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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica Sexo Satânico

Sexo Satânico


Citação-chave:

O ponto de vista Satânico sobre o “amor livre” sempre foi responsável por inúmeras controvérsias. As pessoas freqüentemente pensam que o sexo é o elemento mais importante na religião Satânica e que a pré disposição para participar de orgias é um dos pré requisitos para se tornar Satanista. Isto está muito longe da verdade! Os oportunistas que não buscam nada além dos aspectos sexuais da crença Satânica são enfaticamente intimidados a procurarem outra forma de “diversão”. O Satanismo defende a liberdade sexual, mas apenas no sentido real da palavra. Amor livre no Satanismo significa exatamente isso – liberdade para ser fiel a uma pessoa ou para dar vazão a seus desejos sexuais com quantas pessoas você quiser até satisfazer todas as suas  necessidades carnais.

Considerações:

Fica claro neste capítulo o repúdio do Satanista ao estupro e abuso infantil, assim como a qualquer outra atividade sexual que não respeite a Vontade alheia. A regra é simples: Faça o que quiser, com quem quiser fazer com você. Toda sorte de fetichismo e tara que respeite a individualidade é então lícita.

O fetichismo não é uma prática exclusiva dos humanos, mas também é muito praticado pelos animais. O fetiche é um ingrediente integral da vida sexual dos animais. O odor sexual, por exemplo, é necessário para que um animal se torne sexualmente atraído por outro. Testes em laboratório mostraram que quando um animal é cientificamente tratado para não exalar nenhum odor ele perde a atração sexual que exercia nos outros animais. O estímulo causado pelos odores sexuais também é muito apreciado pelas pessoas, embora muitas neguem isso. (Nota de LaVey)

LaVey trata brevemente do que, no  jargão psicanalítico, é chamado de “sublimação”: O mecanismo pelos quais as excitações sexuais encontram escoamento e emprego em outros campos, resultando num aumento significativo da eficiência psíquica. Ela ocorre sempre que a pulsão da libido deriva para um alvo não-sexual, como a produção cientifica, a criação artística, o engajamento político, a prática esportiva, conquistas militares, etc.

“O que se descreve como instinto sexual mostra ser de uma natureza altamente complexa e sujeita a decompor-se novamente em seus instintos componentes. (...). Cada um deles possui, ademais, como aspectos distinguíveis, um objeto e um objetivo. O objetivo é sempre a descarga acompanhada pela satisfação, mas é capaz de ser mudado da atividade para a passividade. O objeto acha-se menos estreitamente ligado ao instinto do que se supôs a princípio; é facilmente trocado por outro e, além disso, um instinto que possuía um objeto externo pode ser voltado para o próprio eu do sujeito. (...) A vicissitude mais importante que um instinto pode experimentar parece ser a sublimação; aqui, tanto o objeto quanto o objetivo são modificados; assim, o que originalmente era um instinto sexual encontra satisfação em alguma realização que não é mais sexual, mas de uma valorização social ou ética superior.”

- Sigmund Freud, Além do princípio de prazer, psicologia de grupo e outros trabalhos

Eduardo Pinheiro trata brevemente do assunto em seu tomo “Ciberxamanismo”, segundo ele qualquer forma de sexo que não vise a reprodução é simplesmente uma maneira de ativar experiências hedônicas e isso inclui a abstinência, que é uma maneira de perverter a libido tão válida quanto a falação, por exemplo. Esse fato a Igreja Católica sempre conheceu muito bem e todas as práticas cenobitas de flagelo, ascetismo, enflamar-se em oração utilizam a energia sexual. E assim certas pessoas dentro do sistema cristão, geralmente chamadas de “Santos”, conseguiram acionar circuitos elevados de consciência dentro do seu sistema de crenças.

Mas a castidade cristã é só um pequeno exemplo de sublimação, várias culturas, incluindo os budistas, os yogues e os maias conheceram uma minoria praticamente assexuada que identificava na abstinência sexual um mecanismo de auto-controle é uma forma de acumular poder. Em “Leonardo da Vinci e uma Lembrança de sua Infância” Freud, analisa a criatividade, o poderoso instinto de pesquisa e a atrofia de sua vida sexual do artista (restrita a homossexualidade idealizada [sublimada]) e proclama Leonardo da Vinci como o modelo ideal de sublimação.

A sublimação é ainda segundo Freud, muito mais comum do que se imagina porque afinal ela acontece sempre que há um excesso libidinal, uma reserva que não é usada para fins diretamente sexuais e portanto é de alguma maneira reaproveitada. Sem sublimação não há cultura nem civilização.

É interessante lembrar que o “tabu”, entre outras coisas significa qualquer coisa que se proíbe supersticiosamente, por ignorância ou hipocrisia.  Considere o comportamento sexual na Europa Renascentista: "As relações sexuais eram normatizadas: havia o momento certo, o local correto e a maneira correta. As épocas em que as relações sexuais não eram lícitas incluíam o Domingo, a Quaresma, o dia em que se recebia a comunhão, durante a menstruação, durante a gravidez, durante o aleitamento. (...) Além disso as relações sexuais deveriam ser realizadas face a face sem o uso de mãos ou boca, sem obcenindade ou nudez visível, nem violência ou insulto. Os locais permitidos eram apenas os orgãos propriamente reprodutores, "ordenados por Deus para este fim". - A mulher do renascimento, Margareth King.

Mesmo as práticas modernas de fecundação in vitro ainda não substituíram completamente as práticas sexuais, por mais “assépticas” que sejam pelo menos um dos lados ainda tem que ter um orgasmo. Por outro lado a inseminação artificial e desenvolvimento da criação de bebês de proveta deixam claro que nem mesmo a necessidade biológica de ter filhos impede as pessoas de levarem uma vida sexual satisfatória, a cada dia o sexo biológico se torna mais distante do prazer sexual, passando a ser apenas uma qualidade do indivíduo.

“O Papa Sirício, 391DC foi um dos muitos marcos de uma longa história que transformou o cristianismo de lugar de experiência individual do amor a Deus aberto a todos como deveria ter sido no reino de uma casta de solteiros que legisla sobre uma massa de pessoas, na maioria casadas e tratadas como seres inferiores. Essa foi a perversão da obra daquele homem de quem os cristãos derivam seu nome. Face a face com um senhor da Igreja que não mais revela a proximidade de Deus aos homens e às mulheres e tampouco sua compaixão por eles – porque foi transformado no Cristo dos inspetores de alcovas e da polícia conjugal, que se mostra indiferente e odeia os prazeres da carne – a pessoa humana não mais consegue reconhecer a si mesma como alguém a quem Deus ama, mas só como um ser impuro e merecedor da condenção. - HEINEMANN, Uta Ranke. Eunucos pelo reino de Deus – mulheres e sexualidade e a Igreja Católica.

Até os dias de hoje, quase meio século após este texto ter sido escrito a masturbação ainda é um assunto delicado.  Muitos homens se sentem inseguros se tem que constantemente se entregar à masturbação, prova “cabal” de sua incompetência em conseguir mulheres, ou ainda de saber que suas parceiras se masturbam, o que indicaria que eles não estão conseguindo “dar no couro” como deveriam.

A Revista da Folha, do jornal a Folha de São Paulo, de 14 de novembro de 2004, ano 13 no. 64, traz a matéria Sexo in the box, sobre a multiplicação de acessórios eróticos femininos e como isso vem afetando os relacionamentos dos casais modernos. Existem boutiques femininas, versões contemporâneas de sex shops para mulheres, onde se vendem novos modelos de vibradores, estimuladores clitorianos e até prestam o serviço de “sexual trainers”, que visam reeducar mulheres para a busca do prazer apenas pelo prazer em si. Por um lado é bom ver esse tipo de emancipação sexual feminina, muito diferente dos movimentos feministas do passado, mas por outro lado vemos inúmeros relatos como o da médica de 32 anos, contando como o namorado se tornou inseguro ao descobrir seu vibrador, após meses de briga ele a obrigou a se desfazer do aparelho, ela acabou comprando outro para usar escondido. Depois de se separar dele teve outro namorado que descobriu o aparelho e tranformou o assunto num inferno. Ela diz que todos os namorados se sentiam ameaçados pelo objeto, e o usa hoje escondida.

Ainda encontramos o relato de outro casal de mente mais aberta, mas que mesmo assim, dentre seus brinquedos sexuais, dispensa aqueles que lembrem um pênis pois por mais que o marido seja “cabeça aberta“ se sentiria constrangido de ver a mulher usando algo que considere um concorrente. Os dias de hoje estão presenciando um número enorme de mulheres aprendendo (ou re-aprendendo) a se masturbar prazerosamente mas tendo que fazer isso às escondidas para não abalarem a masculinidade dos namorados e maridos mais inseguros.

LaVey testemunhava a “revolução sexual” dos anos 60 ao escrever a Bíblia Satânica, o que basicamente significa que viveu em uma época em que cada vez mais pessoas tinham orgasmos sentindo-se cada vez menos culpadas por isso.  As pessoas estavam satisfeitas... com muito pouco - deve ter pensado o papa negro. Hoje em dia educação sexual é cada vez mais difundida nas escolas embora os entraves religiosos ainda existam, mas o alvo ainda não é o prazer em si mas práticas anti-concepcionais  e geralmente de forma extremamente sanitarizada.  Assuntos como fetichismo, travestismo, fantasia e escravidão voluntária são diluídos em questionários superficiais do tipo “Você é um amante Imaginativo?”.  O sado-masoquismo genuíno ainda não aparece nas revistas populares e o sexo grupal ainda não é discutido em sala de aula.  Basta ver a homofobia escancarada nos programas de humor da TV para constatar que a “revolução sexual” ainda não acabou e de fato está apenas começando.


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