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siga a estrada de tijolos amarelos: Biografias Biografias Josef Mengele

Josef Mengele

Josef Mengele

Texto, pesquisa e tradução: Paulie Hollefeld

Um dossiê revelador que mostra desde fatos triviais de sua biografia, até o escudo protetor montado por governos e pela maçonaria, para protegê-lo e impedir que documentos e acordos confidenciais envolvendo os governos da Alemanha, Estados Unidos e Israel viessem à tona e revelassem uma das maiores farsas de todos os tempos.

E mais:
  • Os clones de Josef Mengele da Indústria Farmacêutica: perto desses homens, Mengele não passou de um garoto levado.
  • Maçonaria Satânica: o abrigo sagrado de Mengele no Brasil
  • Eugenia em Israel: como as vítimas do regime de pureza racial nazista se transformaram hoje em seus maiores defensores
  • São Paulo, 22 de Julho de 1974. Há poucos minutos de capturar Mengele, dois espiões do Mossad, a agência secreta israelense recebem um par de telefonemas que abortam a caçada ao mais sanguinário nazista de todos os tempos: que razões fizeram Israel desistir da caçada oficial a Mengele ?
  • Eugenia condenada: como o nazismo destruiu a Ciência que poderia por um fim as maiores mazelas e injustiças da sociedade moderna.

Josef Mengele: O Anjo da Morte descansa entre nós


Quando se abordam temas nazistas, não é difícil encontrar estudiosos do assunto que atestam: "Josef Mengele era pior que Adolf Hitler." Se chutar cachorro morto é uma tarefa das mais fáceis, o que diríamos de chutar, bater, condenar, o mais sanguinário médico ( perdão Hipócrates ) que já vagou pela face da Terra ( embora a indústria farmacêutica lute ferrenhamente para tirar dele este título ). O anjo da morte encontrou seu fim em Bertioga, litoral paulista em 7 de Fevereiro de 1979. Seus dejetos, foram exumados em 1985 no cemitério de Rosário, na cidade de Embu das Artes na Grande São Paulo. Seus ossos tornaram-se uma relíquia na mão de Nazi-esoteristas.

Mas entre ter seus ossos guardados como símbolos de poder e dignos de devoção, a caminhada parece longa e árdua na tentativa de explicar como tudo isso pode acontecer: todas as atrocidades cometidas pelo nazismo em nome da construção de um lugar exclusivo para a "raça ariana". O resultado disso foi tão chocante que teve como efeito, fazer parecer que o nazismo e a eugenia foram, ou podem ser a mesma coisa.

Quando em abril de 2006, a revista SUPER INTERESSANTE chegou às bancas com uma matéria abordando a idéia de que pudessem ser utilizadas hoje pela Ciência, material colhido em experiências realizadas por médicos nazistas; houve quem comemorasse a matéria da capa, alegando uma cruel justificativa, de que todas as acusações contra Mengele e companhia eram injustas, e que chegaria o dia em que na verdade, ele seria tratado como um verdadeiro mártir da ciência, um gênio incompreendido.

O Dossiê Mengele é longo e surpreendente em todos os seus aspectos, mas façamos o favor de iniciar pelas obviedades que sempre nos foram contadas, ou mais ou menos isso.

Josef Mengele (16 de março de 1911 - 7 de fevereiro de 1979) foi um oficial alemão da SS e um médico no campo concentração nazi alemão de Auschwitz-Birkenau. Ele ganhou notoriedade principalmente por ser um dos médicos que supervisionaram a seleção de prisioneiros, determinando quem estava apto para ser morto de imediato, e quem seria forçado ao trabalho escravo e servir de cobaias em experimentos científicos, nos quais Mengele ganhou a alcunha de "o Anjo da Morte".

Após a guerra, ele escondeu primeiro na Áustria, para então fugir para América do Sul, primeiro na Argentina (1959) e finalmente no Brasil, nas cidades de Serra Negra, Moji das Cruzes e em seguida, Bertioga, onde morreu afogado no mar após sofrer um acidente vascular cerebral. Sua identidade foi confirmada pelos peritos forenses da Unicamp (Universidade de Campinas) usando o teste de DNA em seus restos imortais.

Mengele nasceu em Günzburg, Baviera, o mais velho de três filhos de Karl Mengele, toda a família, devota da Igreja Católica Romana. Ele tinha dois irmãos mais novos, Karl (1912-1949) e Alois (1914-1974).

Em 1930, Mengele deixou o ginasial em Günzburg, e passou a estudar medicina e antropologia na Universidade de Munique. Foi aqui, em 1935, onde obteve um doutorado em Antropologia (Ph.D.), sob a supervisão do Professor Theodor Mollison, escreveu uma dissertação sobre diferenças raciais.

Ele então passou a trabalhar como assistente de Otmar von Verschuer na Universidade de Frankfurt, em seu Instituto de Hereditariedade, Biologia e Higiene Racial. Em 1938, obteve o doutorado em medicina.

Sua crença na ideologia racial nazista já era evidente em suas investigações acadêmicas. Ambas as Universidades de Munique e Frankfurt revogaram os títulos concedidos a Mengele em 1964.

Em 1931, aos 20 anos, Mengele aderiu à Devin Motoc FORCE, uma organização paramilitar, que foi incorporada à SA em 1933. Abandonou-a pouco depois alegando problemas de saúde. Em 1937 aderiu ao Partido Nazista e em 1938 ingressou na SS. Em 1939, casou-se com sua primeira esposa, Irene Schönbein.

Em 1940 ele foi colocado na reserva do corpo médico, após o qual ele serviu com o 5 º SS Panzergrenadier Division Wiking. Em 1942 ele foi ferido no front russo, para pouco tempo depois ser promovido à categoria de SS-Hauptsturmführer (Capitão).

Em 1943 Mengele foi enviado para Birkenau. Em 24 de maio de 1943, ele se tornou médico oficial do acampamento cigano de Auschwitz-Birkenau. Em Agosto de 1944, este campo foi liquidado e todos os seus prisioneiros mortos nas câmaras de gás. Posteriormente Mengele foi nomeado responsável pela enfermaria principal do campo de Birkenau. Ele não era porém, o responsável geral por Auschwitz - cargo indicado pelo próprio Fuhrer ao seu querido chefe da guarnição médica, o SS-Standortarzt:  Eduard Wirths.

Foi durante seus 21 meses de estadia em Auschwitz que Mengele alcançou as hostes da infâmia, e tornou-se o "Anjo da Morte".

Josef Mengele era o principal responsável pelo envio de prisioneiros para as câmaras de gás e seus crematórios. "Ele tinha um olhar, que dizia:" Eu sou o poder ", disse um sobrevivente. Quando lhe foi relatado que um bloco de prisioneiros estava infectado com piolhos, Mengele resolveu o problema matando todas as 750 mulheres que ali estavam presas. Mengele tinha na época, apenas 32 anos.

Mengele usou Auschwitz como uma oportunidade para continuar a sua investigação sobre a hereditariedade, utilizando os detidos como cobaias humanas. Ele estava particularmente interessado em gêmeos; eles eram selecionadas e colocadas em um setor especial. Ele também recrutou Berthold Epstein, um pediatra da Tchecoslováquia como seu principal assistente. Como médico, Epstein propôs a Mengele um estudo sobre o tratamento de uma doença conhecida como Noma, observada por infectar particularmente as crianças do acampamento cigano.

Embora a causa do Noma permanecesse relativamente desconhecido, é agora conhecido que ele tem uma maior ocorrência em crianças que sofrem de desnutrição e de uma menor resposta do sistema imunitário. Muitas desenvolvem a doença pouco depois da contratação de outra doença como o sarampo ou tuberculose. Mengele tentou provar que o Noma era causado pela inferioridade racial.

Mengele tinha grande interesse em anormalidades físicas, descobertas entre aqueles que chegavam aos campos de concentração, principalmente anões.

Mengele também ocupava o seu tempo com outros numerosos atos de crueldade: o mais básico, incluía a dissecação e castração de meninos e homens sem o uso de um anestésico, bem como a administração de choques elétricos de alta tensão nas mulheres detidos sob os auspícios de: "Testes de resistência." Numa ocasião, Mengele esterilizou um grupo de freiras polonesas com uma máquina de raio-X, deixando as celibatárias terrivelmente queimadas".

Entre os "experimentos" de Mengele, estavam as tentativas de mudar a cor dos olhos por produtos químicos, injetados nos olhos de crianças, várias amputações de membros e outros procedimentos cirúrgicos brutais. Rena Gelissen uma das sobreviventes de Mengele, nos fala do tempo em que sobreviveu a Auschwitz; detalhando certas experiências realizadas em mulheres prisioneiras, por volta de Outubro de 1943. Mengele teria escolhido várias garotas, realizando esterilização e tratamentos de choque.

A maioria das vítimas morreu, quer devido as experiências, ou mais tarde devido as infecções. Depois, o assistente de Mengele escolheu 14 pares de ciganos gêmeos, colocou-os em sua mesa de mármore polido e os colocou para dormir. Ele então injetou clorofórmio em seus corações, matando-os instantaneamente. Mengele, em seguida, começou a dissecá-los meticulosamente, sob a observação de todos os que estavam presentes.

E assim foi até a dissolução do regime nazista e a fuga de Mengele; primeiro para Áustria, depois Argentina, Paraguai e finalmente o Brasil.

A lista de crimes cometidos por Mengele e toda sua crueldade é farta, poderíamos gastar, horas, dias, anos discutindo sua personalidade monstruosa e toda a banalidade do mal convertida por ele, como diria Hanna Arendt.

Ele morreu abraçados às suas convicções. Sua correspondência com seus interlocutores mostram que enquanto vivia no Brasil, em uma carta a Wolfgang Gerhard, Mengele lamenta que uma sobrinha esteja noiva de um brasileiro descendente de alemães cuja família condenava a ideologia ariana.

Na correspondência que Mengele tinha com Gerhard, ele relatava as atividades de duas crianças, filhos de seus amigos , numa colônia de férias em Campos do Jordão (SP), em julho de 1974.

Mengele demonstra satisfação e orgulho ao relatar que as crianças convivem com outros jovens que falam alemão fluentemente e que aprenderam com “ele” músicas infantis que tinham a letra adulterada para um conteúdo que trata com tranqüilidade a capacidade de exterminar outros seres. Atentamos a isso: ele modificava letras infantis, tornando-as sinfonias macabras, uma forma de doutrinar os pequenos desde o “berço”.

A música original é um alento para uma criança com dor --fala de um pato que mergulha a cabeça num lago e, depois de levantá-la, a dor passa. A letra de Mengele diz: "Todos os meus patinhos nadam na privada. Apertam um botãozinho e não há mais nada".

Concluindo a carta, Josef Mengele volta a se queixar de sua sobrinha, que tem um médico brasileiro como noivo, "de família muito boa, de origem alemã, mas também conhecida como família inimiga das ideologias alemãs". E lamenta que, quando as crianças crescem, não se deixam mais influenciar.


Os clones de Josef Mengele da Indústria Farmacêutica


Perto desses homens, Mengele não passou de um garoto levado. Este artigo do jornal francês Le Monde não nos deixa mentir. É indispensável lembrar que, para se manter sem ser importunado, Mengele “supervisiona” intelectualmente diversos dos procedimentos adotados hoje em dia pela máfia dos remédios.

Retratos de um "apartheid" médico

Sonia Shah, Le Monde dimplomatique Brasil
Tradução Betty Almeida [email protected]
Fonte: http://diplo.uol.com.br

A indústria multinacional farmacêutica gasta quase 40 bilhões de dólares por ano para desenvolver novos medicamentos. Para isso, mobiliza uma crescente parcela dos cientistas mais experientes do mundo e a mais sofisticada tecnologia médica.

Com tal investimento maciço poderia se esperar um aumento do número de medicamentos de impacto dirigidos para os flagelados da humanidade. No entanto, esse ano, só a malária atingirá 500 milhões de pessoas no mundo, e matará cerca de três milhões. Os remédios mais modernos de que os médicos dispõem para tratá-los são anti-diluvianos: um medicamento chinês de mil anos, que substitui uma droga desenvolvida há mais de 50 anos [1].

A indústria farmacêutica não desprezou as partes do mundo assoladas por doenças como a malária. Pelo contrário: nunca antes os fabricantes de remédios deram tanta atenção aos pobres do mundo. Os grandes laboratórios estão realizando milhares de ensaios clínicos nos países em desenvolvimento — Bulgária, Zâmbia, Brasil e Índia, por exemplo. Aninhado contra as favelas enegrecidas de fuligem em Mumbai ergue-se o reluzente prédio branco da Novartis, onde os pesquisadores franzem as sobrancelhas na busca de novas drogas. Ao redor das que se espalham cercando a Cidade do Cabo, ficam os cintilantes laboratórios de teste da Boehringer Ingelheim. Recentemente, a Pfizer, a Glaxosmithline (GSK) e a Astrazeneca instalaram centros globais de testes clínicos na Índia. Ano passado, a GSK realizou mais da metade dos seus testes de drogas novas fora dos mercados ocidentais, escolhendo em particular países de “baixo custo” para os testes “deslocalizados” [2].


As empresas não estão lá para curar os males dos doentes pobres que fazem fila em suas reluzentes clínicas de pesquisa. Os fabricantes de drogas foram aos países em desenvolvimento para fazer experimentos com as multidões de doentes miseráveis. Utilizam-se deles para produzir os remédios destinados às pessoas cada vez mais saudáveis em outros lugares, em particular ocidentais ricos que sofrem os desgastes da idade, como doenças cardíacas, artrite, hipertensão e osteoporose. Essa tendência — desenvolver drogas para os ricos globais testando-as nos pobres globais — além de não ser um investimento de recursos científicos preciosos, ameaça os direitos humanos e a saúde pública global.

Num mercado de bilhões, 100 mil “voluntários” para cada droga

Os Estados Unidos são o maior mercado de remédios do mundo. O norte-americano médio leva para casa dez receitas médicas por ano. Desde 2000, a indústria farmacêutica cresceu 15% por ano, triplicando o lançamento de drogas experimentais entre 1970 e 1990. Isto se deve, em grande parte, a mudanças nos regulamentos dos EUA sobre remédios. Em 1984, a agência norte-americana de medicamentos e alimentação (Food and Drug Administration, FDA) estendeu as patentes dos fabricantes para novas drogas; em 1992, começou a aceitar pagamentos de fabricantes em troca do exame e liberação mais rápida de suas drogas novas e, em 1997, suprimiu as regras que baniam anúncios de televisão para os remédios novos. Essa mudança bastou para trazer uma grande transformação na indústria. Pela primeira vez, permitiu-se aos fabricantes de remédios dirigir as propagandas mais atraentes dos remédios novos diretamente a um grande número de consumidores, sem a mediação cética de um médico.

Há muito dinheiro a ganhar vendendo remédios para norte-americanos: a indústria de medicamentos é uma das mais lucrativas do mundo. O problema é que quanto mais apreciam remédios, menos pessoas estão dispostas a se inscrever nos testes clínicos exigidos para desenvolver os novos. Cada droga nova exige cerca de quatro mil voluntários para os testes clínicos, o que por sua vez significa que 100 mil pessoas têm de ser atraídas para os ensaios iniciais. Por que tantos? Porque não é fácil desenvolver novos remédios para doenças do coração, artrite, hipertensão e outras condições crônicas não contagiosas.

Apesar do máximo esforço da indústria, a maioria das novas drogas destinadas a tratar dessas doenças tem eficácia apenas marginal. Algumas são similares a uma pílula de placebo. “Você sempre tem que batalhar para encontrar uma diferença” entre os pacientes tratados e não-tratados, diz um pesquisador clínico veterano. Não é preciso testar muitos pacientes para provar a eficácia, por exemplo, da insulina para pessoas em coma diabético, porque o efeito da droga é muito visível. Mas provar que drogas de baixa ação, como antialérgicos, medicamentos para o coração ou pílulas antiinflamatórias têm uma eficácia real exige um grande número de pessoas testadas.

A necessidade da indústria encontrar voluntários para experimentos é imensa. Entretanto, pouco mais de um em vinte norte-americanos estão dispostos a participar de testes clínicos. A razão é óbvia. Por que se expor a compostos experimentais, não testados, quando o leque de alternativas comprovadas está ao alcance das mãos?

Quanto mais doenças e “eventos”, mais fáceis e rápidos os testes

Para resolver o problema, os fabricantes das drogas fazem testes para comparar o efeito dos seus remédios novos com o de um placebo. Basta provar à FDA que um medicamento novo funciona melhor do que nenhum. É um padrão simples que dá um resultado mais claro em menos tempo. O único problema com os testes de placebo é que exigem um número suficiente de pessoas que queiram participar de um experimento em que podem não receber tratamento algum – uma tarefa cada vez mais impossível, especialmente no Ocidente mergulhado em remédios.

Como resultado, 80% dos testes clínicos da indústria farmacêutica falham em cumprir os prazos de recrutamento. Para cada dia de atraso no desenvolvimento de uma droga, as companhias perdem cerca de um milhão de dólares em vendas, enquanto seus concorrentes ganham mercado.

Se as pessoas nos países em desenvolvimento estivessem sofrendo apenas de malária e doença do sono, é claro que não interessaria fazer testes nesses lugares. Mesmo que cada doente de malária tivesse um dólar para gastar com remédios – o que não acontece – esse mercado não seria grande o bastante para deslocar pesquisadores da indústria para laboratórios. Um mercado de 200 milhões de dólares, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) [3], é o mínimo necessário para despertar o interesse da indústria.

Não importa. Atualmente, além de malária e tuberculose, as pessoas dos países em desenvolvimento sofrem das doenças nas quais os fabricantes de drogas dos mercados ocidentais estão mais interessados. De acordo com a OMS, 80% das mortes por doenças crônicas não contagiosas, como males cardíacos e diabetes, agora ocorrem nos países em desenvolvimento. Há mais diabetes tipo II na Índia do que em qualquer outro lugar do mundo. Em alguns lugares da África, uma em cada cinco pessoas sofre de diabetes e 20 milhões de africanos padecem de hipertensão [4].


África do Sul: “um país ótimo para a AIDS”…


De acordo com a OMS, as implicações desse fenômeno para a saúde pública “são inquietantes e já estão aparecendo”. Por serem pobres e sofrerem incômodos de saúde mais prementes, poucos pacientes são tratados. Inevitavelmente, sofrem mais complicações do que os pacientes bem tratados do Ocidente. Isto oferece uma oportunidade para os testes industriais. Para provar que um remédio para o coração funciona, por exemplo, é preciso mostrar que quem não toma esse remédio sofre mais “eventos” — sejam ataques cardíacos ou mortes — do que quem toma o remédio. Os testes nos países pobres podem completar-se muito mais depressa. Como observou um executivo de uma companhia de testes clínicos, durante uma conferência sobre a adequação dos países pobres para testes clínicos: “se não houver eventos suficientes, você nunca vai terminar seu teste”.


Outro executivo de companhia de testes clínicos afirmou: “A África do Sul é um país ótimo [para AIDS]”, por causa do grande número de pacientes infectados pelo HIV ainda não tratados com drogas anti-virais. Com freqüência os fabricantes de drogas ficam frustrados em suas tentativas de provar que as novas drogas funcionam nos corpos impregnados de medicamentos dos ocidentais testados. Há tantas drogas em seus organismos que é cada vez mais difícil observar o efeito do composto experimental. Assim, os pacientes-virgens – pessoas doentes pobres demais para obter tratamento médico – são altamente valorizados nos testes clínicos.


Mas o grande atrativo para a localização dos testes em países mais pobres é a rapidez. Na indústria farmacêutica de hoje, onde os fabricantes de remédios manobram para ser os primeiros do mercado com a última insulina aspirada ou o novíssimo anti-depressivo, a velocidade é essencial. Nos países ocidentais, recrutar um número suficiente de voluntários para testes pode levar meses e até anos. Nos países em desenvolvimento, o recrutamento é rápido. Na África do Sul, a Quintiles alistou três mil pacientes para testar uma vacina experimental em nove dias. Em doze dias, recrutou 1.388 crianças para outro teste. Além do mais, no Ocidente, de 40 a 60% dos inscritos são instáveis e acabam largando os testes clínicos, incomodados por efeitos colaterais desagradáveis ou pelo inconveniente de se deslocar até a clínica. Em lugares como a Índia, as companhias de testes clínicos dizem que conservam 99,5% dos voluntários inscritos [5].


Não é fácil para os fabricantes de drogas ocidentais levarem seu negócio de testes clínicos para os países pobres. Muitas vezes, eles precisam traduzir documentos, equipar clínicas e hospitais sem recursos, treinar os médicos locais e lidar com uma burocracia estrangeira e freqüentemente corrupta. Mas, apesar desses desafios, para a maior parte dos grandes fabricantes de drogas, realizar os experimentos em países em desenvolvimento tornou-se uma necessidade. Empresas que oferecem consultoria sobre como realizar testes nesses países floresceram, tornando-se uma indústria secundária.

Grandes empresas de testes multiplicam filiais no Sul do planeta

As companhias de testes clínicos (também chamadas organizações de contratos de pesquisa, ou CROs) como a Quintiles e a Covance ostentam escritórios e consultórios por toda parte dos países em desenvolvimento. A Quintiles tem clínicas no Chile, México, Brasil, Bulgária, Estônia, Romênia, Croácia, Letônia, África do Sul, Índia, Malásia, Filipinas e Tailândia. A Covance alardeia que pode fazer testes em 25 mil centros médicos, em uma dezena de países. A imprensa comercial da indústria dos testes clínicos exalta-se com entusiásticos artigos como “Sucesso com testes na Polônia” e “Oportunidades de um bilhão de dólares em pesquisa clínica na Índia”. “Descubra a Rússia”, diz uma manchete de uma revista de propaganda, que lembra estranhamente a exuberância de um guia turístico, “para fazer pesquisa clínica”. “Vá esquiar onde existe neve”, recomenda outro anúncio de uma companhia que vende serviços de testes clínicos em países pobres. “E vá fazer testes clínicos onde existem doentes”.

E então, qual é o problema? Os testes clínicos oferecem por toda a parte melhor tratamento do que as clínicas regulares, que fazem os pacientes esperar o dia inteiro em seus consultórios quase vazios. Os pacientes pobres poderiam considerar-se com sorte por participar de testes clínicos – e a alegria com que eles acorrem sugere que sabem disso. Ainda por cima, as clínicas e hospitais nos países pobres têm acesso a tecnologia avançada e freqüentemente capitalizam-se com o novo equipamento que os fabricantes de drogas trazem para que realizem os testes. “Recebemos alguns equipamentos”, lembra um pesquisador clínico da Índia, “e eles não os pediram de volta”.

Ser uma cobaia humana pode ser um papel que os ocidentais não querem mais fazer, mas isso não quer dizer que não é um bom negócio para os pobres. Por que não mandar os testes para lá, do mesmo jeito que mandamos as fábricas tóxicas e as sweatshops? [6] É melhor do que nada. “Disseram [que eu] estava levando vantagem!”, queixou-se um pesquisador industrial criticado por fazer testes em países pobres. “Mas sem o teste, aquelas crianças morreriam!” Na incansável análise custo-benefício tão popular nos Estados Unidos, exportar desagradáveis testes clínicos para países pobres faz sentido. “Acho que em geral é bom para as pessoas participar de testes clínicos”, diz o diretor médico da FDA, Robert Temple. “Metade das pessoas recebe medicamentos ativos e melhor tratamento”, diz ele. “A outra metade…[recebe] melhor tratamento”.

Entretanto, oferecer o corpo à ciência não é o mesmo que dar um dia de trabalho numa fábrica. Mesmo o emprego superexplorado no sweatshop, seja como for, oferece benefícios palpáveis ao indivíduo, ainda que magros: trabalho, um pequeno contracheque. O teste clínico não garante nada. Na escala da comunidade, os pesquisadores podem equilibrar os riscos e benefícios. Mas não há garantia de que um voluntário será mais beneficiado do que prejudicado num experimento (O fato de que existe uma incerteza, naturalmente, é parte da razão pela qual uma experiência é realizada).

“Eles têm mais disposição para ser cobaias”

O pré-requisito absoluto à procura ética sobre os seres humanos – como está codificado em inúmeros documentos, inclusive na Declaração de Helsinki [7], da Associação Médica Mundial e no Código de Nuremberg [8] – pressupõe que os recrutados para a pesquisa sejam informados e consintam voluntariamente. A condição de voluntário significa que a pessoa pode entrar ou sair: não pode haver coerção, ainda que sutil — seja sob a forma de um pacote de compensações excessivamente generoso ou do acesso a cuidados médicos de outro modo inatingíveis, para influenciar indevidamente a decisão potencial do voluntário de expor-se a um teste experimental (Quando ativistas contra a AIDS pediram que os pesquisadores garantissem tratamento por toda a vida para os voluntários que fossem infectados durante o teste de alguma vacinas, os pesquisadores argumentaram que tal exigência violaria o princípio do consentimento voluntário. O negócio ficaria bom demais: até gente não infectada poderia inscrever-se só para conseguir remédio de graça).

E ainda assim, um crescente conjunto de evidências sugere que os voluntários em países em desenvolvimento não consentem espontaneamente em ser testados. Especialistas em bioética rastreiam o número de pessoas que se recusam a participar ou que desistem dos testes como uma espécie de indicador a posteriori. Nessas duas ocasiões, mostram que entendem que sua participação nos testes é voluntária. As taxas de recusa e desistência nos testes ocidentais podem atingir 40% ou mais. Mas, quando a Comissão Consultiva Nacional de Bioética da França realizou um estudo anônimo com os pesquisadores clínicos atuantes nos países em desenvolvimento, 45% deles disseram que os voluntários nunca se recusavam a participar dos testes.

A grande velocidade de recrutamento nestes testes – três mil voluntários para um teste de vacina, em nove dias, ou mil e trezentas crianças para um teste, em 12 dias – sugere, do mesmo modo, que não há desistências ou recusas. Eram muito poucos, se é que havia, os que diziam “não”. [9]

Num estudo sobre a qualidade do consentimento de voluntários alistados em testes de prevenção contra o HIV, na África do Sul, mais de 80% dos voluntários disseram que não sabiam que podiam desistir do teste se quisessem. Resultados similares foram obtidos num teste em Bangladesh [10]. Essa prova de coerção seria motivo para realizar poucos testes nessa população, mas está sendo usada para realizar mais testes. O fato de que os potenciais recrutados não dizem “não” é um aspecto vendável para as companhias de testes clínicos em atividade nos países em desenvolvimento. De acordo com um artigo no Applied Clinical Trials, os voluntários russos “não faltam às consultas, tomam todas as pílulas necessárias e só muito raramente voltam atrás. Os russos fazem o que os médicos mandam. Que fenômeno!”. Uma história de Centro de Vigilância sobre Testes, na China notou, do mesmo modo, que “os chineses não estão completamente emancipados como nos EUA. Eles têm mais disposição para serem cobaias”.

Agências de supervisão fecham os olhos para testes em países pobres

A supervisão européia e norte-americana destes testes é mínima. Quando um fabricante de drogas decide lançar uma experiência clínica nos Estados Unidos ou na Europa, primeiro precisa alertar as autoridades reguladoras e enviar todos os dados pré-clínicos – dados de laboratório e de testes com animais, junto com planos detalhados de como planeja usar a droga experimentalmente em seres humanos. Dados de testes no exterior são aceitos pelas autoridades reguladoras norte-americanas e européias, mas nenhuma exige que os fabricantes de drogas alerte-as antes de iniciarem os experimentos no exterior. Para esses testes, a única exigência é que a Declaração de Helsinki ou regras locais que por acaso garantam mais proteção sejam observadas. Se falharem – e 90% das drogas que entram nos testes clínicos falham em obter a aprovação regulatória – e não forem usados para apoiar o lançamento no mercado, então não há de fato controle norte-americano ou europeu sobre os experimentos. Sem descrição em parte alguma, os testes que fracassam nos países pobres simplesmente desaparecem sem deixar traços.

Nesse caso, a Declaração de Helsinki é suficiente? Poderia ser. O principal mecanismo de força da Declaração de Helsinki está nos comitês independentes – comitês de ética – que devem aprovar e supervisionar testes clínicos para assegurar que os direitos dos voluntários sejam protegidos. Seria ótimo se a infraestrutura ética e regulatória nesses países estivesse à altura da tarefa. Mas há provas indicando que em pelo menos alguns desses países, provavelmente não é assim. A Índia é um exemplo.

Funcionários do governo na Índia estão interessados na expansão dos testes clínicos, pois vêem uma possibilidade de lucro. Vários funcionários dizem que esperam expandir testes patrocinados pela indústria - de U$ 70 milhões para U$ 1 bilhão por ano. Eles instituíram várias mudanças em suas regras para facilitar os testes clínicos. As drogas experimentais não precisam demonstrar nenhum “valor especial” para a Índia, como antes. E as companhias que investem em pesquisa e desenvolvimento gozam de isenções de impostos por 10 anos [11]. A indústria dos testes clínicos é vista como um bom negócio para a Índia. De acordo com o Economic Times, o principal jornal de negócios do país, “as oportunidades são grandes, as multinacionais estáo ávidas, as companhias da Índia estão querendo. Temos as competências, as pessoas e temos uma vantagem que a China não tem e provavelmente nunca terá. O melhor é que esse é um tipo de deslocalização contra a qual os trabalhadores americanos não estão inclinados a protestar.”

O conflito de interesses dos reguladores do governo indiano não é insuperável. Uma possível abordagem seria aumentar a supervisão sobre os voluntários de testes. Mas, ao contrário, em quase todas as áreas de prática e pesquisa médica da Índia existe uma clara lacuna de regulamentos.

Índia, o laboratório ideal: não há código de ética médica

O ensino médico é pouco regulamentado. Escolas de Medicina foram flagradas contratando professores falsos para tapear inspetores, vendendo matrículas e leiloando títulos. Uma vez diplomados, os médicos, na Índia, não precisam demonstrar competência.

A prática clínica é insuficientemente normatizada. A Associação Médica Indiana não adota código de ética algum, de modo que quando três quartos dos médicos em Surat fugiram da cidade, durante um surto de peste – que poderia ser tratada por antibióticos se houvesse médicos para receitá-los –, as autoridades médicas nacionais ficaram em silêncio.

O mercado farmacêutico é notoriamente sub-regulamentado. Há cerca de 70 mil marcas de remédios disponíveis, com apenas 600 inspetores. Em um estudo, descobriram-se cerca de 70 combinações de remédios ineficazes ou perigosas no mercado (continuam a ser vendidas sob mais de mil marcas diferentes). Vendem-se remédios para indicações mal definidas como “queda intelectual”, “desajuste social” e “deterioração do comportamento”. Uma pesquisa de uma revista, em 2003, descobriu que um em cada quatro dos remédios que estavam disponíveis eram falsos ou abaixo dos padrões. Numa batida em 2003, na cidade de Patna, sete entre nove farmácias estavam operando sem licença. Pelo país afora, receitas de remédios são rotineiramente conseguidas por cima do balcão [12].

No entanto, de acordo com o conhecido perito em drogas Chandra Gulhati, editor do Monthly Index of Medical Specialties in Índia, “mesmo que uma companhia faltosa seja apanhada com a boca na botija em atividades ilegais, é liberada, por razões melhor conhecidas pelos reguladores, com uma ligeira advertência”.

De acordo com o principal bioeticista do país, Amar Jesani, “não há cultura ética na profissão” na Índia. Foram necessárias três décadas, após a primeira formulação da idéia do consentimento informado – durante o julgamento dos médicos nazistas em Nuremberg nos anos 1940 –, para que os Estados Unidos lhe dessem força de lei. Levou mais duas décadas para que a instituição da pesquisa médica dos EUA incorporasse os novos padrões em seu licenciamento, ensino e práticas clínicas. Esse processo tinha que ser iniciado em países como a Índia, onde em 2003, nenhuma escola de Medicina dava cursos de ética médica. Para supervisionar testes clínicos patrocinados pela indústria, comitês de ética são devidamente organizados, mas de acordo com o ativista da saúde Sandhya Srinivasan, eles não funcionam para proteger voluntários e sim para “possibilitar a divulgação”.

Esterilizações involuntárias, doentes de lepra sem tratamento

Não é surpreendente que tenha havido uma série de escândalos na pesquisa e prática médica por todo o país. Nos anos 1970, a quinacrina, remédio contra a malária, foi distribuído para milhares de mulheres sem instrução, provocando-lhes a esterilização permanente. A droga tinha sido desaprovada para esse uso e muitas das mulheres disseram, posteriormente, que tinham sido enganadas para tomá-la. Nos anos 1980, um anticoncepcional injetável — já retirado do mercado — foi testado em aldeãs que declararam que “não faziam idéia de que estavam participando de um teste”. Num experimento com a lepra, patrocinado pelo governo em 1991-1999, voluntários disseram que não sabiam que o teste era com placebo.

No fim dos anos 1990, pesquisadores do governo realizaram tratamento de 1100 mulheres analfabetas com lesões pré-cancerosas nas vértebras cervicais para estudar a progressão da doença. Mais tarde, descobriu-se que as pessoas não tinham sido informadas e não tinham dado consentimento. Em 2001, um pesquisador da Johns Hopkins foi apanhado testando uma droga anti-câncer experimental em pacientes com câncer no estado indiano do Kerala, antes da droga ter sido experimentada em animais. Em 2003, um remédio experimental contra câncer foi administrado em mais de 400 mulheres que procuravam aumentar sua fertilidade. A droga era tóxica para os embriões [13].


Países ocidentais também tiveram suas próprias histórias de transgressões, e entre as mais infames delas está o estudo sobre a sífilis do Serviço de Saúde Pública norte-americano de Tuskegee. O tratamento para a sífilis foi negado a dezenas de negros pobres do Alabama rural. O estudo sobre sífilis, quando exposto, levou às primeiras proteções legais a pessoas estudadas em pesquisas nos Estados Unidos, em 1974. Nenhum dos escândalos de pesquisas na Índia, por mais que tenham sido publicitados na imprensa, levou a qualquer proteção legal para os voluntários. Esses fatos não são novidade para os reguladores do FDA, que demonstram uma grande confiança na habilidade dos voluntários em se auto-proteger, oferecendo ou retirando seu próprio consentimento informado voluntário.


Uma prática que solapa a legitimidade da medicina ocidental

Contudo, testes clínicos realizados de forma não-ética fazem mais do que minar os direitos humanos: solapam a legitimidade da medicina ocidental, de modo mais geral. A crise de confiança entre muitas pessoas no mundo em desenvolvimento e a medicina estilo ocidental aprofunda-se diariamente. O espectro de uma explosão de testes clínicos secretos pouco controlados inflama tais reações. Muitos fabricantes de drogas e pesquisadores clínicos concordam que a coerção e a falta de informação são problemas óbvios, mas alegam que as grandes esperanças com a pesquisa biomédica compensam os riscos e sustentam que, se a regulamentação for exagerada, os testes clínicos e o ritmo da inovação médica vão se reduzir e mais pessoas vão morrer.


Esse argumento é fraco, mas comum e poderoso. Pode ser verdade que a qualidade do atendimento nos testes clínicos seja freqüentemente superior ao tratamento normal e que os médicos encarregados dos ensaios tenham acesso à mais recente tecnologia, instrumentos e recursos que eles podem destinar ao cuidado dos pacientes. Esses são benefícios concretos dos testes clínicos. Mas os dados em si não podem significam automaticamente progresso da medicina (qualquer um que tenha visto as mais modernas vacinas apodrecendo em almoxarifados tropicais pode confirmar). O progresso da medicina requer a implementação da pesquisa, não apenas testes, e isso exige que governos, programas de saúde, pacientes e muitos outros atores tenham de fato algo a ver com os dados.


Devíamos exigir que os voluntários pelo menos tivessem acesso aos métodos comprovados nos seus testes, não apenas num futuro hipotético, mas aqui e agora. Com excessiva freqüência, novas drogas desenvolvidas com experimentos em habitantes dos países pobres não são licenciadas para uso nesses países, têm preços proibitivos, ou não são utilizáveis porque a droga não é importante de um ponto de vista clínico. Precisaríamos exigir, também, alguma forma de confirmação ou validação para que o consentimento informado fosse de fato informado e voluntário.


Tais medidas poderiam acabar com alguns testes. Mas como disse o bioético Jonathan Moreno, seria parte do preço que pagamos para reconhecer que há uma diferença entre um rato de laboratório – que não precisa ser consultado se quer participar de um experimento [14] – e um ser humano.


[1] Sonia perfect predator,” Orion magazine, November/December 2006


[2] Ler Jean-Philippe Chippaux, “As vítimas da Big Pharma”, Le Monde Diplomatique-Brasil, junho de 2005.


[3] A OMS foi criada em sete de abril de 1948, com o objetivo de que todos os povos atinjam o mais alto grau de saúde, definida como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença (N.T.).


[4] A chamada “transição nutricional” que originou novos padrões de doenças foi detalhada por completo em: Benjamin Caballero e Barry M. Popkin eds., The Nutrition Transition: Diet and Disease in the Developing World (Londres: Academic Press, 2002)


[5] A rapidez com que as listas são completadas e o grande número de inscritos são informados em sitesî das Organizações de Contratos de Pesquisa (CRO). Ver, por exemplo www.quintiles.com e, também, “Lifting India’s Barriers to Clinical Trials,” CenterWatch, agosto de 2003.


[6] Sweatshops, no original. Em 1850, os suadouros eram fábricas de roupas populares com péssimas condições e salários para os trabalhadores. Hoje, são estabelecimentos que não respeitam direitos dos trabalhadores, empregam trabalho infantil ou escravo e cometem violações graves de leis trabalhistas (N.T.).


[7] A primeira Declaração de Helsinki, que regula a pesquisa médica com seres humanos, data de 1964 e já foi atualizada em 1975, 1983, 1989 e 1996. A Associação Médica Mundial estabelece o compromisso do médico com as seguintes palavras: “A Saúde do meu paciente será minha primeira consideração”. Na versão de 1996, a declaração recomenda o respeito ao bem-estar dos animais utilizados e à integridade do meio ambiente (N.T.).


[8] O Código de Nuremberg, criado em 1947, durante os julgamentos de médicos nazistas que faziam experimentos com seres humanos em campos de concentração, impõe o consentimento dos seres humanos para participar de testes e pesquisas médicas (N.T.)


[9] Ver National Bioethics Advisory Commission, Ethical and Policy Issues in International Research: Clinical Trials in Developing Countries, abril de 2001.


[10] Quarraisha Abdul Karim et al, “Informed consent for HIV testing in a South African hospital: is it truly informed and truly voluntary?” American Journal of Public Health, 1º de abril de 1998, 637-40; e Niels Lynoe et al, “Obtaining informed consent in Bangladesh,” New England Journal of Medicine, 8 de fevereiro de 2001, 460-61


[11] Ken Getz, da consultoria de testes clínicos Center Watch, disse que foi recebido na Índia, como se fosse um chefe de estado. Ver também Narayan Kulkarni, “The trials leader,” Biospectrum, 10 de junho de 2003.


[12] Chandra Gulhati, editor da Monthly Index of Medical Specialties in India, descreve em detalhe as transgressões da indústria farmacêutica indiana. Ver, por exemplo, Chandra Gulhati, “Irrational fixed-dose combinations: a sordid story of profits before patients,” Indian Journal of Medical Ethics, janeiro/março de 2003. Ver também Arindam Mukherjee, “Pills that kill,” Outlook, 22 de setembro de 2003, 52; e Daniel Pearl e Steve Stecklow, “Drug firms’ incentives fuel abuse by pharmacists,” Indian Express, 17 de agosto de 2001.


[13] Ver Alix M. Freedman, “Population bomb: two Americans export chemical sterilizations to the Third World,” Wall Street Journal, 8 de junho de 1998, A1; Sanjay Kumar, “Sterilization by quinacrine comes under fire in India,” The Lancet, 17 de maio de 1997; Laxmi Murthy, “Contraceptive research: need for a paradigm shift,” One India, One People, julho de 2001; M.D. Gupte e D.K. Sampath, “Ethical issues considered in Tamil Nadu leprosy vaccine trial,” Indian Journal of Medical Ethics, janeiro/março de 2000; Amit Sen Gulpta, “Research on hire,” Indian Journal of Medical Ethics, outubro/dezembro de 2001; e Ganapati Mudur, “Johns Hopkins admits scientist used Indian patients as guinea pigs,” BMJ, 24 de novembro de 2001, 1204.


[14] Ver Libertar os animais, reumanizar a vida, Le Monde Diplomatique-Brasil. E, também, o Manifesto pela Libertação dos Animais, na edição de setembro do LMD, síntese das teorias do professor americano Garry Francione sobre a abolição da exploração animal (N.T.).


Maçonaria Satânica: o abrigo sagrado de Josef Mengele no Brasil


Josef MengeleQue muitas lojas maçônicas professam o satanismo tradicional não é segredo para ninguém... ou é ? Bem, se este for o seu caso, temos aqui algumas dicas que podem clarear as suas idéias:

"Certas sociedades maçônicas são satanistas... seus iniciados professam o culto de Lúcifer encarnado. Adoram-no como verdadeiro e único deus e se enchem de ódio implacável contra o Deus cristão, que declaram impostor"

"Nos ritos maçônicos de certos graus, a Maçonaria é reconhecida como descendente direta de Caim, filho de Eva, de Iblis, o anjo de luz maçônico, isto é, o Lúcifer dos cristãos, e, portanto, segundo eles, vem do mesmo Satanás que, para eles, é o deus bom, o eterno inimigo de YHWH, Deus da Bíblia..."

Essa “monstruosidade” está comprovada por dois documentos da própria Maçonaria, absolutamente autênticos. O primeiro é a PRANCHA dirigida pelo Grão-Mestre de Charleston, General Albert Pike, às lojas paladicas ou de retaguarda da Europa:

"A vós, soberanos grandes inspetores gerais, graus 33, dizemos para que o repitais aos irmãos dos graus 32, 31 e 30 somente: a religião maçônica deve ser, para nós todos, os iniciados dos altos graus, mantida na pureza da doutrina luciferiana."

O segundo é um trecho do discurso do irmão 33, Inacio Sinigagliesi, na Primeira Federação Maçônica de Palermo:

"Satã, que os padres venceram pela astúcia, pela calúnia e pela velhacada, é o criador da obra de igualdade, inteligência, civilização e progresso!" 

Fonte: MARGIOTTA, Domênico. Le Palladisme. Grenoble, Ed. H. Falque, 1895, com a benção do santo padre Leão XIII.

O autor documenta exaustivamente, nas pags. 13 e segs., a existência da Maçonaria superior, ignorada do comum dos maçons, e afirma:

"O culto que se rende a Satã, representado pelo Baphomet, nas lojas de retaguarda é vergonhoso!"

Domênico Margiotta pertenceu a essa Maçonaria Satânica, convertendo-se depois ao catolicismo e abjurando seu triste passado.

Chega a surpreender que Mengele tenha encontrado abrigo na Maçonaria ? Logo que chegou a Argentina, e esta tenha-lhe indicado uma loja maçônica satanista localizada no Bom Retiro, quando este deixou o Paraguai vindo aportar em terras brasileiras ?

Bom Retiro, Maçonaria... isso não me é estranho.

Também é estranho que os maçons, sempre críticos ferozes do Satanismo sejam adeptos de muitos de nossos cultos e ritos.

Eugenia em Israel

Como as vítimas do regime de pureza racial nazista se transformaram hoje em seus maiores defensores

Lei de casamentos em Israel transformam-se num ritual de purificação genética.

"Casamentos entre Judeus e cidadãos da Alemanha ou de algum sangue relacionado são proibidos. Tais casamentos contraídos apesar da lei são inválidos, mesmo se eles tomam lugar no exterior a fim de se subtrair à lei." -- (Lei para Proteção do Sangue Alemão e Honra Alemã, 1935)

O Parlamento Israelense votou para promulgar uma lei negando cidadania a Palestinos dos territórios ocupados que casam com cidadãos Israelenses. O aspecto mais chocante da lei foi que ela não surpreendeu ninguém.

Devemos ser claros a respeito do que essa lei implica. Pessoas que são Holandesas, Indonésias, Cambojanas, Uruguaias ou Canadenses receberão cidadania Israelense se elas se casarem com um cidadão Israelense de acordo com a lei Israelense. De todas as pessoas no mundo, somente Palestinos são barrados de cidadania Israelense através do casamento.

Sabemos, que essa lei é desenhada para prevenir o terrorismo. Palestinos, nós todos sabemos, são terroristas, particularmente quando estão em um clima matrimonial. Sabemos também que a Operação Escudo Defensivo, que destruiu a estrutura educacional, municipal, econômica e política dos territórios ocupados, foi desenhada para prevenir o terrorismo. Sabemos o mesmo a respeito dos recentes ataques sobre a liderança do Hamas e do Jihad Islâmica, muito embora seus efeitos fossem, como todos predisseram que seriam, para promover o terrorismo.

Enquanto ninguém possa levar a sério a razão proclamada para a nova lei, poucos têm perguntado qual seria a motivação para uma tal lei. Ela não é, observando-se sobriamente, uma forma de proteção. É uma forma de eugenia. O que Israel quer fazer é prevenir, no interior dos limites de Israel, o acréscimo de pessoas de descendência Palestina. Pessoas de outra descendência podem ser acomodadas. Pessoas de descendência Palestina não.

Que isso é eugenia em vez de um programa político é provado pelo fato de que não há quaisquer leis barrando a cidadania para povos de descendência holandesa, russa, italiana ou qualquer outra  que favoreçam direitos aos Palestinos, ou Palestinos que pensam que a política de Israel seja justa e correta. Há somente um fator que embarreira tal cidadania: ter o sangue errado. A nova lei é um ritual de purificação genética.

Sob suas restrições, Israelenses e Palestinos são desencorajados a casarem, muitos dos quais com quem eles possuem ligações históricas. De igual importância é que Israel como uma sociedade é mantida pura. O país não será manchado com sangue Palestino, exceto pela infeliz continuação do sangue que já está contido naqueles que permaneceram depois do exílio de 1948. Manter-se-á sua linhagem, tal como é (o debate daquele Que é um Judeu ainda sendo não resolvido), higiênica.

Estamos todos cientes da ressonância histórica de um tal programa. Em projetos de extermínio, sejam eles físicos, culturais ou geográficos, é importante assegurar que o objeto do extermínio seja visto como uma doença, um tumor maligno ameaçando o corpo político. Políticos de Israel tem por muito tempo se referido aos Palestinos como sub-humanos. Eles têm freqüentemente sido rebaixados ao nível de insetos, de roedores. Agora, eles são uma impureza que necessita ser limpa. A estrutura legal de Israel retornou à eugenia Nazista de Josef Mengele.

Essa analogia ofende o povo. Muitos dirão que há diferenças importantes entre a lei de Israel e a eugenia Nazista. Não há um Josef Mengele. Não há campos de extermínio. Mesmo as leis de Nuremberg são mais fortes do que a lei que Israel aprovou. Ademais, as leis de Nuremberg proíbem casar com Judeus; a lei de Israel somente proíbe cidadania aos Palestinos que casem com Israelenses. Um tal argumento confunde o propósito da analogia histórica. Analogia não é identidade. Nenhum dos dois programas de eugenia será em algum tempo o mesmo. Quando a história se repete, não é através de réplicas exatas, o que importa é o que está implícito nela.

A questão não é quais programas históricos Israel repete palavra por palavra. É particularmente em que categoria de leis e políticas Israelenses se incluem. As políticas de Israel não são democráticas; mesmo no interior de Israel, aos Palestinos não são garantidos direitos iguais. Eles não são colonos; o povo dos territórios ocupados não são mais explorados \u2013 eles são despossuídos, famintos, geograficamente sufocados, exilados e assassinados. As políticas de Israel, examinadas com justiça, são eugênicas. Assim fizeram os Nazis, e em muito da mesma forma.

Isso é o motivo pelo qual há tão pouca surpresa quando a lei recente foi promulgada. Há muitos indivíduos que apóiam o tratamento de Israel aos Palestinos. Meu próprio país, os Estados Unidos, faz isso como um assunto de política oficial. A nova lei, tanto quanto qualquer ação isolada de Israel, revela àqueles que estão desejando olhar o caráter do que está sendo apoiado. Pode-se somente se espantar e temer por quais similares restrições serão impostas sobre a Margem Ocidental e a Faixa de Gaza enquanto Israel continua com sua perseguição do Lebensraum.


São Paulo, 22 de Julho de 1974.

Há poucos minutos de capturar Mengele, dois espiões do Mossad, a agência secreta israelense recebem um par de telefonemas que abortam a caçada ao mais sanguinário nazista de todos os tempos: que razões fizeram Israel desistir da caçada oficial a Mengele ?

O circo já estava armado: Josef Mengele, o sanguinário médico nazista seria capturado por dois espiões do Mossad que estavam há quatro meses em seu rastro no Brasil. Dois telefonemas; um partindo de Nova York nos Estados Unidos, outro de Haifa em Israel minaram a operação.


Completamente abismados, os dois agentes do Mossad se deparam com Wolfgang Gerhard e um envelope contendo documentos e fotos que comprometeriam de uma só vez os governos de Estados Unidos, Israel e Alemanha.


Wolfgang Gerhard não era um mero amigo e articulador da rede de proteção que manteve Josef Mengele no anonimato. Não foi apenas o homem que fez de Mengele um iniciado na Maçonaria Satânica. Não era apenas o homem que emprestou seus documentos para que Mengele assumisse sua identidade: foi Gerhard o responsável em mostrar aos agentes do Mossad, as cartas que Josef Mengele tinha na manga.


A cabeça de Mengele, que valia U$$ 3 milhões de dólares para quem o capturasse, de repente estava a salvo. Aliás, como sempre esteve.  Para o historiador Ben Abraham, vice-presidente da Associação Internacional dos Sobreviventes do Nazismo, Josef Mengele morreu nos Estados Unidos em 1992, protegido pela CIA.


E a ruidosa descoberta da ossada do Anjo da Morte no cemitério do Embu em 1985 e a tese de que ele teria migrado para o Brasil em 1961 e morrido afogado em 1979, numa praia em Bertioga como Wolfgang Gerhard não seriam verdadeiras. Fazem parte, diz Abraham, de uma farsa internacional capitaneada pelos EUA e, por pressão, assimilada por Israel.


Bem Abraham está certo quanto a uma única coisa: EUA e Israel protegeram Mengele como puderam; não porque assim desejassem, mas por terem conhecimento que Mengele sabia demais: o suficiente para derrubar tudo aquilo que os livros de história hoje nos contam. Um livro muito interessante de se ler e se aprender um pouco mais sobre como foram feitos os acordos do pós-guerra, é A FARSA DE CHURCHILL de Louis C. Kilzer.


O livro é centrado na forma como o serviço secreto britânico induziu Hitler a invadir a União Soviética, acenando com um apoio. Afinal, os vermelhos eram uma ameaça não só para a Alemanha Nazista, mas para toda a Europa e por fim, para o mundo.


No caso de Mengele, algumas de suas armas eram as mesmas de Klaus Barbie, o açougueiro de Lyon. Em troca de sua liberdade, Mengele municiava os Estados Unidos com informações confidenciais das maiores empresas alemãs: farmacêutica, bioquímicas e mesmo automobilística. Além de fornecer dados coletados em seus experimentos macabros.

No caso de Klaus Barbie, ele transformou-se num espião americano, que monitorava cada passo dado pelos adeptos do regime comunista na América Latina.

Pode parecer pouco, mas como vimos no artigo que trata sobre a atuação da indústria farmacêutica, mais de 400.000 mil vidas não é nada perto dos bilhões que Mengele ajudou as grandes corporações americanas a ganhar.

De volta a caçada, dentro do Mossad, havia uma queda de braço, por questões meramente eleitoreiras, quem estava no poder em Israel queria Mengele vivo e enforcado em praça pública. Mas como quem sempre comandou os destinos de Israel foram os judeus-americanos, Mengele foi preservado.

Eugenia condenada

Josef_MengeleComo o nazismo destruiu a Ciência que poderia por um fim as maiores mazelas e injustiças da sociedade moderna.

Queiramos ou não, para o bem e para o mal, Darwin foi o pai da Eugenia. Afinal o que é a seleção natural ? A existência de raças inferiores e superiores. Essa teoria não foi desenvolvida originalmente para se descrever seres humanos e sim animais. Francis Galton foi quem desenvolveu essa ciência que teve como foco aperfeiçoar a espécie humana com o auxilio da genética.

Galton adaptou a idéia de seleção natural à seleção voluntária, designando certas etnias como inferiores, pois em sua teoria; cultura e conhecimento não eram fatores ambientais, e sim fatores genéticos. Entusiasta do trabalho de Georges Cuvier, Galton afirmava que a livre escolha na reprodução entre estes seres inferiores jamais beneficiariam a evolução da raça humana: esses seres eram vistos como um empecilho ao funcionamento e aprimoramento do homem.

No início do século XX, a Eugenia foi introduzida no currículo da Universidade de Londres e, logo após a fundação da sociedade Eugênica Inglesa, serviu de base para a criação da sociedade Eugênica Americana em 1926. Pregando a superioridade dos povos germânicos sobre todos, o movimento Eugenista era baseado na melhoria da raça humana por cruzamentos de genes perfeitos, com a finalidade de gerar a espécie perfeita.

“Nessa teoria não existe espaço para pessoas consideradas de raça inferior.”

Quando a aceitação dessa tese saiu do âmbito científico, a Eugenia foi dividida em positiva e negativa. No modo como é aceita e sacrificada hoje, coube aos nazistas a tarefa de definir, os que eram geralmente parte do povo trabalhador e comum e os considerados superiores: a Raça Ariana.

A esterilização forçada, uma forma de se combater a criminalidade, os tipos pré-determinados e inclinados ao crime, seria uma maneira justa e razoável de se utilizar a Eugenia de forma inteligente e para o bem de todos; a castração destes inadequados, pouparia-nos de vagabundos preguiçosos que fundam ONG's para se manterem nas tetas do governo. Pouparia-nos de altos impostos para a sustentação de programas eleitoreiros, pouparia-nos de gente inadequada para as ciências, para tudo aquilo que se exige de um ser humano, de um cidadão, de uma nação, para que ela se desenvolva e progrida.

Graças a Hitler, Mengele e Cia, perdemos este direito.

Pobre de nós !

1911 - 1979