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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica Procura-se Deus Vivo ou Morto

Procura-se Deus Vivo ou Morto


Citação Chave: "O conceito de “Deus”, da forma que é interpretada pelo homem, já sofreu tantas mudanças durante os séculos, desde que foi criada, que o Satanista simplesmente aceita a definição que melhor lhe convém. O homem sempre criou seus deuses e não o contrário. Para alguns Deus é benigno – para outros  atemorizante. Para o Satanista “Deus” – seja como for chamado ou mesmo se não tiver nome algum – é um fator de equilíbrio da natureza e não algo preocupado com o sofrimento. Esta força poderosa que permeia e equilibra todo o universo é impessoal demais para se importar com a alegria ou a desgraça das criaturas feitas de carne e sangue que habitam este amontoado de pedras e terra que flutua no espaço."

Considerações:

Neste capítulo Lavey propõe uma aproximação do Satanismo quanto a problemática da existênciae natureza da divindade. O resultado é uma aproximação utilitarista da abordagem junquiana de Deus. Carls Gustav em "A vida simbólica" afirma que “Encontramos muitas representações de Deus, mas o original ninguém consegue encontrar. Para mim não há dúvida que o original se esconde atrás de nossas representações, mas ele nos é inacessível. Jamais estaríamos em condições de perceber o original, porque deveria ser antes de mais nada traduzido em categorias psíquicas para tornar-se  de alguma forma perceptível.  E presumo que a diferença entre o ser humano e o criador de todas as coisas é incomensuravelmente maior do que entre um ser humano e uma barata. Porque seriamos tão imodestos a ponto de supor que poderíamos encerrar um ser universal dentro dos estreitos limites de nossa linguagem?”

O principal  argumento sobre a inexistência do Deus Vulgar apresentado pelas demais religiões formulado por Hume é brevemente citado. Hume foi a primeira figura de destaque na história intelectual moderna a fazer um ataque devastador sobre a religião e a teologia. No décimo capítulo de seus Diálogos encontramos este argumento, que está resumido e esquematizado abaixo:

1 - Deus seria um ser onipotente, onisciente e infinitamente bom.

2 - Um ser onipotente e onisciente pode eliminar todo mal e sofrimento do mundo, e sabe como fazê-lo.

3 - Um ser infinitamente bom deseja eliminar todo o mal e sofrimento do mundo
4 - Se Deus existe, não há mal e sofrimento no mundo
5 - No mundo há mal e sofrimento
6 - Consequentemente Deus não existe.

A lógica irrefutável e os golpes intelectuais de Hume foram tais que as religiões, em especial para a cristandade que  até hoje seus adeptos mais cultos sentem seus efeitos. Depois dele a única opção dos teístas foi aceitar que não há justificação racional para crenças religiosas populares, como fez Hume ou então tentar a todo custo refutar estas críticas como tem tentado os teólogos de todas as linhas desde então.

“Deus está morto”. A referência à Nietzsche é clara. Uma leitura de Gaia e a Ciência (125)  seria bem sadia para esta reflexão. Resumidamente, Deus não pode estar morto se jamais esteve vivo. O que está morta é a representação passada que a humanidade tinha de Deus, a “idéia de Deus” é que está morrendo. Contrastando com a mentalidade dos séculos anteriores onde a divindade patriarca-criadora-abrahâmica era o centro do mundo, agora ao menos o ocidente começou a descobrir um novo modo de viver e pensar sobre a vida. Deixando de lado os antigos valores e crenças a humanidade “matou" o Deus dos séculos passados. De fato ele ainda perturba, como Nietzsche disse,  “por séculos ainda veremos sua sombra”. Mas LaVey está certo também, Sua saúde não é mais a mesma.

No entanto, Michael Aquino, fundador do Templo de Set alerta em seu livro “Church of Satan”: “Se o Satanista vê a si mesmo como deus, então eu perguntaria, onde foi parar Satã?” Deve ele ser considerado um mero símbolo? Num senso vulgar, sim. Não haveria sentido para o Satanista livrar-se de Deus simplesmente para colocar outro Deus no seu lugar, tenha ele ou não chifres. Mesmo num sentido alegórico esta seria tanto a destruição de Deus como a destruição dos próprios princípios satânicos

Não deve apenas o Satanista evitar que o Diabo tome o trono de Deus, mas deve também fazer questão de que ele mesmo fará isso.  Ele deve se livrar de Deus, mas simultaneamente deve preservar a inocência de espírito que permitiu em primeiro lugar reconhecer os horrores que um deus externo pode fazer.

Satã é o símbolo de tudo aquilo que o Satanismo busca e representa. Mas este simbolismo é apenas uma parte da verdade. Já que o ser humano pode agir e pensar contra este "fator de equilíbrio" identificado por muitos como Deus, precisamos identificar qual é a fonte para esta nossa habilidade. Este é um dos “segredos” da Igreja de Satã que foram expostos pelo Templo de Set, e relaciona-se perfeitamente com a visão teosófica do Diabo.  Para Michael Aquino esta fonte é o que faz do Satanismo algo muito maior do que um simples exercício psicodramático de narcisismo. É a inteligência da humanidade que personifica o príncipe das Trevas - não como um símbolo ou alegoria, mas como um ser que toma consciência e adquire uma mente que se destaca e se reconhece dentro do universo. Para H. P. Blavatsky “está provado que Satã, ou o Dragão Vermelho... e Lúcifer, ou “O Portador da Luz” estão em nós:  é a nossa Mente. Nossas mentes que são como luzes brilhando até onde podem numa escuridão infinita. Como se fossemos estrelas. Como portadores de luz. Como luciferes.

Em harmonia a isso, Friedrich Nietzsche, em "Para Além do Bem e do Mal", declara nos parágrafos 9 e 37 de sue livro “Ó nobres estóicos, quereis viver “de acordo com a natureza”? Que falsas palavras! Imaginai um ser como a natureza, pródigo o mais possível, o mais possível indiferente, sem intenções nem considerações para com ninguém, sem piedade nem justiça, fecundo e árido e incerto ao mesmo tempo, imaginai a própria indiferença como força. Como poderíeis viver segundo essa indiferença? Viver  não é precisamente um querer-ser-diferente dessa natureza? Viver não consiste em querer avaliar, preferir, em ser parcial, limitado, diferente? (...) Mas como? No falar coloquial isso não quereria dizer: Deus está refutado – mas não o Diabo? Pelo contrário! Pelo contrário meus amigo! E, que diabo, quem vos obriga a falar em linguagem coloquial?”

Equilibrando-se entre o ateísmo e o agnósticismo LaVey continua o capítulo e de cara acusa as orações judaico-cristãs de serem hipócritas e fantasiosas. É preciso no entanto entender o contexto religioso em que estamos inseridos. O Protestantismo é a corrente do Cristianismo que surgiu com a Reforma Protestante, no século XVI, iniciada pelo teólogo alemão Martinho Lutero. A proposta defendida por Lutero era a separação da Fé Cristã com a Igreja Católica e a reaproximação com o Cristianismo Primitivo. Condenando a venda de indulgências pela igreja e a degradação moral do clero ele fixa na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, no seminário onde lecionava, 95 teses questionando dogmas, preceitos e práticas adotados pelo Vaticano. Essas teses são consideradas heréticas pela Igreja Católica e em 1519 Lutero corta laços com o catolicismo ao negar o primado do Papa. Em 1521 é excomungado. As teses de Lutero encontram receptividade em outros países da Europa e acabam por gerar um movimento pela reforma da Igreja. O nome protestante é atribuído, na época, aos partidários da reforma que protestam contra a Dieta (assembléia convocada pelos reis) de Espira, em 1529.

Apesar de perseguido pelo Vaticano, Lutero é amparado pela aristocracia, traduz a Bíblia para o alemão e funda uma nova igreja. Ele abole a confissão obrigatória, o culto aos santos e à Virgem Maria, o jejum e o celibato clerical. Dos sete sacramentos católicos, ele só aceita os do batismo e da eucaristia. Nem todas as suas teses, porém, são aceitas por seus aliados em outros países e, em razão disso, o protestantismo dá origem a diferentes correntes de pensamento teológico e ao nascimento de novas igrejas cristãs, como a dos seguidores do francês João Calvino e do inglês John Wesley.

Diz-se que Lutero era arrogante em relação a quem quer que o contradissesse, chegando a agredir o opositor com o mesmo turpilóquio do qual se servia para exorcizar os demônios, deixando escandalizados alguns dos mais tolerantes, livres e despreconceituosos intelectuais da Europa. Erasmo de Roterdã descreve a pregação de Lutero com as seguintes palavras: “Gritam sem parar: Evangelho! Evangelho! Mas gostaria de ver explicado só esse. [...] Vejo novos hipócritas, novos tiranos, mas não vejo uma centelha de espírito evangélico.”

Thomas Morus, autor de Utopia, escreve: “Lutero só fala de Latrinas, de esterco e de lama, usando a língua nos modos mais ultrajantes. Se continuar a servir-se dessa linguagem da prostituição, e a encher a boca de água suja, urina e defecação, outros poderão adequar-se ao seu estilo ou fazer até pior.” Dois séculos mais tarde Voltaire escreve que: “Não se pode ler sem um sorriso de piedade o modo como Lutero trata com a maior rudeza seus adversários, principalmente o Papa.”

Os protestantes, também chamados de evangélicos, dividem-se atualmente em inúmeros grupos: Igreja Luterana, Igreja Presbiteriana, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Batista, Igreja Metodista, os Pentecostais como a Congregação Cristã, Assembléia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, os NeoPentecostais como a Igreja Universal do Reino de Deus, Sara Nossa Terra e Renascer em Cristo além da Igreja Adventista, da Mórmon (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) e das Testemunhas de Jeová.

Não importa sua religião, sempre haveram muitas pessoas dispostas a dizer que você está errado e deve pagar com dor por isso.  Nas palavras de Ayn rand em Atlas Shrugged, "Danação é o começo de sua moralidade; destruição é seu propósito, seu meio e seu fim.  Seu código começa condenando o homem como mal, e então demanda que ele pratique o bem, já definido como impossível. Exige então como sua primeira prova de virtude que ele reconheça sua própria depravação sem ter qualquer provas para isso. Demanda que comece não com um padrão de valor mas com um padrão do mal, que é ele mesmo, por meios quais ele deve alcançar o bem, o bem que não ele não é."

Não será difícil ainda para qualquer leitor encontrar discrepâncias na Bíblia Cristã, especialmente entre o Antigo e o Novo Testamento. Pudera, este livro foi escrito por quarenta homens diferentes num período que se estende por mais de 1.600 anos só atingindo sua atual forma após o Concilio de Trento, organizado pela Igreja Católica em 1546. Sendo o assunto aqui a incoerência na discussão religiosa vale lembrar que não há divergências entre católicos e protestantes quando ao cânon do Novo Testamento. Ou seja, o conceito de Sola Scriptura dos protestantes é em parte herdeiro direto dos ditames da tradição romana, e eles enfrentam o Catolicismo usando os mesmos versículos que foram selecionados pela tradição católica dentre tantos possíveis apócrifos até o século XVI.

Apesar de todas estas divisões, com uma religião mandando a outrapara o inferno, a história é clara: quando em dúvida o Diabo fica com o judeu.  “Tendes por pai o Diabo, e só fazeis a vontade de vosso Pai” João 8,44. Foi no Novo testamento que se deu o inicio do processo de diabolização do povo judeu. Sendo os assassinos do salvador, foram durante toda a Idade Média, acusados de assassinato, missas negras, infanticídio, blasfêmia, feitiçaria e pactos infernais. O último judeu  queimado na Inquisição morreu em 1826 mas de lá para cá não é exagero afirmar que não se passou uma década sequer sem que alguém desse aos judeus o nome do Diabo. Dos progrons da Rússia e Polônia ao genocídio de Auschwitz, da forja dos afamados “Protocolos dos Sábios de Sião” ao crescente odio árabe. Os comunistas diabolizaram o judeu por sua economia, os nazistas por sua raça, os muçulmanos por sua religião.


O capítulo todo revela portanto porque o verdadeiro Satanista apesar de dever conhecer as artimanhas das outras religiões  não perder seu tempo combatendo o cristianismo ou qualquer outra religião. A cristandade já está morrendo, ao menos na medida em que a lagarta deve morrer para nascer a borboleta. As transformações sociais e nos indivíduos estão fazendo antigos dogmas serem revistos e novas praticas serem adotadas. O melhor mesmo é deixar o cristianismo morrer de morte natural. Não há necessidade de se profanar templos, pois uma coisa só pode ser profanada se for sagrada. E na Nova Era Satânica nada mais o é.


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