Ir para o conteúdo. |

  • A Empresa
  • Apoie
  • Contato
  • Seções:
siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos Runas no Terceiro Reich

Runas no Terceiro Reich


por: Anita Rink

waffen ssDesde épocas muito antigas as runas eram empregadas para diversos fins tais como magia, consulta oracular, alfabeto sagrado e realização de posturas e mudras rituais.  Com a magia buscava-se casamentos, cura de doenças, escapar de prisões e muito mais. O alfabeto rúnico era usado para recitar poesia e cantos mágicos.  No uso oracular, principalmente entre os vikings as runas serviam para preparação de estratégias de guerra, previsões de futuro e momentos favoráveis para a execução de determinadas tarefas. É inegável que os vikings foram temidos em todos os lugares por onde passaram.  Suas estratégias militares eram, em geral, impecáveis e na maioria das vezes obtinham vitória nas suas investidas.  Podemos dizer que grande parte da história desses guerreiros nórdicos foi guiada pelas runas.  Terras estrangeiras só eram invadidas e prisioneiros executados ou libertos após uma consulta com as runas.

A história dos nórdicos e principalmente suas capacidades mágicas inflamaram Adolf Hitler e seus delírios de poder.  Tudo parece ter começado após ele ter ouvido Richard Wagner e sua ópera com temas da mitologia nórdica.  Neste momento Hitler, que já nutria idéias de poder, resgatou o tema de uma raça ariana (considerada raça superior nos contos mitológicos).  Baseou-se em lendas e mitos para sustentar suas fantasias de superioridade.  Assim a cúpula Nazi buscou ter acesso ao conhecimento rúnico mágico e oracular. Algumas runas foram usadas de forma emblemática, como talismãs de proteção e de conquista.  A suástica se tornou emblema do partido – ela representa o martelo, poderoso instrumento do deus Thor, que lhe dava a capacidade de quebrar obstáculos e derrotar seus inimigos. A runa Sigel –  que representa o sol e a vitória em combates – foi usada em forma dupla como marca dos integrantes da divisão SS. Desta maneira  Hitler cercou-se de poderosos instrumentos na execução de seus ataques militares.  Tudo era válido na conquista de seus objetivos. Ele quis mudar à força os paradigmas do mundo da época, para que a força mística, intuitiva e mágica descrita nos contos e mitos nórdicos fosse aplicada “ao pé da letra” .  E todos os cientistas e políticos deveriam aceitar as suas idéias.

Juventude de Hitler e Cultura


bandeira nazistaDesde jovem Hitler sentia-se incompreendido, tinha talentos artísticos que não foram reconhecidos.  Naquele tempo a arte moderna imperava nas escolas de Belas Artes e nas exposições.  Seu estilo era clássico e considerado ultrapassado.  Ele via na arte moderna a prova de uma arte decadente e o sintoma da degeneração do mundo.  Passou a nutrir uma espécie de desejo de perfeição (mas o que é a perfeição?) para seu país.  Na sua opinião isto só seria possível com a eliminação do mal, ou seja, aquilo que era considerado por ele feio e anormal.

Hitler tinha uma cultura limitada (ao que se sabe), era deficiente em experiências e leitura.  Não conhecia o mundo nem os povos que o habitam.  Porém tinha conselheiros ligados à magia. Desenvolveu metas referentes apenas a teorias e não a experiências. Partiu de idéias preconcebidas para encontrar respostas, desconsiderando todas as possibilidades contrárias, mesmo as mais realistas.  Assim sendo, ao assumir o poder e apoiado pela maioria do povo, quis exterminar o que lhe parecia impuro e diferente, para que fosse criado um mundo “limpo”, habitado somente pela raça “superior”.

Hoje em dia sabemos que não existe esta tal raça superior, o que existe são características diferentes em cada povo. Uns desenvolvem melhor determinadas atividades e tem mais dificuldades com outras questões. Uns têm racionalidade mais acentuada de forma geral, porém carecem de lidar bem com suas emoções devido a uma formação cultural muito rigorosa.  Naturalmente este é um estereótipo de um povo e não significa que todas as pessoas sejam assim, nem significa que elas não possam desenvolver estas qualidades ao longo de suas vidas.  Podemos citar inúmeros exemplos de característica que podem ser consideradas “positivas” e “negativas” para cada povo, porém isso é o que pode se chamar de estereótipos. Então a raça ideal deveria mesmo ser o “vira lata”, ou seja sem ideal e feito de mistura, pois só a mistura pode fornecer elementos de equilíbrio dinâmico para cada pessoa. Não necessariamente temos que sair nos misturando com tudo e com todos, porém deveríamos aprender a nos abrir para o diferente, o novo, algo que possibilite mudar e aumentar o nosso conhecimento, trocarmos idéias e experiências e assim crescermos num processo integral.

Interpretando o simbolismo das runas

As runas eram usadas pelos nazistas como marca de seus correligionários. Sigel, por exemplo, representa o sol, na mitologia escandinava.  Este astro de fogo tem um importante papel mitológico para o povo nórdico (assim como para a maioria dos povos primitivos), pois era ele quem transformava os malignos gigantes de gelo em pedra, ou seja, em seres inanimados.  No terreno divinatório simboliza a vitória sobre o mal.  Hitler buscou este símbolo claramente na tentativa de conseguir alcançar a vitória de seus ideais, e dentre eles estava a ânsia de exterminar o “mal”, o sujo, o feio, o diferente e a liberdade dos outros, para então ser criado um mundo – a seu ver – correto.

A Runa Sigel também intimar o consulente ou o leitor do simbolo a dar um tempo, pois adverte que há necessidade de um recuo para recuperar as forças, rever estratégias, refletir sobre a situação e conhecer o terreno.  Todo símbolo rúnico usado para qualquer fim deve ser respeitado no seu contexto amplo e não somente esperar que seu poder cumpra a tarefa desejada. Sigel simboliza a vitória, porém lembra-nos de parar para refazer-nos, pois há uma tendência a sermos intensos em demasia e assim queimarmo-nos em nosso próprio fogo.  Será que este procedimento foi seguido? Será que houve um real questionamento de querer saber onde está o “mal” (fora ou dentro)?  Será que houve algum tipo de autocrítica para julgar que as metas poderiam não ser tão perfeitas ou adequadas?  E se houve certamente as respostas vinham sem uma reflexão sincera e lúcida, pois o mal (desde que o mundo é mundo) sempre foi apontado fora de nós, nos outros, nos “diferentes daquilo que nós somos”, nunca encontrado em nós mesmos.

A mitologia nórdica retomada por Wagner, principalmente no ciclo de aventuras conhecido como “O anel do poder”, descreve a psique das pessoas que não se sentem amadas na infância; criança abandonada, numa linguagem psicológica.  Essas pessoas, como Hitler, na idade adulta tornam-se pessoas autoritárias.  Com isso passam a buscar o poder no mundo exterior, para compensar o vazio e a falta de amor que sentem dentro de si.  Querem também subjugar o feminino e o frágil ao alcance de suas mãos numa tentativa de eliminar o potencial de sensibilidade humana existente em seus próprios corações.  Esta foi a trajetória de Adolf Hitler, na busca de compensar suas carências emocionais.  Ele projetou em sua mente uma necessidade insaciável de poder.  Para se conseguir poder nada mais natural que tentar acabar com a liberdade, pois esta é sempre uma ameaça aos ditadores, que não desejam ser questionados.  Porém sua justificativa era a de que iria adestrar os homens até que eles tivessem condições de ser livres. Ou seja, lavagem cerebral. Será isto um sinônimo de liberdade?

O segundo símbolo do mundo nórdico, usado como emblema principal do nazismo foi a suástica.  Esta era usada pelos antigos povos como amuleto ou talismã de força e proteção. Mitologicamente seu representante é Thor, deus infalível cujo martelo era um grande trunfo.  Quem tivesse a posse do martelo, mesmo de forma emblemática, teria este poder e até a proteção do deus.  Por este motivo Hitler apoderou-se da suástica, na busca de ser infalível e invulnerável.  No início tudo caminhou desta maneira; aos olhos da maioria a Alemanha realmente parecia poderosa e invencível.  Porém, com o tempo, e como o verdadeiro sentido das runas não estava sendo seguido, a derrota veio aniquilar a esperança do “paraíso de perfeição”.

As intenções de Hitler pareciam as melhores possíveis.  A maioria do povo alemão se encantou por ele e sua “boas intenções”.  Em seu governo houve campanha para incentivar a estética e a higiene.  Fazia de tudo para valorizar a beleza da raça loira e branca. Só não percebeu que nem ele mesmo se encaixava neste biotipo.  Mas como olhar para a realidade exterior não era o seu forte, uma pessoa assim age segundo pré-conceitos, com uma espécie de “venda” nos olhos. E certamente tem dificuldade para lidar com o mundo real, para aprender ou interagir com ele.

O poder da suástica deve ser respeitado e quem quer fazer uso dele deve saber como se conduzir para poder receber apenas os seus efeitos ‘positivos’, que no final das contas é amadurecimento pessoal.

O “paraíso aqui na terra”

É importante notarmos que a idéia de paraíso e perfeição sempre foi perseguida pela humanidade.  É assim até hoje, desde as igrejas até a política todos buscam trazer a perfeição para o mundo, para o país, para a sociedade ou para a família.  E isto só é bom quando se respeita a liberdade dos outros de escolherem seu próprio caminho.  Muitas guerras, muito ódio, incompreensão e obscuridade tem sido gerados por desrespeito ao próximo.  Fechamo-nos em clãs, clubes privados, sociedades secretas ou mesmo torcidas de futebol e buscamos a “perfeição” para o nosso grupo sem abrirmo-nos para os estranhos, para o novo, para o diferente.  Sem auto-críticas , sem questionamentos.  Achamos que sabemos o que é bom para os outros e muitas vezes impomos as nossas próprias verdades, sem diálogo, sem perguntar a opinião do outro.  Sem respeitar a individualidade.  Este arquétipo “hitleriano” de um ditador existe em cada um de nós e precisa ser revisto.  Ele busca poder e foge dos sentimentos, podemos reconhecê-lo todas as vezes em que tentamos dominar uma outra pessoa para sentirmo-nos  seguros.  Sempre que somos autoritários e não permitimos o diálogo ou qualquer tipo de liberdade de pensamento alheio que contrarie as nossas crenças e desejos.

Um Verdadeiro Guerreiro

Um verdadeiro guerreiro é uma pessoa que luta para abrir sua mente e desenvolver seu espírito.  Usa e vive a realidade para criar e superar seus próprios limites.  Mesmo porque é isto que a realidade nos ensina.  Ela nos faz descobrirmos que não somos deuses, isto é, que somos imperfeitos.  Isso nos obriga a lidarmos com a realidade e, consequentemente , com a idéia de imperfeição.  Hitler partiu de uma idéia – a beleza e a pureza infinitas – que nada tinha a ver com a realidade, rejeitou o que lhe parecia feio e obscuro, rejeitou o que era diferente de seus padrões e considerou-o seu inimigo.  Projetou suas quimeras pessoais nos judeus, ciganos e negros, projetou no mundo exterior a feiúra que existia e não era aceita em seu próprio mundo interno, e tinha certeza de que o extermínio do diferente eliminaria o mal no mundo.  Sem olhar para dentro de si mesmo, sem escutar seus sentimentos, questionar-se e amadurecer com a dúvida, crescer como indivíduo.  Só assim poderia ter prestado algum tipo de serviço valioso para os outros.  Por não conduzir-se desta maneira acabou levando uma rasteira do destino.  Mesmo que conseguisse eliminar todos os ciganos, judeus, negros e outros jamais estaria satisfeito com o mundo externo; já que não estava satisfeito com seu mundo interno e continuaria com sua neurose.

Hitler faz parte do inconsciente coletivo e por isso está vivo dentro de cada um de nós; todos acabamos agindo com preconceito em algum momento se não tivermos atenção.  A necessidade pessoal de encontrar o paraíso deve ser questionada, pois geralmente se trata de uma fuga da realidade. Fugimos de lidar com o que nos causa dor, fugimos de lidar com nosso próprio processo de crescimento pessoal, isto é, de amadurecer como indivíduos.  Desta forma “o Mal” é projetado fora de nós e acabamos por obrigar as pessoas a compartilharem de nossos ideais de bondade.  Ou podemos ter fantásticos ideais sobre qual é a forma correta de ser e agir no mundo. Então, quando algo sai diferente do que concebemos ficamos tristes e magoados ou nos enfurecemos culpando os outros.  Achamos que o que é bom para nós é bom para o mundo inteiro, e é partindo dessas idéias que tornamo-nos intransigentes, inflexíveis e, principalmente,  estressados.  É comprovado que o estresse acontece toda vez que não relaxamos e aceitamos a realidade.  Existe uma oração que diz algo como: faça com que eu aceite o que não pode ser mudado, que eu tenha forças de mudar o que é possível ser mudado e que eu tenha sabedoria para distinguir entre essas duas coisas.

Todo esforço que fazemos para o nosso desenvolvimento interno é válido, porém todo o esforço que fazemos para impor as nossas idéias aos outros é como um estupro, um desrespeito às individualidades.  Toda tentativa de melhorar o mundo que nos rodeia é válida, mas o mais importante é olharmos para dentro de nós e trabalharmos sobre as nossas próprias dificuldades, nosso lado “feio” e estranho”.  Lembrando que a liberdade é fundamental para o verdadeiro desenvolvimento, temos que ser livres para optar pelo caminho que queremos trilhar e, ao mesmo tempo, respeitar os caminhos diferentes trilhados por outros.  Se alguém perguntar, pode-se até sugerir alternativas.  Mas o real caminho da sabedoria deve ser trilhado pela própria pessoa.  Um caminho não é igual a outro.  Há tantas possíveis trajetórias quanto o número de estrelas no céu, talvez mais.

Como foi escrito no texto para Safira Estrela cujo tema era “Talismãs Mágicos”, o talismã é somente um instrumento que ajuda no trabalho, na busca interna de propósitos e de crescimento.  Porém deve ser usado adequadamente, pois o poder está verdadeiramente dentro de nós.  Sem reflexão adequada, sem abertura para a realidade, para o novo, para a experimentação e meditação ninguém consegue chegar a sair da roda-viva da busca do poder, da busca de segurança e da tentativa de suprimir a carência interna fazendo conquistas externas.


Quer publicar seu texto no Morte Súbita inc? Envie para nós.