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siga a estrada de tijolos amarelos: Alta Magia Magia Cerimonial História da Magia Resumo e Conclusão da História da Magia

Resumo e Conclusão da História da Magia

Resta-nos agora resumir e concluir. A ciência mágica é a ciência absoluta do equilíbrio. Esta ciência, essencialmente religiosa, presidiu à formação dos dogmas do antigo mundo e foi, assim, mãe-nutriz de todas as civilizações. ...Ela [a ciência mágica] nos diz crêr em Deus e adorá-lo sem procurar definí-li porque um Deus definido é, de alguma forma, um Deus finito. Depois de Deus ela nos mostra como princípios soberanos as matemáticas eternas e as forças equilibradas. Na Bíblia está escrito que Deus dispôs tudo segundo peso, némero e medida. ...O peso é equilíbrio, o número é quantidade, medida é proporção - tais são as bases eternas ou divinas da natureza.

Há no universo três coisas: o espírito, o mediador plástico e a matéria. A substância criada é Uma - é luz. O que os antigos chamavam de os quatro elementos não eram para eles corpos simples, mas as quatro formas elementares da substância única.Estas quatro formas eram figuradas pela Esfinge: o ar pelas asas, a água pelo seio de mulher, a terra pelo corpo de touro, o fogo pelas garras de leão...

As formas da Esfinge representam também, por analogia hieroglífica, as quatro propriedades do agente mágico universal, isto é, a luz astral: dissolver, coagular, aquecer, esfriar. Estas quatro propriedades, dirigidas pela vontade do homem, podem modificar todas as formas da natureza e produzir, segundo a impulsão dada, a vida ou a morte, a saúde ou a moléstia, o amor ou o ódio, a riqueza e a pobreza.

Questões Paradoxais

1. Pode-se escapar à morte?

Pode-se escapar à morte de dois modos: no tempo e na eternidade. No tempo, curando todas as moléstias e evitando as enfermidades da velhice. Na eternidade perpetuando pela lembrança a identidade pessoal [individualidade] através das transformações da existência. [Sugere distinção entre VIDA e EXISTÊNCIA. A primeira, limitada no tempo, a segunda, eterna, além do tempo].


A vida, resultante do movimento, não pode conservar-se senão pela sucessão e o aperfeiçoamento das formas. A ciência do movimento perpétuo é a ciência da vida. Todo movimento se opera pela destruição... Toda geração é uma morte e toda morte, uma geração.

2. A pedra filosofal existe? Como encontrá-la?

O que os alquimistas e os físicos modernos chamam calor, luz, eletricidade, magnetismo, para os antigos são manifestações fenômenais elementares da substância única chamada aour. Em teoria, segundo a ciência transcendental, a pedra filosofal que cura todas as moléstias e opera a transmutação dos metais existe incontestavelmente. ...Para encontrá-la é preciso procurá-la.

3. Podemos fazer-nos servir pelos espíritos?

Quando o Salvador do mundo triunfou, na sua tentação do deserto, das três cobiças que avassalam a alma humana - os apetites, as ambições, a cupidez - está escrito que os anjos se aproximaram dele e o serviram. Porque os espíritos estão a serviço do espírito soberano e o espírito soberano é o que encadeia as turbulências desregradas e os ímpetos injustos da carne. Notemos, todavia, que é contra a ordem da Providência intervir o modo natural das comunicações entre os seres. Nós não vemos o Salvador e os apóstolos evocarem as almas dos mortos.

A imortalidade da alma, sendo um dos dogmas mais consoladores da religião, deve ser reservada às aspirações da fé e não será, por conseqüência, nunca provado por fatos acessíveis à crítica da ciência. Por isso, o abalo ou a perda da razão é - e será sempre - o castigo dos tiverem a temeridade [impertinência] de olhar a outra vida com os olhos desta. Nas tradições mágicas os mortos evocados aparecem com semblantes tristes e coléricos. Eles se lastimam por terem sido perturbados em seu repouso e não proferem senão censuras e ameaças.

4. Que é a clavícula, o selo e o anel de Salomão?

As chaves ou clavículas de Salomão são forças religiosas e racionais expressas por sinais que servem menos para evocar os espíritos do que para preservar a si mesmo de toda aberração nas experiências relativas às ciências ocultas. O selo resume as chaves; o anel indica o uso. ...Expliquemos em poucas palavras a onipotência desse anel. A vontade é onipotente quando se arma das forças vivas da natureza. O pensamento é ocioso e morto e enquanto não se manifesta pelo verbo ou, pelo sinal, não pode [o pensamento] excitar nem dirigir a vontade. O sinal sendo a forma necessária do pensamento é o instrumento indispensável da vontade. Quanto mais perfeito é o sinal, tanto mais fortemente é o pensamento formulado e, por conseqüência, é a vontade dirigida com poder. O anel de Salomão, com seu duplo selo, é toda a ciência e toda a fé dos magos reunidas num sinal. ...É onipotente, se é um sinal vivo; mas é ineficaz se é um sinal morto. A vida dos sinais é a inteligência e a fé: inteligência da natureza; fé em seu motor eterno.

5. Pode-se prever o futuro por cálculos certos?

No jogo de xadrez, prever é ganhar; o mesmo se dá no ogo da vida. Nada na vida acontece por acaso; o acaso é o imprevisto mas o imprevisto do ignorante fora previsto pelo sábio. Todo acontecimento, toda forma, resulta de um equilíbrio de forças e estas forças podem ser representadas por números. O futuro pode, por isso, ser determinado pelo cálculo. ...O futuro está no passado; o passado, está no futuro. Quando o gênio prevê, ele se lembra.

6. Pode-se fazer bem ou mal por influências mágicas?

A vontade do homem modifica as causas fatais; uma só impulsão dada por um homem pode mudar o equilíbrio de todo um mundo. O homem pode, com um sopro, fazer esvair toda a felicidade de um de seus semelhantes. Os homens são imantados como os mundos. Eles irradiam sua luz especialcomo sóis. Uns são mais absorventes, outros irradiam mais voluntariamente. Ninguém é isolado no mundo. Todo homem é uma fatalidade ou uma providência. ...Enquanto um homem se acha escravizado às exigências da fatalidade, é um profano ...A ciência, em suas mãos, seria um terrível instrumento de destruição.

O homem livre, aquele que domina pela inteligência os instintos cegos da vida, este é essencialmente conservador e reparador. O profano, mesmo querendo fazer o bem, faz o mal. O iniciado não pode querer fazer o mal; se ele fere, é para castigar ou para curar. O sopro do profano é mortal; o do iniciado, vivifica. O profano sofre para fazer sofrer os outros; o iniciado sofre para que outros não sofram. O profano envenena flechas com o própriosangue. O sangue do iniciado cura as feridas mais resitentes.

7. Que se deve fazer para ser um verdadeiro mago?

O homem que dispõe das forças ocultas da natureza sem se expor a ser esmagado por elas, este é um verdadeiro mago.

8. Em que consistem precisamente as forças da magia negra?

A força da magia negra é o contágio da vertigem, é a epidemia da demência.


Conclusão


Na natureza, tudo se conserva pelo equilíbrio e se renova pelo movimento. O equilíbrio é a ordem; o movimento é o progresso. O homem, com esta ciência, pode produzir e dirigir fenômenos naturais... O equilíbrio moral é o concurso da ciência e da fé, distintas em suas forças e reunidas em sua ação.

Fazer o que Deus ordena ["Seja feita a vossa vontade"] não é bom somente segundo a fé mas também segundo a razão, porque é razoável obedecer-lhe. O homem poderá dizer: "Eu faço o bem não somente porque Deus quer, mas porque eu também quero. A vontade humana será, assim, submetida e livre ao mesmo tempo; porque arazão, demonstrando de modo irrecusável a sabedoria das prescrições da fé, agirá por seu próprio movimento, regulando-se segundo a lei divina... Então, não haverá mais nem superstição nem impiedade possível... Até lá, teremos a dor e o pavor de ver todos os dias por-se em dúvida os princípios mais simples e mais comuns do direito e do dever entre os homens...

Enquanto a alta magia foi profanada pelamaldade dos homens, a Igreja deveu [teve de] prescrevê-la. Os falsos gnósticos infamaram o nome tão puro do gnosticismo e os feiticeiros foram injustos com os filhos dos magos [comprometeram a reputação dos magos]. Mas a religião, amiga da tradição e guardados tesouros da antiguidade, [não poderá] repelir por [muito tempo] mais uma doutrina que é anterior à Bíblia...

Nossa História da Magia teve por fim demonstrar que, no princípio [desde a mais remota antigüidade da história humana], os grandes símbolos da religião foram, ao mesmo tempo, os da ciência, então, oculta. Que a tradição e a ciencia, reunidas no futuro, se entreajudarão, serão como irmãs: elas tiveram o mesmo berço.

História da Magia