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siga a estrada de tijolos amarelos: Alta Magia Magia Cerimonial História da Magia Alquimistas

Alquimistas

Neste capítulo, Eliphas Levi continua econômico com o conteúdo histórico-biográfico e pouco diz sobre as vida e a obra dos alquimista que relaciona no início do capítulo: Nicolau Flamel, Abade Tritemo, Cornélio Agripa, Guilherme Postel e Paracelso.

Flamel pertence exclusivamente à alquimia; por isso, só faremos menção dele para falar deste livro hieroglífico de Abraão, o Judeu, [refere-se ao Taro] no qual o alquimista encontrou as chaves da grande obra. ...A tradição assegura que Flamel não morreu e que ele enterrou um tesouro debaixo da torre de Saint Jacques-la-Boucherie [residência de Flamel]. ...Depois de Flamel vieram Bernardo de Trevisan, Basílio Valentino e outros alquimistas célebres.

Em 1480 apareceu João Tritemo, mestre de Cornélio Agripa e o maior mágico dogmático da Idade Média. Tritemo era um abade da ordem de São Benedito, de irrepreensível ortodoxia e de conduta regular. ...Todos os seus trabalhos mágicos tratam da arte de ocultar os mistérios. Escreveu Tratado das Causas Segundas e ainda uma história da magia toda em pentaclos: Veterum Sophorum Sigilla et Imagines Magicae, onde dá a chave de todas as escrituras ocultas e explica, em termos velados, a ciência real dos encantamentos e evocações. Tritemo é, em magia, o mestre dos mestres e não hesitamos em proclamá-lo o mais sábio dos adeptos.

Cornélio Agripa: durante toda sua vida foi um investigador que não achou nem a verdadeira ciência nem a paz. Os livros de Agripa são cheios de erudição e ousadia. Com seu caráter fantasioso e independente ganhou fama de ser um abominável feiticeiro. Foi perseguido pelo clero e pelos príncipes. Morreu pobre e abandonado.

Guilherme Postel Era filho de um pobre camponês dos arredores de Barenton, na Normandia; à força de perseverança e sacrifícosconseguiu instruir-se, tornando-se cedo o homem mais sábio de seu tempo; a pobreza o acamponhou sempre e a miséria o forçou, às vezes. a vender seus livros. Postel trabalhava como um mouro para ganhar um pedaço de pão e voltava em seguida para estudar. Aprendeu todas as línguas conhecidas e todas as ciências de seu tempo; descobriu manuscritos preciosos e raros, como os Evangelhos Apócrifos e o Sepher Jesirah; ele mesmo inicou-se nos mistérios da Cabala ...e quis revelá-la ao mundo.

...Escreveu ...A Chave das Coisas Ocultas Desde o Princípio do Mundo. Ele enviou este livro aos padres do Concílio de Trento, conjurando-os a entrar na senda da conciliação e a síntese universal. Ninguém o compreendeu, alguns o acusaram de heresia, os mais moderados se contentaram em dizer que ele era louco.
 
Doutrina de Postel

A Trindade, dizia ele, fez o homem à sua imagem e semelhança. O corpo humano é duplo e sua unidade ternária compõe-se da união de duas metades; a alma humana também é dupla: ela é animus e anima, espírito e ternura; ela [a alma] tem dois sexos, o sexo paterno, que tem sede na cabeça e o sexo materno, que reside no coração. O cumprimento da redenção da humanidade deve ser duplo. ...O Verbo fex-se homem mas só quando ele se fizer mulher é que o mundo virá a salvar-se. É o gênio materno da religião que ensinará aos homens as sublimes grandezas do espírito de caridade e então a razão se conciliará com a fé...

Mãe Joana

Esta personagem foi uma espécie de mestre espiritual de Guilherme Postel. Ele a considerava "iluminada". As relações místicas de Postel e desta religiosa duraram cerca de cinco anos depois dos quais ela morreu; teria aparecido a Postel do além-túmulo:
"Ela cumpriu sua palavra. Veio visitar-me em Paris; esclareceu-me com sua luz, conciliou minha razão com minha fé. Sua substância e corpo espiritual, dois anos depois de sua ascenção ao céu, desceu em mim e estendeu-se sensivelmente por todo o meu corpo de tal modo que é ela e não eu quem vive em mim."

Depois desta época Postel passou a chamar a si mesmo de "o ressussitado", Postellus restibulus e, de fato, ocorreu nele um fenômeno singular: seus cabelos, de brancos que eram, tornaram-se negros; suas rugas desapareceram e a cor rosada da mocidade espalhou-se em seu semblante. No fim de sua vida, seus superiores eclesiásticos acharam por bem enclausurá-lo num convento pelo resto de seus dias.


Paracelso

Teófrasto Aurélio Bombast, o Paracelso, é conhecido por ser o renovador da medicina oculta. ...Ele curava por simpatia de luz; aplicava os medicamentos, não no corpo exterior e material mas a esse médium interior [ o corpo astral] ...princípio das sensações cuja quintessência ela reavivva por quintessências simpáticas. Assim, por exemplo, ele curava feridas aplicando reativos poderosos no sangue derramado, [que contendo em si uma conexão simpática com o corpo de origem produzia naquele corpo o reflexo da medicação aplicada no sangue]. Para curar um membro doente ele fazia um membro de cera ao qual ele dava pelo poder de sua vontade, o magnetismo do membro doente; o paciente reagia, por correpondência magnética, ao tratamento aplicado ao símile.

Mistérios do Sangue

Paracelso conhecia os mistérios do sangue. ele sabia por quê os sacedotes de Baal faziam em si mesmos incisões com faca para fazer descer o fogo do céu. Sabia por quê os orientais que querem inspirar a uma mulher o amor físico, espalham seu sangue diante dela. Sabia como o sangue derramado clama vingança ou misericórdia e enche o ar de anjos ou demônios. É o sangue, com efeito, instrumento dos sonhos, é ele que faz abundar as imagens em nosso cérebro durante a noite, porque o sangue é cheio de luz astral.

Tais eram os segredos que Paracelso conhecia e era aplicando na medicina as forças ocultas da natureza que ele fazia tantos admiradores e tantos inimigos. ...Sua vida foi uma luta incessante: ele viajava, escrevia, medicava, ensinava. [Considerado profeta] ... deixou escritos que devem ser lidos com precaução [porque ele não é um verdadeiro mestre adepto]. ...Morreu ainda moço esgotado por seus trabalhos e seus excessos.
 

História da Magia