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siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões Os decotes de Deus

Os decotes de Deus

Peitos deliciososAs similaridades entre essas histórias - mulher, maçã, desgraça - sugerem que ambos os mitos possam ter uma origem comum. Podemos afirmar quase certeiramente que o fato da fruta de Eva ter se tornado uma maçã foi influenciado pelo mito Erisiano. Joseph Campbell, o fã de Star Wars, achou que esse era o caso da ascendência comum dos dois mitos, e correu atrás de sua origem. Em seu monumental trabalho dividido em quatro volumes, entitulado As Mácaras de Deus, ele nos mostra como a história do Gênesis como existe hoje, é um texto muito recente - históricamente falando - e que foi alterado para poder se encaixar no contexto patriarcal da religião de Yahweh. Originalmente Eva não era a

esposa de Adão, era a mãe dele, ela não era humana, como Adão, ou feita da mesma matéria, mas era uma deusa, e o resultado da história da maçã original não foi trágico, mas triunfante: depois da fruta ser comida, Adão se tornou um Deus - e por mais alterações que a história original tenha sofrido, ainda existe uma passagem que deixa isso claro: "Eis que o homem é como um de nós (os deuses), sabendo o bem e o mal".

Chega a ser divertido pensarmos nessa possibilidade quando nos lembramos dos antigos rituais conhecidos como Mistérios de Elêusis, ou eleusinos, praticados em Atenas, onde certos alimentos halucinógenos eram ingeridos para que cada participante se tor
asse um com a Deusa Demeter. Podemos afirmar que dentro da cultura patriarcal que se desenvolveu e se tornou dominante, Eris e Eva são, ou melhor, se tornaram, versões negativas das bona dea (deusas boas) romanas, da Mãe Terra que lançou o leite dos seios para o céu noturno, da Isis egípcia, da Ishtar babilônica, da figura protetora que descendeu diretamente da Mulher de Willendorf com seus seios enormes - a misteriosa deidade que não passa de uma extensão em escala cósmica da visão de um bebê dependurado em um peito.

Uma das modas que nunca mudou depois que os macacos desceram das árvores e começaram a depilar as próprias pernas, foi a de maldizer tudo o que o chefe que vive em seu galho diz que não é bom. Assim não é de se admirar que hoje toda pessoa "culta", "inteligente", "pé no chão", afirme que essas deusas não passavam de invenções de um povo antigo que não compreendia bem o mundo e tinha medo de relâmpagos. Bem, isso é apenas o que essas pobres pessoas foram ensidanas a acreditar para poderem se considerar "bacanas", "descoladas" e "devoradoras do sexo oposto", e elas não tem como evitar isso, mas o que pode ser uma surpresa agradável para muitos é que essa deusa não era apenas uma invenção e ela não está morta, pelo menos ainda não. Ela continua uma presença viva e palpável para muitos. Em uma cerimônia pagã ela foi evocada e falou através dos lábios da Rainha Bruxa as seguintes palavras:

"Vocês se tornarão livres, e como um sinal de que isso é verdade, tirem as roupas e fiquem nús em seus rituais, dancem, cantem, festejem, façam música e façam amor. Façam tudo em meu nome, pois eu sou uma deusa graciosa, que dá a alegria para aqueles que vivem sobre a terra; certeza, e não fé, enquanto estiverem vivos, e quando morrerem, lhes darei paz que não pode ser descrita com palavras, descanso e o êxtase da deusa. E não peço nada como sacrifício, pois eis que sou a mãe de todas as coisas vivas e meu amor é derramado por sobre a terra"

Além de ser uma declaração adorável, ela é também, sem espaço para dúvidas, parte de uma religião completamente oral. Essa palavra é importante, guarde-a na sua mente. Se um recém nascido pudesse falar, a deusa seria a maneira como ele descreveria o seio que o amamenta - se esse seio pudesse falar. De acordo com essa lógica, a imagem da Grande Deusa Mãe seria a extensão no espaço-tempo dos próprios seios. LOUCURA!!! uns gritam. PUNHETEIRO!!! outras sussurram. Mas antes de ficarmos mais íntimos, vejamos o que o Doutor em Medicina Wolfgang Lederer diz a este respeito:

"Seus seios, por exemplo, eram o motivo pelo qual os Bailônios a chamavam de 'A Mãe dos Seios Frutíferos', aquela cujos seios nunca falhavam, nunca secavam - ocasionalmente eles eram simplificados a aros ou espirais estilizadas, mas geralmente eram expressos com todo seu potencial erótico e, de forma mais impressionante, eram expressos multiplicados para lhes dar mais ênfase. A grande Diana de Efesos é comumente representada com vários seios - já cheguei a contar 16 - e a Deusa Mexicana do Agave, Mayauel, tem 400. A função deles é bastante óbvia e alguns dos ícones mais belos e tocantes da deusa a mostram amamentando uma criança, seja ela a deusa egípcia Isis com a criança Horus ou seu equivalente na Ásia Menor, Ur, na Sardinia pré-histórica, no México, no Perú ou na África contemporânea, ou, claro, uma das inúmeras virgens com a criança na arte cristã: essas, especialmente durante a idade média, possuem uma expressão que mostram tal grau de carinho e intimidade, uma união tão bem trabalhada do calor animal com a mais pura espiritualidade, que não podemos evitar nos perder em longas contemplações...

Mais do que isso, a Deusa que descrevemos não é uma mera mãe humana, dando leite humano para a criança que nasceu de sua própria carne e sangue, nem simplesmente uma mera mãe divina, carregando uma criança humana ou divina: pois de seus mamilos pode sair não leite, mas mel - como na Palestina que, em seu nome, era conhecida como a terra do leite e do mel, ou Delfos, onde suas sacerdotizas eram chamadas Melissai, que significa "abelhas", e seu templo era construído de forma a se assemelhar a uma colméia. Ou podem jorrar até peixes de seus mamilos, como afirmam os esquimós. De fato, ela não só é mãe de todo tipo de animais, mas também alimenta a todos, dando a cada um o que é necessário e, sendo a "Alma Mater" que é, ela pode - maravilha das maravilhas - alimentar também homens barbados, estudiosos, lhes dando sabedoria. Resumidamente ela é a fonte de todo tipo de alimento, material ou espiritual.

Não é de se admirar que ela tenha tanto orgulho de seus seios. E, por causa disso, ela os segura, de forma bem natural, seja para exibi-los, seja para oferecer de forma mais conveniente sua plenitude..." - Wolfgang Lederer, M.D., The Fear of Women

Estátuas da deusa, segurando os peitos como se os oferecesse, foram encontradas por toda a Europa e Ásia pré-históricas. Elas devem ter sido, pelo menos durante algum tempo, tão populares quanto sua versão mãe-com-criança que foi posteriormente adotada pelos romanos.

E não estou falando apenas de belos adornos simbólicos. Os seios femininos nos definem enquanto espécie. Lembre-se que no século XVIII o sueco Linneaus, entre uma enorme variedade de características comuns, escolheu justamente os seios para nos classificar junto a outros animais: nós somos mamíferos, ou seja, uma classe de animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias que, nas fêmeas, produzem leite para alimentação dos filhotes. Somos, trocando em miudos, uma espécie que mama nos peitos da mãe.

Em seu blog, Síndrome de Estocolmo, Denise Arcoverde publicou um texto entitulado “Deusa de Assombrosas Tetas” onde escreve:

"As primeiras imagens femininas, encontradas em escavações, têm grandes seios e amplo ventre e parecem ter sido usadas como um símbolo de fertilidade.

Esculpida há cerca de 22000 ou 25000 anos, a Vênus de Willendorf foi encontrada na Austria e é, segundo a maioria dos estudiosos, uma das imagens mais importantes e mais conhecidas da Grande Mãe.

Kourotrophos é uma imagem datada do século 6 aC. Alguns a chamam de Deusa Mãe, o arqueólogo Ross Holloway diz que ela seria a “Noite” cobrindo com seu manto e amamentando os filhos gêmeos Sono e Morte (Hypnos e Thanatos).

Nut, deusa criadora do universo, mãe de Rá. Deusa guerreira, protegia os mais fracos, destruindo seus inimigos e abrindo caminhos. Afastava os maus espíritos. Era representada, frequentemente, como uma mulher nua com seu corpo formando um arco que protege a terra e leite escorrendo e fertilizando o solo. Tinha um importante papel nos subterrâneos do Egito Antigo e sua forma de mulher nua arqueada foi encontrada pintada em diversos sarcófagos.

Nut era a barreira que separava as forças do caos e da ordem neste mundo. Dizia-se que o deus Rá entrava em sua boca ao entardecer viajava através de seu corpo durante a noite para renascer de sua vagina a cada manhã. Dizia-se também que engolia as estrelas que renasciam mais tarde e que o faraó incorporava seu corpo após a morte, do qual mais tarde ressuscitava.

Nut também é representada como a “Grande Vaca” (Great Kau), a grande senhora que criou tudo que existe, a vaca cujo ubre deu origem à Via Láctea. Nut é a mãe de todas as divindades.

Onde fica hoje a Palestina, Hebat era adorada como a Grande Deusa, representando a mãe-sol, deusa da fertilidade, beleza e realeza. Existem dados sobre ela desde os tempos mais remotos, 2000 aC ou mesmo anterior.

Seu capacete sugere a fonte da vida e imortalidade, o leão aos seus pés é a sua conexão com o reino animal e o bebê sendo amamentado é a sempre esperada criança das luzes.

...

Conta-se, na India, que Kamsa, tio-demônio de Krishna, contratou os serviços de Putana, uma Rakshasi (demônio feminino), para matar Krishna. Putana podia assumir a forma que quisesse.

Ela disfarçou-se de Gopikaa, ama de leite, e entrou na casa de Krishna.

Alimentou Krishna com seu leite que estava envenenado, mas ele, apesar de ser um bebê, sabia que ela era uma Rakshasi e a sugou tão forte que extraiu sua vida, junto com o leite.

Antes de morrer, ela assumiu a forma original.

Nossa América Latina também tem seus mitos relacionados aos seio e ao leite materno. A história da “Difunta Correa” tem origem em Vallecito, vila que fica há 1.160km de Buenos Aires, aos pés dos Andes e ao Norte da Patagônia.

Em 1835, seu marido, Bustos, foi levado à força e obrigado a entrar para a forças armadas de Juan Facundo Quiroga. Desesperada, María Antonia Deolinda Correa decide caminhar 63km até a vila de San Juan, em busca do seu marido. No caminho, consumiu todas as provisões: o charque e o patay, alguns figos e toda a água. Após ter caminhado boa parte do caminho, ela não aguentou e faleceu. Sob o sol abrasador, encontraram seu cadáver, que protegia seu pequeno: seus seios alimentaram o bebê e o seu leite o manteve vivo, mesmo após a sua morte. Apesar de nunca ter sido canonizada pela igreja católica, a Difunta Corrêa é adorada como uma santa, na Argentina."

A lenda de Krishna tentando ser envenenado por Putana e o texto de Lederer ainda nos mostram aspectos interessantes da cultura dos seios, mas não citam de maneira clara algumas dos aspectos sobrenaturais atribuídos a eles. Existem crenças, que podem ser encontradas tanto no interior do Brasil quanto na distante China que afirmam que o leite materno não apenas nutre, mas possui poderes mágicos curativos, que não afetam apenas a criança, mas também adultos. Câmara Cascudo registra a lenda paraense da Cobra Norato, onde um jovem chamado Honorato foi concebido misteriosamente enquanto sua mãe se banhava no rio, e veio ao mundo com a forma de uma serpente escura que vivia na água. Quando a noite chegava Honorato saia da água e deixava seu couro de serpente na areia e ia jantar e dormir com a cabeça apoiada nos seios da mãe, de madrugada voltava à margem do rio e seu corpo voltava a tomar a forma monstruosa da serpente. Todos sentiam pena do rapaz e de sua sina, mas ele só conseguiu se livrar dela no dia que um soldado conseguiu flaglar a cobra dormindo de boca aberta e então pingou três gotas de leite de mulher entre suas presas, golpeando-o em seguida na cabeça com um machado de aço virgem. A partir deste dia Honorato se viu livre da maldição e pode viver na sua forma de homem.

{Hora para a pausa

Vamos voltar ao cocalômano austríaco. Freud, além de um ávido comprador de tapetes e fã inconfesso de cirurgias nasais, chegou à conclusão que nem todo mal que aflige uma pessoa é físico, e que mesmo os males físicos não necessariamente tem uma origem física. Depois de muito pensar, cheirar e hipnotizar pessoas, ele notou que o ser humano é como um pedaço de corda, sendo usado em uma competição de cabo de guerra, disputada por dois concorrentes: Eros e Tanatos, ou, como Ian Fraiser Kilmister tão bem traduziu, Sex & Death (Discutido em maior profundidade em sua obra Sacrifice, segunda faixa.). Como cedo ou tarde todo mundo sem excessão vai morrer, a Morte eventualmente pode ser um pé no saco, mas não podemos fazer nada a seu respeito. Já com sexo o assunto é mais complicado. Morrer, todos morrem uma vez só, supostamente, mas o sexo pode ser uma possibilidade a cada instante, e assim ele, com certeza, deve ser o maior responsável por grande parte dos problemas que atormenta as pessoas, ou isso é o que podemos entender ao ler suas conclusões. Por ser uma pessoa educada e não desejar que suas idéias fossem tratadas de maneira leviana, Freud estudou a influência do sexo na formação do indivíduo e dividiu essa influências em fases, batizadas com nomes que além de sérios não poderiam dar margem a piadas de duplo sentido. Para ele, todos os seres humanos sem excessão, nascem polimorficamente perversos e seu desenvolvimento psicossexual passaria por fases distintas e marcantes, a primeira a fase oral, seguida pela fase anal e evoluindo para a fase fálica. Muitos acreditavam que Freud poderia fazer fortuna na indústria da pornografia, outros que ele simplesmente neurotizou o sexo, mas muita gente acha que ele acertou na mosca. Resumidamente, assim que nasce a criança passa pela fase oral, que surge quanto a mãe a pega no colo e enfia o peito em sua boca. A fase oral está ligada a um prazer sem responsabilidade, a um sentimento de proteção e carinho. A fase anal já surge quando é feio continuar cagando e andando, e somos ensinados a ir ao penico. Nesta fase acontecem duas coisas: em primeiro lugar a criança descobre que não pode fazer o que quer, ela tem que começar a obedecer regras, em segundo lugar ela passa a controlar algumas funções do próprio corpo, que nesta fase é tudo o que ela conhece como vida, universo e tudo mais. Na fase oral a criança sente prazer, se sente saciada e protegida é o centro das atenções. Na fase anal ela aprende a obedecer e aprende o que pode ou não fazer, e aplica isso ao próprio controle da própria realidade, ou seja, entra no mundo da autoridade e hierarquia, tem gente que pode mais do que ela e ela tem que respeitar isso, ela é o centro das críticas. Na primeira fase, a criança é o rei ou rainha da casa, não tem como se argumentar com ela e tudo o que ela demanda é atendido; na segunda fase a paz volta um pouco para o lar, e começa a surgir uma rotina não centralizada na criança, mas uma rotina que inclui a criança. Para matar a curiosidade sobre a fase restante, o período fálico é caracterizado pelo momento em que a criança descobre e começa a brincar com os próprios órgãos genitais. A punhetação não nos interessa, vamos focar nas duas primeiras fases. Lembra-se daquela palavra lá em cima, que pedi para você guardar na memória? "uma religião completamente ORAL", pois prepare-se para voltar a ela. Antes de terminarmos a pausa é muito interessante notar que quando surge a necessidade ou vontade de se atacar a autoridade ou o status social de alguém ou de criticar a autoridade que determinada pessoa usa de forma "errada", especialmente dentro de um sistema onde existe uma hierarquia, é comumo uso de termos que atacam toda a sua formação conseguida durante o desenvolvimento da fase anal, veja se conhece alguns desses nomes ou termos: Cuzão, Bunda Mole, Cagão, Seu Pedaço de Merda, Vai Tomar no Cú, Borra Botas, aquele cara é um bosta, ele "deu pra trás", cagou no pau, cacaborrada, etc. Pense também na forma preferida de se castigar crianças para abandonar sua fase oral: as palmadas na bunda. Com isso em mente, vamos terminar nossa pausa.

Fim da pausa}

Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões

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