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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Naos Símbolos e Existência

Símbolos e Existência


NAOS, Order of Nine Angles

O seguinte MS da Ordem é completamente técnico e é intencionado como um texto instrucional para aspirantes a Adepto Interno. Ele explica em grandes detalhes a filosofia que sobrepõe a percepção apropriada para um Adepto Interno e nesse sentido é excepcionalmente valioso.

Exatamente como ninguém pode alcançar o Grau de Magister Templi/Senhora da Terra sem produzir uma contribuição significante ao conhecimento humano (ou no caso do artístico, um excepcional trabalho de Arte) então ninguém pode alcançar o Grau de Adepto Interno sem um entendimento total do Jogo Estelar e seus princípios simbólicos. O MS da Ordem ‘Símbolos e Existência’ deve ajudar nessa busca porentendimento.

Símbolos e Ser

Abstrato:

Usando a interpretação de Heidegger do Ser e Seienden como ponto de partida, a existência do homem mostra ser derivada da mudança e uma nova interpretação da existência do homem é alcançada – aquela do acausal. Esse conceito do acausal, e aquele de mudança, como explicado nos termos da filosofia de Heidegger e aquela dos Pré-Socráticos. Usando o acausal, pensamento, linguagem e a individualidade do homem são explicados. O papel continua com uma analise das fundações da atemática, desde que pensamento matemático, reinterpretado no esclarecimento do acausal, mostra-se ser de importância fundamental para um entendimento da existência do homem. O papel conclui com um breve exame da Arte e física moderna.

1) Introdução – O Acausal:

Desde que o Ser é um êxito para o homem, o homem interpreta causalmente porque Dasein todo dia, o Dasein o qual leva tempo (2), pode ser caracterizado como causal, ou aquela interpretação do Ser como sendo a qual é o ‘haver’. Entretanto, o homem interpreta diferente que causalmente: essa outra interpretação, a qual é anterior ao causal pela razão da sua existência, pode ser nomeado ‘acausal’ (a-causal: fora do causal) – e esse acausal é o que Homero, em “Iliade”, fala de quando ele diz que Calchas é o mais sábio vidente porque ele entende tudo o que é, era e irá ser. Heidegger entende isso como revelação e ocultação (3) ou, em qualquer outra parte (4) como não-ocultação, o ‘tempo primevo’ de seu “Sein und Zeit” é familiar a esse acausal ou potencialidade da existência do homem, assim como aquilo que ele nomeia ‘construção’ e ‘moradia’ são implícitos dentro dela. Em um sentido a ser estabelecido por ultimo (Seção ‘3’ abaixo) ele é física, , um desdobramento.

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Ainda, por distinguir desta maneira entre o causal e o acausal ao principio da busca dentro do Ser, é possível chegar a um claro entendimento de existência, desde que essa dualidade, que exprima a natureza de Seienden e manifesta no homem, capacita uma hermenêutica a ser estabelecida a qual é de repente mais acessível e clara que a metodologia de fenomenologia ou a hermenêutica de pensamento alcançada pelo ‘posterior’ Heidegger. Será mostrado que essa nova hermenêutica é matemática por causa da natureza do acausal.

A caracterização fundamental do causal é consciência, a do acausal, o inconsciente¹. Esse horizonte consciente pode ser expresso, em termos da história da Existência, por pensamento e sentimento, o inconsciente por sensação e intuição, onde esses termos são para ser entendidos, para o momento, psicologicamente (6) ontologicamente, eles são derivados abaixo (seção 3).

O inicio do descobrimento do Ser, entretanto, não é alguma coisa que pode ser dita, como Heidegger sustenta (7), mas antes alguma coisa que pode ser experimentada, numinosamente: , atividade como os primeiros Gregos entenderam-no (8).

Essa experimentação é o símbolo do qual palavra deriva. Para o homem, pensamento é parte desse descobrimento – intuição a outra, desde que o Ser possui como  potencialidade na mudança que homem não é somente pensamento mas também símbolo, e essa percepção simbólica do Ser, essa experimentação do Ser como Única, enquanto aquilo que presencia ou transforma, é explicito para a filosofia Ocidental nos Pré-Socráticos. Enquanto para Tao, essa percepção está hoje se tornando entendida outra vez, e com Heidegger a tarefa de seu entendimento é iniciada.

Enquanto discurso pode ser dito ser uma expressão fundamental da existência do homem no mundo (9), então pode o simbolismo ser dito ser uma expressão  fundamental da existência do homem ou essência. Enquanto a potencialidade de pensamento pode ser expressa como discurso, então pode a potencialidade do símbolo ser descrita como sensação, e o símbolo é anterior ao pensamento e além dele. Como ela é projetada externamente pelo processo que é a mudança do Ser, ela é abstraída e perde parte da numinosidade que é característico dela como uma essência: enquanto ela é totalmente externa ao ser humano, como aparência ou um existente, ele tem tornado-se um signo. Mudança, a qual desenvolve o Ser como o homem, é para Heráclito (10) conflito ou discórdia, . Uma essência, enquanto aquilo do qual alguma coisa emerge ( ), (11) é um arquétipo (12), quando visto opticamente.

Essa retirada gradual de experimentação é o inicio de linguagem e pensamento, e a intencionalidade de consciência que Husserl descreveu, resulta dessa retirada. Enquanto experimentação declina, projeção aumenta. Individualidade é uma conseqüência de mudança do Ser, e essa mudança já é presente no Ser enquanto o processo de abstração é presente como uma possibilidade dentro da existência do homem – a compreensão dessa possibilidade, através de mudança, é a própria história do Ser.

Desde que o símbolo, como símbolo e signo, é anterior ao pensamento e, autenticamente, além dele, ele sozinho pode explicar a existência do homem. Essa explicação pega a forma matemática onde por matemático quer dizer o primordial ( ) que existe por virtude da participação subjetiva do homem no mundo, e é a partir dessa que lógica, como argumento, se desenvolve através da mudança do Ser. Um símbolo está além do pensamento porque existência autêntica, o retorno e revocação de através de questionamento, é um retorno para a unidade do causal e acausal, uma unidade existindo como .

2) Os Símbolos Fundamentais – existência e Mudança:

O símbolo mais fundamental é existência; do Ser há mudança. A abstração da mudança (como uma conseqüência da existência do homem) é a idéia de extensão que leva ao conceito de transformação ou potencialidade². Potencialidade é implícita no Ser, e através da existência do homem essa potencialidade torna-se o esforço em direção da autenticidade.

Matemática, como ficará claro, sendo o aprendizado das coisas como elas são (mathesis, ) é a abstração da essência através do processo de intuição e pensamento. Pensamento abstrata a mudança do Ser e essa abstração pega a forma de idéias e conceitos, como Platão a entendeu (13). Historicamente, há um símbolo, frequentemente ‘a priori’ como o próprio Ser pode ser entendida, através de abstração, como um símbolo ‘a priori’, então pensamento forma esse símbolo em uma idéia da separação de e limitação de , a falta de limite (14). Intuição é a percepção do símbolo como símbolo em sua essência numinosa, um deixar-ser que participa no desenvolvimento da existência, e essa percepção é uma participação e uma identificação, onde identificação é a transformação de uma idéia, pelo pensamento, em sua essência original (cf. o método fenomenológico), e por isso, matemática, que é essa intuição e pensamento enquanto processo por causa da existência do homem, incorpora uma hermenêutica autentica, representando (represenciando o causal.

Uma idéia não é uma essência – o símbolo é a essência que o pensamento abstrata ou oculta, e cada idéia tem sua fundação em um símbolo. Matemática, como entendida hoje, é o resultado de pensamento, um projeto axiomático de acordo com Heidegger (15); isto é, matemática tem se tornado separada de sua fundação intuitiva no símbolo e um retorno para aquela fundação que capacita a matemática descrever a existência do homem mais autenticamente que concebida pela fenomenologia como uma metodologia ou logos entendido como re-coleção por Heidegger (16). Através da matemática, re-fundada, é possível alcançar não somente o descobrimento de uma idéia para revelar seu ser, mas também existência autentica: o questionamento de Heidegger da ser inicia a tarefa de autenticidade, ele não a alcança. Essa autenticidade é possível através do uso de um simbolismo matemático ontologicamente garantido em vez de linguagem como um meio do Ser descoberto.

A idéia da essência que é o símbolo de mudança é extensão: a idéia da essência que é Ser é unidade, e a idéia de mudança leva, através de abstração, ao conceito de  transformação, , ou duração. Essa duração, por identificação com a terminalidade do homem, incorpora tempo, e por isso tempo é entendido como implícito na existência do homem, projetada no mundo como uma idéia.

Abstratamente, essa duração é o continuum e o conceito de numero: percepção do pensamento de mudança enquanto nasce no homem através da compreensão de individualidade. Somente mudança existe para o Ser, não tempo ou número. Em adição, o conceito de ‘conjunto’ deriva do continuum e número, desde que intuitivamente um conjunto é uma totalidade ou agregado.

3) Individualidade e Existência Autentica:

O homem existe por causa do Ser, presenciando, é transmutada (17) – isto é, por causa de mudança. O homem, enquanto mudança do Ser, é uma transformação, uma evolução; historicamente ou causalmente, esse processo é a história do Ser, concebida por Hegel como uma dialética. Essa história tem ainda como sua meta o importante Ser da qual ela é derivada – o retorno do homem para a unidade do Ser. Para retornar é necessário descobrir, a revelação do Ser através autenticidade. Ser autentico, sendo o trazer em direção da unidade das interpretações acausais e causais (o que Jung (18) descreveu como individualização) é uma chegada-ao-lar (para usar um termo de Heidegger), uma revivificação de símbolos e uma reinterpretação que envolve a retirada de projeções a partir das idéias para a essência.

E ainda é somente uma transição, uma tranqüila e uma não-transformadora, tal tranqüilidade se revelando através de matemática, como logos. Como tal, revela como .

O homem como uma descoberta do ser, é primordialmente uma participação no Ser: pois nessa descoberta do Ser não há logos no sentido de Platão, somente uma  identificação. Há possessão por símbolos e suas possibilidades (o ‘inconsciente’) e não ainda possessão deles como ocorre quando o logos se transforma através de em ‘razão’. Antes dessa transformação não individualidade porque individualidade (como uma condição do Ser) é o processo de abstração que transforma em como razão. Coletividade é primordial: através da mudança do Ser, fundamentada como a dicotomia do homem por causa de tal manifestação, isso se torna individualidade, a consciência da identidade, como idéia, tem a recolocado. Falando sobre individualidade uma vez que já foi falado sobre a mudança de - - da participação para a Palavra.  através de tem tornado-se (mente), e há (19). Essa mudança já é prefigurada em Heráclito, como a gênesis dos opostos Aristóteleanos (20).

Com Anaximandro, essa transformação não é evidente ainda: participação no Um, ainda que sujeita a mudança, retorna - é ainda a falta de limite, . Não há separação , nem oposição entre Ser e seres. Para Anaximandro, portanto, não há geógrafo, ou meteorologista, ou historiadores – somente conhecimento (participação) de tudo como é. E é por causa de mudança que abstração deve ser retornada, através de matemática, a essa  participação: mudança tem causado a separação e mudança irá re-presenciar o separado. Tal retorno é existência autentica.

Essa participação para a Palavra pega a forma de mudança do Ser através da intuição, sensação, sentimento e finalmente pensamento, todos dos quais são condições de existência do homem no mundo, ou como o Ser primeiro mostra-se através de sua manifestação. Intuição é percepção inconsciente (acausal), sensação a percepção  consciente que começa quando participação torna-se transformada em identidade. Sentimento já implica idéia – como valor, julgamento e finalmente ‘verdade’ tem se tornado , a Palavra.

Opticamente, linguagem pode ser dita em consistir de palavras ou sinais na forma de proporções, onde a proporção pode ser definida como a substancia da qual é pretendida por meio de uma combinação de tais palavras ou sinais, verdadeiros ou falsos. As palavras ou sinais, como abstrações resultando de símbolos, são colocadas  em combinação pelo pensamento através de identificação ou participação. Para o ultimo, eles são primordiais, e essa primordialidade pega a forma de poesia a qual é ‘verdadeira’ desde ela seja experimentada e representa os símbolos da Existência da qual ela é derivada, através de palavras, assim revelando Ser.

Abstratamente, através de identificação, tais combinações são proposições, verdadeiras ou falsas por causa do logos enquanto dentro da verdade objetiva (ou  falsidade) pela identificação, através da idéia para a essência: o que é enquanto aparência, e como o que é abstratado é denotado por tal aparência. Isto é, verdade compreende-se, através de denotação.

4) Arte e Matemática

i) Arte

Como o Ser se desenvolve através de participação em discurso, existente, enquanto aparência, predomina e o sentido que é característico do numinoso é perdido ou coberto. Do ser um questionamento, o homem tem se tornado um assunto de pensamento. Essa  abstração pega a forma de técnicas (q.v. techne, ), a construção, através de um arrebatamento do Ser, de ferramentas e coisas enquanto existentes derivando delas, não imediatamente possuídas de participação, isto é, capaz de produção manual a partir de substancias e materiais naturalmente ocorridos, e com técnicas potencialidade, como uma descoberta, é perdida em lugar de abstração. Há organização além da participação autentica que caracterizou o primeiro desenvolvimento do Ser. Em linguagem, também, o processo de técnicas ocorre, logos como aparência, e a cativação de seres (21)sinônimo com a  organização do ‘eles’ (22) através da meta de inautenticidade. Os trabalhos de arte que ainda possuem o numinoso fazem então a despeito essa organização ou denotação (23), como uma trazida do Ser. Tais trabalhos são arquétipos, participando nos símbolos do Ser pelo Ser desenvolvido através daqueles símbolos de transformação.

Através desses trabalhos (mas não somente eles) ser autentico torna-se uma possibilidade desde que, como um olhar para frente e um olhar para trás, eles compreendem parcialmente a unidade do causal e acausal, participação e abstração, que é autenticidade para um homem transformado através de técnicas. Essa autenticidade não é somente um retorno (como Heidegger acreditou) mas também uma elevação porque ela é construída sobre e reside no Ser como um desenvolvimento. Por isso a necessidade de entendimento da história do Ser como um registro desse desenvolvimento e ocultação através de matemática.

Esteticamente, um trabalho de arte é ‘verdadeiro’ se ele simbolicamente preserva o Ser como um desenvolvimento e olha adiante para autenticidade: se ele representa o Ser e o antecipa. Como uma representação do Ser, matemática é o verdadeiro trabalho de arte que revela Ser e seres como Ser, para o homem.

ii) Matemática

Ciência moderna, começando com Galileu, leva o processo de abstração adiante, dentro das próprias coisas. Heidegger (24) clama que matemática faz essa ciência moderna possível, e, em um sentido, isso é uma verdadeira, se limitada, apreciação da matemática. O aprendizado que é ‘mathesis’ não é meramente um aprendizado causal, uma análise de coisas como elas aparecem, mas, igualmente, as coisas como elas são, como intuição entende ou sabe. Intuição, entretanto, as entende como símbolos do Ser, e esse tipo de conhecimento já é compreendido no conceito Grego de matemática.

Para Aristóteles, o potencial para impulso em um corpo está naquele próprio corpo – ele já era presente, como um tipo de conhecimento tão bem quanto descrevendo o impulso em relação a outros, como uma transformação. Com Galileu e Newton, essa intuição ou conhecimento da unidade, tem se retirado, permitindo abstração predominante. Ainda essa intuição atualmente nunca despareçeu efetivamente como o 'a priori' deu substância para leis cientificas e providenciou as bases para muito do desenvolvimento matematico³.

Física moderna particularmente tem tentado dispensar esse conhecimento matematico e como uma consequência tem estabelecido um corpo de fatos que revelam somente o que é projetado, não o que é revelado pelas coisas existentes como elas são. Nós dizemos 'tempo-espaço é curvado', por exemplo, sem completo entendimento que nós projetamos tempo-espaço curvado, como abastratos, sobre o que nós temos abstracionados como 'espaço' e 'tempo', esses abstratos supostamente existindo independentemente do homem, como 'fatos'. Ainda, ultimamente, esses abstratos são estabelecidos a partir de simbolos - e é nos simbolos, enquanto oposto as projeções, que conhecimento reside. Esse conhecimento deve recolocar o 'conhecimento' de 'fatos' ou projeções, uma revolução de pensamento resultará, e o que é nobre no homem retornará.

© O.N.A 1980 ev.
___________________________

³ Q.v. A noção de Popper de intuição e cosmologia como o inicio de teorias cientificas (25)
Referencias
1) Heidegger, M: “Being and Time” (Basil Blackwell, 1862), p. 67
2) “Being and Time”, p. 457
3) Heidegger: “Der Spruch des Anaximander” em “Early Greek Thinking” (Harper &
Row, 1975)
4) Heidegger: “On the Essence of Truth” em “Basic Writings” (Routledge & Kegan
Paul, 1978) pp. 127-141. Ver também “Introduction to Metaphysics” (Yale University
Press, 1959) pp.102-3
5) “Introduction to Metaphysics” p. 62ff
6) Jung, C.G.:”Psychological Types” Vol.6 of Collected Works: Routledge & Kegan
Paul, 1971) cap. XI
7) Heidegger: “On Time and Being” (Harper & Row, 1972) p.7
8) Compare seu uso em “Nichomachean Ethics”de Aristóteles, 1098 b, 33
9) Heidegger: “Being and Time” p. 203ff
10) Frag. 53
11) Anaximander como dado por Simplicius, “Physics”, 24, 13
12) Jung, C.G.: “The Archetypes and the Collective Unconscious” (Vol.9, Part I, of
Collected Works: Routledge & Kegan Paul, 2nd ed., 1968 pp. 3-41
13) “Republic”, X, 596
14) Anaximander. Ver (11). é sinonimo de mudança.
15) “What is a Thing,” (Henry Regnery Co., Chicago, 1967) p. 68f
16) “Introduction to metaphysics” p.128f
17) Heidegger: “On Time and Being” p.6
18) “The Archetypes and the Collective Unconscious” chap. VI
19) Platão: “Republic” VII, 534
20) Frag. 76
21) Heidegger: “Introduction to Metaphysics” p. 141f
22) Heidegger: “Being and Time” p. 222f
23) Heidegger: “Introduction to Metaphysics” p. 149ff
24) “What is a Thing?”, passim
25) Popper, K: “The Logic of Scientific Discovery” (Hutchinson, 1972).


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