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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica Sobre a Escolha de um Sacrifício Humano

Sobre a Escolha de um Sacrifício Humano


 

 

 

Citação-chave:

Supostamente o objetivo de se realizar um sacrifício ritual é o de se conseguir a energia do sangue da vítima abatida para intensificar ainda mais a atmosfera do trabalho mágico, e assim aumentar exponencialmente a chance do mago de obter sucesso em sua empreitada. Os magos “brancos” acreditam que, sendo a força vital de uma pessoa, não existe melhor maneira de se satisfazer deuses ou demônios do que lhes oferecer grandes quantidades de sangue. Junte a isto fato de que uma criatura moribunda está despendendo uma superabundância de adrenalina  e outras energias bioquímicas e você tem o que parece ser uma combinação imbatível.


Considerações:

Este é outro capítulo que Lavey dedica a desmistificar erros comuns sobre o satanismo ao mesmo tempo que expõe a hipocrisia do caminho da mão direita, ou magia branca. Satanicamente falando a cor da magia só existe na hipocrisia de quem a pratica. Magia Branca, Magia Negra, Magia Rosa ou Vermelha, é tudo magia. Designar cores para elas não é nada além de se criar uma maneira de praticar magia de forma mesquinha mas sem precisar assumir isso. Dizem que a Magia Vermelha é a magia do amor, que são feitiços para se conquistar alguém que se ame, oras e isso não é uma forma de conseguir para você algo que lhe dará enorme prazer? O problema é que muitas pessoas podem ter problemas para aceitar que talvez para conquistar uma pessoa elas tenham que prejudicar outra, se a pessoa que você ama vive com outra essa outra vai ter que sair de campo para que a feiticeira ou o mago conquistem o alvo de seu desejo. Influenciar uma pessoa é algo pesado e exige responsabilidade daquela pessoa que está realizando o ritual e a grande maioria das pessoas não está pronta para assumir essa responsabilidade, por isso não lidam com magia que manipula e induz, lidam com a magia do “amor”.

 

Os magos “brancos” são aqueles que por algum motivo se colocam acima de todas as outras pessoas, seja por sua vontade, seus atos, seu amor, se consideram mais puros e os únicos que quando não são donos da Verdade ao menos trilham seu caminho Verdadeiro. Magos Brancos não são apenas os que se dizem servos do Deus do Amor e da Verdade, são aqueles que de uma forma ou de outra acreditam em uma forma superior ao ser humano e colocam seus serviços e seu poder à vontade dessa Forma Superior, fazendo rituais que visam o Bem de todos (mesmo que esse bem não seja o que muitos desejam para si). A sua maneira são tão castrados e limitados quanto aqueles que fantasiam combater.

 

No Satanismo, como veremos nos próximos capítulos, a magia é simplesmente uma forma de se manipular a própria energia e a energia que nos cerca, e se usamos a nossa vontade para realizar essa magia então não interessa dizer que servimos a uma vontade maior ou externa, o que importa é que é a nossa vontade, a vontade do indivíduo em ação.

Especificamente neste ensaio ele conclui que a pratica de sacrificar animais em rituais é uma grande insanidade. Ferir um animal inocente, não é apenas uma injustiça degenerada, mas é também magicamente inútil. Diferentemente, portanto de antigas culturas que sacrificavam animais e outros seres humanos para aplacar a fúria dos deuses, há dentro da filosofia satânica o conceito de que não há deus nenhum nem no céu nem na terra que mereça uma gota sequer de sangue terreno. Não temos duvidas de que um animal estará mais a salvo na casa de um Satanista do que qualquer novilho já esteve ao visitar o Templo de Salomão e que uma criança estara definitivamente mais segura nos braços amigos de um Satanista do que no colo reprimido de um padre protegido pelo direito clerical.

 

 

Mata animais é coisa de dementes. Mas matar deuses sim, é um ato heróico. Hoje temos basicamente três aspectos da deidade existindo em várias religiões. Aquelas que buscam resgatar uma ancestralidade se agarram a uma versão feminina do Criador. A Grande Mãe, Gaia, etc... Já as religiões patriarcais se fixam a uma visão masculina da divindade. Muitos desses seguidores de deus talvez não estejam cientes, mas muitas das visões primitivas da deidade não apontavam apenas para um sexo ou outro. Um exemplo gritante pode ser encontrado no Deus de Abrahão, que deu origem ao Deus Judeu, ao Deus Muçulmano, ao Deus Católico e ao Deus Cristão (e a todas as versões de Deus que existem em religiões derivadas dessas): Deus criou o homem à sua imagem, os textos judaicos apontam que a primeira criação de Deus não foi exatamente um homem e sim um ser híbrido. Possuía dois pares de braços, dois pares de pernas, dois ventres, dois conjuntos de órgãos sexuais e duas cabeças. Criou este ser do barro e quando os separou os chamou de Adão e Lilith. Se Deus os fez a sua imagem está ai uma idéia interessante a se desenvolver.

 

O mesmo paralelo pode ser traçado no mito da criação encontrado no Alcorão, como narra Irsha Manji: “Quem foi que Deus criou primeiro? Adão ou Eva? O alcorão não tem uma única palavra a respeito dessa dinstinção. Deus insuflou vida “numa alma” e a partir dessa alma “criou seu cônjuge”. Quem é a alma e quem é o cônjuge? É irrelevante.

 

Além disso Deus aparece nesses mesmos textos sendo chamado de Jehovah, que é um título masculino, e Elohim, que é um título feminino. Com a tradução do pentateuco para outras línguas, os futuros cristãos traduziram o Elohim feminino apenas como El, masculino. No mesmo sentido a palavra árabe para Deus, ou seja Alllah, não aceita plural e tão pouco gênero.

 

Agora surge o ponto de fato interessante, a terceira forma da deidade. Crowley quanto anunciou o novo Aeon, a nova Era a batizou como o Aeon de Hórus, o filho de Isis e Osiris. Este novo Aeon era dedicado não ao Pai ou à Mãe e sim a seus filhos que tem em si qualidades de ambos os sexos, o resultado da união dos Deuses é a retomada da pureza divina original e o recomeço de um ciclo. No entanto,  como notou LaVey, se o humanidade  é a imagem e semelhança da divindade é ainda extremamente difícil para ela  se reconhecer em um Deus sem sexo, sem rótulos e absolutamente livre.  Não é a toa que um dos primeiros partos do novo Deus tenha terminado absolutamente corrompido pela história e abortado numa cruz.

 

Saindo um pouco do divino e voltando ao mundo real, Freud em um de seus trabalhos afirma que um filho para crescer deve matar aos pais (metaforicamente é claro). Para se tornar adulta a criança necessita se desfazer de qualquer elo com seu período de desenvolvimento, deve se tornar responsável pelos próprios atos e pela própria vida, deixar de depender do peito da mãe e do abrigo do pai. Ele então deixa seus progenitores para trás e caminha com os próprios pés. E aqui entram as religiões desta terceira Era, do Aeon de Hórus. Nós não desejamos continuar presos a deuses, nós desejamos sim matar esses criadores e assumir nossos destinos. Depois de alguns meses o bezerro que nasceu fruto da relação de um boi e uma vaca se torna um boi, o pintinho se torna como seus pais ou um galo ou uma galinha, o potro se torna um cavalo. Qual o caminho natural para aqueles que vem de um mundo gerado por deuses?

 

Mesmo sabendo da importância de enxergar além das aparências o Satanista sabe o valor que a sociedade dá para a fama e a reputação de algo ou alguém. Atacar a imagem de algo ou construir a própria imagem de forma a impressionar de maneira positiva ou negativa aqueles que te cercam é um dos exercícios mais importantes da Baixa Magia Satânica, também chamada de Magia Social. O Satanista não é hipócrita a ponto de acreditar que existe de fato diferença entre um sacrifício simbólico e um real. Para chegar ao ponto de realizar um ritual de destruição o Satanista tem que ter em mente que ele deve odiar a sua vítima a ponto de realmente matá-la, seu ódio deve ser algo real. Mesmo num sacrifício Satânico deve existir a responsabilidade para distinguir um inimigo real ou a incapacidade do Satanista de lidar com algo. Se a cada problema que surge em sua vida (sua namorada o troca por outro, o assédio de seu patrão a impede de progredir na carreira profissional, um vizinho ou parente que sente prazer em menosprezá-lo ou tornar sua vida um inferno, um professor que pega no pé, um colega ou uma colega de estudos gosta de espalhar boatos, etc...) o Satanista realiza um ritual de destruição pode ter descoberto apenas uma nova forma de alienação, ele se coloca num papel de vítima e através de seu ódio pensa que é superior à pessoa que o atormenta. Muitas vezes essas pessoas são ótimos exercícios para se desenvolver e se fortalecer ainda mais. Um ritual de destruição, um sacrifício simbólico deve ser enxergado como uma arma carregada, use-a com sabedoria e nos momentos certos, não desperdice munição à toa. Usar uma arma para matar um pernilongo em sua perna pode acabar como inseto que te incomoda, mas vai destruir a sua perna no processo.

 

 


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