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siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões Você vai sair com essa roupa?

Você vai sair com essa roupa?


Metafísica dos Peitos, Peitinhos e Peitões

Peituda SafadaPersonalidades anais tem essa cegueira em relação a tudo o que lhes parece fora do que consideram lógico. Eles adoram hierarquia e adoram intimidar as pessoas para manter essa hierarquia - é o pai que intimida o filho na hora de ir ao banheiro para mostrar quem manda. Se você é pequeno e caga no carpete, pode achar que vai fazer o que quiser, sempre que quiser e aonde quiser. Umas palmadas te dão a perspectiva da coisa, certo? O problema é que pessoas anais passam a vida se deleitando com as palmadas, inclusive antes do delito ser cometido, entende? Apenas para manter a ordem ao invés de corrigir novos erros. O Marquês de Sade escreveu de maneira cativante e excitante sobre o prazer e o deleite que sentimos quando intimidamos alguém, esse sentimento que pode ser percebido como uma forma refinada de sadismo, muitos psicoanalistas modernos notaram essa conexão também. Por isso não é nenhum mistério a motivação que os pais da igreja tinham em aterrorizar, assustar e intimidar os outros. Se perguntasse para qualquer soldado da Gestapo por que faziam o que faziam você teria a mesma resposta. Sermões sobre o Inferno, congregações histéricas temperadas com desmaios e convulsões são o equivalente psicológico de palmatórias, chicotes, botas de ferro e outros apetrechos que provavelmente deixariam o próprio Sade espantado, mas não menos entusiasmados. Esse prazer causado pelo exercício da intimidação como forma de poder tem números dúbios hoje em dia.

Não existem registros do número de pessoas que morreram ou foram mortas em caçadas a bruxas, inquisições, cruzadas, guerras santas, etc. Homer Smith, um ateu, conseguiu chegar ao valor de 60,000,000 de pessoas mortas em seu livro O Homem e Seus Deuses, mas esse número é muito provavelmente otimista, no sentido de mostrar mais mortos do que realmente houveram embora um certo pagão romano do século IV d.C., não acharia que este número era resultado de exagero, de acordo com ele "não há fera selvagem mais sedenta de sangue do que um teólogo bravo", e isso porque ele viu apenas o começo das brigas entre os vários cristãos; todos os diferentes grupos com seus teólogos bravos, a fúria que se desenrolaria destes desentendimentos entre irmãos duraria mais 13 séculos até que os ânimos começassem a esfriar. Mas voltando a Homer e a sua estimativa de 60,000,000 de vítimas, devemos dizer que ele jogou na vala que cavou todos os mulçumanos mortos nas cruzadas assim como todos os não brancos mortos nos processos de cristianização feito na África. Na verdade se fôssemos computar os massacres derivados dessa intimidação cristã, os números fariam Hitler parecer um garotinho chorão quando comparado a um clérigo. Rattray Taylor deixou para a posteridade que "na Espanha, Torquemada pessoalmente mandou mais de 10.220 pessoas para a estaca... Contando aqueles que foram mortos por outras heresias, a perseguições foi responsável por reduzir a população da Espanha de vinte milhões para seis milhões em duzentos anos..."

Crédito quando o crédito é devido, devemos que nos lembrar que por essa época a europa e a península ibérica folam assoladas pela peste negra e outros males que devem ter levado algumas pessoas a mais para a cova de forma direta e indireta, como por exemplos milhares de Judeus, acusados de serem os responsáveis por envenenar poços e nascentes de águas e coisas do tipo.

Mesmo assim, olhando para esses números, vamos esperar que este atual ânimo cristão não seja apenas uma pausa para respirar em sua máquina de castigos espirituais, mas seja de fato uma nova tendência de um novo comportamento religioso.

Toda a fúria e sangue do cristianismo são das mais horríveis e birrazas da história, chega a ser irônico se lembrarmos que tudo começou com um filósofo palestino que pregava o amor e o perdão como meio de vida. Mesmo assim, toda essa história serve apenas para ilustrar o que acontece quando a repressão dos seios e de todas as virtudes orais são levadas a um extremo, e homens sem nenhum senso de humor começam a se guiar por sua lógica para chegar a suas conclusões sinistras. Mas a religião, para infelicidade dos céticos, não é a única coisa que sai dos trilhos em uma sociedade patriarcal anal. Stalin matou milhares de pessoas e destruiu incontáveis obras de arte e arquitetura em nome do ateísmo. Muitas das mortes resultantes dos períodos de colonização de determinados países não eram resultados de incopatibilidade religiosa, e sim de gente querendo varrer da terra as pessoas que estavam entre elas e o ouro da terra delas.

Se esse tipo de coisa te desagrada e não desce pela garganta, soando como algo extremamente absurdo, Freud concordaria comigo quando afirmo que é porque os decotes estão voltando, e muitos valores femininos estão sendo absorvidos novamente em nossa sociedade nos últimos séculos. Para Stalin, Mussolini, Tomas de Aquino, Santo Agostinho, Torquemada, Hitler, etc., essas coisas eram simplesmente naturais e lógicas, ou seja, não temos como classificar essas pessoas como gente louca, maluca, sem miolos. Eles tinham miolos e os usavam todos os dias para chegar a suas conclusões: eles nunca acreditavam em nada que não pudesse ser provado em silogismos tecnicamente precisos pela própria lógica.

A mãe de Deus não fugiu desse pudor descarado e lógico dos pais da igreja também. O ícone da deusa com o seio de fora era forte, mas o patriarcado foi mais, por um tempo, e assim a criança deixou de mamar por um tempo e simplesmente ficou no colo da mãe, e o seu seio foi coberto. A aniquilação dos seios dentro do cristianismo não ficou apenas na correção da imagem da deusa. Repare que existem inúmeras obras que retratam os martírios de inúmeras santas - Santa Águeda, Santa Bárbara, Santa Eulália, Santa Cristina, Santa Paciência, entre outras - que, diferente de seus colegas santos homens, apadrejados, queimados, ou o que fosse que faziam para se santificar, sofreram o martírio de ter os seios amputados. Não existe sinal mais claro do que este da batalha entre a sociedade anal e a oral, e por anos e mais anos os anais levaram a vantagem. Dominique Gros, um mastologista francês, escreveu que:

"as santas de seios cortados refletiram na consciência coletiva a interiorização desse horror sagrado e instintivo face à ablação. A mastectomia é o arquétipo do suplício feminino."

Apesar deste comentário perspicaz poderíamos começar a brincar com a idéia de que apesar dos seios serem objetos característicos femininos não são exclusividade femininas ou nem mesmo objetos que apenas funcionam em mulheres. Homens podem ter seios, podem ter mamilos desenvolvidos, podem até, em alguns casos, gerar leite. Quando paramos para pensar no que difere sexualmente uma mulher de um homem os seios, ao menos biologicamente, não ficam em primeiro lugar. Os seguidores de Darwin acreditam que como antes os animais curtiam transar de quatro, já que não tinham condições físicas de fazer de outra forma, a parte do corpo que chamava a atenção masculina e servia como viagra natural, era a visão de uma bela bunda, e muitos acham que os seios humanos femininos se desenvolveram da forma que são hoje, para mimetizar a bunda, já que passamos a andar eretos e a encarar as mulheres de frente, inclusive no famoso papai-mamãe, vejam que em nenhuma outra espécie animal a fêmea tem os seios inflados quando não estão amamentando. Assim, para aqueles que acreditam que A Evolução das Espécies tem mais peso do que um dos inúmeros textos religiosos em circulação por ai, a função dos seios femininos é apenas ser mais um traseiro no corpo - talvez uma maneira insconsciente de substituir o símbolo oral, emocional, por excelência, pelo símbolo anal, da lógica, por excelência. Mas ai paramos para pensar naquelas mulheres esbeltas, seios pequenos, que também enlouquecem os homens, e outras mulheres. As maçãs grandes e redondas não são necessariamente as mais gostosas, se é que me entendem, e acho que entendem. Biologicamente a vagina e o útero podem ser o diferencial principal que caracterizaria uma mulher, afinal ali temos hormônios sendo criados, é dali que vem óvulos e é ali que é fabricado e que cresce o bebê que eventualmente fará com que os peitos tenham outra utilidade além da estética certo? Nunca se esqueçam que, apesar apesar das instituições religiosas terem se tornado sinônimos de igorância e um fora de modismo anti intelectual em nosso imaginário, não são apenas religiosos ignorantes que atrasam o progresso. Pessoas cultas ignorantes também. Cientistas ignorantes também. Pessoas que trocam o divino pela lógica irrestrita tendem a fazer merda. Assim, podemos ver que nossa brincadeira porposta no início deste parágrafo é um exercício interessante pois embora a vagina e o útero possam ser considerados símbolos da mulher enquanto máquina de fecundação, são os seios que sempre a definiram como mulher, não importa o tamanho ou a fartura ou a forma, já que a vagina e o útero são de fato responsáveis pela criação de novos humanos, mas foram dos seios que nasceram o universo.

Veja que existem inúmeras representações de beleza e feminilidade na arte da antiguidade, e embora os artistas tenham conseguido uma liberdade criativa que chega a espantar, já que alguns deles viveram em épocas que a indecência era punida com a morte, e a definição de indecência era muito ampla, quando desenhavam, pintavam ou esculpiam suas mulheres, eram os seios que eles deixavam de fora. A Venus de Milo, embora tenha tido os braços amputados, tem uma túnica que combre a virilha, deixa à mostra apenas a parte onde as costas começam a ficar arredondadas, mas deixa os seios à mostra. Quando Botticelli pintou o Nascimento de Vênus ele cobriu sua vagina, mas deixou um seio à mostra. Tintoretto (o pseudônimo de Jacopo Comin) é o responsável por Retrato de Mulher Revelando os Seios, pintado em 1570. Lorenzo Lotto em seu quadro Vênus e Cupido pintou Vênus nua, mas cobriu sua vagina com pétalas, mas ela tem os seios à mostra. Os exemplos são inúmeros, a Vênus de Urbino, Retrato de Mulher de Giorgione, Susanna e Os Anciãos de Artemisa Gentileschi, Retrato de Uma Jovem Mulher de Rafael, etc. E isso não se restringia apenas à arte.

Quando a Grécia Antiga ainda era nova, viveu uma rainha chamada Atossa, casada com Dario I. Atossa teve os seios acometidos por tumores e isso a apavorou. Não porque fosse morrer se os tumores se espalhassem, mas a deformidade em seus seios poderiam fazer com que ela perdesse sua feminilidade, e com isso seu marido e finalmente seu prestígio, perdendo seu valor como pessoa. Ela lidou com isso procurando um médico em segredo e implorando para que ele, salvasse seus seios. Eventualmente ele a curou, mas vemos que o temor em perder os seios se mostrando maior do que o temor de se perder a vida não é novo. Para uma mulher, deixar de ser mulher é a pior coisa que pode acontecer.

Assim, no caso das santas cristãs martirizadas, perder o seio não era simplesmente o arquétipo do suplício feminino, era literalmente desligar a tomada que a ligava ao divino. Um exemplo disso é a história de Santa Águeda. Ela era uma jovem italiana, que viveu no século III e que tinha uma beleza incomum. Incomum neste caso não tinha relação com barbas, narizes maiores do que o queixo ou dedos a menos nas mãos, mas sim com aquilo que deixa um homem puto se ele não puder tomar a bela dama e fazer dela um objeto que possa exibir para os amigos. E isso de fato aconteceu. Quintiniano, o então governador da Sicília se sentiu irremediavelmente atraído pela bela italianinha, mas havia um problema entre os dois, o cristianismo. Se Águeda se casasse com Quintiniano ela teria que abrir mão de sua virgindade e de sua fé cristã. Quintiniano imaginou que ela dizia aquilo porque nunca havia provado da "fruta", e a condenou a passar um mês confinada em um bordel, pra pegar gosto pela coisa e ceder a seus encantos. Claro que durante esse mês de castigo aconteceu com Águeda o que geralmente acontece com cristãos extremamente ardorosos e milagrosamente ela voltou virgem da casa de perdição onde havia passado as férias forçadas, e não bastasse continuar virgem, ela falou que não ia largar do cristianismo e da pureza para pular nos lençois do governador. Foi a gota d'água, ele mandou que a amarrassem em um poste e que lhe arrancassem os seios usando lâminas de ferro. E assim a jovem virgem tem os seios cortados e é torturada mais um pouco e é jogada em um calabouço para não ter os ferimentos tratados por ninguém. Já que não conseguia afastar mentalmente a mulher da divindade, o governador cortou o elo físico que a liga à criação. Mas reza a lenda que enquanto ela estava sofrendo no calabouço, ignorou sua situação e permaneceu conectada com a fonte criadora, no caso e na época a versão Oral do Deus Anal do Judaísmo, Jesus Cristo, e assim São Pedro - chamado por Cristo de a pedra sobre a qual ele ergueria Sua Igreja - acompanhado de um belo jovem com uma tocha na mão, muitos cristãos insistem em dizer que era um anjo, que passa a cuidar dela, e depois de um tempo desses cuidados seus seios lhe brotam de novo, como flores, restaurados e belos.

Aquele que cuidou da santa e possibilitou que seus seios reaparecessem foi um rapaz muito belo, que surgiu carregando uma tocha. Em latim existe um termo para nomear aquele que carrega a luz, Lvcis significa luz, ferre significa carregar. O garoto, também é associado com um anjo. Na mitologia cristã existe um anjo conhecido por ter a função de carregar a luz e que curiosamente já foi associado com o planeta Vênus.

Lúcifer, o primeiro anjo a desafiar Deus, ao menos o Deus dos Judeus e posteriormente dos cristãos, se encaixaria como um símbolo interessante. Ele teria desafiado o Deus patriarcal do sacrifício e sido punido por isso, semelhante a Eva e sua maçã. Não é totalmente inesperado que demônios fossem então, algumas vezes, associados com seios, de forma a tornar os segundos algo impuro e enganador. Enquanto santas tinham os seios arrancados, os santos eram tentados por seios usados por demônios, como nos mostra Baudelaire em seu 'As Flores do Mal: As Mulheres Amaldiçoadas':

"Outras, como irmãs, andam lentas e graves
Através dos rochedos cheios de aparições,
Onde Santo Antônio viu surgir como lavas
Os seios nus e purpúreos de suas tentações."

Assim, obviamente para o cristianismo, um arquétipo luciferiano cairia bem como aquele que restituiria o símbolo maior do matriarcado e da Grande Mãe. Esta foi a santa que mesmo sofrendo o seu suplicio teve os seios restaurados pelo "anjo" que portava luz ou artoche, as outras tornavam o ato de perder os seios o seu martírio.

Para se ter uma idéia do quanto era comum essa sanha de se arrancar os peitos de mulheres, a imagem de santas apresentando os próprios seios em uma bandeja se tornaram populares. Uma mulher, oferecendo em uma bandeja sua conexão com a criação. Chega a ser uma idéia simbólica interessante, para ser respeitada por uma igreja anal, elas devem se livrar de seu símbolo oral supremo. O poeta Paul Valéry, mais do que inspirado por um dos quadros do pintor Zurbaran, que mostra Águena com os seios em uma bandeja, escreveu um poema entitulado Sainte Alexandrine, que termina com a seguinte passagem:

"Mas a alegria do suplício está nesse começo da pureza: perder os mais perigosos ornamentos da encarnação - os seios, os doces seios, feitos à imagem da terra"

Outras santas não foram, aparentemente, tão preocupadas com a filosofia de "meu corpo é meu templo", e não tiveram seus seios restaurados, entraram para o hall das santas despeitadas alegremente, mas não foram menos celebradas por isso. Garcia Lorca homenageia Santa Eulália, e Téophila Gauthier escreveu sobre Santa Cacilda:

"E os seios já mortos, belos lírios, cortados em flor,
Brancos como os pedaços de uma Vênus de mármore,
Numa bacia de prata jazem ao pé de uma árvore.

Mas a santa em êxtase, esquecendo sua dor,
Como nos braços de um amante, de volúpia desfalece,
Pois aos lábios do Cristo ela suspende sua alma."

Mesmo cortados e separados da mulher, ainda são motivos de exaltação.

Chegamos a um ponto em que simplesmente falar de pessoas anais e orais nos tiram de nossa linha de raciocíneo. Vamos falar então de pessoas lógicas, vida próspera e longa, e pessoas mais emocionais. Não é uma novidade ou mesmo inesperado, se você sabe pelo que esperar, esta nova fixação que se tornou uma espécie de moda, a de começar a se valorizar tanto o que chamam hoje de Q.E., o quociente emocional das pessoas, é a Deusa fingindo novamente que não percebe que quando se abaixa torna o seu decote muito mais generoso do que o estilista que criou o vestido que ela usa gostaria que fosse.

Muitos hoje acreditam que fé e lógica são qualidades opostas e contraditórias, mas isso não é verdade, a fé cega não se difere em nada da lógica cega. A fé é movida pela lógica - Dado que Deus é real, agiremos assim - da mesma forma que a lógica é movida pela fé - Sabendo que Euclides não poderia estar errado, essas paralelas nunca se cruzarão. O matemático George Boole chegou a converter toda a lógica teológica em equações matemáticas e cada uma delas se provou ser sólida e consistente e válida, desde que cada uma de suas suposições iniciais fossem dadas como certas. Curiosamente o mesmo ocorre com outras formas de religião, como a matemática por exemplo. O matemático austro-húngaro Kurt Gödel deixou muitos tradicionalistas extremamente tensos quando demonstrou que algumas verdades matemáticas não podem ser comprovadas por meio de axiomas nem de regras estritas de demonstração, ou seja, devemos apenas assumir que elas existem e são reais e não podemos questioná-las.


Assim, um ato natural que todos esses filhos da pura lógica buscaram foi buscar eliminar de si todo vestígio de componentes que os lembra-se de uma realidade emocional/oral. E assim os seios femininos começaram a desaparecer das representações religiosas e artísticas da Europa por muitos séculos. Mas pensem: o que acontece com a parte de um corpo quando ela é ignorada? Ela atrofia. Assim a negação de uma parte do corpo humano não causou todo o comportamento bizarro daquela época, mas estava relacionado a ele. Quando os seios voltaram a ser apresentados para o grande público, uma série de valores orais começaram a surgir novamente na cultura européia, e não só isso, essas mudanças parecem ter uma influência muito mais sutil do que uma primeira olhada pode revelar; para não ficarmos apenas nas "metáforas" mentais, desde aquela época a média do tamanho dos seios femininos aumentou fisicamente. O quanto? Na idade média não havia a necessidade comercial que existe hoje de se saber medidas de seios, mas olhando quadros e estátuas podemos ver que os Bathykolpos exaltados por Homero foram substituídos, no gosto geral, por seios pequenos e afastados um do outro, mas quando a necessidade comercial de se medir seios foi estabelecida passamos a ter dados comparativos: apenas nos Estados Unidos o tamanho do busto feminino deixou a média dos 90cm em 1995 para os 98cm em 2010. Enquanto os seios cresciam de tamanho as primeiras ondas de paganismo começaram a surgir no sul da França, nos séculos XI e XII. Começa a surgir e se difundir na Europa a Cabala, que desenvolve e trabalha com o aspecto feminino da criação. Idéias  difundidas pelos Sufis e outros místicos árabes começaram a se infiltrar no continente europeu, idéias essas envolvendo o ato sexual como forma de ritual, que foram aceitas e difundidas por diversos círculos e logo encontraram solo fértil no vocabulário de vários poetas como Ezra Pound deixou claro em seu 'Spirit of Romance' e Denis de Rougemont em seu 'Love in the Western World'.

De maneira geral, podemos apontar sem medo de um erro muito grande, que este novo espírito teve sua origem com Eleanor de Aquitânia, uma das mulheres mais poderosas e influentes da Idade Média. Conta a história que durante a Segunda Cruzada ela cavalgou com uma expedição de soldados com o status de líder feudal do exército de Aquitânia, em pé de igualdade com os outros dirigentes, quando finalmente chegaram em Jerusalém, Eleanor e suas aias vestiram-se como Amazonas e cruzaram a cidade como guerreiras. Vestir-se como Amazona é uma forma de dizer que ela atravessou a cidade de Jerusalém, cavalgando com toda sua parafernália militar e com os seios a mostra. Isso pode ou não ter acontecido de fato, mas por muitos séculos muita gente tomou essa história como um acontecimento real. Sua corrida, balançando os seios em cima de um cavalo não foi apenas uma brincadeira, posteriormente tratada pelo Papa como "um comportamento inaceitável"; seu ato foi uma proeza carregada de simbolismos. Por um lado, ela mostrou uma grande atitude, Eleanor parecia gostar muito tanto da beleza que possuía quanto da mente que tinha e não seria persuadida por nenhum clero formado de homens, servindo a um deus masculino, a esconder nenhum dos dois (tenha em mente que na época não haviam feministas marxistas para ficar dizendo que ela apenas estava se colocando no papel de um "objeto sexual"), ela também parece ter convencido uma grande parte da nobreza francesa que o amor é algo muito mais divertido do que a guerra e que um homem que escrevia poemas de amor era mais viril que um conquistador de cidades; fosse ou não sua intensão de convencer os franceses disso, seu ato causou uma enxurrada de poesias vinda de trovadores provenciais e minnesängers (espécie de poetas e menestreis alemães que existiram nos séculos XII, XIII e XIV, do alemão minne significando amor e sänger cantor) e logo se seguiu o amour courtois, onde eram ensinadas as características mais sutis do decoro romântico e da etiqueta sexual.

Amour courtois, ou amor cortês, foi uma criaçnao medieval de nobreza e cavaleirismo que expressava amor e admiração, geralmente realizada de forma secreta entre os membros da nobreza e não era praticado entre marido e mulher. Tendo sido praticada inicialmente nas cortes de Aquitânia, em Provença, em Champagne e no ducado de Burgundy no fim do século XI. Em essência a corte do amor era uma experiência causada pelo desejo erótico e pela elevaçnao espiritual que hoje parecem ser coisas contraditórias, "um amor que era ao mesmo tempo ilícito em moralmente inspirador, passional e disciplinado, humilhante e exaltante, humano e trancendente"

A idéia expressa era de que o amor é uma espécie de guerra,e todo amante, um guerreiro ou soldado sob as ordens de Eros ou Cupido. Logo abaixo do “grande general” estariam as mulheres, cujo poder sobre os homens é absoluto. Para agradá-la, o homem deve permanecer em vigília por toda a noite em frente dasua porta, deve submeter-se a todo tipo de dificuldade, realizar todo tipo de ação absurda. Por amor a ela deve tornar-se pálido, magro e insone. Não importa o que ele faça ou por que ofaça, ele deve convencê-la que tudo é feito por causa dela. O amor cortês amor era encarado como uma arte e tinha suas regras: os amantes se submetiam a Eros e nesse “serviço” se consumiam; não deveriamamar suas próprias mulheres, mas a esposa de algum outro homem, pois o amor não pode existir sem o ciúme. Agora, porém, o amante e sua dona não estavam mais envolvidos num jogo apenas sensual de engano mútuo, pois ela era sua senhora feudal, a quem ele devia lealdade, e tinha um status muito mais elevado que o dele. Embora o amor nivelasse as desigualdades, o amante raramente ousava presumir a igualdade e se dirigia à sua dona coma mais profunda humildade.

No mito do amor cortês e na poesia dos trovadores, encontra-se a exaltação do amor, do amor infeliz, perpetuamente insatisfeito, delineando a mulher ideal como nobre e arrogante, “a bela que sempre diz não”, desejável, mas inatingível, exigente e imprevisível. Embora a dona fosse o foco central da busca e da provação amorosa, seu papel era amplamente passivo, pois cabia ao homem tentar ganhar o seu amor por meio de serviços desinteressados e atender lealmente aos seus menores desejos, ser o seu servo. Cabia à figura da "amie" - a amante - no romance cortês um papel mais ativo. Como parte reconhecida de um casal, ela se submetia a testes paralelos de lealdadee devoção para se tornar merecedora do amor do cavalheiro. Em todos os casos, os amantes se encontravam unidos pela lei da cortezia: o segredo, a moderação e, se não a castidade, ao menos a retenção da consumação do desejo.

Certa vez ouvi um comentário que afirmava que o amor foi inventado no século XI, isso não é verdade, mas a maior parte das idéias modernas que temos sobre o amor vieram de fato desta época, e não há como não responsabilizar a influência de Eleanor que chegou a inspirar a canção:

Were diu werlt alle min  
von deme mere unze an den Rin
des wolt ih mih darben,  
daz diu chunegin von Engellant  
lege an minen armen.  

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Se todo o mundo fosse meu,
do mar até o Reno,
eu a ele renunciaria
se a Rainha da Inglaterra
tivesse em meus braços.

Essa canção não apenas sobreviveu a oito séculos como foi recentemente musicada por Carl Orff, como parte de sua versão de Carmina Burana. E isso tudo de certa forma influenciado por uma mulher andando de cavalo sem a camisa. Mas este tipo de incentivo não era novidade, não seria essa a primeira vez que seios serviam de fonte de coragem ee inspiração, o historiador Tasso contava que as mães, esposas e amantes gaulesas tinham o costume de ir aos campos de batalha e exibir os seios nús a seus guerreiros, como forma de lhes transmitir força e confiança em suas lutas contra os romanos, uma forma prática de passar a mensagem: terminem logo e voltem para casa, ou "que a força esteja com vocês". A imagem de uma mulher de seios de fora inspirando um reino, soldados, ou mesmo alguns homens a buscarem um ideal se tornou cristalizada nos grandes momentos da história, foi capturada por Eugène Delacroix, por exemplo, em um de seus quadros mais famosos 'A Liberdade Guiando o Povo', pintado em 1830. Mas não nos adiantemos tanto. Infelizmente para Eleanor, o patriarcalismo parece ter lecado a melhor, seu marido, Henrique II, que sofria entre outras coisas de um amor doentio, a prendeu em um castelo e a isolou do mundo, cortando os laços que ela tinha com a revolução cultural que havia instigado. Mas embora a responsável tenha sido tirada de jogo, sua revolução prosseguiu.


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