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siga a estrada de tijolos amarelos: Demonologia Livros de Demonologia Malleus Maleficarum Como é o método de pregar e discutir contra os cinco argumentos dos leigos e das pessoas lascivas

Como é o método de pregar e discutir contra os cinco argumentos dos leigos e das pessoas lascivas

Por fim, que o evangelista pregador se arme contra certos argumentos dos leigos, e ainda de alguns homens sábios, quem negam, até certo ponto, que existam bruxas. Pois enquanto admitem a malícia e o poder do demônio para infligir, a vontade, esses danos, negam, que se lhe conceda a permissão Divina, e não admitem que Deus tolere que se façam essas coisas. E ainda que careçam de método em seu argumento, e andam às cegas ora para um lado, ora para o outro, é necessário reduzir suas afirmações a cinco argumentos, dos quais nascem todas suas convicções. E o primeiro é que Deus não permite que o demônio ataque aos homens com tão grande força. A pergunta que formulam é: Se a permissão Divina deve sempre vir acompanhada de um dano, causado pelo demônio pela intermediação das bruxas? E apresentam cinco argumentos para demonstrar que Deus não permite e que, portanto não há bruxaria no mundo. E o primeiro argumento toma-se de Deus; o segundo, do demônio; o terceiro, da bruxa; o quarto, da doença atribuída à bruxaria; e o quinto, dos pregadores e juízes, na suposição de que pregaram contra as bruxas, e as castigaram tanto que não possuem segurança em sua vida. E antes de mais nada, o que segue: Deus pode castigar os homens por seus pecados, e os castiga com a espada, a fome e as pragas, assim como com diversas e inúmeras doenças a que está submetida à natureza humana. Portanto, não precisa agregar outros castigos, e não permite a bruxaria. Segundo, se o que dizem do demônio fosse verdadeiro, a saber, que pode obstruir a capacidade de engravidar, da maneira que uma mulher não possa conceber, ou que se concebe ele provoca um aborto; ou que: Se não há aborto, pode fazer com que as crianças sejam mortas depois do nascimento! Nesse caso poderia destruir o mundo inteiro, e também poderia dizer-se que as obras do demônio são mais fortes que as de Deus, já que o Sacramento do Matrimônio é obra de Deus. Terceiro, argumentam a partir do próprio homem, de que se existisse bruxaria no mundo, alguns homens estariam mais embruxados que outros, e é um falso argumento dizer que os homens estão embruxados pelo castigo de seus pecados e, portanto é falso afirmar que existe a bruxaria no mundo. E demonstram que é falso, mediante o argumento de que, se fosse verdadeiro, os maiores pecadores receberiam os maiores castigos, e isso não é assim, pois os pecadores são às vezes menos castigados, que os justos, como se adverte no caso das crianças inocentes, supostamente enfeitiçadas. Seu quarto argumento pode juntar-se ao que alegam a respeito de Deus; a saber, que uma coisa que um homem pode impedir e não o faz, mas permite que aconteça, pode ser considerada como procedente de sua vontade. Mas como Deus é Todo Bondoso, não pode desejar o mal, e em conseqüência não pode permitir que se faça o mal, que Ele é capaz de impedir. E mais uma vez, tomando o próprio argumento do dano, que se supõe dever-se à bruxaria, declaram que é semelhante às debilidades e defeitos naturais e, portanto podem ser causados por um defeito natural. Pois pode ocorrer por algum defeito natural, que um homem se encontre pego por cegueira, ou perca a razão ou inclusive morra, pelos quais estas coisas não podem se atribuir com certeza às bruxas. Por último, argumentam que os evangelistas e juízes pregaram e praticaram contra as bruxas de tal maneira, que se fossem bruxas, suas vidas jamais estariam a salvo delas, devido ao grande ódio que as bruxas abrigariam contra eles. Mas os argumentos contrários podem ser encontrados na Primeira Pergunta, onde tratamos do terceiro postulado da Primeira Parte; e podem proporcionar às pessoas os pontos mais convenientes. De como Deus permite que exista o mal, ainda que Ele não o deseje, mas o permite para a maravilhosa perfeição do universo, que pode ser considerada no fato, de que as coisas boas são, bem mais, altamente elogiáveis, mais prazerosas e louváveis, quando se as compara com as coisas más; e podemos citar autoridades em respaldo disso. Também, que a profundidade da sabedoria, justiça e bondade Divina de Deus deveria ser exposta, já que do contrário permaneceria oculta. Para uma breve solução dessa questão existem vários tratados disponíveis sobre o tema, para informação das pessoas, sobre a permissão de Deus para duas Quedas; a dos anjos e a de nossos primeiros pais. E como estas foram as maiores de todas as quedas, não é estranho que se permitam outras menores. Mas estas duas Quedas foram maiores em conseqüências, não em circunstâncias, e cujo último sentido, como se mostrou na última Pergunta, os pecados das bruxas superam os dos anjos maus e os de nossos primeiros pais. No mesmo lugar mostrou-se que Deus permitiu com justiça as primeiras Quedas, e qualquer um pode reunir e ampliar o que ali se disse, tanto o quanto desejar. Mas devemos responder os argumentos. Em quanto ao primeiro, de que Deus castiga bastante, por meio de doenças naturais e pela espada e a fome, damos uma tripla resposta. Primeiro que Deus não limitou Seu poder ao processo da natureza, ou sequer às influências dos astros, de tal maneira que não pudesse ir além desses limites, pois com freqüência os superou no castigo dos pecados, ao enviar pragas e outros castigos sem precisar da influência dos astros; e quando castigou o pecado do orgulho de Davi, quando contou a seu povo, sobre o envio da peste contra o povo. Segundo convêm com a Sabedoria Divina que Ele governe de tal modo as coisas, que lhe permita atuar por sua própria instigação. Portanto, não possui o objetivo de impedir por completo a malícia do demônio, senão mais bem a permitir, até onde a considera necessária para o bem final do universo, ainda que seja verdadeiro, que o demônio se vê constantemente freado pelos anjos bons de forma que não consiga impedir todo o mal que deseja. Da mesma maneira, Ele não se propõe limitar os pecados humanos, que são possíveis para o homem graças a seu livre arbítrio, tais como o de renegar da Fé e se dedicar ao demônio, coisas que se encontram no poder da vontade humana. Destas duas premissas segue que quando Deus está mais ofendido, permite aos maus, que antes de mais nada procurem as bruxas, e pelas quais reneguem a Fé, na medida do poder do demônio; e tal é a capacidade de prejudicar os homens, os animais e os frutos da terra. Terceiro Deus permite os malefícios de modo indireto, provocando maior inquietude e tormento ao demônio; e de tal modo, são efetuados pelas bruxas mediante o poder dos demônios. Porque o diabo atormenta-se muito de maneira indireta, quando vê que, contra sua vontade, Deus usa tudo mal para glória de Seu nome, para louvor da Fé, para purificação dos eleitos e para a aquisição de méritos. Pois é verdadeiro que nada possa ser mais irritante para o orgulho do demônio, que sempre se eleva contra Deus (como dizem: o orgulho de quem te odeia aumenta sem cessar), o fato de Deus utilizar suas malévolas maquinações para Sua própria glória. Portanto, Deus permite todas estas coisas. Sobre o segundo argumento que já foi contestado antes; ainda há dois pontos que devemos responder em detalhe. Em primeiro lugar, e longe de ser verdade, que o demônio ou suas obras é mais forte que Deus, resultando evidente que seu poder é pequeno, já que nada pode fazer sem a permissão Divina. Pelo qual pode se dizer que o poder do diabo é pequeno em comparação com a permissão Divina, e esta, muito grande em comparação com os poderes terrestres, aos que, por suposto, supera, como se mostra no texto, tantas vezes citado, de Jó: “Não há na terra poder que se compare com Ele”. Em segundo lugar, devemos contestar a questão: Porque Deus permite a bruxaria afetar a capacidade de engendrar, mais que nenhuma outra função humana? Isto já foi tratado antes, pois se deve ao vergonhoso do ato, e ao pecado original, correspondente à culpa de nossos primeiros pais que se eleva por meio desse ato. Também simbolizado pela serpente, que foi o primeiro instrumento do demônio. A respeito do terceiro argumento respondemos que o demônio tem mais intenção e desejo de tentar aos bons que aos malévolos; ainda que em verdade tente os malévolos mais que os bons, porque os primeiros possuem mais aptidão que os outros para responder a seu tentação. Da mesma maneira, mostra-se mais ansioso em prejudicar aos bons que aos maus, mas lhe resulta mais fácil danar os segundos. E a razão disto, segundo São Gregório, é que quanto com maior freqüência um homem cede ao demônio, mais difícil lhe resulta lutar contra ele. Mas como os malvados são quem com mais freqüência cedem ao demônio, suas tentações são as mais intensas e freqüentes, já que carecem do escudo da Fé para se protegerem. A respeito deste escudo, São Paulo fala em Efésios VI. “Antes de mais nada, toma o escudo da Fé, com ele poderá apagar todos os dardos do fogo maligno”. No entanto, por outro lado, ataca os bons com mais empenho que os maus. E a razão é porque já possui esses últimos, mas não os primeiros e, portanto se esforça para atrair ao seu poder os justos, por meio de atribulações, pois estes ele ainda não possui. E também os malvados que já possui. Da mesma maneira, um príncipe na terra castiga com mais severidade quem desobedece a suas leis ou prejudica seu reino, do que quem não se opõe a ele. Em resposta ao quarto argumento, além do que se escreveu a respeito, o pregador pode expor na verdade, que Deus permite que o mal se faça, mas não o deseja, mediante os cinco signos da vontade Divina, que são: o Preceito, a Proibição, o Conselho, a Ação e a Permissão. Veja São Tomás, em especial a Primeira Parte, Pergunta 18, ad. 12, onde isto se expõe com suma clareza. Pois ainda que exista uma única vontade em Deus, que é Deus Mesmo, Sua vontade se mostra e se assinala de muitas maneiras, como diz o Salmo: as poderosas obras do Senhor cumprem-se em todos Seus desejos. Pelo qual há uma diferença entre a verdadeira e essencial Vontade de Deus e seus efeitos visíveis; já que a vontade, propriamente dita, é a vontade do Bom prazer do homem. Porém num sentido metafórico, a vontade é expressa por signos exteriores. Pois por meio de signos e metáforas nos é mostrado, que Deus deseja que isso seja assim. Podemos tomar o exemplo de um pai humano, que se bem possui apenas uma vontade, a expressa de cinco maneiras, seja por si mesmo, ou por meio de outro. Por si mesmo a expressa de dois modos, direto ou indireto. Direto, quando ele mesmo faz uma coisa; e então é uma Ação. Indireta, quando não impede que outro atue (veja na Física de Aristóteles IV: a proibição é causa indireta), e isto é denominado, um sinal de Permissão. E o pai humano demonstra sua vontade por meio de outras três formas. Ou bem ordena que alguém faça algo ou, ao inverso proíbe algo; e estes são os signos do Preceito e da Proibição. Ou persuade e aconselha alguém que o faça, e este é o sinal do Conselho. E tal como a vontade humana, se manifesta destas cinco maneiras, o mesmo ocorrendo com a vontade de Deus. Pois o fato de que a vontade de Deus se mostra por Preceito, Proibição e Conselho pode ser visto em São Mateus: “Seja feita tua vontade, como no céu, assim como na terra”, isto é, cumpramos na terra Seus Preceitos, evitemos Suas Proibições e sigamos Seus Conselhos. E da mesma maneira, Santo Agostinho mostra que a Permissão e a Ação são sinais da vontade de Deus, quando diz, no Enchiridion: “nada se faz quando Deus Todo Poderoso não deseje que se faça, bem por sua permissão ou porque o faz Ele mesmo”. Para voltar ao argumento; é verdade, que quando um homem pode impedir uma ação, e não o faz, pode-se dizer que essa ação procede de sua vontade. E quanto a inferência de que Deus, sendo todo Bondade, não pode desejar o mal, também é certa no que diz respeito ao verdadeiro Bom Prazer da Vontade de Deus, e também em relação aos quatro signos de Sua Vontade; pois nem faz falta dizer que Ele não pode fazer o mal, nem ordenar que lhe façam, nem deixar de se opor ao mal, nem aconselhar o mal; no entanto, pode permitir que lhe façam. E se perguntarem como é possível distinguir se uma doença é causada por bruxaria ou por algum outro defeito físico natural, contestamos que existem vários métodos. E o primeiro é por meio do diagnóstico dos Doutores. Veja as palavras de Santo Agostinho Sobre a Doutrina Cristã: “a esta classe de superstição correspondem todos os encantamentos e amuletos pendurados ou atados na pessoa, que a escola de Medicina despreza”. Por exemplo, os doutores podem perceber pelas circunstâncias, tais como a idade do paciente, sua textura sadia ou a reação de seus olhos, que sua doença não é produto de nenhum problema no sangue ou no estômago, ou de qualquer outra doença. Portanto diagnosticam que não se deve a um defeito natural, mas a alguma causa extrínseca. E como esta não poderia ser uma infeção venenosa, que viria acompanhada por maus rumores no sangue e no estômago, têm motivos suficientes para julgar que se deve a um ato de bruxaria. E segundo, quando a doença é incurável, de modo que o paciente não encontra alívio nas drogas, mas estas parecem mais bem o agravar. Terceiro, o mal pode cair tão de repente sobre um homem, que só é possível atribui-lo a bruxaria. Foi-nos feito conhecer um exemplo de como isso ocorreu a um homem. Certo cidadão de Spires, bem nascido, tinha uma esposa de índole tão obstinada, que, enquanto tratava de comprazê-la de todas as maneiras, ela se negava quase sempre a cumprir com seus desejos e o perseguia com injurias e afrontas. Aconteceu-lhe de entrar um dia em sua casa, e sua esposa o atacar como de costume, com palavras ofensivas, ele quis sair da casa para evitar a pendência. Mas ela se adiantou com rapidez e fechou a porta à chave, pela qual ele queria sair. E jurou em voz alta que, se não a castigasse, não haveria nele honradez nem fidelidade. Perante estas fortes palavras, ele estirou a mão, sem intenção de feri-la, e a golpeou com maciez, com a palma aberta, nas nádegas; ante o qual, de repente, ela caiu no chão, e perdeu o sentido, e guardou cama durante muitas semanas, afligida de uma gravíssima doença. Resulta evidente que não era uma doença natural, mas provocada por alguma bruxaria da mulher. E ocorreram muitos casos parecidos, conhecidos por muitos. Existem aqueles que podem distinguir estas doenças por meio de certa prática, e é como segue. Sustentam chumbo fundido acima de um homem doente, e depois despejam numa tigela de água. E se o chumbo se condensar em alguma imagem, julgam que a doença deriva da bruxaria. E quando, a esses homens é perguntado, se a imagem assim formada é causa da obra dos demônios, ou se deve a uma causa natural, respondem que é produto do poder de Saturno sobre o chumbo, já que a influência desse planeta é maligna em outros sentidos, do mesmo modo que o sol tem poder similar sobre o ouro. Mas, o que devemos pensar a respeito desta prática, se é legal ou não, analisaremos na Segunda Parte deste Tratado. E como os Cânonistas dizem, é legal que a vaidade seja confundida pela vaidade; mas os Teólogos sustentam uma opinião contraria, e afirmam que não é correto fazer o mal para obter o bem. E no último argumento, os leigos postulam vários objetos. Primeiro. Porque as bruxas não se enriquecem? Segundo. Porque, já que contam com o favor dos príncipes, não cooperam na destruição de todos seus inimigos? Terceiro. Porque são incapazes de prejudicar os Evangelistas e a outros que as perseguem? Em quanto ao primeiro, há que dizer que geralmente, as bruxas não são ricas por esta razão: que aos demônios agrada mostrar seu desprezo pelo Criador comprando às bruxas pelo preço mais baixo possível. E além do mais, para que não se destaquem por suas riquezas. Segundo, não prejudicam os príncipes porque, até onde seja possível, desejam conservar sua amizade. E quando perguntam porquê não ferem seus inimigos, respondemos, que um anjo bom trabalha do outro lado, impedindo essa bruxaria. Comparemos esta citação em Daniel: “O príncipe dos persas pôs-se contra mim, vinte e um dias”. Então veja São Tomás no Segundo Livro das Sentenças, onde debate se existe algum conflito entre os anjos bons, e de qual tipo. Terceiro, sobre o que dizem, de não poderem ferir os inquisidores e outros funcionários, é porque estes dispensam a justiça pública. Poderíamos demonstrar muitos outros exemplos, mas o tempo não permite.

Malleus Maleficarum.