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siga a estrada de tijolos amarelos: Bruxaria Textos Pagãos A Magia Psicodélica de Carlos Castañeda Primeira Porção - Vigor Físico, Força Fisica Sobrenatural

Primeira Porção - Vigor Físico, Força Fisica Sobrenatural

Na primeira porção preparada por Don Juan utiliza somente a raiz da Datura-macho cuja medida foi determinada entre ...a  ponta do polegar até à ponta... do quarto dedo (dedo anular). Esse é o padrão de medida pessoal de cada usuário.

O pedaço  de raiz é colocado dentro de um saco e amassado entre pedras. (Enquanto amassava, entoava um cântico ininteligível, muito baixinho e monótono. CASTANEDA. Ibidem, p 30). Com esse procedimento a raiz é convertida em uma pasta macia que, ainda dentro do saco, colocada em um recipiente com água, fica de molho durante uma noite.

No dia seguinte, depois do saco ficar exposto à luz do sol até as 10 h da manhã. começa um processo de extração da essência líquida do preparado: o saco é espremido, novamente colocado na água e espremido outra vez e ainda mais uma vez (três vezes ao todo, do mesmo jeito que sua avó fazia para obter leite de coco seco).

O líquido resultante é igualmente exposto à luz do sol a fim de que se obtenha a decantação da substância, separando-a da água que, naturalmente, evapora. Isso demora cerca de duas horas.

Uma papa úmida é o que resta no fundo do recipiente. Esta será regada por mais três vezes, em intervalos, com água fervente despejada cuidadosamente para não dispersar o material pastoso. Por fim, estando completamente seco o preparado, a quantidade obtida não é maior que uma colher de chá da pasta de cor cinza-claro.

A pasta é dissolvida em uma xícara de água fervente. Don Juan utiliza uma água que Castaneda observa ser amarela e o índio explica que é "água de frutas", o quê pode ser entendido como uma chá de frutas cujo objetivo é melhorar o gosto da infusão.

Essa providência parece ser absolutamente inútil porque castaneda descreve o sabor dessa fórmula, que ele ingeriu (uma xícara) como amargo e com cheiro de barata (CASTANEDA, 1968 - p 31. Aliás todas essas beberagens alucinógenas têm cheiro de barata, gosto de barata ou coisa pior...). Essa primeira experiência de Castaneda foi um horror, uma bad trip. Eis a descrição:

Quase imediatamente comecei a transpirar. Fiquei com muito calor e o sangue me afluiu aos ouvidos (ou seja, ficou com as orelhas quentes)... os músculos de meu estômago começaram a contrair-se em cãibras dolorosas (isso é lógico! É o estômago gritando - Eu quero morrer!).

Depois, embora eu não sentisse mais dores, comecei a ficar frio e ensopado de suor. ... estava vendo tudo vermelho. Meus dentes batiam por causa de um nervoso incontrolável.

...Depois de algum tempo, senti-me melhor (claro! se não morre, passa). Aos poucos os espasmos nervosos desapareceram, deixando apenas um cansaço dolorido e agradável e um forte desejo de dormir. Adormeci. Mas a sensação de estar imerso num vermelho profundo continuou a noite toda. Até sonhei em vermelho.

 Acordei no domingo, por volta das três da tarde. Tinha dormido quase dois dias. Estava com uma ligeira dor de cabeça e meu estômago estava embrulhado e sentia dores muito agudas e intermitentes nos intestinos. (Idem, 1968 - p 31/32)

Depois do play-boy peruano ambientado em Los Angeles passar por tudo isso, o comentário do índio é simplesmente: Tudo foi bem, na outra noite. Você viu vermelho e isso é o importante. ...Quando uma pessoa vê preto, isso significa que ela não foi feita para a erva-do-diabo e ela vomita a alma... ficaria doente por muito tempo. (Ibidem, 1968 - p 32)

Don Juan explica que aqueles que sobrevivem sem seqüelas à primeira porção da Erva do Diabo – (que como se vê, não é uma erva, é uma raiz) são pessoas fortes e de natureza violenta.

Essa primeira porção, que é essência da raiz diluída restaura o vigor sexual dos pessoas velhas (ou jovens ... ahn... desinteressados), permite suportar a fadiga e a fome, proporciona coragem para os assassinos e a tudo isso o xamã denomina "poder". Depois de ouvir essas explicações de seu mestre, Castaneda afirma: Sinto um estranho vigor (CASTANEDA, 1968 - p 33).

Ligia Cabus