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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Nazi-Esoterismo: crenças e Magia no Reich de Hitler As Práticas de Thule

As Práticas de Thule


Nazi-Esoterismo: Crenças e Magia no Reich de Hitler

As atividades desenvolvidas na câmara secreta da Sociedade de Thule deveriam, a rigor, permanecer desconhecidas do resto do mundo. Ocorre que todas as sociedades secretas, mais cedo ou mais tarde sofrem dissidências, pessoas que escapam do círculo e encontram oportunidade de confessar o inconfessável. Foi assim que relatos sobre os rituais dos thulistas chegou às páginas dos inúmeros livros que foram escritos depois da Segunda Guerra abordando precisamente a relação entre nazismo e ocultismo. [Como diria o arcano colunista social brasileiro Ibrahim Sued: Em sociedade, tudo se sabe].

Em 1919, Hitler foi convidado a conhecer a Sociedade depois de impressionar um importante guru de Thule, Dietrich Eckart [1868-1923]. Embora tenha participado de rituais historicamente não há registro de que o ditador tivesse sido membro efetivo de Thule; mas não era necessário. Os sacerdotes thulistas não estavam à procura de um novo membro; o que desejavam era encontrar "o vaso" do Messias germânico.

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Dietrich Eckart ─ Em A Espada do Destino, Trevor Ravenscroft descreve Dietrich Eckart como veterano da primeira guerra, prejudicado por efeito do gás mostarda [que acabou sendo causa de sua morte] porém jovial, um tipo artístico, teatral, bem-falante, freqüentador da Munich Bierkellers, uma taverna, reduto de homossexuais. Na face obscura de sua vida, era satanista e foi como satanista que Eckart ingressou na Sociedade de Thule.

Profecias da Vagina

Em busca desse messias, Eckart e dois generais russos emigrados, Scoropadski e Bishupski, realizaram uma série de sessões espíritas. Vale lembrar a consistente tradição e interesse dos russos em paranormalidade. Outro russo envolvido com os thulistas, Dr. Nemirovitch-Dantchenko, descobriu e levou à Thule uma medium: a mulher era uma camponesa iletrada dotada de faculdades surpreendentes. Quando mergulhada em transe profundo, emanavam de sua vagina [!] cabeças e outros espectros ectoplasmáticos como nascituros emersos de um mundo inferior [Ravenscroft, 1982]. Mas o que interessava aos ocultistas de Thule não eram as aparições fantasmagóricas mas as vozes que a infeliz manifestava falando em línguas diferentes de modo quase poético.

Embora Dietrich Eckart fosse o mestre de cerimônias dessa sessões regulares era Alfred Rosenberg que presidia a evocação dos espíritos que se alternavam possuindo a medium. Foi Rosenberg que chamou a Besta da Revelação, o Leviatã Luciferino de tomaria o corpo e a alma de Aldolf Hitler. Konrad Ritzler, testemunha desta evocação, conta que todos os presentes ficaram terrificados com o poder da entidade. O ar tornou-se asfixiante , insuportável e o corpo nú da medium tornou-se translúcido, envolto em uma aura de luz ectoplasmática. [Aldof Alfred] Rudolf Glauer [pseudônimo de Rudolf Freiherr von Sebottendorff], fundador da Thule Gesellschaft [Sociedade de Thule], começou a correr; queria fugir do aposento. Estava em pânico. Mas Eckart agarrou e jogou o sujeito no chão.

Porém, a profecia mais importante obtida naquelas sessões foi a do espírito do príncipe von Thurn und Taxis, que havia sido morto por comunistas em abril daquele ano [1919]. Von Taxis, que foi membro dos Mystics of Bavaria, anunciou o surgimento, em breve, do Messias Germânico. Ele se manifestou a partir do ectoplasma que emanava da mulher. Uma cabeça pálida, fantasmagórica, tomou forma e a medium falou com uma voz igual à do príncipe em vida, comunicando os pensamentos do desencarnado em perfeito alemão, língua que a camponesa paranormal não dominava.

Porém, mesmo entre os espíritos há controvérsias. Naquela mesma noite, o espectro da bela e loura Heila, Condessa von Westarp, que fora secretária da Sociedade, também assassinada por comunistas, apareceu para contradizer o o espírito de von Taxis.
Tal como uma translúcida Cassandra, uma profetisa do Infortúnio, ela saiu do peito lânguido da camponesa inconsciente e deu um aviso: o homem que seria preparado para assumir a liderança de Thule provaria, por si mesmo, ser um falso profeta. Ele assumiria total poder sobre a nação e reduziria toda a Alemanha a ruínas e levaria o povo à derota e a uma degradação moral jamais vista em toda a história [RAVENSCROFT, 1982].

Vê-se, portanto, que mesmo entre os Espíritos que visitavam os satânicos thulistas houve ao menos um [ou uma] que percebeu e advertiu para o desastre nazista sob o comando do desastrado Adolf Hitler. Mas não adiantou: entre a palavra do príncipe e a da condessa, os nazi-thulistas preferiram crer naquilo que lhes parecia mais conveniente. 
 Reencarnação ─ Satanista mestre de cerimônias das sessões espíritas espetaculosas de Thule, que melhor seriam definidas como sessões de necromancia, Eckart, coerentemente, também se aventurava na hipnose de regressão a vidas passadas. Empenhou-se em descobrir [ou escolher] sua própria encarnação prévia bem como a de Hitler e de outros figurões do partido.

Eckart, trabalhando para desenvolver e abrir os centros de energia do corpo astral de Adolf Hitler [chacras], supostamente, permitiu ao pupilo alcançar a visão do macrocosmo e a capacidade de comunicação com os poderes das Trevas [RAVENSCROFT Apud GOODRICK-CLARKE, 1982 ─ p 120]. Pela regressão, teria ativado a memória das vidas passadas de Hitler e ambos se convenceram que o ditador era a reencarnação de Landulf de Capua, que viveu no século IX [século 9]. Esse Landulf de Capua tinha sido um homem de sinistra reputação cujo ideal era ser tal qual a personagem Klingsor, mago negro de Parsifal, o inocente casto da ópera do compositor alemão Richard Wagner [1813-1883] ─ um entre outros artistas e filósofos que tiveram a infelicidade de ser adotados como representativos da arte e cultura ário-germânicas.

Landulf II Conde e Bispo de Capua [Itália]. Como víbora, Landulf estimulava seu imperador a guerrear contra os árabes que avançavam no sul da Itália enquanto usava o irmão para negociar com árabes a invasão das terras cristãs. As idéias de Landulf eram influenciadas pelos muitos anos que passou no Egito estudando astrologia e magia árabes. Secretamente, tinha se tornado aliado dos muçulmanos. Graças a essa aliança com o Islã, Landuf pôde sempre manter seu castelo, o "ninho das águias", nas altas montanhas da Sicília, mesmo quando ocupada pelos árabes. Ai, um lugar chamado Calta Bellota abrigava um antigo e misterioso templo onde, segundo consta, o bispo Landuf praticava rituais horrendos e perversos. As operações mágicas de Landuf, incluindo atividades sexuais aviltantes e sacrifícios humanos, lhe valeram a reputação de ser o mais temido mago negro do mundo.   [RAVENSCROFT, 1982]

Mas não havia apenas uma encarnação nefasta no passado transcendental do ditador. Os rituais de Eckart teriam revelado outras biografias de Hitler, suas vidas passadas, suas encarnações neste mundo: a mais remota teria sido a pessoa de Ahab [ou Acabe, 869 – 850 antes de Cristo] do Antigo Testamento ─ mago negro que, junto com sua mulher, Jezebel, adorava o deus Baal; o casal planejou o assassinato do profeta Elias.
Depois disso, Hitler foi Herodes, o Grande - um rei de Israel; o perseguidor do Jesus menino; aquele que ordenou a matança das criancinhas descrita nos evangelhos cristãos. Esse Herodes, era judeu somente no cargo; sua origem era árabe, fato que teria influenciado a encarnação seguinte. Hitler teria sido um guerreiro muçulmano antes de de vir ao mundo como Landulf de Capua.

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Castelo de Wewelsburg ─ No final da década de 1930, casamentos e festas pagãs foram realizados neste castelo. Mais tarde, Himmler cuidou da ampliação das instalações, usando trabalho escravo, prisioneiros de campos de concentração; pretendia que Wewelsburg se tornasse um centro de estudos e operações mágicas, centro de uma espécie de Vaticano germânico, ou seja, sede do poder espiritual da nova religião ariana.


Ao que tudo indica, os gurus de Hitler, Exkart mas, também Karl Maria Wiligut o chamado Rasputin de Himmler, encarregaram-se de criar todo um histórico cármico-espiritual que Hitler deveria considerar como indicativo de sua natureza anti-semita. Natureza racista que outras erudições e eruditos nazistas justificavam recorrendo à interpretações distorcidas das palavras de prestigiados autores ocultistas, filósofos e artistas.

Dietrich Eckart também conhecia sua vida passada mais recente, como Bernardo de Barcelona, outro personagem, herege e mago negro, também do século IX. Himmler tinha a certeza de ser o rei Henry, The Fowler [Henrique, chamado O Passarinheiro ─ 875-936] renascido. Piedoso, consigo mesmo, mandou rezar uma missa no túmulo de Henrique no milésimo aniversário de sua morte, em 936 d.C. [esquecendo que não estava morto, mas reencarnado!]. Este rei fundou a dinastia real saxônica. A idéia de ser reencarnação de uma figura perversa em nada repugnava aqueles líderes nazistas [GOODRICK-CLARKE, 2003]. Ao contrário, apreciavam a possibilidade, acreditavam naquilo e todos arranjaram uma personalidade passada da Idade Média germânica.

A relação do nazismo com o ocultismo da mão esquerda, que Goodrick-Clarke chama de Misteriosofia do Nazismo, explica o fenômeno Hitler-arianismo pela intervenção manipuladora de: 1. ou uma entidade desencarnada, sobrenatural, arcana e demoníaca, a Besta da Revelação, que teria sido evocada pelos magos de Thule; 2. ou pela interferência de uma elite oculta que comanda o destino da Humanidade de algum lugar ou plano existencial remoto; elite com a qual os nazistas teriam feito contato [as forças trevosas, hierarquias invisíveis, superiores desconhecidos ─ GOODRICK-CLARKE, 2003].

Na história do ocultismo nazista muito se fala dos misteriosos rituais do círculo fechado da Sociedade de Thule, conhecida como Sociedade do Vril. Vril era então definido como um tipo de energia metafísica, sobrenatural, supra-humana que somente poderia ser obtida e/ou desenvolvida por meio da Iniciação mágica. Mais uma vez, Eckart foi buscar inspiração em Parsifal para montar a cena de seus rituais.

O mago Klingsor, da saga [Parsifal], fazia rituais; Landulf [Hitler em prévia encarnação]  também. Então, Eckart também faria! Eram rituais de magia astrológica árabe que, supunha-se, tinham sido usados pelos mouros contra os cristãos. Rituais que consistiam na invocação de espíritos trevosos através de tortura e sacrifícios humanos.

No contexto esotérico nazista, na mente de Eckart e dos outros aloprados da Thule-Vril, os judeus fariam o papel de cordeiros de holocausto ou,  muito mais precisamente, o papel do bodes expiatórios. A Sociedade de Thule, sob a direção de Eckart, realizou sacrifícios humanos em rituais de magia negra. Desconfia-se que entre suas vítimas estavam numerosos judeus e comunistas que desapareceram em Munique nos primeiros anos do pós-primeira-guerra [RAVENSCROFT Apud GOODRICK-CLARKE, p 222].


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