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siga a estrada de tijolos amarelos: Psico Textos de Psicologia Bizarra Curso de Hipnose Método de sugestão verbal

Método de sugestão verbal


Lição II, Curso de Hipnose

Para a nossa segunda lição, vamos tomar o método mais geralmente empregado pelos hipnotizadores modernos e que foi primeiramente divulgado pelo DR. Liébeault, da Escola de Nancy, França. Batizou ele seu método com o nome de “sugestão verbal”, e as suas vistas, opiniões e experiências foram personificadas mais tarde pelo Dr. Bernheim, seu discípulo, numa obra intitulada: Terapêutica Sugestiva.

Tomemos por um momento o lugar do Dr. Liébeault e suponhamos que um doente vem procura-lo para se tratar pelo hipnotismo de uma moléstia nervosa qualquer. O doutor pega na mão do paciente, faz-lhe algumas perguntas e, como este lhe afirma que sofre muito de dores de cabeça, ele lhe pede que se assente confortavelmente em uma poltrona.

Maneira de proceder de Liébeault

O doutor põe-se a frente do doente, colocando levemente a mão esquerda sobre sua cabeça e mantendo os dois dedos da mão direita cerca de trinta centímetros dos olhos do paciente, de modo que forme com estes um ângulo bastante elevado; desta maneira o paciente é obrigado a erguer um pouco os olhos para ver claramente os dedos, o que ocasiona nele, assim, a produção de um certo esforço. Então diz o doutor com voz calma e em tom monótono: “Não há nada que temer neste processo. Está prestes a passar, conforme o meu e o seu desejo, pela mesma transfiguração mental por que passais em cada noite de sua existência, isto é, passará primeiramente de uma condição de vida ativa e desperta, para um estado de entorpecimento, estado no qual ouvis, mas não dá atenção ao que se está dizendo e no qual se senti pouco disposto a fazer qualquer movimento voluntário; passará desta condição para o sono ordinário, no qual não terá consciência do que se passa em seu redor, como acontece em cada noite de sua vida. Despertar-vos-ei deste estado quando me aprouver, grandemente aliviado e fortificado, e notará o desaparecimento da dor”. Enquanto está falando, o doutor move com os dedos, dando-lhes um movimento de rotação de cerca de trinta centímetros de diâmetro em redor e um pouco por baixo dos olhos do paciente. Ele continua com esse movimento circular dos dedos, pedindo ao doente que mantenha os olhos e atenção fixos durante todo esse tempo em tom muito monótono.

O Objetivo deste método

A idéia é acalmar os nervos do paciente; livra-lo de toda ansiedade do espírito que se relacione com o mistério do tratamento que ele vai sofrer, tranqüiliza-lo e pô-lo à vontade. A intenção é também faze-lo passar para um estado de fadiga alegre, insinuada no cérebro do doente pela simples ação do movimento dos dedos ao qual se segue a concentração da mente sobre todo e qualquer trabalho que não acarrete aborrecimento nem excitação. O entorpecimento apodera-se do paciente. A voz do operador ressoa calma e mais monotonia de que antes.

Sugestão para o sono

O doutor diz: “Os seus olhos estão pesados; sente que o entorpecimento vem vindo; nenhum ruído do exterior vem te incomodar; o sangue se retira das extremidades; suas mãos, pés e cabeça vão se refrescando; o seu coração vai batendo mais lentamente, você respira mais fácil, tranqüila e profundamente, e cai, devagar, num sono normal e saudável”. O doutor para por alguns instantes e diz mais tra nqüilamente: “Feche os olhos, dorme”, pondo, no mesmo instante e levemente, as mãos sobre as pálpebras do doente. Diga, então: “Repouse com tranqüilidade, todo vai muito bem; a sua dor está se aliviando gradualmente. Dormirá muito bem dentro de alguns momentos e, quando acordar, já não sentirá mais a dor. Dormi tranqüilamente. Nada vai te incomodar”. Deixa o paciente por dez ou quinze minutos e, ao voltar, verifica que este último caiu do estado de entorpecimento numa condição de sono ligeiro e que a enxaquebem; a sua dor está se aliviando gradualmente. Dormirá muito bem dentro de alguns momentos e, quando acordar, já não sentirá mais a dor. Dormi tranqüilamente. Nada vai te incomodar”. Deixa o paciente por dez ou quinze minutos e, ao voltar, verifica que este último caiu do estado de entorpecimento numa condição de sono ligeiro e que a enxaqueca desapareceu inteiramente ou, pelo menos, diminuiu bastante. O doutor faz saber ao doente que, no dia seguinte, quando voltar para o tratamento, ele passará ainda com mais facilidade para o estado de entorpecimento e que o seu sono será mais profundo. Além disso, depois de alguns tratamentos, ele se habilitará não somente a curar toda e qualquer dor que poderá agito-lo em dado momento, mas ainda que a sugestão verbal impedirá a renovação do incômodo. Este método é o que é invariavelmente seguido na França para o trabalho com um novo doente. Não se fala da influência hipnótica; não existe nenhum ensaio que permita identificar se o paciente está debaixo de influência ou não; tudo é combinado para tranqüiliza-lo, sossega-lo e por-lhe o espírito em estado de repouso completo.

Segundo Tratamento

Por conseguinte, quando o doente volta para tratar-se, senta-se na cadeira, confiado e absolutamente certo do resultado que se vai seguir; obedece em proporção, cada vez mais rápida, às sugestão do doutor e é mais profundamente afetado. Na segunda sessão e depois que provocou, de maneira cima aludida, a condição de entorpecimento no doente, o doutor diz: “Está percebendo que seus olhos estão pes a-dos e não consegue abri-los”. Pondo levemente os dedos sobre as pálpebras do doente, ele diz: “Os seus olhos estão fechando e não pode abri-los”. O doente tentará, em vão, abrir os olhos e talvez, sorrindo levemente, renunciará a isso e recairá num estado de sonolência. O doutor diz: “Tudo está correndo perfeitamente; os seus olhos estão fort e-mente fechados e não tem forças para abri-los. Vai cair, agora, num estado de sono mais profundo. Ao acordar, já não vai lembrar de nada. A sua memória desaparecerá por momentos. Terá somente consciência do fato de ter dormido profundamente e do grande benefício que ele dará a sua saúde”. O doente fica sozinho, como anteriormente, durante um quarto de hora e, quando este tempo tiver acabado, o doutor volta para o quarto e, passando a mão, delicadamente, pela fronte do doente, diz:

Conclusão do segundo Tratamento

“Descansou bem e o sono te reconfortou. Já não terá mais dor de cabeça, e as suas faculdades mentais ficarão mais brilhantes e vivas. Acordará quando eu contar três e, daí por diante, quando eu tiver a intenção de te hipnotizar em seu benefício; cairá imediatamente num estado de sono profundo. Quero agora, desperte tranqüilamente e sem abalo nervoso; um, dois, três... acorde completamente”. Logo que o doutor pronunciar “Três”, o paciente abre os olhos e confessa que não sente dor, nem aborrecimento de qualquer natureza.

A memória está sujeita à sugestão

Talvez ele olhe ao redor de si e de maneira um pouco boba, como que acorda repentinamente de um sono profundo, mas não se recorda de que alguém lhe falasse desde quando fechou os olhos até aquele momento. Esse doente apresenta, por conseguinte, todas as condições necessárias para se provocar nele um estado de hipnose profunda e vamos nos contentar, por agora, em deixar de lado o método da escola de Nancy.


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