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Leviatã


Hebreu: a serpente das profundezas

Elemento: o oceano

Direção: Oeste

 O Apócrifo "Livro de Enoque" nos dá a seguinte descrição sobre as origens deste monstro:

"E naquele dia dois monstros serão separados, um monstro, uma fêmea chamada Leviatã, irá viver no abismo do oceano e nas fontes de água; e (o outro), um macho chamado Behemeth, que tem seu peito sobre um deserto invisível cujo nome é Dundain, ao leste do Jardim do Éden."

1 Enoque 60:7-8

Leviatã era uma criatura marinha imensa, semelhante a uma baleia, que, de acordo com algumas lendas, poderia ter sete cabeças. Uma descrição mais detalhada de Leiathã vem do Livro de Jó, 41:

15 As fileiras de suas escamas são o seu orgulho, cada uma bem encostada como por um selo que as ajusta. 16 A tal ponto uma se chega à outra, que entre elas não entra nem o ar. 17 Umas às outras se ligam, aderem entre si e não se podem separar. 18 Cada um dos seus espirros faz resplandecer luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva.19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela. 20 Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente ou de juncos que ardem. 21 O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama. 22 No seu pescoço reside a força; e diante dele salta o desespero. 23 Suas partes carnudas são bem pegadas entre si; todas fundidas nele e imóveis. 24 O seu coração é firme como uma pedra, firme como a mó de baixo. 25 Levantando-se ele, tremem os valentes; quando irrompe, ficam como que fora de si. 26 Se o golpe de espada o alcança, de nada vale, nem de lança, de dardo ou de flecha. 27 Para ele, o ferro é palha, e o cobre, pau podre. 28 A seta o não faz fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho. 29 Os porretes atirados são para ele como palha, e ri-se do brandir da lança. 30 Debaixo do ventre, há escamas pontiagudas; arrasta-se sobre a lama, como um instrumento de debulhar. 31 As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como caldeira de ungüento. 32 Após si, deixa um sulco luminoso; o abismo parece ter-se encanecido. 33 Na terra, não tem ele igual, pois foi feito para nunca ter medo. 34 Ele olha com desprezo tudo o que é alto; é rei sobre todos os animais orgulhosos.

Ainda, de acordo com Isaias 27,1, no Dia do Julgamento o Senhor irá matar Leviatã:

“Naquele dia, o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro que está no mar.”

EM uma das passagens do Baba Bathra (75a), quando chegar o momento da ressurreição Gabriel irá lutar contra o monstro e o vencerá. Existe, entretanto, uma contradição no Salmo 73, 14, onde Deus é glorificado por ter esmagado as cabeças  de Leviatã:

Quebrastes as cabeças do Levithã, e as destes como pasto aos monstros do mar.

É curioso apontar que algumas traduções dizem que :

“Foi Tu que esmagaste as cabeças de Leviatã,

Que o deixou como pasto aos habitantes do deserto”

Alguns pesquisadores afirmam que Leviatã era na verdade um crocodilo e não um monstro marinho, como mostrado no texto acima do Livro de Enoque que diz que ele habitava também as fontes de águas. O crocodilo surgiria não como o animal de fato, mas como uma metáfora para o Egito.

Em seu livro Esquecidos por Deus – Monstros no mundo europeu e ibero-americano (séculos XVI – XVIII), Mary Del Priore escreve que:

“Oferecendo grande diversidade na monstruosidade, os povos exóticos repertoriados e divulgados por Plínio invadiram a literatura erudita, as narrativas de viagem ou as epopéias exaltando a idéia de cruzada, em que encarnavam o paganismo. Moradores dos confins da Terra [...] não fariam mais que algumas breves incursões ao Ocidente medieval. Numa delas impressionaram santo Agostinho, um dos primeiros a perceber a importância dos monstros no imaginário das populações. Ele perguntava-se: seriam os monstros simultaneamente homens e criaturas de Deus? Se a inquestionável autoridade de Plínio estivesse correta, seriam eles filhos de Adão? [...].

“A partir dos séculos XII e XIII, monstros e maravilhas penetraram no domínio da arte religiosa. Se antes eram considerados apanágio dos textos clássicos sobre os confins da Terra, nos quais se localizava a Índia ou os povos pagãos, eles passaram então a ser considerados, como desejava santo Agostinho, criaturas de Deus. No tímpano da igreja de Vezelay, na França, a passagem da pregação missionária de Mateus à integralidade dos povos é representada por Deus abençoando todos os filhos de Adão, inclusive as raças monstruosas. No deambulatório da catedral de Sens, seres fantásticos e homens se combinam na melhor tradição estilística. Um ciápode agarra-se ao próprio pé, enquanto uma sereia segura a cauda, adaptando-se à mesma curva em que se misturam elefantes e camelos. Em Paris, na igreja de São Julião, o Pobre, sereias e esfinges imobilizam-se nas saliências dos capitéis. No portal da igreja de São Denis, em Chartres, uma fita recheada de criaturas vivas, quimeras, centauros, grifos, entrelaça-se à verdura esculpida na pedra. Nos baixos-relevos da catedral de Lyon pululam gárgulas com longos pescoços, híbridas de lobos, lagartas e morcegos. Outros milhares de figuras que iluminam os textos sagrados dos manuscritos litúrgicos parecem simultaneamente engenhosos e elevados espiritualmente: é, por exemplo, o caso do filósofo com cabeça de porco que, mandíbula na mão, medita instrospectivo, ou o jovem mestre de música, meio homem, meio galo, que dá uma lição de órgão a um centauro. Largamente representados, tais monstrengos acabaram por tornar-se familiares a seus contemporâneos. É bom não esquecer que durante a Idade Média o ensino da religião se fazia de maneira audiovisual. A palavra, pregada do púlpito, predominava, mas parte da figuração era considerável. Os devotos tinham mais prazer em “ler” na pedra e no mármore uma vasta e estupefaciente variedade de formas heteróclitas do que ver isso em manuscritos.

“A partir do século XIV o cenário mudou radicalmente sob o efeito de várias calamidades. À Peste Negra de 1348, que matou um terço da população européia, sucederam-se o Grande Cisma e a interminável Guerra dos Cem Anos. A inquietação era geral. As crenças milenaristas e a angústia em face da chegada iminente do Anticristo multiplicavam o mal-estar social. Revoltas urbanas e rurais devastavam um Ocidente mais aberto do que nunca às epidemias. Inicia-se uma invasão demoníaca à qual o incipiente Renascimento dará uma coerência, um relevo e uma difusão nunca dantes vistos. A crença nos lobisomens tornava-se universal, enquanto se tinha por autêntica a existência de dragões e de criaturas fantásticas. Nesse quadro, agudizam-se as noções formais de bem e de mal, passando-se a atribuir as origens monstruosas à influência positiva ou nefasta de Deus ou do diabo.[...]

“A crença nas forças demoníacas era tão profunda que mesmo a ciência classificava os poderes do demônio e suas formas de intervenção na fabricação de monstros.[...]”


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