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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Nazi-Esoterismo: crenças e Magia no Reich de Hitler Hitler como Anticristo

Hitler como Anticristo


Nazi-Esoterismo: Crenças e Magia no Reich de Hitler

No contexto do papel do ocultismo na trajetória socio-política do Terceiro Reich  muitos textos destacam na figura de Hitler seu caráter de marionete nas mãos de uma cúpula de magos negros. É uma verdade parcial. O envolvimento de Hitler com a mitologia nórdica e com as artes mágicas é muito anterior a qualquer delírio de grandeza vislumbrado pelo maduro Hitler veterano de guerra.

O Hitler menino odiava a escola; o adolescente continuou odiando. Ele queria ser artista, artista plástico, pintor! Essa ambição levou-o a Viena. Tinha 19 anos e estava órfão. Recusado duas vezes pela Academia de Artes de Viena, continuou na cidade. Passava o tempo nas livrarias e bibliotecas mergulhado em livros de misticismo, astrologia, religiões orientais, mitologia. Tinha lido A Doutrina Secreta da teósofa H. P. Blavatsky, livros dos arianistas Chamberlain, List [anti-cristão] e Liebenfels [que recomendava castrar os miscigenados] e cultuava a música de Wagner [profeta do Cristo ariano]. Possivelmente, a leitura do Bhagavad-Gita [como sempre mal interpretada] serviu para que o Hitler ditador justificasse para si mesmo a validade do Holocausto. Afinal, uma sabedoria milenar sentenciava: as vezes era preciso matar.

Tornara-se inevitável a batalha entre os Pandavas e os Kurus. [o guerreiro Arjuna era um Pandava. Vendo muitos parentes e antigos amigos entre as fileiras dos exército inimigo Arjuna entristeceu-se e  disse:

Oh! Krishna, não enxergo nenhum bem bem em chacinar meu povo nesta contenda... A estes guerreiros eu não quero matar, embora por eles seja morto... Só o pecado se apossará de nós por temor matado esses malfeitores.

E Krishna respondeu:

Oh, Arjuna! De onde vem sobre ti neste momento crítico esta depressão indigna de um Ariano?... Não condescendas com a efeminação... Estes corpos [físicos] são perecíveis. Mas os que moram nestes corpos são eternos, indestrutíveis, impenetráveis. Aquele que considera este [o Eu] um assassino ou aquele que supõe que este [o Eu] é assassinado não conhece a Verdade. Porque ele não mata nem Ele é morto... Eu sou o Tempo eterno que destrói o mundo... Somente por meu intermédio eles já foram mortos; seja, simplesmente, uma causa instrumental. Estes guerreiros já estão mortos. Eu os matei.
[SRIMAD-BHAGAVAD-GITA, 1955 ─ p 101]

* Bien, para mau entendedor, meio suspiro basta..

Nos seus 20 anos, Hitler, que foi educado como católico, conheceu três fontes de inspiração ideológica, três agentes que o distanciaram da Igreja: os filófosos Friedrich Nietzsche [1844-1900, alemão]; Arthur Schopenhauer [1788-1860, alemão de Danzig] e o músico Richard Wagner [1813-1883, alemão]. Misturando o pensamento dos três Hitler criou sua própria Weltanschauung [visão do mundo].

O primeiro, indignava-se com [o quê considerava] a ruína da virilidade e orgulho inatos das Tribos germânicas, envenenadas pelo judaísmo disfarçado de Cristianismo. Para Nietzsche, o Cristianismo, já em suas origens, foi raptado pelos judeus; por isso chama o Cristianismo de a última conseqüência do judaísmo. Schopenhauer negava não só a existência do bem e do mal mas, também a existência de qualquer Ser Supremo responsável pela Criação. Deste modo, o destino dos homens estava entregue ao Poder da Vontade. Enfim, Wagner, que glorificou cultura e mitologias alemãs em sua obra, autor da ópera Parsifal, era um adorador de Lúcifer a quem ele cuidadosamente disfarçava na figura de Jesus.

Wagner por sua vez compôs sua ópera livremente inspirado no poema épico Parsifal, de Wolfram von Eschenbach [1170-1220] cavaleiro andante e poeta-trovador alemão que viveu entre os séculos XII e XIII [anos 1100-1200]. O poema de Wolfram von Eschenbach, por sua vez,  reescreve e finaliza Perceval ou le Conte du Graal  ou Perceval, o Conto do Graal, romance inacabado de Chrétien de Troyes [1135-1191 ─ poeta, trovador, considerado o primeiro novelista francês].

Parsival, a lenda, tornou-se uma referência para o imaginário nazista porque reunia numerosos elementos da cultura nórdico-austro-germânica: cavaleiros arturianos socorrendo o nobre rei em apuros; um mago negro e objetos mágicos cristãos seqüestrados: a Lança de Longinus, arma que feriu o coração de Jesus crucificado e o Santo Graal, com suas inúmeras interpretações, do clássico cálice da Santa e Última Ceia até o segredo da linhagem de um Cristo sexuado e casado com Maria Madalena. Madalena, a criança e seguidores teriam, secretamente, migrado e se estabelecido na Europa nos primeiros anos do Cristianismo.

Na tradição, no folclore, lenda popular, preservada no poema medieval, os nazistas encontraram material para fazer o malabarismo intelectual que legitimaria para a Europa nórdico-saxônica uma posição destacada na esfera da religiosidade. Conservando a referência cristã, os alemães poderiam estruturar uma religião nova na qual a superioridade ariana deveria ser reconhecida em termos de pureza da Raça e verdadeira tradição de sangue: sangue de Cristo, de um Cristo ariano.

Através desses pensadores, Hitler começou sua rejeição ao Cristo judeu, passivo; e acolheu o Cristo ativo e ariano, figura central do Cristianismo Positivo, a religião oficial do Terceiro Reich. Mas havia um conflito: o Cristo ariano de Wagner não poderia coexistir com o Cristo maldito de Nietzsche. Então, o ditador, que se vangloriava de simplificar coisas complexas, elaborou o seguinte raciocínio: O bem cristão é o mal; o mal cristão, é o bem [RAVENSCROFT, p 37]. Retórica perfeita para justificar a inversão dos valores evangélicos e, com eles, denegrir a virtude da magia branca em favor do poder amoral da magia negra.


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