Ir para o conteúdo. |

  • A Empresa
  • Apoie
  • Contato
  • Seções:
siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica Ato III, Lex Talionis

Ato III, Lex Talionis


Citação Chave: “Por que eu não deveria odiar meus inimigos – se amá-los não fará com que sintam compaixão por mim? É natural que inimigos façam o bem um ao outro – e O QUE É O BEM? Pode a vítima ferida e ensangüentada  “amar” as mandíbulas encharcadas de sangue que a despedaça, membro por membro?" (...) Odeie seus inimigos, com todo o seu coração, e se um homem lhe bater em uma das faces ESMURRE ele na outra! Acerte-o com força e sem piedade, pois a auto preservação é a maior de todas as leis! Aquele que oferece a outra face é um cão covarde!"

Considerações:

O terceiro ato do livro de Satã, versa sobre a Lei de Talião contraponto a reciprocidade ao perdão e questionando os conceitos pupulares de bem e o mal. De modo semelhante a rápida menção no Livro de Satã, o biólogo Charles Darwin, testemunhou a amoralidade na vida selvagem e igualmente concluiu, como qualquer outro observador da natureza que realmente existe "muita miséria no mundo". Em suas próprias palavras: "Não consigo persuadir-me de que um Deus de bondade e onipotência tivesse criado deliberadamente as Ichneumonidae [vespas que capturam lagartas e as paralisam para que suas larvas vivam nelas como parasitas e finalmente as matem] com a intenção expressa delas se alimentarem do corpo de lagartas vivas, ou tivesse criado gatos para perseguirem ratos."

A indignação do autor se expressa na frase "Ama teus inimigos e faz o bem para aqueles que te odeiam e te usam – esta não é a desprezível filosofia dos servos que sorriem sempre que levam um tapa?" Sobre isso é Rita Nakashima e Rebecca Ann Parker, respectivamente uma professora universitária e uma pastora metodista doutoradas na Episcopal Divinity School of Harvard, publicaram em seu estupendo artigo, “Podem estes Ossos Viver? Críticas Feministas a Redenção”. Por muito tempo os teólogos tem prendido suas vítimas em ciclos seguidos de violência e dor, por representar o sofrimento e a vitimização como uma necessidade moral e espiritual.  Segundo as autoras a teologia da redenção faz isso de diversas maneiras:

1 - Ela valoriza o silêncio ao invés do protesto

2 - Valoriza a obediência ao invés da resistência à autoridade injusta

3 - Cultiva a passividade e posterga a mudança ao nos pedir que submetamos a violência agora, com recompensas em uma vida futura.

4 - Privilegiam aqueles que infligem e se beneficiam da violência , porque a redenção dos pecadores é mais importante do que o inocente que sofre.

5 - Eleva a inocência ao nível de grande virtude moral, ao invés do discernimento moral consciente, baseado na sabedoria e na reflexão e

6 - Protege os perpetuadores do mal ao louvar as vitimas como redimidas e subordinando-as ao drama da salvação.

É animador o fato de os próprios cristãos começarem a discutir as conseqüências da teologia da redenção. Mas é ainda mais animador inverter estes seis atestados e perceber que assim chegamos a algo bastante próximo as Nove Declarações Satânicas.

Essa postura de ódio aos inimigos é a mesma criticada com propriedade em uma entrevista em 1963, Malcolm X onde falou sobre política de não violência:  “Todo o negro que ensina o outro negro oferecer a outra face, desarma-o. Todo negro que ensina o outro a oferecer a outra face diante do ataque rouba-lhe o direito divino, seu direito moral, seu direito natural, o direito natural à defesa. Todos os seres de natureza têm esse direito e têm razão de exercê-lo. Homens como King têm por profissão ensinar os negros a ‘não reagir’. Ele não lhe diz para ‘não lutarem entre si’. ‘Não reajam contra o homem branco’ é a essência de sua pregação, pois adeptos de King matar-se-ão entre si, mas nada farão em defesa própria contra os ataques do homem branco. (...) Nós não somos pela violência. Somos pela paz. Todavia, as pessoas que combatemos empregam a violência. E não se pede ser pacífico diante dessa gente.”

Ou seja, umasta postura é bem diferente da de Martin Luther King que defendia a não-violência e resistência pacifica. Mas de qualquer forma pouco depois desta entrevista ambos os líderes negros foram assassinatos assim como diversos militantes dos ‘Panteras Negras’. Isso empurrou o movimento afro-americano para a despolitização conformista, não tanto para eliminar os negros - muito úteis ocupando o grande número de empregos sub-remunerados – mas simplesmente controlando-os, aterrorizando-os, discriminando-os e sugerindo-lhe outras vias de "contestação". Disso resulta a posição atual dos negros americanos e consequentemente no resto do mundo todo. A lição de reação ensinada por Malcolm X foi esquecida e os negros aprenderam a viver e tolerar a discriminação. E assim vai ser até que os negros parem de dar a outra face e tratem os indivíduos que os maltratam da forma como eles realmente merecem.

Mesmo a não violência e desobediência civil pregada por Gandhi era uma forma de violência contra seus agressores ingleses. Gandhi alertava a todos que o seguiam que muitos poderiam ser torturados e mortos e quando lhe indagaram sobre a melhor forma de combater a violência física ele respondeu que contra a violência física existe apenas uma resposta, a violência espiritual e que a maior violência que se pode oferecer é o amor. Os ingleses que executavam os indianos ficavam tão chocados que abandonavam seus postos ao ver que eles simplesmente marchavam para a morte sem reagirem. Mesmo ai é interessante notar que a outra face não era oferecida esta forma “pacífica” de protesto era apenas uma forma de se opor contra um inimigo comum muito mais poderoso e não uma forma de conformismo.


Quer publicar seu texto no Morte Súbita inc? Envie para nós.