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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos A História do Satanismo O Bebê de Rosemary

O Bebê de Rosemary


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O bebe de rosemaryEnquanto incomodava mais e mais o grande público, a influência de Anton LaVey na cultura popular chegava ao seu ápice. O envolvimento com Marylin Moroe e Jayne Mansfield não foram os únicos casos de ligação dele com Hollywood. De Sammy Davis Jr. à Marilyn Manson, ao longo dos anos houve um bom número de satanistas declarados ligados ao showbiz, contudo em nenhum momento esta relação foi tão forte quanto em 1968 no filme de Roman Polanski, o bebê de Rosemary, que marcou para sempre esta fase de ouro da Church of Satan.

LaVey, além de ter interpretado a rápida aparição do Diabo no filme, serviu como consultor para diversos aspectos da produção como especialista em cultos satânicos. O filme foi, no final das contas um registro fidedigno e ao mesmo tempo metafórico do nascimento da Church of Satan e do satanismo como um todo. LaVey chegou a dizer que o Bebê de Rosemary foi para a Church of Satan, o que “O Nascimento de uma Nação” foi para a Ku Klux Klan.

Na estréia do filme em algumas salas de São Francisco cartazes de filiação da Church of Satan repartiam o corredor com os cartazes publicitários do filme. Tirando vantagem de sua visibilidade como Alto Sacerdote, LaVey mandou distribuir pequenos bottons negros nos quais estavam escritos “Pray for Anton LaVey,” em proposital similaridade aos itens promocionais do filme onde se lia. “Pray for Rosemary’s Baby”.

Em outras palavras, um satanista que não assistiu esse filme é como um nazista que nunca assistiu o 'Triunfo da Vontade'. O Bebê de Rosemary trata da história de um casal em que o marido para auferir fama como ator, firma um pacto com o diabo através da seita dos vizinhos bruxos, de forma a permitir a vinda do filho de Satã através de sua mulher. Tanto no filme, quando no livro que lhe deu origem (escrito por Ira Levin), o Ano Um, que marca o nascimento do filho de Satã é 1966 que é justamente o ano de criação da Church of Satan.

LaVey sempre relembrou a reação do público no final do filme na qual ficou claro que os Satanistas não tinham qualquer intenção de ferir, molestar ou machucar a criança, como todos esperavam, mas somente glorificá-la como filho de Satã. Algumas pessoas ficaram realmente enfurecidas, vaiando a película em desaprovação geral quando o enredo chegava ao fim. Disse LaVey:

“Algumas vezes a realidade do satanismo é mais aterrorizante para as pessoas do que suas fantasias a respeito do que ele deveria ser. Pela primeira vez, eles estão sendo confrontados por um Diabo que responde as suas acusações.”

Lamentavelmente, Polanski perdeu sua esposa grávida de oito meses, Sharon Tate (a atriz principal do filme) e mais quatro outros amigos na mão de Charles Mason e sua “família” que inspirados pela música “Helter Skelter” dos Beatles invadiram sua casa e assassinaram a todos, menos de um ano após o lançamento em 9 de agosto de 1969.  E as coincidências não param por ai O Bebê de Rosemary foi filmado no The Dakota Building, prédio no qual John Lenon futuramente viveria (e seria assassinado!).

Além de “O bebê de Rosemary, houveram outros dois filmes de menor circulação sobre LaVey e a Church of Satan ou feitos com a ajuda deles. Um extensivo documentário sobre a organização intitulado Satanis, a Missa Negra, rodou pelos Estados Unidos no início dos anos 70, e era freqüentemente vendido com ingresso duplo para a seção de Invocation of My Demon Brother de Kenneth Anger, na qual LaVey também aparece.

Os trailers do filme mostravam um sinistro semblante de LaVey, rituais sexualmente sugestivos e promessas de cenas de sangue. O crítico William Castle chegou a escrever sobre o filme que “Satanis é o mais pertinente e talvez o mais chocante filme de nosso tempo. Mas definitivamente não é um filme para qualquer um. Se você escolher não assisti-lo, nós vamos entendê-lo.

Hoje em dia Satanis tornou-se um clássico do cinema underground e suas cenas são freqüentemente parte de documentários sobre bruxaria e satanismo até os dias de hoje. Ele foi um bom tempo o único registro dos rituais da igreja disponível para os produtores de TV. Somente em anos recentes seu conteúdo foi complementado pelo documentário 'Speak of the Devil: the Cânon of Anton LaVey', dirigido por Nick Bougas. Foram feitos ainda alguns outros documentários internacionais como o produzido na Alemanha por Florian Fuertwangler e o francês dirigido por Victor Viças. De distribuição restrita estes mal saíram de seus países e sequer chegaram ao público americano.


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