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siga a estrada de tijolos amarelos: Sinfonias Música e Ocultismo Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história Bestial Atrocity, Baron Von Causatan

Bestial Atrocity, Baron Von Causatan


ENTREVISTA POR PHARZHUPH E LAURO N. BONOMETTI, LUCIFER LUCIFERAX IV

bestial.jpgUma das pessoas mais importantes para o cenário da música extrema underground, Baron Von Causatan, vocalista do Bestial Atrocity nos concedeu uma entrevista e expôs seu trabalho a frente da Vampiria Records e do Bestial!

Atualmente quem são os integrantes do Bestial Atrocity?

Hoje a formação atual conta com Baron Von Causatan (Vocal) já tendo passagem como tecladista da banda Satanáquia (95/96); H. Tumor Blast (Bateria) que já passou pela banda Homicídio e atualmente tocando também com as bandas Madness e Pancreatite Necro Hemmorágica; R. Dekapitator (Baixo) que passou pela banda Tormentor; War Commander (Guitarra) já tendo passado pelas bandas Barbarians Warriors In Search Of Wisdom e Remords Posthume e L. Infernal God (Guitarra) também tocando atualmente na banda Incinerad.

L. Infernal God foi recentemente recrutado para ajudar o Bestial Atrocity em seus novos planos e trabalhos. Como foi a negociação entre vocês e ele?

Realmente tivemos a necessidade de encerrar a nossa parceria com o guitarrista Cadaver após o nosso último show em setembro de 2008. Foi uma situação realmente incomoda, mas necessária visando os planos futuros da banda e até mesmo o momento atual que estamos passando, algumas situações não poderiam continuar e outras afetariam o futuro próximo da banda. Foi cogitado nos mantermos em quarteto novamente, mas vimos como o público estava realmente aprovando a formação em quinteto e com toda a certeza temos que pensar no melhor para a banda, assim sendo cogitamos alguns nomes por alguns dias e logo surgiu a idéia de chamarmos L. Infernal God para um teste. Ele teve pouco mais de 15 dias para se preparar para o teste conosco, chegou no dia com 10 músicas praticamente 100% tiradas e não tivemos dúvidas após 3hs de ensaio de que acertamos na escolha e que o futuro desse novo quinteto tem tudo para ser algo excelente. L. Infernal God tem o seu trabalho com a banda Incinerad, onde ele realiza as funções de guitarrista/vocalista e a intenção é de estar levando as duas bandas juntas adiante, assim como H. Tumor Blast tem mais duas bandas em paralelo à Bestial Atrocity, não vemos problema nisso, pois felizmente todas envolvidas nestas bandas são mais do que amigos e com isso facilmente resolvemos as coisas de agenda e ensaios. Como nenhuma das bandas ensaia no mesmo dia, os eventos sempre são agendados pela Bestial Atrocity com a maior antecedência possível, nada disso influencia nos trabalhos e assim todo mundo no fim pode tocar e aproveitar o que de melhor o underground pode nos trazer em cada show!!!

Vocês tocaram no mesmo festival que o Possessed e o Sadistic Intent. O que significou participar de um show junto com o lendário Jeff Becerra?

Com certeza foi um dos momentos mais importantes da história da Bestial Atrocity, se não o mais importante até agora. Não tenho dúvida de que é um marco em nossa estrada, será difícil superar este momento com toda a certeza. O Possessed é um dos marcos históricos do Metal mundial, um dos pais do Death Metal, a pessoa de Jeff Becerra ali no palco na frente de todo mundo, com uma cadeira de roda, batendo cabeça e fazendo um puta show é algo para se valorizar e muito.

Além do Bestial Atrocity, você está à frente da Vampiria Records. Como é o trabalho de vocês com relação ao lançamento de novas bandas, com a loja na Internet e com a organização de shows e eventos?

A Vampiria Records é um trampo como você mesmo já comentou, bem diversificado nos dias atuais. Realizo alguns lançamentos no formato underground, mostrando e abrindo portas para bandas nacionais e internacionais do underground. Existe o espaço de vendas e distribuição que vem crescendo muito mais, a loja da Internet ainda precisa ser melhorada, mas estou resolvendo isso o mais breve possível. Novos contatos estão sendo feitos para que a loja comece a funcionar logo e muitos outros contatos para realizar a vinda de muito mais material para distribuição. A organização de shows é algo muito mais feito por paixão do que qualquer outra coisa, pois atualmente viver de produção de eventos é se preparar para tirar dinheiro do bolso, pois o público não sai de casa para apoiar os eventos, alguns até saem, mas preferem ficar na porta do bar bebendo e bagunçando do que apoiando as bandas dentro do salão. Então do que adianta falar que curte algo ou que faz parte de um movimento se não apóia o movimento realmente?? Ajudamos com muitas outras situações como organizar vans, ajudar na divulgação de eventos de qualquer lugar no Brasil e ainda trabalhamos com o agendamento de shows e turnês para bandas por todo o Brasil.

Quais são os temas abordados nas letras do Bestial Atrocity? Quais mensagens vocês gostariam de transmitir através da música?

Os temas são variados, vão desde antigas civilizações, rituais pagãos até missas negras, rituais satânicos, divagações sobre o Satanismo e tudo nesse meio. Eu não vejo as letras da banda como uma forma de passar mensagens para ninguém, eu leio e aprendo coisas nos livros, tiro minhas próprias conclusões, realizado meus próprios pensamentos sobre determinados assuntos e isso se transforma em letras, que tanto podem citar temas que li, mas sem usar as palavras dos livros, como podem ser apenas uma maneira livre de pensar minha para determinados assuntos. Também uso as letras para blasfemar contra o cristianismo e qualquer outra religião que aliene a mente das pessoas que as seguem.

Como são feitas as composições?

Basicamente o instrumental sai do pessoal das cordas, eles entregam as músicas para nós nos ensaios e lá se desenvolve alguns pontos para finalizar a música, todo mundo tenta colaborar da melhor forma possível. As letras podem estar já escritas e tento encaixá-las ou então após ouvir a música imagino algo exclusivamente para aquela música. Depende do que tenho em mãos com a música para sair a letra.

Como está o processo de lançamento do debut “Christ Must Suffer”? Como e onde foram realizadas as gravações? Vocês já possuem um selo para lançá-lo?

O debut já estava praticamente todo pronto e definido, mas surgiu a necessidade de regravarmos a segunda guitarra desse trabalho e assim teremos uma melhor qualidade final do mesmo. As gravações foram realizadas no SINC Studio em Piracicaba mesmo. A segunda guitarra será refeita no mesmo local e a mixagem de algumas partes do debut já estão prontas, com isso teremos a parte técnica de estúdio logo finalizada neste começo de 2009 e então estaremos lançando o álbum o mais rápido possível. A arte do material está sendo trabalhada paralelamente e queremos deixar tudo pronto assim que possível. Quanto a alguma gravadora para lançar o trabalho, já tínhamos como certo a Infernal Kaos Prod. da Coréia do Sul, até já tínhamos dado como oficial o lançamento por eles, recebemos o contrato para assinarmos e tudo mais, mas por questões pessoais de ordem familiar do dono do selo eles nos pediram um tempo para resolver estas questões e neste momento estamos voltando a conversar e definindo o que vamos poder realmente definir para este trabalho e ser lançado por este selo. Ainda estamos negociando algumas situações com selos no Brasil, mas espero termos isso resolvido nos próximos meses e realizar um lançamento simultâneo e assim já sair em turnê para divulgar o debut em todos os locais possíveis do Brasil, que já estamos preparando.

No que esse trabalho difere dos outros títulos do Bestial Atrocity?

Basicamente se difere de tudo. Nada até hoje envolveu tanto como nesse debut álbum, agora estamos falando de um trabalho extremamente profissional que pode colocar ainda mais a cara da banda dentro do cenário underground mundial, então a preocupação com o mesmo é total seja em estúdio, parte gráfica e tudo mais que o envolve. Estamos subindo um nível em nossos lançamentos em termos de qualidade com esse álbum. Nos anos 90, gravávamos ensaios pros amigos e esses tapes rolavam o país afora, material que nem eu tenho mais atualmente. Agora temos muitas mais facilidades para gravar em estúdio ou com as modernidades da tecnologia, podemos gravar um ensaio com um computador com uma boa qualidade e até mixar e masterizar em casa, sem precisar de um estúdio. Então isso tudo está nos ajudando totalmente para chegarmos no caminho e no lugar que desejamos agora.

No Split “Negra União Underground”, junto com o Sardonic Impious, uma música me chamou à atenção: “The Original Sin (We are the Children of Cain)”. Sobre o que essa música fala especificamente?

Como diz o título, exploro o tema do pecado original, mas ao mesmo tempo mostrando que o ser humano possui uma alma corrompida por essência, o ser humano já nasce invejando o outro, a inveja faz parte de nossos “pecados”, a inveja rege o mundo, podendo até fazer uma pessoa matar outra para conseguir toda a atenção e ter tudo o que se deseja pra si. Então em parte somos os filhos de Cain, que matou Abel por inveja, que se torna mal em sua essência para ser superior. A letra expõe não só isso como também uso o argumento de que esse dito pecado abre as portas para a dominação de Satanás neste plano, seguindo os pensamentos de que os pecados são apenas uma forma de alimentar o desejo mundano da alma humana para o mal. Falando assim pelo ponto de vista de um cristão, mas sabemos bem que tais eventos (pecados) são nada mais que algo inserido em nossa alma, algo que faz parte do ser humano e deixar de sentir inveja ou tentar evitar cometer outros pecados, estamos apenas indo contra a nossa essência quanto pessoas. Enfim, o pecado original é não aceitar quem somos, é não agir por nossa vontade...por isso somos os filhos de Caim.

No início dos anos 90, na cidade de Piracicaba, havia algumas bandas que chegaram a ter alguma projeção na música extrema, em especial o Angel of Light que chegou a lançar um Split. Pode-se dizer que essas bandas tenham contribuído de maneira significativa para o cenário underground? Você chegou a integrar alguma dessas bandas?

Na verdade essas bandas surgiram em meados dos anos 90, inicialmente na cena extrema de Piracicaba os primeiros nomes foram Bestial Atrocity e depois vieram Brutal Carnage (depois Sargathanas) e Penitence. Por volta de 94 e 95 surgiram a Satanaquia (resgatando membros da Sargathanas) e Angel Of Light (originada do final da Execrator). A banda Execrator também fez alguns shows na cidade na época e acabou por encerrar atividades quando faziam um estilo mais voltado para o Death Thrash Metal, para então das cinzas surgir a Angel Of Light totalmente Black Metal. Eu fui tecladista da Satanaquia até um pouco antes da banda entrar em estúdio para gravar o split. Sim, as duas bandas tiveram a sua importância para a cena local e porque não dizer até para o underground nacional, já que este split chegou a ser muito bem comentado até na Europa.

No underground brasileiro vemos uma série de indivíduos cultivando ideais nazistas e francamente discriminatórios. Há blogs e bandas nacionais que cultuam seus holocaustos e fazem apologia ao racismo e à segregação racial, territorial e humana. Como você enxerga tudo isso? Você acha que as cenas de violência gratuita podem ser mais freqüentes com a expansão dessa “cultura”?

Infelizmente a cena no Brasil aderiu a este conceito deplorável em minha opinião. Cada indivíduo tem todo o direito de odiar e seguir o que desejar e quem desejar, não podemos impedir isso. Eu pessoalmente acho esse tipo de posição errada dentro de um estilo musical, pois o Black Metal não tem como conceito em seu fundamento em escolher seus músicos ou fãs pela cor da pele. Isso basicamente surgiu porque o Black Metal a partir de 95 praticamente teve como referencial muitos países europeus e lá esse conceito racial é muito divulgado, independente de estilo musical. Isso claro seria questão de tempo para que víssemos hoje esse tipo de associação com o Black Metal infelizmente. Para mim não interessa a cor da pele da pessoa e sim o quanto a pessoa curte o Black Metal, ou melhor, o Metal, como música e como conceito ideológico. Longe de racismo e política.


Ainda falando de violência gratuita, o que você pensa com relação ao radicalismo de muitos Headbangers que brigam por camisetas, pentagramas e uma posição de “status”?

Acho que esse tipo de atitude no Metal atual não ajuda em nada, antigamente os resultados seriam muito mais eficientes, mas atualmente com tanta oportunidade de se adquirir e conhecer bandas pela internet, não é com atitudes como essas que vai selecionar quem é o que na cena hoje. O radicalismo usado de forma consciente, eu acho que ajuda muito, no momento que você pode pressionar um cara que não está ligando para nada que rola na cena de forma responsável, pode ser a hora que o cara poder acordar e ver que o lance é atitude e postura mesmo, coisa séria e não comédia. Camiseta hoje em dia qualquer um leva numa estamparia e faz a dele, música de banda ultra-underground na Internet é rapidamente divulgada. Por isso arrancar camiseta, acessórios é perda de tempo atualmente. Qualquer um com pouco tempo de som, hoje, pode conhecer uma banda lá da Nova Zelândia que um cara com anos nem sabe que existe, a Internet facilita tudo. Antes não, quem conhecia alguma banda underground, conseguia uma demo do Tormentor (hoje Kreator), por exemplo, era um cara que curtia e mantinha contatos de forma séria. A Internet e a modernidade toda mudaram os conceitos e maneira de se ver o movimento, por isso certas atitudes não funcionam mais.

Outro “fenômeno obscuro” do underground brasileiro são as bandas de “unblack-metal” ou “black-metal-cristão”. O que é isso para você?

Essa merda está em todo lugar, não é exclusivo apenas do Brasil não, percebemos mais isso porque sentimos de mais perto, mas se não tomar cuidado vai trombar com uma banda foda com visual e som igualmente poderosos, mas ao ver os conceitos, tudo vai pra merda. Essa escória no meio do Metal nada mais é do que uma forma que as igrejas encontraram para tentar resgatar os cordeiros perdidos pelo mundo, tentar aceitar o Metal dentro de uma igreja hoje é aceitável para que o fã, mesmo cabeludo e com tatuagens, possa ainda louvar a deus e encher os cofres das igrejas e templos. Há 15 ou 20 anos atrás pelo menos, Metal e Rock era coisa do diabo e totalmente proibido de se levar para dentro das crenças religiosas, mas como se perdeu muitos que curtiam Metal para essas idéias imbecis, hoje temos essa comédia toda que vemos rolando por aí. Metal cristão seja que estilo for não existe, me diga, sem pensar muito, qual é o estilo do Metal cristão?? Exato, ele não existe, por que? Porque simplesmente é algo empurrado na cena, sabemos diferenciar cada estilo por letras e som, mas o white se esconde por trás de qualquer estilo dentro do Metal, até usam hoje correntes, sangue, corpsepaint para se parecer com bandas satânicas do Black Metal para assim tentar enganar os mais desavisados, o que não raro acontece. Eles se escondem dentro da cena e sempre tentam de alguma maneira se misturar para depois mostrar quem são apenas em cima do palco, por isso devemos ter muito cuidado com essa escória cristã.

O que você acha que falta ao underground atualmente?


Falta união, atitude e participação no mínimo... no máximo o povo sair de casa e entrar nos shows mesmo. De tudo de positivo que já disse sobre a modernidade, aqui eu sou obrigado a ir contra tudo isso. Simplesmente porque a tecnologia atual facilita a vida, o público não sai mais de casa para ver shows underground. Preferem ficar no computador ouvindo seus mp3, vendo vídeos no youtube e batendo papo nos messengers da vida. Eles esquecem que o movimento real é ali na beira do palco, na ponta do balcão, batendo cabeça lado a lado em um show. A inteiração com pessoas da sua cidade que você ainda não conhece, com as pessoas de outras cidades que vem até sua cidade e que você pode estar indo na cidade deles também. Isto é o que falta no underground hoje, nada mais do que ele ter a essência pura do que sempre foi.

Em sua opinião, qual é o verdadeiro papel de doutrinas e filosofias como o satanismo e o luciferianismo na música extrema?


Se não tomar cuidado se torna o mesmo que o cristianismo em qualquer lugar. Ambas doutrinas se tornam apenas religião se for levada de uma forma fervorosa e sem senso crítico. Para mim, seguir uma doutrina se torna algo estranho se você não puder estar criticando ou mesmo tendo a sua própria forma de pensar e colocar os seus conceitos. Ambas doutrinas são as bases essenciais do que hoje chamamos de Black Metal. O estilo foi criado em cima dessas “crenças”, mesmo que antes as bandas falassem mais da boca pra fora do que tivessem o envolvimento com isso, se observarmos muitas bandas tem até mais envolvimento com tais doutrinas fora do Black Metal do que algumas que vivem dentro do estilo. Enfim, são a essência de um estilo, a base ideológica que não podemos esquecer nunca.

Se você fosse atribuir um título à sua “orientação religiosa” qual seria ele?

Eu sou um misto de orientações, por assim dizer, extremas, vivo o meu dia a dia da minha forma que deve ser. Não me preocupo em dizer que sou isso ou aquilo, prefiro ser EU antes de qualquer crença ou orientação. Como disse no começo da entrevista sobre as minhas letras, eu leio e tiro minhas conclusões, sigo os meus próprios conceitos e vivo muito bem assim, sem precisar abaixar a cabeça pra qualquer suposto líder de alguma crença.

Qual mensagem você deixaria para nossos leitores?

As melhores mensagens já foram ditas acima, se chegaram até aqui, espero que tenham lido tudo com atenção, assim saberão quais as mensagens eu espero ajudar a divulgar. Lutem pelo que acreditam, vivam aquilo em que acreditam. Só espero poder encontrar o máximo de pessoas possíveis para debatermos os assuntos sempre que for possível, tomar algumas brejas nos shows quando for possível, bater muita cabeça ouvindo o melhor do Metal underground e acima de tudo criando novas alianças. Visitem o site atual da banda www.myspace.com/bestialatrocity - o único local possível para saberem de nossas novidades, fora a nossa comunidade do orkut. AVE!!!


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