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Indulgência... não compulsão


Citação-chave:

O PONTO MAIS ALTO DA EVOLUÇÃO HUMANA É A CONSCIÊNCIA DA PRÓPRIA CARNE! O Satanismo encoraja seus seguidores a darem vazão a todos seus desejos naturais. Apenas fazendo isso você pode ser uma pessoa completamente satisfeita sem nenhuma frustração prejudicial a você ou àqueles que te cercam. Por isso a descrição mais simples e direta da Crença Satânica é: INDULGÊNCIA AO INVÉS DE ABSTINÊNCIA. (...) O lema do Satanismo é INDULGÊNCIA ao invés de “abstinência” ... mas NUNCA compulsão.

Considerações:

O dicionário Michaelis de Português define indulgência como: 1.Qualidade de indulgente. 2.Clemência. 3.Condescendência, tolerância. Ou seja ceder espontaneamente; anuir ao desejo. O mesmo dicionário definie ainda compulsão como: 1.Ato de compelir. 2.Constranger, forçar, obrigar. Assim sendo fica claro entender a diferença de indulgência e compulsão como foi explcada por Morbitvs Vividvs em Lex Satanicus, o Manual do Satanista

“Abstinência é para os Satanistas a privação voluntária e imposta, é não fazer algo que a vontade exige. Nesta definição encaixa-se desde o Padre que reprime seus anseios escondidos sob sua batina, passando pela garotinha que não se diverte como quer porque a sociedade em que vive diz que karate não é esporte de meninas, ou mesmo o senhor que não vive os prazeres da vida por ter sido levado a acreditar que já passou da idade de fazer certas coisas. Quando nos abstemos reprimimos nossa vontade e trancafiamos a nós mesmos em uma prisão onde somos ambos carrasco e condenado. Tudo o que é reprimido em nossa mente explode em conseqüências incontroláveis. Todo deus renegado se converte em um demônio. A natureza se vinga, essa é uma de suas leis. E a vingança pela abstinência se traduz em compulsão.

Compulsão no nosso contexto é fazer algo mesmo não sendo a sua vontade, é o extremo oposto da abstinência, sendo ambas igualmente imundas para a divindade pessoal. As vontades reprimidas nos atos de abstinência explodem descontroladamente em Compulsão. O estupro, as explosões de raiva aos que não merecem, o afogar-se na própria comida, a fuga para as drogas e até mesmo a depressão são roupagens freqüentes da compulsão. O que ocorre é semelhante a uma situação de afogamento: imagine que prenderam a sua cabeça embaixo da água por um tempo considerável. Quando te soltam você então vai subir e puxar o máximo de ar no lugar de respirar normalmente, da mesma forma, sua vontade reprimida se manifestará em uma forma incontrolável e muitas vezes prejudiciais a ti. Outra metáfora análoga é a da criança que proibida de comer doces se enche de biscoitos até ficar doente, na primeira oportunidade. Por não agir de forma coerente em sua vontade, explosões de comportamento ocorrem numa clássica tentativa de compensação. A compulsão também ocorre quando nos deixamos levar pelos outros e/ou tomamos a vontade alheia como nossa. Por exemplo, quando milhares de pessoas são levadas, dia após dia, a sentar-se na frente da T.V para ver novela, quando ao atingir a meia idade alguém se culpa por ainda não ter casado, ou quando o adolescente pensa que têm algo errado com ele quando não age como os seus amigos. Existem muitos outros exemplos de compulsão e o leitor certamente encontrará outras ilustrações se observar bem o mundo a sua volta.

Resumindo abstinência é deixar de fazer algo que lhe seria coerente. Compulsão é fazer algo incoerente para com a sua vontade. Na maioria das vezes abstinência é imposta pela sociedade e a compulsão uma resposta desmedida do próprio corpo contra esta imposição. Esta é a sabedoria grega contida na relação Hybris/ Nemesis. Hybris é a desmedida humana e Nemesis o ciúme divino punição da injustiça praticada. Quando o homem ultrapassava o métron, a medida interior definida pelos próprios deuses vivem em nossa mente, então arrisca-se a trair seus desígnios para agradar aos outros e comete Hybris. O castigo vem do Olimpo tão rápido como um raio e é uma deusa cega toma conta do infeliz mortal que caminha então irracionalmente para o penhasco mais próximo.”

Outra forma de entender o conceito satânico de indulgência é pelo "Kraft durch Freude", ou "Força atravás da Alegria", um dos lemas do Partido Nazista e o nome de uma organização vinculada ao movimento sindical fiel ao partido. Pocurava promover a imagem de pessoas gostando daquilo que fazem e por isso fazendo bem feito. Buscava-se assim criar um circulo virtuoso onde quem gosta do seu trabalho trabalha bem e quem trabalha bem gosta do seu trabalho. Ou seja, quebrava-se a dicotomia entre obrigação e diversão e confrontava assim a ideia dominante socialista de sacrificio pelo dever que via todo esforço como algo ruim, mas que devia ser feito em prol de um bem maior.

O Satanismo está longe de ser um movimento sindical, mas busca trazer a "Força através da Alegria" para a esfera da autonomia individual. O Satanista, portanto gosta das aptidões que a natureza lhes deu e de tudo aaquilo que o faz progredir e avançar rumo a seus objetivos e por isso seu próprio esforço e dedicação para consigo mesmo já lhe é gratificante. Na vitória é glorioso e na derrota nunca se entrega porque é de fato da luta em si que tira sua alegria.

Considerando que no Satanismo o maior pecado é aquele que cometemos contra nós mesmos, então podemos concluir que o maior pecado é aquele que cometemos contra nossos próprios corpos. É por isso que o Satanista adota um estilo sensato de vida, não se mutilam em cerimônias a este ou aquele deus, não buscam enfraquecer o corpo, não se privam de alimento para se livrarem de um sentimento de remorso como propunha a antiga religiosidade. Muito pelo contrário, os filhos de Satã buscam sempre dotar o próprio corpo, e isso inclui a própria mente, de mais saúde e poder e alegria. Um corpo forte e sadio é a vida por definição e é verdadeiramente mágico pois é fator indispensável para interagirmos no mundo em que vivemos e fazermos dele uma manifestação de nossa vontade. Deixemos então que os cultuadores do espírito continuem a cultuando e a falência do corpo e a morte. De fato seria bom que se entregassem definitivamente a seu objeto de culto e fossem fazer companhia aos anjos abandonando de vez os seus “invólucros terrenos“.

Com o objetivo de aumentar sua identificação com a matéria e o auto-culto carnal algumas sugestões podem ser bastante úteis para uma vida satânica. Transforme o cuidado como próprio corpo em um verdadeiro ato sagrado. Os momentos de alimentação, higiene e exercícios devem ter sua importância reconhecida visto que são os instantes em que literalmente o corpo presta homenagem a si mesmo. A matéria mostra seu amor pela matéria nestes atos de pura religiosidade. Um bom banho expressa melhor adoração a si mesmo do que horas e horas de meditação sobre o Self.

Basta ligar a televisão e assistir às propagandas. O sexo é usado para vender desodorantes, cremes dentais, roupas, sobremesas, cerveja, etc.. Os programas de reality show aqui do Brasil hoje servem apenas como cardápios, para mostrar quem serão as próximas “caras” a aparecerem em revistas de nudez. Grandes feiras de automóveis, informática ou qualquer produto são famosas pelas modelos que enfeitam todos os Stands. Até empresas de telemarketing preferem contratar garotas com vozes sensuais para lidar direto com o público. Mas é irônico como o assunto “sexo”, numa sociedade como essas, ainda é tabu. As propagandas mais comportadas ainda são as de preservativos, por exemplo.

Talvez pela constante repressão que a sociedade submete seus indivíduos em relação ao sexo, ao mesmo tempo em que se utiliza do desejo sexual como combustível para estimular o consumo (e o trabalho necessário para se conseguir os meios para se consumir), sempre que surge o assunto Satanismo o aspecto da sexualidade desvairada também surge. Se o Satanismo se opõe às normas sociais deve encorajar tudo o que é proibido e obsceno, e dentre todas as coisas proibidas e obscenas o sexo parece ser a que todos mais desejam.

Quando eram entrevistados sobre LaVey seus vizinhos não hesitavam em descrevê-lo como alguém agradável que causava uma impressão muito boa mas que não podia ser confiada: "Naquela casa tem mulheres que andam sem as roupas, estão nuas!", relata a moradora da casa ao lado da Black House.

Quando foi batizada por seus pais a foto de Zeena apareceu em todos os jornais causando indignação em muitos, não por ter tido um batismo satânico, mas pelo fato do altar do batizado ser uma mulher nua. Revistas masculinas da época sempre traziam notícias sobra a Igreja de Satã e seus rituais sempre focando na "garota pelada" do altar. Muitas das pessoas que se filiavam à Igreja estavam em busca de orgias ou de parceiras ou parceiros tão devassos quanto a própria imaginação.

Ainda hoje o tópico de orgias satânicas surge com frequência em conversas com pessoas que não são Satanistas, como se a única vantagem de se filiar à religião fosse encontrar uma mulher voluptuosa vestida de couro sedenta para realizar todas as fantasias do membro apenas pelo fato dele ser agora um Satanista.

Foram poucas as matérias que não desejassem apenas material sensasionalista quando escreviam sobre LaVey, como Burton Wolfe. O que muitas pessoas não compreendem é que o Satanismo trabalha com o estímulo sensual de seus indivíduos, mas não como um fim em si e sim como parte de um trabalho de auto descobrimento e auto desenvolvimento.


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