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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Nazi-Esoterismo: crenças e Magia no Reich de Hitler Quem é Quem no Misticismo Nazista

Quem é Quem no Misticismo Nazista


Nazi-Esoterismo: Crenças e Magia no Reich de Hitler

Alfred Rosenberg [1893-1946, julgado em Nuremberg, condenado a morte e enforcado como criminoso de guerra] ─ Foi apresentado a Hitler por Dietrich Eckart. Um dos primeiros membros do partido nazista, suas idéias estão na origem da ideologia do Terceiro Reich [e seu cortejo de estranhas crenças]. Rosenberg defendeu o racismo, a perseguição aos judeus, o direito alemão à tomada de territórios em nome do espaço vital natural da raça ariana, implicando transgressão ao Tratado de Versalhes [que definiu os termos geopolíticos da paz no pós-Primeira Guerra Mundial]. Apontava degeneração na arte moderna, rejeitava o cristianismo católico-romano e o ortodoxo-oriental mas, ao que parece, compreendendo o erro político de simplesmente abjurar ao Cristianismo, empenhou-se na elaboração do Cristianismo Positivo [um cristianismo ariano] para preencher o espaço da fé no mundo do nacionalismo arianista germânico.

Chamberlain, Houston Stewart  ─  [1855-1927] inglês], estudou botânica, geologia, astronomia, anatomia e fisiologia na University of Geneva - Gênova. Em 1899, publicou Die Grundlagen des Neunzehnten Jahrhunderts [The Foundations of the Nineteenth Century] enaltecendo a influência dos povos teutônicos sobre a civilização ocidental e definindo como arianos não somente povos germânicos mas, também, celtas, eslavos, gregos e latinos [esses latinos devem entendidos como godos, escandinavos que migraram para a península ibérica e itálica].
 
O livro, que tinha cerca de duas mil páginas, publicado em 1899, vendeu bem: duzentos e cinqüenta mil exemplares até 1938. Porque pregava a supremacia ária a obra foi bem recebida entre os nazistas. Hitler visitou Chamberlain algumas vezes, entre 1923 e 1926.
 
Casado com Eva, Chamberlain era genro de Richard Wagner. Era um atormentado acometido de freqüentes colapsos nervosos. Era assombrado pela sensação de que seria tomado por demônios. Escrevia febrilmente, em estado de quase-transe. Em sua autobiografia, diz que não se reconhece nos escritos a ele atribuídos. Morreu em uma cadeira de rodas arruinado física e espiritualmente.
 
Dietrich Eckart [1868-1923, alemão] ─ aos 10 anos era órfão de pais ricos, mas, ao tomar posse da herança, dilapidou a própria fortuna rapidamente. Em Munique, começou a estudar medicina mas abandonou o curso para se dedicar à carreira de poeta, dramaturgo e jornalista; ainda tentou um doutorado em Direito, mas falhou porque estava mais interessado em encher a cara de cerveja nos ambientes boêmios [este articulista medita, seu Nascimento, meu painho, diria logo: esse Eckart não quer nada com nada]. Não teve êxito como dramaturgo e somente se firmou como jornalista com o patrocínio dos nacionais-socialistas.
 
O jornalista de Munich Konrad Heiden, que conheceu Eckart, descreve-o como um tipo de marginal, agitado, longe de ser uma alma imaculada. Em Berlim, já nos seus 30 anos, levava uma vida de vagabundo que se achava poeta. Atribuía seu fracasso artístico à perseguição de judeus. Assim como Hitler, Eckart, em suas atividades ocultistas, tinha alcançado um estado de consciência transcendente apelando para as drogas, especialmente a morfina, cujo uso excessivo levou-o à hospitalização algumas vezes, incluindo uma longa temporada em um hospício. Usava outras substâncias, hoje chamadas de psicodélicas, como o mexicano peyote, que chegou à Europa em 1886, através do farmacêutico Ludwig Lewin.
 
É considerado o fundador espiritual do Nazismo e o descobridor de Hitler, que tinha Eckart na mais alta conta por ter devotado sua vida ao ao resgate da nação germânica. Dele se diz, ainda, que foi o mestre iniciador de Hitler em monstruosos rituais mágicos sádicos semelhantes àqueles que eram praticados no século IX por Landulf de Capua. Não está entre os fundadores da Sociedade de Thule, mas aderiu ao grupo e foi admitido no círculo secreto do Vril onde era considerado um Mestre capaz de despertar as inteligências não-humanas do Universo.
 
Na iniciação de Hitler, Eckart utilizou rituais extraídos e adaptados da doutrina de Aleister Crowley, o que no caso significa prática de perversões sexuais. Aliás, sem preconceito, somente a título de informação, Eckart freqüentava ambientes homossexuais, o que não garante, mas leva a pensar que o sujeito escorregava em quiabo. Meditemos... Eckart também é suspeito de promover o seqüestro de judeus a fim de utilizá-los como oferendas de sacrifício em suas sessões de magia negra; até porque, um dos rituais consistia em dormir sobre o sangue fresco, o que exigia um estoque de sangue considerável ─ além de um estômago de avestruz!
 
O que Eckart fez com Hitler ninguém revela mas o resultado é público: o Füher ficou impotente e somente conseguia levantar o moral através de práticas sexuais bizarras, como receber a urina de uma mulher no meio da fuça e outras formas de submissão [podemos imaginar as algemas e o chicotinho. [Ao que tudo indica Eckart abriu, arregaçou mesmo, algo mais que os centros de percepção de Hitler que, querendo ou não, acabou vendo o Super-homem, ou quem sabe, uma galera deles, altos, louros e bem dotados ao vivo e a cores.  Meditemos de novo...]

Emile Burnouf  [1821-1907] ─ Émile-Louis Burnouf, orientalista, filólogo, professor da faculdade de Letras da Nancy University. Acreditava que, no passado, os hebreus estiveram divididos em duas raças: os adoradores dos Elohim e os adoradores de Yahweh [Iavé, Javé ou Jeová]. Os primeiros, adoradores dos Elohim, embora chamados semitas, não o eram; eram, sim [segundo Burnouf], arianos que habitaram a região da Galiléia, norte de Jerusalém. Os galileus se contrapunham ao poderoso clero semita, sediado em Jerusalém. Isso explicaria porque Jesus foi rejeitado pelos judeus ao passo que foi facilmente assimilado pelos gregos. Para Burnouf e outros pensadores anti-semitas, Jesus era ariano.

Karl Erns Krafft [1900-1945] ─  astrólogo e grafólogo suíço. Bacharel em Matemática, por mais de dez anos dedicou-se à elaboração do livro Traits of Astro-Biology onde expôs sua teoria do Typocosmy [Tipo ou arquétipo cósmico] que propunha a previsão do futuro com base no estudo do tipo-personalidade individual. Nos anos de 1930, quando Hitler chegou ao poder Krafft ocupou um lugar privilegiado entre os ocultistas e profetas da Alemanha. Os nacionalistas tornaram-se seus patrões. Era uma situação contraditória porque, enquanto os burocratas do partidos e a política oficial perseguia ocultistas, como os franco-maçons ou o antropósofo Rudolf Steiner, figurões como Rudolf Hess e Himmler consultavam astrólogos como Krafft.
 
Em novembro de 1939, Krafft previu [e escreveu em carta datada do dia 02/11/1939] um atentado contra a vida de Hitler que deveria acontecer entre os dias 7 e 10 daquele mês. Em 8 de novembro, uma bomba explodiu em uma cervejaria de Munique; Hitler estava lá mas escapou ileso. O astrólogo foi preso para investigações mas acabou sendo liberado. O episódio chamou a atenção do ministro da Propaganda do partido nazista, Joseph Goebbels [1897-1945] ─ que estava interessado em usar as profecias de Nostradamus a favor da política do Terceiro Reich. Krafft deveria produzir as interpretações das Centúrias, de preferência, favoravelmente a seus empregadores. Em 1940, Krafft começou a decifrar os enigmas de Nostradamus.
 
Ao longo de seu trabalho, Krafft acabou convencido de que tinha encontrado boas notícias para a Alemanha nas profecias. Então, milhares de panfletos divulgando aquelas revelações circularam não somente na Alemanha mas, também, em muitos países europeus, traduzidos em várias línguas.

Ele previu que a guerra terminaria, com a Alemanha vitoriosa, em 1943. Mas o curso dos acontecimentos indicava o oposto. Os Aliados reagiam; e reagiam bem. Hitler sentiu-se ultrajado e começou a perseguir astrólogos, ocultistas e outros sábios. Krafft foi capturado e ficou um ano na prisão. Os reveses abalaram sua saúde; ele ficou paranóico, com mania de perseguição. Mesmo assim, arriscou escrever uma predição sobre bombas que logo atingiriam Berlim. A carta foi parar na Gestapo que considerou a coisa toda como um caso de traição. Krafft foi encarcerado em condições desumanas, contraiu tifo e morreu em 08 de janeiro de 1945.
 
Erik Jan Hanussen [1889-1933] ─ paranormal, judeu disfarçando-se de alemão. Aclamado clarividente, telepata e astrólogo, foi uma das personagens ocultistas atuantes nos primeiros tempos do nacional-socialismo. Dizia-se aristocrata alemão, mas era judeu tcheco. Seu trabalho era exibir suas habilidades em um show no teatro Scala, Berlim. Consta que conheceu Hitler a quem ensinou os segredos de dominar as multidões utilizando a expressão gestual.
 
Era um homem feio: seu rosto tinha cor doentia, seu ventre era proeminente mas sua personalidade tinha um encanto tenebroso. Boêmio, tinha uma intensa vida sexual e freqüentava ambientes de má dama, entre proxenetas e homossexuais. Tinha começado a vida no circo, como engolidor de espadas; depois, tornou-se vidente. Já se mostrava adepto do nazismo naqueles primeiros tempos. Durante um período, foi astrólogo particular de Hitler - que sempre requisitava paranormais para assessorá-lo.

Era rico. Morava em uma magnífica vila em Lietzenburgerstrasse. Essa residência tornou-se conhecida como Palácio do Ocultismo. Ali uma terceira face de Hanussen se manifestava. Recebia clientes seletos a peso de ouro; traçava horóscopos e ensinava adeptos a desenvolverem poderes paranormais. Era um Rasputin tcheco-germano-judeu. Comentava-se que muitas de suas sessões particulares, no Palácio, terminavam em tenebrosas orgias.
 
O escritor-pesquisador do nazi-ocultismo Werner Gerson afirma que Hanussen, na instrução de seus pupilos, organizava orgias rituais da magia sexual segundo à escola do tantra negros da mão esquerda ensinando a manipulação do orgasmo ao máximo da retenção a fim de obter o despertar da kundalini [energia orgânica] e as faculdades supranormais latentes. Essas sessões ultra-secretas atraíam ao santuário trevoso tanto mulheres do povo como requintadas aristocratas. Nesta época registraram-se desaparecimentos de adolescentes que nunca foram encontrados.
 
Porém, nem todos os nazistas apreciavam o astrólogo. Goebbels, o futuro ministro da propaganda do Terceiro Reich não gostava dele e mandou investigar sua vida. O vidente se antecipou e publicou sua autobiografia: Minha Linha da Vida. Contava que seu verdadeiro nome era Hermann Steinchneider, filho de um comerciante judeu da Boêmia. Um de seus empregos, até 1918, tinha sido identificar tumbas de soldados alemães, desenterrar seus restos e remetê-los às suas famílias. O mago vangloriava-se de que tal ofício tinha-lhe conferido enorme poder oculto e vigor sexual para atender três esposas e trinta amantes!
 
Para alimentar sua popularidade e ganhos, publicava e editava duas revistas Hanussen Magazin e Bunte Wochenschau [ou El Diario de Hanussen e El otro mundo ─ O Diário de Hanussen e O Outro Mundo]. Em O Outro Mundo, dizia que a Lua é a força dominante de toda vida orgânica e mental sobre a Terra. Todos pensamentos, todas as ações dos homens comuns bem como o crescimento das plantas e os instintos dos animais são dirigidos pela influência lunar. A fina película de vida sensível que envolve este planeta depende totalmente do satélite, da Lua, que atua sobre a biosfera como um eletroímã. O homem não tem nenhuma chance de se libertar da Lua, mesmo depois da morte, sua alma não raro é atraída pela força lunar. Para Hanussen, ser Iniciado era conseguir escapar da atração da magia lunar pelo místico Despertar.
 
Hanussen tinha, ainda, uma quarta faceta, aquela que explica a tolerância de muitos nacionalistas com sua judia presença: ele tinha emprestado muito dinheiro a vários membros do partido Nazista. Era um ultraje. O fim da carreira e da vida do astrólogo foi sentenciado por causa de um maço de faturas. As dívidas que um certo conde de Helldorf tinha com ele e que foram cobradas escandalosamente.
 
A revanche foi implacável: em 24 de março de 1933 Hanussen foi preso na porta do teatro Scala.Dias mais tarde, o periódico Volkischer Beobachter [Observador do Povo] noticiava em sua edição de 8 de abril [1933] que, nas cercanias de Berlim, entre Baruth e Neuhrof, em um bosque, lenhadores tinham descoberto o cadáver de um desconhecido parcialmente devorado por animais selvagens. A perícia estimou o tempo da morte em uma semana. O corpo estava crivado de balas. Dois dias depois a polícia identificou o homem como Hanussen e concluiu o inquérito dando como causa mortis suicídio.

Gobineau, Joseph Arthur Comte de [1816-1882] ─ francês, novelista e ensaísta que se tornou conhecido por ter desenvolvido a teoria da superioridade da raça ariana, no livro An Essay on the Inequality of the Human Races [Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas, 1853-1855]. Ele acreditava que araça determinava a cultura. Entendia as distinções entre negros, brancos e amarelos como barreiras naturais. A miscigenação, violando essas barreiras, conduziria a humanidade ao caos. Era um processo degenerativo mas que ainda poderia ser detido: a raça ariana, branca, pura, poderia ser salva. Sendo ele mesmo um mestiço, filho de mãe mulata haitiana, Gobineau não se assumia ou se considerava racista; mas que ele deu idéia de jerico a gente sem noção, isso deu.

Guido von List [1848-1919] ─ austro-alemão, jornalista, escritor, ocultista entre outras coisas] ─ Anti-cristão pregou o Armanismo [de Armanen ─ este último termo supostamente designava um colégio de reis-sacerdotes na antiga nação ario-germânica] e o Wotanismo [o Armanismo exotérico, popular]. O Armanismo caracteriza-se por ser uma religião racial ou racista que propõe a renúncia ou negação às crenças cristãs, estrangeiras, impostas por dominação romana e um retorno às tradições pagãs dos antigos Indo-europeus. Von List pretendeu resgatar o culto solar, o conhecimento e a prática da ciência da magia das Runas, a idéia de união mística entre Deus, Homem e Natureza, rejeitando o dualismo espírito-matéria, reconhecendo a imortalidade do Ego, a doutrina da reencarnação e da evolução espiritual recompensada no lugar-estado-de-ser na dimensão de Valhall

Hans Horbiger [1860-1931] austríaco de Viena, concebeu a Welteislehre, Teoria do Mundo Congelado ou Cosmogonia Glacial [Glazial-Kosmogonie, publicada em livro entre 1912 e 1913] que, mais tarde, se tornou a cosmologia oficial do Estado alemão nazista.

Heinrich Luitpold Himmler ─ [1900-1945, alemão] particularmente interessado em Runas, alfabeto e sistema divinatório da cultura nórdica, Himmler, ao estruturar a SS ─ Schutzstaffel [Tropas de Proteção], escolheu como símbolo o duplo S rúnico, semelhante a dois raios .  Somente os de raça pura podiam ingressar na SS. Ali eram instruídos em artes esotéricas. Era fundamental dominar a leitura das Runas. Foi um dos  fundadores da Ahnenerbe, secretaria do Reich definida como Sociedade de Estudos de História Antiga ou, ainda, estudo da Herança Ancestral.
 
A SS era dirigida como uma Sociedade Secreta de magia negra e seus rituais era inspirados em precedentes como a disciplina praticada pelos Jesuítas [seguidores da disciplina da Inácio de Loyola] e pelos Cavaleiros Templários. Era chamado por amigos e inimigos de O Jesuíta Negro. Os membros mais elevados eram em número de 30 e formavam o Grande Conselho dos Cavalheiros. Seus rituais era realizados no antigo castelo de Wewelsberg, na Westfalia. Himmler e seus seguidores adotaram a cultura pagã de seus ancestrais: celebravam os festivais nórdicos. Tornaram-se adoradores do Sol e personificaram-no na figura do bíblico portador da Luz: Lúcifer
[ICKE, David Vaughan, 1995].
 
Himmler, que se interessava por variados temas do ocultismo, como as runas e a geomancia, que era chamado de jesuíta negro, tinha especial admiração pela doutrina e história dos heréticos Cátaros [outros membros da SS partilhavam essa admiração]. Os Cátaros seita religiosa cristã, ascética, floresceu no sul da França entre os séculos XII e XIII [anos 1100 e 1200]. Acreditavam que os ensinamentos da Cristo tinham sido corrompidos pela Igreja Católica. Jesus não tinha tido uma existência corpórea, material; antes, fora um ser espiritual [ou, o Verbo não se encarnou]. Heresia para os Cátaros é um Jesus carnal já que a carne, a matéria, é uma criação do Diabo. A morte física não podia ser revertida e a procriação, o sexo, em si mesmo era um mal porque resultava em matéria, corpo, carne e inevitável aprisionamento de um Espírito.

O movimento Cátaro foi exterminado pela Igreja no século XIII. Mas o fascínio de sua doutrina perdurou e alcançou Himmler e outros nazistas, que foram fascinados a partir do próprio significado da palavra Cátaro: puro, e pureza, em especial do sangue que alimenta o corpo, abrigo de divindade espiritual, a alma. Além disso, os cátaros desprezavam o materialismo da Igreja Católica assim como os nazistas desprezavam os excessos do Capitalismo conduzido pelos financistas judeus. Se isso não bastasse para denegrir a imagem dos judeus, os Cátaros entendiam que o Universo material e maligno tinha sido criado por uma divindade trevosa, o Jeová daqueles semitas.
[BAKER, 2004]

Julius Evola [1898-1974, Giulio Cesare Evola]: filósofo, ocultista, ativista político, escritor, hoje, considerado guru dos neo-facistas, na Itália, estudou longamente o arianismo hiperbóreo-atlante que inspirava os nazistas. Em Rivolta contra il mondo moderno [1934],  Evola fala da tradição metafísica Ario-védica que orientava as instituições religiosas e políticas das sociedades Hindo-européias arcaicas, dos mitos da Idade do Ouro [The Golden Age, Satya Yuga do passado em contraposição ao Kali Yuga, contemporâneo, a Idade do Ferro, Era de Escuridão]... Fala também da origem Ártica da atual raça branca ariana. O pesquisador chama a atenção para o fato de que em todas as escrituras antigas não há nenhuma referência/registro de antepassados humanos bestiais, como o homem das cavernas do evolucionismo Darwinista. Ao contrário, os antigos lembram de progenitores e mestres supra-humanos, divinos. A ausência de fósseis que comprovem a remota existência dessas criaturas somente confirma que eram seres não densamente materializados, tal como os descreve Blavatsky.
  
Jörg Lanz von Liebenfels [1874-1954, austríaco-húngaro] ─ ex-monge cirterciense, editor e jornalista. fundador da revista Ostara, anti-semita e nacionalista. Hitler e Eckart eram leitores de Ostara. Foi durante a vida monástica, depois de encontrar a tumba de um cavaleiro Templário, que Liebenfels alegava ter tido uma iluminação que o levou a desenvolver as teorias do arianismo-louro-azul e das raças inferiores. Em 1889, deixou o monastério. Em 1904 publicou sua idéias no livro Theozoologie [Teozoologia, Teozoology]. Defendeu a esterilização dos fracos, doentes, inválidos e dos indivíduos de raças inferiores. Recomendava a castração dos dalits ─ os impuros ou miscigenados ─ e seu aproveitamento social em trabalhos forçados.
 
Liebenfels justificava sua ideologia racista com fundamentos bíblicos [aliás, qualquer coisa parece poder ser justificada com extratos da Bíblia! Ainda que se tenha de recorrer a textos apócrifos ou mitologia judaica]. A culpa da existência dos miscigenados era de Eva. Originalmente de natureza divina, a primeira mulher [que, mais corretamente, seria Lilith na mitologia judaica] envolveu-se com um demônio, um ser animalesco, uma besta-fera e assim nasceram as raças inferiores. Além disso, essa herança maldita inclui a nefasta atração que mulheres louras sentem por homens de cor, escuros. Uma tendência que somente poderia ser detida pela purificação racial e, assim, os arianos-cristãos, mestres da Humanidade, poderiam, uma vez mais, governar sobre as bestas humanas. A purificação também devolveria divindade ao homem ariano, um retorno à condição de homem-deus.

Karl Haushofer [1869-1846] ─ militar do exército bávaro, geógrafo e geopolítico, seu nome, junto com Rosenberg, é relacionado à teoria do Lebensraum, direito ao espaço vital. Sua mulher, Marta Mayer-Doss [1877-1946] era meio-judia. Em 1908, a serviço do exército, viajou para Tókio. Uma vez na Ásia, visitou para Índia e chegou ao extremo sul da Ásia. Em 1909 foi à Coréia e à Manchúria. Em 1910, voltou à Alemanha passando pela Rússia. Essas viagens ao oriente influenciaram significativamente suas idéia e atividades posteriores.
 
Entre 1911 e 1913, Haushofer trabalhou em sua tese de doutorado, em filosofia, na Munich University ─ Dai Nihon: Considerações Sobre as Forças de Defesa Japonesas, sua Posição no Mundo e no Futuro [Dai Nihon, Betrachtungen über Groß-Japans Wehrkraft, Weltstellung und Zukunft].Em 1919 era major-general. Nesta época, tornou-se amigo do jovem Rudolf Hess [1894-1987], que se tornou seu assistente acadêmico. Nos anos que precederam o advento da Segunda Guerra Mundial, Haushofer foi útil aos aos nacionais-socialistas, não somente fornecendo suas idéias de legitimidade para a ocupação territorial aramada mas, também sendo agente de conexão com o Japão.
 
Fundamentado em seus estudos geopolícos enriquecidos por suas viagens ao oriente, Haushofer defendia um retorno às origens da Raça Humana sendo que para isso seria necessário conquistar todo o leste europeu, o Turkestão, o Pamir, a região de Gobi e o Tibete; quem dominasse esses territórios, dominaria o mundo. E quem tinha o direito de dominar por tradição arcana seriam os Arianos, os herdeiros dos Atlantes que migraram da Ásia Central para a Europa por conta de uma grande catástrofe. Finalmente, a mítica de Haushofer inclui o caso do Monge das Luvas Verdes, misterioso personagem da Alemanha nazista que sendo um poderoso paranormal, foi importado do Tibete junto com outros tantos tibetanos. Eles formaram uma colônia tibetana em Berlim e consta que Hitler consultava este homem com freqüência.
 
Porém, sua mulher judia e um filho acusado de atentar contra a vida de Hitler, em julho de 1944 [filho que que foi executado pelos nazistas em Berlim, 1945] ─ quase selaram sua sentença de morte nas mãos dos homens da SS. Rudolf Hess protegeu o mestre. Depois da guerra, por pouco não se sentou no banco dos réus do tribunal de Nuremberg mas um padre católico, depois de interrogá-lo, concluiu que Haushofer não era culpado de crimes de guerra. Todavia, em março de 1946, diz a lenda, Haushofer cometeu suicídio junto com a mulher.
 
Muitos pesquisadores cronistas do ocultismo nazista apontam Karl Haushofer como um praticante de magia negra, o Mago Mestre do partido nazista. Segundo Pauwels e Bergier, em O Despertar dos Mágicos: Haushofer acreditava que o povo alemão era originário da Ásia Central... Diziam que em sua estada no Japão, Haushofer tinha sido iniciado em uma das mais importantes sociedades secretas budistas e que seu suicídio era o cumprimento de um juramento sagrado. Diz a lenda que enquanto a mulher usou veneno, Haushofer preferiu o ritual sangrento da tradição japonesa: faca nas entranhas. Há controvérsias...
 
Karl Maria Wiligut [Irminismo, 1866-1946] ─  austríaco, militar de carreira. Chamado de Rasputin de Himmler, ariosofista e ocultista-nazista. Este afirmava que a Bíblia foi escrita originalmente em alemão e que a figura de Jesus Cristo copiada da mitologia nórdica, especificamente, o deus germânico Krist. Segundo Willigut, a cultura e história germânicas remontam 280 mil anos antes de Cristo. Naquele tempo havia três sóis e a Terra era habitada por gigantes, anões e outras criaturas míticas.
 
Em 12.200 a.C., a religião de Krist, o Salvador - foi revelada: era o Irminismo cuja divindade suprema e alemã era Irmin, cultuada na tribo dos Irmiones [Hermiones], um dos três clãs germânicos primitivos. O Irminismo teria, então, se tornado a religião de todos os povos germânicos. Uma seita derivada do Irminismo, que Wiligut identificou como o Wotanismo, acabou eclipsando a crença original em Irmin, em 1200 a.C.. A partir daí os Irministas têm sido perseguidos; nos dias atuais seus inimigos são a Igreja Católica, os judeus e os franco-maçons.
 
Em 1933, Wiligut caiu nas graças de Heinrich Himmler e passou a freqüentar o círculo da SS sob o pseudônimo Weisthor ─  Karl Maria Weisthor e ganhou o cargo de chefe adjunto. Na Ahnnenerbe, conduzia a pesquisa no departamento de Pré-história e História Antiga. Na Sociedade Thule-Vril desempenhou papel de sacerdote celebrando casamentos e batizados segundo rituais pagãos.  O mago de Himmler combateu as idéias de Guido von List [já falecido] e mandou seus seguidores mais persistentes para campos de concentração e fez o mesmo com outros ocultistas não-oficialmente nazistas. Sobre o Armenismo e o Wotanismo, alegava que eram meras seitas pregando falsa religião.
 
Esse Wiligut era doido mesmo. Atribuía a revelação do Irminismo à sua assombrosa capacidade de clarividência que lhe permitira a lembrança de toda a sua linhagem ancestral remontando àqueles 280 mil anos antes de Cristo. A suposta visão retroativa do sujeito alcançava a pré-história. Dizia que sua família era resultado do cruzamento dos deuses do ar com os deuses da água.

Miguel Joaquín Diego del Carmen Serrano Fernández ou Miguel Serrano [1917-2009] ─ chileno, diplomata, explorador, autor de livros sobre questões espirituais e Hitlerismo Esotérico. Teorizava sobre a origem extraterrestre dos Arianos descendentes dos Hiperbóreos, criados à imagem de Deus. Serrano falava de uma conspiração global contra estes herdeiros dos Céus promovida por uma divindade inferior, o Demiurgo, Jeová, Príncipe do Mal, adorado pelos judeus, Senhor da Terra e de toda matéria impura, gerador do homem primitivo.

Serrano unificava as tradições védicas hindus com as nórdicas, considerando ambas de proveniência Arya-Hiperbórea. Respeitava a teoria junguiana dos arquétipos raciais coletivos e, seguindo o pensamento de Savitri Devi, reconhecia Hitler como o avatar que veio para combater as hostes demoníacas do Kali-Yuga [a presente Era, Era do Kali, do Vício ou Idade do Ferro].

Na década de 1940, Serrano ingressou em uma misteriosa Sociedade Secreta, fundada por um misterioso imigrante alemão conhecido apenas pelas iniciais F. K.. Ali praticavam-se rituais da escola Tantra, ioga da kundalini. Também cultivavam os conceitos de Nietzsche relacionados ao poder da Vontade.

A capacidade de empreender viagens astrais em estados alterados de consciência eram uma herança natural de todos aqueles que que pertenciam à linhagem do puro sangue ariano. Os membros da Sociedade, assim como Serrano, consideravam Hitler como o Salvador da raça ariana indo-européia.

O Mestre da Ordem descrevia Hitler como um Iniciado dotado de força de Vontade sem limites; Hitler era um Boddhisatva [corpo de sabedoria] que tinha encarnado na Terra voluntariamente para dar um fim ao Kali-Yuga [coisa bem difícil porque como ciclo, Kali-Yuga, que começou há pouco mais de cinco mil anos, com a morte física de Krishna, está apenas em seu início; segundo os mestres esotéricos, deve durar 432 mil anos!] O Mestre afirmava que tinha entrado em contato com Hitler no plano astral durante e depois da guerra e dizia que o ditador estava vivo.

Foi o próprio Serrano que denominou sua filosofia de Hitlerismo Esotérico, uma nova fé religiosa! capaz de transformar o homem materialista em herói idealista; e mais, transformar o herói em um Deus. Em 1984 publicou Adolf Hitler,o Último Avatar [Adolf Hitler: The Last Avatar]. este livro, reafirma sua convicção em uma conspiração histórica para ocultar a origem e evolução da espécie humana. Na Antropogênese de Serrano, seres extragalácticos fundaram a Primeira Humanidade Hiperbórea, reino terrestre mas não-físico, geograficamente ilimitado, cujos habitantes não estavam sujeitos ao Samsara, ciclos de reencarnação.

Os Hiperbóreos [de acordo com M. Serrano] eram assexuados e se reproduziam através de emanações plásmicas de seus corpos etéreos [como os Filhos do Suor, Segunda Raça Humana da Doutrina Secreta]. Dominavam a energia Vril: a luz do Sol Negro estava Neles e podiam perceber realidades insuspeitadas porque tinham o Terceiro Olho ativo.

Os registros dessa Humanidade extraordinária teriam sido destruídos com outros preciosos escritos em um dos incêndios e ataques que atingiram a Biblioteca de Alexandria. Com o tempo, o conhecimento sobre os Hiperbóreos corrompeu-se e os remanescentes ocultos daquela Civilização, hoje, em suas raras aparições, são confundidos com extraterrestres e seus veículos, com naves espaciais.

Na época de Miguel Serrano [e, teoricamente, ainda hoje] ─ descendentes dos Hiperbóreos ─ os Arianos, como condenados, vivem nesta jurisdição e condição orgânica terrena, densa, governada pelo Demiurgo [o Jeová dos judeus]. Estes deuses encarnados, no princípio, constituíram a Segunda Geração Hiperbórea Terrena. Estavam na Satya-Yuga, a Era de Ouro.

Faziam o sacrifício de se manifestar entre os humanóides e conduzi-los no processo de evolução que os libertaria da condição animalesca. Estavam entre os proto-humanos da Terra, quase autômatos, espécimes muito próximos de protótipos ainda mais atrasados, como homem de Neanderthal, cujo destino torturante de encarnações e sofrimentos sem fim foi traçado pelo terrível e sádico Demiurgo-Jeová.

Porém, algo desastroso aconteceu: a Queda dos Anjos. Sim, aqueles hiperbóreos cheios de boas intenções mantiveram relações sexuais com as bestas de Jeová. Misturaram seus códigos genéticos e, assim, perderam o caminho de volta ao Paraíso.

Até o planeta se revoltou! Os pólos oscilaram. O continente da Raça Hiperbórea etérea desapareceu em uma catástrofe geológica. Os sobreviventes dispersaram-se: alguns foram para o sul, Antártida; outros, se estabeleceram às margens do Oceano de Gobi [hoje deserto de Gobi] e ali edificaram uma fantástica Civilização metafísica, invisível aos sentidos orgânicos, isolada do plano material e protegida por seres encantados e encantamentos.
 
Enquanto isso, os Hiperbóreos matriciais, puros e etéreos, observando a agonia destes proto-humanos e dos Arianos aqui aprisionados e oprimidos, tomados de horror e piedade, convertem-se em Nimanakayas, em Boddhisatvas [corpos de sabedoria] e, voluntariamente, fazem o caminho inverso dos deuses, concedendo em encarnar no mundo da matéria densa-impura para combater a maldade judaico-jeovita e resgatar a superioridade da raça Ariana. São os Avatares, os Salvadores do Mundo.

 Paul de Lagarde  [1827-1891] ─ alemão, estudioso pesquisador de teologia, filosofia e línguas orientais . Seu anti-semitismo era violento. Defendia a criação de uma forma nacional de Cristianismo, uma religião purgada dos elementos semitas. Insistia que os judeus eram uma peste parasita que devia ser destruída o mais rápido possível.
 
Savitri Devi Mukherji - [1905-1982] pseudônimo da escritora francesa Maximiani Julia Portaz, aquela que foi chamada Missionária do Paganismo Ariano, sacerdotisa do Hitlerismo, considerada pioneira no despertar do interesse neo-Nazista pelo o ocultismo. Filha de pai italiano-lombardo e mãe inglesa, nasceu prematura, aos seis meses e meio de gestação. Ninguém esperava que sobrevivesse.
 
Desde muito cedo era apaixonada pelas causas que abraçava. Começou defendendo os direito dos animais, o que influenciou sua visão dos judeus como praticantes de sacrifícios de sangue, por causa de de suas lei sobre a Kosher [comida], que no caso dos animais deve ser preparada com a carne completamente drenada do sangue, implicando chacina e sangria freqüente de bichinhos.
 
Nacionalista desde a Primeira Guerra Mundial, ela estudou filosofia e química. Em filosofia, tornou-se duas vezes Mestre e Ph.D. [doutorado] na University of Lyons [França]. Viajou para a Grécia, visitou as ruínas e conheceu o arqueólogo alemão Heinrich Schieleman [1822-1890],  descobridor Tróia e das suásticas da Anatólia [Turquia ou Ásia Menor].
 
Ela ainda era Maximine Julia quando concluiu que os gregos antigos eram arianos e, or essa razão, sua cultura teria influenciado todas as nações do Ocidente e algumas no Oriente. Em 1928, renunciou à cidadania francesa e tornou-se grega naturalizada. Em 1932, foi à Índia em busca das tradições arianas pagãs vivas. Aderiu ao hinduísmo e, então, adotou o nome de Savitri Devi [que significa deusa dos raios do Sol].
A essa altura, fascinada pelo hinduísmo e pelo Nazismo, procurou sincretizar as duas doutrinas e proclamou Adolf Hitler como o novo avatar [manifestação terrena corpórea] do deus Vishnu [que na teologia dos Brâmanes corresponde ao Filho, ou seja, Cristo, o Messias da Trimurte, a Santíssima Trindade do bramanismo].
 
Em 1940 casou-se com Asit Krishna Mukherji [1898-1977], um Brahmin [ou brâmane, membro da elite das castas hindus, mestre educador e jurista] de Bengala  [não, não é um hindu manco nem superdotado; é um natural de Bengala, um bengali, da região nordeste da Ásia Meridional, entre a Índia e Bangladesh] ─ nacional-socialista que editava o periódico pró-Alemanha New Mercury. No fim daquela década, foi presa na Alemanha por fazer apologia ao nazismo, julgada em 5 de abril de 1949 e condenada a dois anos de prisão.
 
Nos anos de 1950, ela conheceu emigrantes nazistas na Espanha e no Oriente Médio. Em 1962 foi a uma Conferência Nazista Internacional, em Glouceshire. Quando se aposentou do ofício de professora acadêmica, resolveu mudar-se para a Índia onde se instalou em Nova Delhi. Morava sozinha mas criava inúmeros gatos e uma cobra; mas continuou mantendo contato com entusiastas nazistas europeus e americanos.
 
Possivelmente, foi a primeira intelectual de renome a declarar que genocídio dos judeus na Alemanha de Hitler era uma farsa histórica. Morreu em 1982 de enfarte do miocárdio e trombose coronária; foi cremada e suas cinzas estão preservadas em uma urna na Sala Memorial da Nova Ordem, em New Berlim, Wisconsin EUA. Seu trabalho e suas atividades na militância pró-nazismo arianismo influenciaram significativamente os partidários do neo-nazismo do pós-guerra e ainda hoje, nesta chamada pós-modernidade. Entre estes:

  •  Miguel Serrano [1917-2009, chileno]
  • John Collin Campbell Jordan [1923-2009, inglês]
  • John Hutchyns Tyndall [1934 – 2005, inglês]
  • Ernst Christof Friedrich Zündel [nascido em 1939, alemão]

 
Wilhelm Richard Wagner [1813-1883] ─ alemão, sogro do pensador anti-semita Houston Stewart Chamberlain, via a si mesmo como um profeta destinado a levantar os germânicos restituindo-lhes a grandiosidade de seus ancestrais e o reconhecimento da superioridade do sangue da Raça ariana. Alegava ter tido a revelação que Jesus Cristo nascera ariano puro e que o deus cristão jamais tinha  pertencido, geneticamente, à amaldiçoada raça judia.
[RAVENSCROFT,1982 ─ p 36].
 
Quando se fala em ocultismo nazista, Wagner é sempre citado. Sua música, as óperas, narrativas de temas folclóricos populares, as melodias grandiosas, são apontada importante fonte de inspiração do nacionalismo arianista de Hitler. E em se tratando de Wagner e Hitler, os cronistas do nazi-ocultismo sempre se detêm, especificamente, em Parsifal. Curiosamente, o primeiro contato de Hitler com Wagner não foi Parsifal.
 
Em 1906, acompanhado de um amigo, o jovem Hitler foi assistir à épica Rienzi, der Letzte der Tribunen [Rienzi, o Último dos Tribunos], uma das primeiras óperas de Wagner, escrita entre julho de 1838 e novembro de 1840, encenada pela primeira vez em Dresden, 1842 e que mais tarde, foi desprezada pelo autor. 1906 ─ Ele tinha 17 anos na ocasião e o amigo, August Kubizek, registrou sua reação ao fim da performance.
 
Hitler, que gostava de ópera, que usualmente era muito falante depois de um espetáculo, quedou-se em silêncio, ensimesmado. Pálido, caminhava pela rua fria e nevoenta quando, subitamente, começou a falar extasiado sobre o próprio futuro e o futuro do povo alemão. O povo que ele conduziria para além do daquele estado de escravidão, conduziria para as alturas da liberdade. Era uma Revelação! [Ou seja, naquela noite, Hitler surtou. E depois dizem que rock é satânico. Este articulista sempre teve medo de Wagner...].
 
Trebitsch-Lincoln, Ignatius Timothy  [1879-1943] ─ este é um personagem de mil faces. Judeu húngaro, aventureiro, ainda muito jovem, matriculou-se na Royal Academy of Dramatic Art, em Budapest mas, por envolver-se em pequenos roubos, arranjou problemas com a polícia e fugiu da cidade com destino a Londres, Inglaterra, onde se converteu ao cristianismo. Foi missionário protestante, padre anglicano, membro do Parlamento Inglês por Darlington, meteu-se em negócios que fracassaram, tentou ser espião inglês, espião alemão e acabou preso em Parkhurst Prinson, na Ilha de Wight [Inglaterra] por três anos. Terminou sua vida, tão cheia de peripécias como monge budista na China.
 
Depois de uma experiência mística no fim dos anos de 1920, Trebitsch, convertido ao budismo, assumiu a identidade do lama tibetano Dordji Den. Depois, tornou-se monge adotando o nome de Chao Kung. Em 1931, era abade e estabeleceu seu próprio monastério em Shangai. Ali, para serem admitidos, os iniciados tinham de abrir mão de todos as suas posses em favor do monastério, ou seja, em favor de Chao-Kung-Trebitsch-Lincon. No contexto da política nacionalista alemã, Trebitsch-Lincon atuou muito mais com espião e mensageiro de intrigas do que como ocultista.


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