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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Despertar dos Mágicos A Alquimia Como Exemplo - Capítulo V

A Alquimia Como Exemplo - Capítulo V


Louis Pauwels e Jacques Bergier

Há um tempo para tudo. - Há mesmo um tempo para que os tempos se tornem a encontrar.
 
Os velhos textos alquímicos asseguram que as chaves da matéria se encontram em Satúrno. Por uma estranha coincidência, tudo o que hoje se sabe a respeito de física nuclear apoia-se sobre uma definição do átomo "saturniano". O átomo seria, segundo a definição de Nagasoka e Rutheford, "uma massa central exercendo uma atracção, rodeada por anéis de electrões giratórios". É esta concepção "saturniana" do átomo que é admitida por todos os sábios do Mundo, não como uma verdade, mas como a mais eficaz hipótese de trabalho. É possível que se apresente para os físicos do futuro como uma ingenuidade. A teoria dos "quanta" e a mecânica ondulatória aplicam-se ao comportamento dos electrões. Nenhuma teoria e nenhuma mecânica definem com exactidão as leis que regem o núcleo. Supõe-se que este é formado por protões e neutrões, e é tudo. Nada se sabe de preciso sobre as forças nucleares. Elas não são nem eléctricas, nem magnéticas, nem da mesma natureza que a gravitação. A última hipótese formulada alia essas forças a partículas intermediárias entre o neutrão e o protão, chamadas mesões. Isto só satisfaz até se encontrar qualquer outra coisa. Daqui a dois ou dez anos as hipóteses terão sem dúvida tomado outro rumo. No entanto, é preciso notar que estamos numa época em que os sábios não têm o direito nem o tempo de se dedicar à física nuclear. todos os esforços e todo o material disponível estão concentrados sobre a fabricação de explosivos e a produção de energia. A investigação fundamental é atirada para um segundo plano. O urgente é extrair o máximo daquilo que já se conhece. Poder importa mais do que saber. É deste apetite de poder que os alquimistas parecem ter sempre tido o cuidado de fugir.

Em que ponto estamos nós? O contacto com neutrões torna todos os elementos radioactivos. As explosões nucleares experimentais envenenam a atmosfera do planeta. Este envenenamento, que progride de forma geométrica, aumentará extraordinariamente o número de crianças nascidas mortas, dos cancros, das leucemias, destruirá as plantas, alterará os climas, produzirá monstros, escangalhará os nervos, sufocar-nos-á. Os governos, quer sejam totalitários ou democratas, não renunciarão. Não renunciarão por duas razões. A primeira é que a opinião popular não pode abranger a questão. A opinião popular não possui nível de consciência planetária suficiente para reagir. A segunda é que não há governos, mas sociedades anónimas com capital humano, encarregadas, não de fazerem a história, mas de exprimir os diversos aspectos da fatalidade histórica.

Ora se nós acreditamos na fatalidade histórica, acreditamos que ela não é senão uma das formas do destino espiritual da humanidade, e que esse destino é belo. Nós não pensamos que a humanidade venha a desaparecer, mesmo que tenha de sofrer mil agonias, mas que através das suas dores imensas e pavorosas encontrará - ou tornará a encontrar - a alegria de se sentir "em marcha".

Irá a física nuclear, orientada na direcção do poder, como diz Jean Rostand, "destruir o capital genético da humanidade"? Sim, talvez, durante alguns anos. Mas não podemos deixar de imaginar a ciência tornando-se capaz de desatar o nó górdio que acaba de dar.

Os métodos de transmutação actualmente conhecidos não permitem dominar a energia e a radioactividade. Trata-se de transmutações estreitamente limitadas, cujos efeitos nocivos são, pelo contrário, ilimitados. Se os alquimistas têm razão, há processos simples, económicos e sem perigo de produzir transmutações maciças. Tais processos devem passar por uma "dissolução" da matéria e pela sua reconstrução num estado diferente do estado inicial. Nenhuma conquista da física actual permite acreditar nisso. É no entanto o que, há milénios, os alquimistas afirmam. Ora a nossa ignorância sobre a natureza das forças nucleares obriga-nos a não falar de impossibilidades radicais. Se a transmutação alquímica existe, é porque o núcleo tem propriedades que desconhecemos. A importância do que está em jogo justificaria um estudo verdadeiramente sério da literatura alquímica. Se esse estudo não conduz à observação de factos irrefutáveis, há pelo menos algumas probabilidades de
que venham a surgir novas ideias. E são as ideias que mais faltam no actual estado da física nuclear, submetida ao anseio de poder e esmagada pela enormidade do material.

Começam a entrever-se estruturas infinitamente complicadas no interior do protão e do neutrão, e verifica-se que as leis ditas "fundamentais", como, por exemplo, o princípio de paridade, não se aplicam ao núcleo. Já se fala numa "antimatéria," da coexistência possível de vários universos dentro do nosso universo visível, de forma que tudo é possível no futuro, e especialmente a desforra da alquimia. Seria belo, e estaria de acordo com a nobreza da linguagem alquímica, que a nossa salvação se conseguisse por intermédio da filosofia espagírica. Há tempo para tudo, e há mesmo um tempo para que os tempos se tornem a encontrar.


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