadas ao culto da grande deusa mãe, conhecida como Nuit, Isis, Nu-Isis, etc. Na época o único deus homem a ter uma importância equivalente à das deusas era um pinto - na verdade era representado por uma serpente, e seu nome era Seth, mas isso apenas porque uma mãe sem um pinto não é uma mãe, a mulher precisa ser inseminada para eventualmente parir. Se quisermos nos dedicar um pouco ao grande pinto, podemos ainda rastrear o Deus Serpente Fálico até a região do Congo, de onde foi absorvido pelos egípcios. No Congo ele era e é até os dias de hoje uma figura muito importante, especialmente para seus descendentes que mesmo expulsos do grande continente negro, ainda praticam o vodú em Nova Orleans e outros pontos da América Central e do Sul. Os ensinamentos passados nos antigos cultos Nuit-Isis foram resumidos de maneira espetacular por Aleister Crowley quando afirmou que: "O Khabs tá no Khu" - Khabs é a parte divina ou eterna da humanidade e Khu é o órgão sexual feminino, a origem do termo latino cunnus, que posteriormente virou cona e hoje chamamos de boceta - mais do que apropriadamente o significado culto de boceta é "pequena caixa de fantasia" e vulgarmante passou a ser associada com vulva. Isso foi responsável por um costume que para alguns deve ter se mostrado algo interessante e divertido e para outros algo completamente assustador, já que a base da religião egípcia era o sexo era comum que retratassem seus deuses de uma forma um pouco diferente daquela usada pelos cristãos. Era comum encontrar representações de Atum se masturbando, Isis fazendo um boquete em seu marido/irmão Osiris, etc. Dentre todas essas situações uma delas acabou ficando mais famosa do que outras. Se os egípcios não precisavam de decoro para representar seus deuses, o mesmo não era verdadeiro para outras religiões, então as imagens que foram absorvidas pelos outros povos não egípcios eram mais brandas, mas nem menos impactantes, uma delas em especial, mostrando Isis, vestida por um manto de céu, amamentando Horus, acabou se introduzindo dentro de templos cristãos depois de duas pequenas mudanças, mudaram o nome de Isis para Maria e de Horus para Jesus. O único problema é que quando isso aconteceu, todo o significado sexual da cultura egípcia havia se perdido, e assim a base física da crença egípcia se tornou a base metafísica da filosofia Cristã e Helenística, assim, da mesma forma que fizeram com o Cântico dos Cânticos de Salomão, a estátua passou a representar não mais o peito da mulher que transava com o próprio irmão que nutre a todos, mas o parentesco espiritual de Deus feito carne e a humana que o pariu.

Homero, o grande escritor grego antigo, gostava de usar o termo Bathykolpos para descrever mulheres possuidoras de uma bela venda de bolinhos de maçã. A palavra se deriva de dois termos gregos que significam respectivamente, "profundos" e "peitos", ou seja, uma Bathykopos era uma grega com um par de peitões. Homero, como todos sabem escreveu dois livros que até hoje circulam por ai, a Ilíada e a Odisséia. Além de escritor e poeta ele era cego - ou ao menos é o que dizem a respeito dele.


 Considerando sua incapacidade de enxergar, ele deve ter aprendido a apreciar esse tipo de seios da maneira mais complicada, usando o sistema braile, e muitas pessoas o consideram um machista por focar sua narrativa no herói que deixa as mulheres de lado a não ser para festas e fica falando de bathykolpos, mas é interessante reparar que seus valores são extremamente orais, isso fez com que muitos estudiosos e historiadores afirmassem que os textos foram apenas atribuídos a Homero e que na verdade eles se originaram em uma era se não total ao menos parcialmente matriarcal; alguns ainda, como Samuel Butler, Robert Graves e Elizabeth Gould Davis chegam a afirmar que Homero na verdade era uma mulher. Seja qual for a posição de Homero - feminista, chauvinista ou mulher - ele, ou ela, possuia todas as qualidades dos poetas homens de hoje em dia que se colocam em uma posição notoriamente antigovernamental, anti guerra, anti autoridade e que gostam de mulheres, crianças, da natureza e de sexo. Obviamente, seguindo a lógica Freudiana, Homero possuía uma personalidade oral. De qualquer forma os valores dele/dela, e de poetas posteriores como Eurípedes, Sófocles e os autores anônimos da Antologia Grega, sempre foram compatíveis com o amor sexual; mas o relacionamento entre homens e mulheres começou a se mostrar problemático quando o sistema patriarcal começou a ser implementado e a mulher perdeu seu lugar de direito e se tornou um cidadão de segunda categoria.

Com a chegada do cristianismo, qualquer traço matriarcal que ainda poderia existir foi completamente e permanentemente enterrado, e as mulheres passaram de cidadãos de segunda categoria para o status de párias, ferramentas de Satã que deveriam ser temidas e nunca confiadas. Seus peitos se tornaram uma armadilha safada de Satanás para atrair os homens aos pecados da carne, e assim as evidências de que os deuses amam o mundo e deliberadamente o encheram de beleza passaram a ser chamadas de sacos de sujeira, almofadas de pecado, montes de bosta - lembrem-se da terminologia típica de culturas anais? De acordo com Orígenes: elas [as mulheres] deveriam ser tratadas como se tratam os escravos traiçoeiros. Agostinho dizia que: já que foi uma mulher, Eva, que trouxe o mal a este mundo, elas estavam inclinadas a fornicar com demônios. O famoso inquisidor Sprenger escreveu completou o pensamento de Agostinho dizendo que isso acorria porque o desejo de uma mulher é muito forte para ser saciado por pobres mortais, assim, se não fossem bruxas, para serem queimadas, deveriam ficar sob observação constante. Sempre que vejo carros da versão moderna de mulheres liberais que trazem pérolas como: UMA MULHER PRECISA DE UM HOMEM DA MESMA FORMA QUE UM PEIXE PRECISA DE UMA BICICLETA! paro para pensar "Diabos, está demorando para esse povo feliz adotar de vez a idéia que Agostinho tinha de que o próprio prazer sexual é uma maldição que herdamos do pecado de Eva e Adão. Agostinho filosofava que o prazer é algo tão corruptível que antigamente não existia atração sexual, de acordo com ele Adão conseguia se relacionar com Eva sem sentir desejo ou prazer, pois no início Deus os havia feito puros, logo sem desejo ou tesão. Assim quando vieram para a terra, Adão conseguiu uma ereção da mesma forma que uma pessoa consegue mexer as orelhas ou o nariz sem tocar nelas, através do controle do corpo pela mente, e não o oposto, como geralmente ocorre. Essa idéia se tornou bem aceita na época de Agostinho, e assim aquela sensação de cócegas formigando pelo corpo, ou qualquer outro tipo de sensação durante o ato sexual, era um sinal claro de que você estava fazendo alguma coisa errada, porque aquilo que você estava sentindo era o pecado. As mulheres que incitavam esse tipo de sensação nos homens, mesmo que simplesmente ao passar andando pela calçada sem dar bola para o dito homem conferindo o troco do açougue ou concentradas em algo do gênero, eram consideradas extremamente perigosas e a igreja se certificava de lidar com elas da forma mais apropriada; assim, catolicamente falando, uma mulher não tinha o direito de se divorciar de seu marido caso ele a espancasse regularmente, se ele curtisse pegar doenças venéreas e passar para ela por diversão ou caso ele trouxesse para casa todas as suas amigas para ficar transando na frente da mulher, nem mesmo caso depois ele matasse as amigas e empolgado pela matança resolvesse degolar o cachorro, enquanto ainda estava pelado, na frente das crianças. Mas... ela poderia conseguir uma anulação do casamento caso o marido se recusasse a lhe gerar um futuro católico ou não a avisasse com antecedência que não pretendia ter filhos nunca. Como forma de aumentar ainda mais essa degradação (a de ser mulher),  caso o marido quisesse mais um crentezinho no mundo mas ocorresse qualquer tipo de complicação durante a gestação e ficasse claro que havia uma situação onde a vida da criança para nascer estivesse em risco, o obstetra deveria a todo custo tentar salvar a criança, mesmo que isso custasse a vida da incubadeira humana que havia resovido gerar a criança.

Isso tudo, é óbvio, cheira a merda, o que deixa claro, logo de cara, que são exemplos do que uma personalidade anal gosta. Embora pessoas orais tenham uma personalidade mais razoável, no senso vernacular da palavra, pessoas anais adoram a razão e a seguem sem nenhuma pena até onde ela os levar. O problema é que vivemos em um mundo onde a lógica é estupidamente super-valorizada, e o bom-senso é deixado de lado. Um exercício clássico que demonstra como a lógica pode levar a caminhos absurdos é o do queijo suíço. Um queijo suíço tem buracos. Um buraco está ocupando o lugar de uma porção de queijo, assim, logicamente deduzimos que quanto mais buraco tem uma fatia menos queijo temos. Agora um pedaço grande de queijo tem mais buracos do que um pedaço pequeno, assim, quanto mais queijo mais buracos. Se a lógica nos diz que quanto mais queijo mais buracos, e quanto mais buracos menos queijo temos, então a lógica nos dizendo que quanto mais queijo temos, menos queijo temos. Assim, dando outro exemplo do exercício da lógica pura, Agostinho, mais tarde conhecido como santo, provou, logicamente, que crianças não batizadas não poderiam entrar no reino dos céus. A coisa fica feia quando nos lembramos que na época do Agostinho a igreja ainda não havia inventado o limbo e o purgatório, o que deixava só um destino para o pobre petiz: a estrada para o Inferno. Eu sei, eu sei. Essa idéia é chocante e bizarra, mas Agostinho não era um homem que mudaria de idéia apenas porque ela pareceria chocante e bizarra para humanos sentimentais - sentimentos, afinal de contas, eram extremamente suspeitos: Deus criou Adão e Eva sem eles, lembra-se? Outros exemplos da lógica brilhante da mente anal de Aquino eram as conclusões que as abutres fêmeas engravidavam do vento. Tenha em mente que a lógica é o presente que Deus nos deu, fatos, assim como sentimentos, eram coisas ilógicas e ilusórias - não foi o diabo que recebeu o título de Príncipe Deste Mundo? Isso deixa claro de quem os fatos deste mundo se derivam.


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