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siga a estrada de tijolos amarelos: Sinfonias Música e Ocultismo Sitra Ahra – A Banda Therion e a Jornada Qliphotica

Sitra Ahra – A Banda Therion e a Jornada Qliphotica


Por Lucas Viola

A começar pelo nome, “Sitra Ahra” (em hebraico “O Outro Lado”) é, segundo o Zohar, livro sagrado dos Cabalistas Hebreus, o Reino extrafísico onde encontram-se as Qliphoth (em hebraico “Mulher Indecente”), que é de onde tudo de “ruim” se origina. Para os cristitas, seria o inferno, para os psicanalistas Jungianos, seria a Sombra da Psique Humana. Enfim, lá residem demônios.



Análise do clipe


0:10 – Ato 1°=10° 
Lilith 

No início do clipe, podemos ver uma mulher com uma vestimenta preta andando em uma floresta. Reparem que ela desce por um caminho e encara as raízes de uma árvore. A partir daí já pode-se notar a simbologia cabalista/ocultista do clipe. Ela está andando em direção a Árvore da Morte, que, segundo os cabalistas judeus, origina-se das raízes da Árvore da Vida. É o Início da Jornada Qliphotica.

1:00 – Ato 2°=9°
Gamaliel

A mulher então ajoelha-se em frente a uma Árvore, ela afasta do chão algumas folhas mortas, retira do bolso um saco e retira desse saco alguns objetos que, após observar diversas vezes, cheguei a conclusão lógica de que são conchas negras (o que, simbolicamente, faz todo sentido, pois as Qliphoth também são chamadas de conchas, pois são as cascas vazias que cobrem as Sephiroth) e as joga no chão misturando com saliva, dando início a um processo alquímico-magístico. Nesse momento podemos ver algo que começa a se materializar a partir do chão. Essa estrutura é a própria Otz Daath, a Árvore da Morte, com suas 10 Qliphoth, as esferas, e seus 22 caminhos que conectam as 10 esferas.

1:50 – Ato 3°=8°
Samael

Ela encosta na imagem materializada e desmaia. O chão em volta dela começa a apodrecer. Podemos interpretar que, a partir deste momento, ela entrou em Sitra Achra. E é aqui que a diversão começa.

2:12 – Ato 4°=7°
Oreb Zaraq

Aparentemente ela está sonhando. Ela está em um local de completa escuridão. Vários “braços” começam a surgir do nada e agarra-la. É o primeiro confronto com o Outro Lado. O contato com os demônios que residem na Sombra.

2:30 Ato 5°=6°
Thagirion

A Protagonista então acorda na mesma floresta onde estava antes, porém em um local diferente. Não sei se foi erro de filmagem mesmo, se ela possui algum sonambulismo latente ou se isso representa simbólicamente algo. Ela olha em volta e vê uma misteriosa Figura Negra espreitando entre as árvores.

2:45 Ato 6°=5°
Golachab

A figura se apresenta com uma reverência cordial e então oferece uma maçã a protagonista. Aqui as coisas começam a ficar interessantes. A maçã em questão é simbólica. É o “fruto proibido” do Jardim do Éden. Que contém os segredos do Bem e do Mal. Aqui a protagonista se depara com uma escolha: pode comer a maçã, provar do Fruto Proibido e “cair” na Sombra do Conhecimento (Daath), ou continuar na luz da sua própria Ignorância. A Protagonista morde a maçã e a Figura Negra se esvai no Ar. Agora não há volta. Ela provou do Conhecimento Proibido e quer saber mais. Ela sai a procura da Figura Negra.

4:15 Ato 7°=4°
Gasheklah 


A Protagonista se ajoelha, caindo em exaustão. Ela está agora no final da sua Jornada. A Figura Negra se apresenta a ela novamente e extende a mão. Da sua mão sai uma chama. Daath, na Árvore da Vida, significa Conhecimento. O Fogo, nesse caso, é, simbolicamente, o Fogo do Conhecimento que Prometeu roubou dos Deuses para dar aos Humanos. É a Chama que brilha na luz Luciferiana.

4:40 Ato 8°=3°
Satariel

A Protagonista encara a Chama e seus olhos a refletem. Sua expressão facial se transforma, de uma aparente confusão para uma expressão de Entendimento. Ela viu uma centelha do Conhecimento de Daath e começa a compreender a Experiência.

4:50 Ato 9°=2°
Ghagiel

Ela começa a subir a floresta, agarrando-se nas árvores, para completar a sua Jornada. Ela sabe que a resposta para as suas perguntas reside na misteriosa Figura Negra que a guiou durante grande parte da Jornada.

5:00 Ato 10°=1°
Thaumiel

A Protagonista encontra-se frente a frente com a Figura Negra. Avança, então, para tirar o capuz que cobre a sua face quando, enfim, sua verdadeira identidade lhe é revelada. A Figura em questão é, na verdade, o último demônio a ser encarado. Ela mesma. A Jornada acaba e ambas se esvaem no Ar para a Não-Existência.

Conclusão


Simbólicamente, a Figura Negra em questão pode ser relacionada com Choronzon que, segundo o magista Aleister Crowley, é o Demônio Guardião do Abismo de Daath. Choronzon pode ser representado na Árvore da Vida pela sephirah Hokmah, o Caos que contém todas as Formas e Possibilidades, que é contido e equilibrado pela sua Sephirah oposta Binah que, segundo Crowley, é representada pela deusa Babalon. Choronzon, aplicado ao contexto em questão, é o Demônio que contém todas as Formas Vazias do Ego Humano. É a junção de todos os arquétipos que residem na Sombra da Psique Humana. É a “soma” de cada aspecto do Ego, do EU ontológico e psicológico.  Choronzon, logo, é o Demônio do “Self”, sendo assim representado no vídeo como a própria Protagonista. Ao encara-lo, ou seja, encarar seus próprios demônios, sua própria Sombra, a Protagonista compreende suas Formas Vazias e seu Ego é, então, aniquilado. A protagonista torna-se a deusa Babalon (Binah) e sobe para a Não-Existência extrafísica. Deixa seu lado Humano para tornar-se Deus (Kether).

Obs: Vejo bastante gente comentando também sobre os dentes podres da Protagonista. A minha interpretação pessoal disso, é que os dentes podres representam o corpo físico dela que se deteriora conforme ela entra em contato com realidades mais sutis da Natureza. Ela é uma bruxa em busca do Conhecimento do Bem e do Mal e está deixando o Plano Terrestre para adentrar no Abismo de Daath.


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