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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica Inferno, o diabo e como vender sua alma

Inferno, o diabo e como vender sua alma


Citação-chave: Satã tem sido indubitavelmente o melhor amigo que a igreja jamais teve, uma vez que foi ele que a manteve funcionando durante todos esses anos.  (...) O significado semântico de Satã é o “adversário”, o “opositor” ou o “acusador”. A palavra “demônio” se originou do latim daemon, que por sua vez veio da palavra grega daimon que significa “deus”. Satã representa a oposição a todas as religiões que são contrárias ao ser humano e o condenam por seus instintos naturais. Ele apenas recebeu o papel de vilão porque representa os aspectos carnais, mundanos e materialistas da vida. (..) A maioria dos Satanistas não aceitam Satã como uma entidade antropomórfica com cascos fendidos, cauda pontuda e chifres. Ele simplesmente representa uma força da natureza – os assim chamados “poderes das trevas”,  que receberam este nome porque nenhuma religião foi capaz de tirá-los dessas trevas e nem a ciência foi capaz de aplicar um termo técnico para designá-los. Ele é um imenso reservatório intocado ao qual poucos tem acesso graças à habilidade que possuem de saber usar uma ferramenta sem antes ter que desmontá-la e então classificar cada uma das partes que a faz funcionar. (...) Satã como um deus, semi-deus, salvador pessoal ou seja lá como você prefere chamá-lo, foi inventado pelos criadores de cada uma das religiões da face da terra com um único propósito – para presidir sobre cada uma das atividades e ações tidas como pecaminosas realizadas pelos seres humanos aqui na terra. Consequentemente tudo que resultasse em gratificação física ou mental foi definido como pecaminoso – garantindo assim uma vida de culpa injustificada para todos! Então se foi de pecadores que nos chamaram, pecadores nós seremos – grande coisa! A Era Satânica está sobre nós! Porque não tirar vantagem disso e VIVER![20]

Considerações:


Neste capítulo LaVey se dedica a explicar uma pergunta essencial para quem já conhece e concorda com os pontos dos capítulos anteriores. A saber, "Se o ele não acredita nos conceitos tradicionais de deus e do diabo, por que chama a si mesmo de Satanista?"


Inicialmente é preciso purgar a mente de toda falsa concepção do que realmente é o diabo.H.P Blavatsky em A Doutrina Secreta escreveu que a Teologia, repetindo a famosa decisão de Trento, procura convencer as massas que: “Desde a queda do homem até o seu batismo, o Demônio exerce pleno poder sobre ele, e o possui de  direito.


A isso responde a Filosofia Oculta: “Primeiro provai a existência do Diabo como entidade, e então poderemos crer em semelhante possessão congênita.” Uma dose mínima de observação e de conhecimento da natureza humana será o suficiente para demonstrar a falsidade desse dogma teológico. Se Satã tivesse alguma realidade no mundo objetivo ou mesmo no mundo subjetivo (no sentido eclesiástico), seria o pobre Diabo quem sofreria uma obsessão crônica por parte dos maus – isso é, pela grande massa da humanidade. Foi a humanidade - e especialmente o clero, conduzido pela arrogante, pouco escrupulosae intolerante Igreja de Roma - que concebeu o Maligno, lhe deu nascimento e o criou com amor."


Um parênteses em relação ao Inferno tão apregoado pelas religiões do caminho da mão direita. Como mostra LaVey o inferno é uma idéia que se desenvolveu com o tempo. E na verdade o Antigo Testamento  possui uma descrição bem superficial para não dizer indiferente de como seria a vida após a morte. Sheol não era o castigo de fogo eterno dos cristãos, mas o buraco onde seriam colocados todos aqueles que não tem um lugar para serem sepultados. Na antiguidade não havia um estado preocupado em enterrar seus mortos, conseguir um túmulo não era para qualquer um. Assim, todo agrupamento de pessoas cavava um Sheol, um vale para serem jogados ou depositados os corpos dos indigentes, forasteiros e malfeitores.


Gradativamente Sheol deixou de ser uma cova onde os corpos de uma cidade habitam e passou a ser à sepultura comum da humanidade morta. Lemos na Enciclopédia da Vida após a morte , de James R. Lewis que os antigos hebreus enfatizavam a importância da vida presente em detrimento da pós-vida. Assim como os antigos gregos  e mesopotâmicos, a pós-vida, se é que lhe foi dada qualquer consideração  era concebida como uma pálida sombra da vida terrena, bem parecida como Hades grego. Também similar ao Hades grego, na pós vida hebraica não há distinção entre o tratamento dado aos justos e aos iníquos após a morte. Pelo contrário, recompensas e punições era ajustadas na vida presente, talvez por isso o sofredor Jó tenha orado para ser levado ao Sheol (Jó 14:13).


Uma das poucas histórias que mencionam o pós-vida é a da chamada Bruxa de Endor. O rei Saul tinha banido, sob ameaça de morte, todos aqueles que contatavam fantasmas e espíritos. Entretanto diante de um exército superior e sem receber respostas de Jeová, Saul disfarçado consulta  uma necromante. Essa mulher , que morava em Endor, convocou o espírito do profeta Samuel do Sheol. Quando Samuel chegou disse a Saul que este estava a beira da derrota e além do mais que “amanhã tu e teus filhos estarão comigo” (I Samuel 28:19). Ao afirmar que a Alma de Saul logo estaria residindo no lugar no mesmo lugar de repouso, aclara implicação é que as distinções morais não influenciam a sina pós-vida – os bons e justos (Samuel)  e os moralmente maus (Saul) terminam ambos no mesmo lugar, presumivelmente sob as mesmas condições.


As escrituras hebraicas usam a palavra Sheol de diversas significando "a sepultura", "o mundo dos mortos", “lugar de silêncio”, etc. e assim por diante. Para não ter de dar maiores explicações a cristandade eliminou as diferenças semânticas e todas as vezes que a palavra Sheol aparece na Bíblia, ela é simplesmente traduzida como “Inferno”.


A imagem do Inferno e do Diabo foram e ainda são usadas como ferramentas políticas. Hitler como um profundo conhecedor da psicologia das massas reconheceu e usou ele mesmo este ardil como podemos ler no capítulo 3 de seu “Mein Kampf”:


“Os chefes (do movimento pan-germânico) deviam saber que para conseguir êxito não se deve nunca mostrar para as massas dois ou mais adversários por considerações puramente psíquicas, pois isso só conduziria de outra maneira ao desagregamento da força combativa. Quem não consegue isso, não deve ter a pretensão de ser um chefe político. A arte de todos os grandes condutores de povos, em todas as épocas, consiste, em primeira linha, em não dispersar a atenção de um povo, e sim em concentrá-la contra um único adversário. Quanto mais concentrada for a vontade combativa de um povo, tanto melhor será a atração magnética de seus movimento e mais formidável o ímpeto de seus golpes.”

LaVey explica a origem da palavra "Satan" como um termo para designar "adversário" e não especificamente destinado a uma criatura sobrenatural ou a qualquer inimigo especificamente. Na versão original LaVey escreve que a palavra inglesa “devil” (diabo), se teria sua origem na palavra indiana devi, que significa “deus”, no entanto o dicionário Collins Concise dictionary Plus – Glasgow, 1989,  afirma que a origem semântica da palavra “devil” é, assim como “diabo” em português, a palavra latina diabolus, que se derivou da palavra grega diabolos, que significa “inimigo, acusador, caluniador”, contudo, existe também a possibilidade da origem estar no verbo grego diaballo, cujo significado é jogar no meio, atravessar o caminho ou metaforicamente, separar, dividir, fazer tropeçar e cair. A palavra “devi” a qual LaVey se refere é uma deusa Hindu, a personificação da energia feminina de Shiva. A palavra “devi” tem origem na palavra sânscrita Deva, que significa “brilhante” e é usada para descrever cada um dos deuses da teogonia bramânica.


A mesma publicação aponta que a origem da palavra inglêsa “demon” assim como o seu equivalente em português “demônio”  é a palavra grega daimon, que significa “espírito”, “deidade”, “destino”.


Entre os hebreus Satã era originalmente o adversário dos homens pois era aquele que tentava e testava sua fé. Contudo não era a princípio inimigo de Deus e sim um de seus filhos, um dos bene haelohim, nome este que mais tarde foi posto no singular pelos tradutores bíblicos para ocultar o fato de que os primeiros judeus eram politeístas.

Ele segue então com uma descrição mitológica e literaria sobre o significado de Satan, a começar pelo deus grego pã. O leitor deve entender que durante o processo de catequisação dos povos pagãos, uma das estratégias da Igreja Cristã era identificar as Trindades nos deuses locais ou relaciona-los a alguns de seus numerosos anjos e santos. Contudo vez por outra o clero se deparava com alguns personagens que simplesmente não podiam se encaixar na visão Cristã do mundo, senão como inimigo. Estes foram aos poucos enriquecendo o imaginário popular sobre como o Diabo deveria ser, e neste sentido, nenhum antigo deus contribuiu tanto como o venerável Pã.


Pã nasceu com chifres, rabo, cascos de bode e com o corpo parcialmente coberto de pelos. Com sua barbicha e rodeado de seus filhos igualmente animalescos, Pã parecia-se exatamente com a atual figura popularizada do Diabo. Representando a natureza e o desejo sexual, foi imediatamente identificado pelos olhos cristãos como um digno representante do mal.


A seguir trata-se da figura do bode expiatório usado para aliviar os homens de seus pecados no dia de Reconciliação, em hebraico Iom Hakkippurim, também chamado de Dies Expiationum e ainda Dies Propitiationis. Os rituais seguidos no Dia de Reconciliação estão explicados integralmente no capítulo 16 do Levítico. Era um dia solene de jejum, quando nenhum tipo de alimento podia ser ingerido e trabalhos servis eram proibidos. Era celebrado no décimo nono dia do Tischri, que caia em Setembro/Outubro. Nesse dia eram sacrificados um bezerro, um carneiro e sete ovelhas, mas a cerimônia mais distinta do dia era a oferenda dos dois bodes.  Quanto a isso no artigo “O Bode é ou não é a figura do diabo? publicado no periódico "O Berro - no. 49 - Maio/Junho 2002" é de espetacular interesse:


“Por que o bode é apontado como o diabo? Bom, isso faz parte da mitologia humana, vem lá dos tempos em que as tribos nômades habitavam a Eurásia. A História diz que deve ter sido por volta de 6.000 anos atrás, mas pode ser muito mais. Naquele tempo, os primitivos seres humanos juntavam gado selvagem e o criavam, geralmente dentro de buracos imensos no chão, ou em cercados naturais.


“Já nesse tempo, esses pastores-caçadores-criadores cultuavam um deus-touro, porque era símbolo da força, da masculinidade e do poder. O primeiro nome registrado na história para uma Deus-Touro é do Deus Mithra. Por que um touro? Essas comunidades, por se alimentarem regularmente de carne, destacaram-se entre as tribos vizinhas. A necessidade de pastos novos os transformavam em guerreiros e fazia deles expansionistas por natureza e, no início da era cristã, eles já tinham se espalhado da Índia até Portugal. O consumo de carne os fazia diferentes dos demais e, então, acreditavam que essa força ou energia vinha do touro.


“Assim, o culto a Mithra tornou-se muito popular no Império Romano. Em outros reinos, também haviam deuses com cabeça de touro.


“A Igreja Cristã, logo no início, tinha que derrubar o culto ao Deus Mithra mas não era fácil. Então transformou o dia de Mithra - 25 de dezembro - em dia do nascimento de Cristo. Pronto! Haveria uma festa geral: no início, metade festejava Mithra e outra metade festejava Cristo mas, com o tempo, o cristianismo foi ganhando impulso e o culto a Mithra apagou-se na História. Venceu o Dia de Natal, ou o Cristianismo.


“Mas a Igreja Cristã precisava de muito mais, precisava dar um corpo e uma fisionomia para o Diabo, pois ela dizia que havia um Deus do Bem e um do Mal. Ora, o Deus do Bem estava lá no céu e o deus do Mal estava aqui, no planeta terra, capturando almas para levar para o Inferno. No Céu estava um santo velhinho bondoso e na terra, ou no inferno, deveria estar um monstrengo feioso, de dar horror às criancinhas. Os ensinamentos persistentes sobre o Diabo foram tão intensos que os bispos cristãos resolveram estabelecer, durante o Concílio de Toledo, no ano de 447, a primeira descrição oficial do Diabo. Ele era a própria encarnação do mal: um ser imenso e escuro, com chifres na cabeça. Por que os chifres? Na verdade, os bispos quiseram sepultar, de uma vez, o deus Mithra, desenhando o Diabo com chifres de touro. Tentaram matar o antigo Deus transformando-o em Diabo.


“Os bispos, no entanto, erraram o tiro e quem pagou o pato foi o bode. O Diabo, devido à sua leveza, ardilosidade, esperteza, ladinice, etc. acabou sendo cada vez mais associado ao Bode e não ao touro Mithra. Afinal, não era fácil descrever um feiticeiro montado num touro diabólico mas era muito fácil descrever uma feiticeira voando pelos céus montada em bode infernal. Também não era fácil descrever um touro promovendo orgia em um dia de Sabá, mas era fácil para um bode. Para a Igreja isso não importava, pois ela queria um Diabo em oposição ao Bem, e também o sepultamento do antigo Deus milenar Mithra. Ademais, estava começando o período dos encantamentos e das bruxarias denominado como Idade Negra, em que a Igreja iria perseguir todos que fizessem qualquer pacto com o Diabo personificado sempre em um bode. Assim, a Igreja cristã foi conplacente e deixou que o bode assumisse o lugar do touro, ou seja, do deus Mithra. O inocente bode continua pagando o pato até hoje.


“Foi assim que, mesmo sem querer, o Bode transformou-se na figura do mal, no pr-prio Diabo, conforme consta em milhares de ilustrações e iluminuras da Idade Média. Pobre bode que sempre se interessou apenas por um punhado de folhas secas para garantir sua refeição.”


Azazel aparece no Dicionário Judaico de Lendas e Tradições de Alan Uterman como o destino do bode expiatório que carregava os pecados de Israel para o deserto no Iom Kipur.


"Deitando sortes sobre os dois bodes, para ver qual deles será imolado ao Senhor , e qual será o bode emissário." E, para expiar o santuário das impurezas dos filhos de Israel, das suas prevaricações contra a lei, e de todos os seus pecados "(Lev. 6,8-34).


Dois bodes idênticos eram selecionados para o ritual. Um era escolhido, por sorteio, como oferenda a Deus, e o outro era enviado para Azazel, no deserto, para ser lançado de um penhasco. O sumo sacerdote recitava para o povo uma confissão de pecados sobre a cabeça do bode expiatório, e uma linha escarlate era enrolada, parte em volta de seus chifres, parte em volta de uma rocha no topo do penhasco. Quando o bode caía, a linha tornava-se branca, indicando que os pecados do povo haviam sido perdoados. Embora a palavra Azazel possa se referia a um lugar, ou ao bode, também foi explicada como sendo o nome de um demônio. Os pecados de Israel estariam, pois, sendo devolvidos à sua fonte de impureza. Os cabalistas viam no bode um suborno às forças do mal, para que Satã não acusasse Israel e, ao contrário, falasse em sua defesa. Azazel é também o nome de um anjo caído.


O nome de Azazel (como poder sobrenatural) significa "deus-bode". Na demonologia mulçumana, Azazel é a contraparte do demônio que refusou a adorar Adão ou reconhecer a supremacia de Deus. Seu nome foi mudado para Iblis (Eblis), que significa "desespero". Em Paraíso Perdido (I, 534), Milton usa o nome para o porta bandeiras dos anjos rebeldes.


LaVey segue com uma breve explicação da figura do diabo em diversos povos. segundo o Dicionário de Símbolos - Jean Chevalier & Alain Gheerbrant, editora José Olympio & Satã o Príncipe das Trevas – Joan O’Grady, editora Mercuryo  Baal, significava “Senhor”, era uma das maneiras à qual os semitas se dirigiam a uma das divindades locais. Baal era o consorte de Belit, ambos deuses adorados pelos semitas, Baal como deus do furacão e da fecundidade e Belit como deusa da fecundidade, sobretudo agrária. Os profetas judeus que anunciavam em Jeová um Deus de concepção mais elevada, opuseram-se a esses cultos antigos que renasciam incessantemente e que celebravam, ao ponto da exacerbação e do monstruoso, a sacralidade da vida orgânica, as forças elementares do sangue, da sexualidade e da fecundidade. O culto de Baal chegou mesmo a simbolizar a presença ou o retorno periódico, em toda civilização, de uma tendência a exaltar as forças instintivas. O culto jeovista salientava a sacralidade de uma maneira mais integral, santificava a vida sem desencadear as forças elementares..., revelava uma regra espiritual em que a vida do homem e seu destino se outorgavam novos valores; facilitava uma experiência religiosa mais rica, uma comunhão divina mais pura e mais completa.


Já Belzebu seria uma derivação de Baal, Senhor, e Zebub, moscas. O nome de Baal Zebub é mencionado apenas no Velho Testamento, em 2Reis 1, o rei de Israel manda mensageiros para perguntar a Baal Zebub, o deus de Acaron, se ele se recuperaria de sua enfermidade. O anjo do Senhor diz a Elias que vá ao encontro dos mensageiros do rei e lhes diga: “Porventura não há um Deus em Israel, para irdes consultar Baal Zebub, rei de Acaron? Por isso... com certeza morrereis”. Portanto Baal Zebub poderia representar o Baal para quem as moscas são sagradas – o Senhor das Moscas. Hoje se sabe que a divinização por intermédio das moscas era praticada na Babilônia.


Ainda relativo aos nomes do diabo há de se complementar que o povo brasileiro é certamente um dos povos que mais tem nomes para o Diabo, mas por um motivo bem distinto da variedade de nomes vindos da Europa. Enquanto no velho continente os antigos deuses viraram nomes para o demônio, aqui o Diabo ganhou uma imensidão de novos apelidos. No nordeste colonial o demônio era respeitado e temido sendo o personagem central de diversas lendas e crendices. Uma destas crendices trazidas pelos portugueses  era que se alguém pronunciasse o nome de Satanás, ele poderia aparecer. Para que isso não acontecesse, os cristãos da nova terra inventaram uma imensidão de apelidos para o Diabo que assim não poderia se reconhecer quando invocado.


Estes apelidos surgiram do imaginário português, africano e indígena e resultaram em uma rica coleção de nomes que Satã ganhou desde então: Anjo Safado, Anjo Mau, Anhangá, Atentado, Afuleimado, Arrenegado, Amaldiçoado, Azucrim, Beiçudo, Bicho, Bicho-Preto, Bute, Barzabu, Bruxo, Bode-Preto,  Cafuçu, Cafute, Caneco, Canheta, Canhoto, Canhim, Cão, Cão-Miudo, Cão-Preto, Cão-Tinhoso, Capeta, Capete, Capiroto, Capirocho, Careca, Carocho, Capa Verde, Chifrudo, Compra-barulho, Cifé, Coisa, Coisa à Toa, Coisa Má, Coisa Ruim,  Contra, Coxo, Cujo, Diá, Demo, Diacho, Diangas, Dianho, Diogo, Diale, Dedo, Debo, Decho, Diabro, Diale, Dialho, Droga, Dubá, Ele, Esmolambado, Excomungado, Feio, Figura, Feiticeiro, Ferrabrás, Fute, Futrico, Futriqueiro, Galhardo, Gato-Preto, Gato-Tinhoso, Horrível, Homão, Indivíduo, Imundo, Inimigo, Jumento, Judiento, Jurupari,  Lazarento, Mafarrico, Maioral, Mequetrefe, Mal-Encarado, Maldito, Mofento, Maligno, Malino, Malvado, Mau, Moleque,  Não-Sei-Que-Diga, Negrão,  Nojento,  Orgulhoso, Pé de Cabra, Pé de Pato, Príncipe, Pé Cascudo, Pé de Gancho, Pé de Peia, Peitica, Pedro Botelho, Porco, Porco-Sujo, Que Diga, Rabão, Rabudo, Rapaz, Romãozinho, Sapucaio, Surrão, Sujo, Sapucaio, Sarnento, Sete Peles, Surrão,  Temba, Tentação, Tendeiro, Tição, Tisnado, Tinhoso, Urubu, Urué, Vadio, Viciado, Visagem, Zinho, etc... Que outro lugar deu tantos títulos ao príncipe das trevas?

Avançando na história do arquétipo do Mal, vale dizer que com relação a Divida Comédia que Dante Alighiere tinha um fascínio e conhecimento considerável sobre as tradições islâmicas e delas extraiu muito de sua obra com especial destaque para o episódio de al-isrá ual miraj, a ascenção a descrição dos céus e do inferno feita pelas sagradas tradições segundo as quais o Profeta Mohammad foi levado corporeamente para conhecer e relatar as maravilhas dos céus e os castigos do inferno. Ocidente deve muito de sua visão metafísica as narrativas islâmicas. Se a cristandade introduziu a idéia de um Inferno o islamismo levou esta idéia até suas últimas conseqüências. Mulheres suspensas em correntes pelos seios,  homens obrigados a continuamente engolir bolas de fogo que saiam pelo anus, pessoas imobilizadas por suas barrigas do tamanho de casas e que sem poder fugir eram eternamente pisoteadas pelas multidões que fugiam do fogo, etc.. Suas descrições são extensas, detalhadas e especialmente amedrontadoras, e se provaram bastante eficientes em manter o status quo islamico.

Chegamos então a lenda de Fausto. Uma tentativa de se satanizar o próprio progresso. A palavra ciência, que significa literalmente conhecimento só começou a ser usada popularmente como nós a conhecemos após o século XIX. Na época não havia distinção entre magia e a filosofia natural. Na Inglaterra do séc. XVI pessoas chegavam a ser presas acusadas do crime de "calcular". Nesta época a matemática era considerada uma forma de possessão de poderes mágicos, as autoridades "queimavam livros de matemática como se fossem livros de evocação".


A personagem conhecida como Dr. Faustus apareceu pela primeira vez em 1587 num impresso que reuniu diversos contos da tradição oral conhecidos na Alemanha. Como LaVey escreveu, a história central é a de um brilhante estudioso que fez um pacto com o Diabo em uma floresta próxima de Wittenberg. No pacto, o Diabo serviria Dr. Faustus realizando todos os seus desejos até a morte e dando-lhe conhecimento preciso sobre qualquer coisa, sem nunca mentir. Do outro lado Dr. Faustus renunciaria sua fé cristã e abdicaria de seu corpo e alma 24 anos depois. Todos os seus desejos foram concedidos e ele usufruiu de luxo, fartura e lindas mulheres, incluindo Helena de Tróia, que fez reaparecer dos mortos. O Diabo o ajudou a viajar desde as profundidades da terra até as mais distantes estrelas sempre acompanhado de vasto conhecimento e precisas profecias. A figura ganhou vida no imaginário alemão  e entre outras lendas conta-se que fez aparecer um pomar florido em pleno inverno e que teria ido até Roma, invisível, importunar o Papa. Voava em barris de vinho pelos céus e criava ilusões como parreiras que surgiam do nada e que surpreendiam os incautos que tentassem colher uvas quando percebiam que estavam apertando os narizes uns dos outros. Estas estórias fantásticas que hoje poderiam ser contadas à crianças para seu divertimento foram levadas muito a sério por Martinho Lutero e demais líderes da reforma protestante, sendo uma das narrativas prediletas do povo alemão incluindo autores de peso como Goethe, Klaus Mann e Thomas Mann.


Finalmente neste capítulo LaVey afirma que Satan e todos os demônios são representações perfeitas da natureza carnal do homem e oposição a toda conformidade servil a deuses externos. Satan como arquétipo é o símbolo ideal para uma religião que exalta a independência filosofíca e a natureza carnal, históricamente tida como pecaminosa.  Como conclui Vilém Flusser em "A história do diabo": “A evolução do diabo e a evolução da vida são pelo menos paralelas. O réptil é perfeitamente identificável no diabo sofisticado da nossa época elegante. Uma das teses deste livro será, com efeito, a afirmativa de que a evolução da vida não passa de encarnação da evolução do diabo. O leitor que refreie a sua indignação justa. Terá oportunidade, no curso do livro, de dar vazão livre a ela. O que pretendo neste instante é apenas semear o germe da dúvida seguinte: quem está mais possesso pelo diabo, o protoplasma quase inerte das épocas imemoriais, com sua paciência humilde, ou a formiga devoradora e a humanidade especulante?”


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