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siga a estrada de tijolos amarelos: Tradição Nórdica Textos Nórdicos Thor e o caminho da mão esquerda

Thor e o caminho da mão esquerda

Thor PoderosoUm verdadeiro caoísta, satanista ou qualquer que seja a nomenclatura ligada ao Caminho da Mão Esquerda deve sempre valer-se do que é mais importante para si e assim obviamente tirar proveito de todo o conhecimento e assim utilizá-lo ao seu favor. Comparar Thor e seu martelo a um demiurgo ou então dizer que eles seriam equivalentes é uma falácia, e uma maneira muito simplista de ver as coisas.

Assim como a Mitologia Grega era utilizada para explicar muitas vezes os fenômenos da natureza, e torná-los inteligíveis para a maior parte de sua população, a Mitologia Nórdica assim também o fora concebida. Se considerarmos todos os deuses e mitologia do antigo Olimpo como equival

ntes aos mitos do cristianismo e religiões monoteístas estaremos incorrendo num grande erro, o de talvez negar a nós mesmos, uma vez que esses deuses foram em muito inspirados na própria natureza humana, criados única e exclusivamente por humanos.

Thor era um Deus do Aesir, Deus da Guerra, da Proteção, Fertilidade e da Humanidade. Durante o período em que fora cultuado com mais fervor, realmente ele era responsável por conceder as bênçãos (nascimento, morte, agricultura, casamentos, etc...), proteção e manter o equilíbrio entre o Caos e a Ordem. Mas isso não significa que ele era um “deus” no sentido demiúrgico, até mesmo porque se formos analisar dessa mane
ra, a divindade que criou o mundo na mitologia nórdica fora Odin (que também nem de longe poderia ser considerado um deus de luz).

Tratar Thor como um deus de luz, também seria outro erro, pois em muitas de suas histórias, ele não mediu esforços para conquistar seus objetivos (esmagou literalmente seus inimigos, sem nenhum remorso). Inclusive no final do período pagão, ele era considerado o principal adversário de cristo e da expansão do cristianismo na Escandinávia.

Thor era o Deus do Trovão e assim representava as forças naturais no tocante às chuvas, estações, tempo, agricultura e não é atoa que fora grandemente cultuado por agricultores e também pelos navegadores, uma vez que também controlava os mares e os ventos... Portanto vale lembrar que assim como a natureza é bela e graciosa, também possui sua face negra e da morte, com toda a escuridão que tal viés abarca...

E mesmo apesar de Odin, ser considerado o deus da guerra, era em Thor que grande parte dos guerreiros se espelhava, quando estavam em batalha. Era o Martelo Mjolnir que eles possuíam enquanto talismã e em seus templos, muitos sacrifícios de sangue eram ofertados para que os “mortais” conseguissem suas vitórias. Inclusive há uma menção a Thor que sem sombra de dúvidas não pode ser ignorada, oriunda de um poema Irlandês do século XI, onde um santo cristão exigira do rei de Dublin que tirasse “o castelo dourado das mãos do Diabo Negro”, pois em uma fortificação viking, havia uma estátua negra de Thor, segurando o martelo.

Logo, em minha concepção, tratar todos os deuses da mitologia nórdica (ou de outras mitologias) como deuses de luz, seria como o próprio cristianismo fez quando demonizou inúmeras divindades ao redor do mundo nas terras em que se fez presente.

Não há dúvidas que em tais lendas e mitos, cada um dos deuses possuía o seu papel, de modo a tentar manter a harmonia e equilíbrio (descrever a existência ou tentar explicá-la), e mesmo onde um ser antagônico e abissal como por exemplo a serpente Jormundgand, era tão ou até mesmo mais importante do que o próprio Thor.

Separar a matéria do espírito, é incorrer novamente no erro da dualidade, onde haveria uma expiação no mundo da matéria e uma promessa de paraíso no mundo espiritual. O mundo é o que é e nós fazemos parte dele, queiramos ou não (aqueles que tiverem olhos, que vejam!).

Outro erro grandioso talvez seja o de devotar-se a uma divindade da escuridão (nos mesmos moldes que grande parte da humanidade se submete a um todo-tirânico-temperamental, ou seja, religiosamente). Utilizar os deuses enquanto arquétipos de poder é uma coisa, prostrar-se a eles é outra completamente diferente. Negar a nossa humanidade, é simplesmente negar a nós mesmos. Devemos sim, fazer da existência o que quisermos que ela seja (magick!). Tomar as rédeas do destino, rumo à autodivinação. Para isso temos diversas ferramentas, sendo uma delas o próprio conhecimento.

Além disso, devemos também utilizar os aspectos que são mais relevantes e interessantes, descartar os que em nada acrescentam, lembrando sempre que grande parte dos mesmos foram inspirados nas questões mais profundas e recônditas da humanidade.

"Veiztu hvé rísta skal?
Veiztu hvé ráða skal?
Veiztu hvé fá skal?
Veiztu hvé freista skal?
Veiztu hvé biðja skal?
Veiztu hvé blóta skal?
Veiztu hvé senda skal?
Veiztu hvé sóa skal?

Do you know how you must cut [them]?
Do you know how you must interpret?
Do you know how you must colour?
Do you know how you must try?
Do you know how you must invoke?
Do you know how you must sacrifice?
Do you know how you must send?
Do you know how you must kill?"

Por K.W.V.A.

Por: King Wyrd Albiorix Dclxvi