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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Textos Satânicos Satanista: Inimigo do Povo

Satanista: Inimigo do Povo


Morbitvs Vividvs

Homem só"Vós sois contra o povo, Ó meus escolhidos!" - Livro da Lei. (II AL, 25)

A voz do povo é a voz de Deus. Se este adágio popular possui alguma verdade, então o Satanista deveria pensar nove vezes antes de concordar com qualquer coisa que o povo fala. Na verdade este provérbio faz bastante sentido uma vez que 'povo' é justamente a palavra que usamos para falar de agrupamentos de pessoas sem identidade ou qualquer forma de força individual. Povo é o antônimo do Indivíduo. E se Satã é nosso símbolo de força individual, o povo é, por tabela, o Deus que escolhemos combater. Cuidado, não faço aqui uma defesa da abolição das regras sociais da boa convivência. Pois convivência é algo que acontece justamente entre indivíduos. Mas observe o comportamento de uma pessoa inteligente dentro de um grupo qualquer. Ao mesmo tempo em que ela desaparece em meio a multidão, passa a ser, por ela, condicionada. A coletividade possui a estranha propriedade de aumentar a auto-confiança de seus membros ao mesmo tempo que lhe tolhe a criatividade e a responsabilidade. Ao ser obliterado em uma sociedade, os vícios do indivíduo se intensificam ao passo que suas virtudes se diluem. Seus erros são ocultos e seus acertos perdem relevância. Cria-se uma política de nivelamento por baixo.

A vontade do grupo se torna prioridade e assim, naturalmente, grupos rivais começam a surgir. Por isso não existe nenhuma classe de pessoas que não seja detestada por alguma outra classe, como cantou Marilyn Manson em seu Anti-Cristo Superstar: "todo mundo é o negro de alguém". Mas não é uma questão de cor:  Favelados, maconheiros, políticos, pagodeiros, crentes, maçons, judeus, vegetarianos, bichas, nazistas e adoradores de cachorros: Não é possível achar nenhum grupo que não tenha seu próprio "inimigo natural".  Por isso Socialismo significa guerra.  Capitalismo significa guerra. Cristianismo significa guerra. Não porque estas ideologias sejam especialmente beligerantes, mas porque são especialmente populares. As páginas de nossos  livros de história são contos de guerra e cada uma destas guerras só foi para frente porque indivíduos passaram a agir como multidões.

Citando Aleister Crowley em Magick sem lágrimas: "É peculiarmente notável que, quando uma classe é uma minoria governante, ela ganha ainda o desprezo e a agressividade de toda a multidão ao redor. No norte dos estados unidos, onde os brancos são a maioria, os negro podem viver na medida do possível como "pessoas normais". Já no sul, onde o medo é um fator importante, a lei de Linchamento prevalece.(Deveria? A razão para o "Não" é que esta é uma confissão de fraqueza). Mas no Norte, existe um forte sentimento contra outras classes: irlandeses,Italianos e judeus. Por que? Medo novamente. Os irlandeses dominam a política, os italianos o crime organizado e os judeus as finanças. Mas nenhuma destas fobias impede amizade entre indivíduos das várias classes hostis. [...] E por que as classes deveriam agir como classes? É óbvio: "União faz a Força". Os quinze piores jogadores de futebol dão um baile em um time adversário composto apenas pelo melhor jogador do mundo."

Por isso os líderes de todos os tempos sempre souberam lidar com seus súditos ou eleitores da maneira certa: tratando-os como gado e então colocando-se como o boiadeiro que sabe o que é melhor para a manada. A partir do momento em que as pessoas se escondem por trás da máscara da coletividade qualquer apelo à inteligência será fútil. A única forma de comunicação com as multidões é pelos instintos e qualidades animalescas.  Um bom líder não precisa de bons argumentos, precisa saber rugir como um leão. Escute os discursos de Hitler, por exemplo. Não é preciso saber uma palavra de alemão para entender como ele encantou a Alemanha. Da mesma forma, é sempre mais fácil incitar uma massa ao linchamento do que pedir para que ela analise um fato e tome uma decisão sadia.

Um grupo se torna um novo organismo e, como tal, acaba obedecendo algumas regras e leis. Grupos dominantes obviamente explorarão os grupos menores, mas isso não tem a ver com o tamanho ou a força do grupo. Um governo é composto de muito menos pessoas do que a sociedade que governam. O clero tem muito menos gente do que o grupo de fiéis. Em uma fazenda antiga o número de escravos era muito menor do que o número de gente que vivia na casa grande. Tem sido assim desde a aurora do homem. Mas atualmente vivemos uma época de defesa das minorias. Uma época em que quotas e políticas afirmativas tentam amenizar os problemas causados pela coletividade, só que a voz do povo acaba, como sempre faz, enfiando os pés pelas mãos, acabam reforçando-os. Isso é o equivalente a dar um pirulito para a criança que acabou de sair do dentista. É tão gentil quanto inútil. Mais do que isso, trata-se de uma atitude danosa pois reafirma a posição de dominados das classes ao mesmo tempo que reforça a ilusão de que elas existem enquanto grupos e não como indivíduos. Pense que você tem um filho que precisa de uma operação séria, e descobre que em determinado hospital quem fará a cirurgia acabou se se formar e melhor ainda, se formou não porque tirou boas notas, mas porque conseguiu uma vaga por causa de um sistema de cotas. Como ficaria sua confiança no cirurgião?

Os defensores destas causas fariam um considerável bem a si mesmos se perceberem que dentro de todo grupo explorado existem indivíduos explorados pelo grupo. E não é o indivíduo a menor de todas as minorias? 

Quem não quiser ser controlado deve garantir a sobrevivência da própria individualidade e negar o direito de existência em seu microcosmo de qualquer rótulo, consciência de classe ou identidade de massas. Há uma diferença sutil, mas poderosa entre dizer que "Concorda com as teorias de Marx" e se dizer um "Marxista", entre dizer que torce para o Corinthians e ser um "Corinthiano", entre dizer que o Nazismo possuía pontos positivos e ser um "Nazista". Você pode ouvir heavy metal sem ser um metaleiro. Rótulos passam a ilusão de estabilidade, mas qualquer grupo de ideias que não passa constantemente pelo crivo do questionamento é uma grande ofensa ao nosso Eu Superior e uma enorme barreira contra a Verdadeira Vontade.


O satanista é portanto o grande inimigo do povo. Ele sabe que existe uma diferença entre 200 macacos que dormem juntos para se aquecer e um único macaco que sabe fazer fogo. De fato a união faz a força, mas uma força que não possui um objetivo além da própria sobrevivência, é como a força do vento: poderosa, talvez invencível, mas implorando para ser aproveitada por quem sabe velejar. Crowley não estava errado quando afirmou que os servos servirão, mas não porque algumas pessoas tem uma natureza escrava, e sim porque todo grupo precisa ser direcionado. E isso apenas pode ocorrer com um indivíduo no controle, mas onde está o indivíduo dentro de um grupo? Esta grande ironia é tratada com o humor que merece pelo lema original da Church of Satan "It's an organization for non-joiners.”

Claro que vivemos em um mundo onde o povo é astucioso. A propaganda é a arma do negócio e ma das grandes artimanhas do mundo atual é mostrar que não importa o tamanho do grupo que você faça parte, você ainda pode gastar como indivíduo. Assim, cada propaganda é feita para mostrar que mesmo que você seja apenas mais um dentre um milhão, você é único, desde que consuma o que vendem para o grupo que você faz parte. Desta forma para ser 'jovem' você deve consumir as músicas X e beber o refrigerante Y. Para ser um homem 'bem sucedido' deve dirigir o carro X e vestir a roupa Y.

Assim, mesmo que o título de " Satanista"  possa ser visto apenas como mais um rótulo ele é melhor forma de se desvincular de outras imagens que podem ser capitalizadas em prol do Grande Todo. O Satanismo é a melhor forma que encontramos para descrever esta posição. Mas a partir do momento que ele começa a feder a certeza, merece ser jogado no lixo da vala comum da ignorância. O satanista é o inimigo publico número 1. É o inimigo do povo, pois o 'povo' quer que ele sacrifique sua vida individual no altar da coletividade e assuma para si os medos e preconceitos do grupo. Ouça a voz de deus: ela quer que você morra. Satanistas não pertencem a nenhum grupo. Especialmente não pertencem a nenhum grupo de satanistas.  Se todos os homens derem as mãos é como se todos estivessem algemados.


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