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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica Inversão de Valores

Inversão de Valores

2. Eu questiono a todas as coisas. Enquanto fico diante das fachadas ulceradas e ardilosas de seus arrogantes dogmas morais, escrevo sobre elas com letras ardendo de escárnio: Olhem e vejam! Tudo isto é mentira!

3. Agrupem-se ao meu redor, Oh! desafiadores da morte, e a terra será de vocês, para ser usada e usufruída.

4. Durante muito tempo foi permitido que mãos mortas esterilizassem pensamentos vivos![2]

5. Durante muito tempo certo e errado, bom e mal foram pervertidos por falsos profetas!

6. Nenhuma crença deve ser aceita tendo como autoridade uma natureza “divina”. Religiões devem ser questionadas. Nenhum dogma moral deve ser aceito como verdadeiro – nenhum padrão de medida deificado. O sagrado não é inerente a códigos morais. Assim como os ídolos de madeira do passado eles também foram criados por mãos humanas, e o que o homem faz ele pode destruir!

7. Aquele que é cauteloso em acreditar em qualquer e todo tipo de coisa possui um grande conhecimento, pois acreditar em um princípio falso é o início de toda a tolice.

8. Toda nova era tem como a mais importante das tarefas criar novos homens para determinar

seus novos horizontes, para liderá-la ao sucesso material – para despedaçar os cadeados e correntes de costumes mortos, enferrujados pelo tempo, que reprimem sua expansão saudável. Teorias e idéias que podem ter significado vida e esperança e liberdade para nossos antepassados podem significar destruição, escravidão e desonra para nós hoje!

9. Quando o mundo muda nenhum ideal humano permanece certo![3]

10. Então sempre que uma mentira criar um trono para sim mesma, deixe que seja atacada sem piedade ou culpa, pois sob o domínio de uma hipocrisia indecente ninguém pode prosperar.

11. Deixe que os sofismas estabelecidos sejam destronados, desarraigados, queimados e destruídos pois são uma ameaça real para toda forma verdadeira de ação nobre e pensamentos dignos!

12. Que sempre que se provarem através da prática que uma alegada “verdade” não passa de ficção, deixe que a atirem sem cerimônias no grande vazio, junto com os outros deuses mortos, impérios mortos, filósofos mortos e escombros e destroços sem utilidade![4]

13. A mais perigosa de todas as mentiras entronadas é a sagrada, a santa, a mentira privilegiada – a mentira que todos acreditam ser uma verdade modelo. Ela é a mãe fértil de todos os outros erros e desilusões. É uma árvore de insensatez com centenas de galhos e milhares de raízes. É um câncer social!

14. A mentira que todos sabem ser uma mentira já está a meio caminho de ser erradicada, mas a mentira que é aceita como verdade até por pessoas inteligentes – a mentira que foi inculcada em uma criança nos joelhos de sua mãe[5] – é um inimigo mais perigoso de se enfrentar do que uma pestilência que se aproxima lentamente!

15. As mentiras populares sempre foram as mais poderosas inimigas da liberdade pessoal. Existe apenas uma maneira de lidar com elas: Extirpá-las, como se fossem um câncer. Exterminá-las a partir da raiz até não restar um galho que seja. Aniquile-as ou elas nos aniquilarão!



[1] No começo do segundo ato do Livro de Satã, o autor ironiza a cristandade: "Observem o crucifixo; o que ele simboliza? Incompetência inerte dependurada em uma árvore.". É claro que outras abordagens cristãs são possíveis, por isso é importante deixar claro que o cristianismo que está sendo aqui criticado é aquele que combate a própria vivencia terrena. O cristianismo que proíbe as galas do mundo com sua moral e foge das misérias do mundo com sua metafísica. Em muitos sentidos o cristianismo paulino é a negação da própria vida, não é a toa que seu maior símbolo seja o de um instrumento de tortura e o seu maior ícone seja o de um executado.  A natureza material e os desejos carnais são por ele vistos como inimigos a serem sempre combatidos ou superados até o inevitável desfecho. Ora qual não é o fim daquele que combate sua própria vida senão sua própria morte? É por isso que Nietzsche afirma categoricamente em O Anticristo que: “O Evangelho morreu na cruz.” .

[2] É um engano pensar que a negação da vida material e terrena começou com o cristianismo de Paulo de Tarso.  A negação do prazer, e a sublimação da dor atingiu sua plenitude com o domínio da Igreja Romana, mas existe antes disso toda uma história de fuga do mundo com ingredientes que vão do dualismo zoroástrico a escatologia judaica. Conhecer todas estas fontes das quais beberam a decadência, é uma obrigação para o Satanista, na medida em que não se pode combater aquilo que não se conhece. Um destaque em especial é devido a herança recebida da metafísica platônica:  “As matrizes socráticas, as quais construíram o homem teórico, moral, ansioso por uma verdade absoluta e as fundamentações platônicas, que transformaram esse homem teórico em ideal de ser humano, mas para viver num mundo perfeito, fora de suas sensações ‘enganosas’, tornaram o mundo concreto do presente em um peso. O mundo foi substituído por uma fábula e a vida tornou-se algo que cansa os homens”. – Nietzsche, o Anticristo.

[3] Não há moral eterna e imutável. As doutrinas religiosas e idealistas que falam dos princípios "eternos e irremovíveis" são ingênuas e inexatas. "As idéias do bem e do mal - dizia Engels - diferem de povo para povo, de geração para geração, e, não poucas vezes, chegam a se contradizer abertamente". Os jesuítas que chegaram ao Brasil com Tomé de Souza em 1549 e daqui sairiam por expulsão em 1759 (M.de Pombal), segundo a opinião expressa pelo Padre Nóbrega, os nativos brasileiros eram pecadores inveterados. "Cometiam todos os pecados e não obedeciam um só mandamento de Deus e muito menos da Igreja. Talvez nem mesmo tivessem alma. Surgiu então a crença generalizada de que "não existia pecado ao sul do Equador.”

No livro Teoria Materialista da História de F. V. Konstantinov lemos que nas sociedades primitivas, onde as forças produtivas era muito baixas, a fome crônica obrigava o homem a matar, e, às vezes, a devorar os velhos e as crianças. Nada disso era imoral na época. Durante a escravidão o domínio entre senhores e escravos era plenamente aceito e foi uma regra de convívio que regeu muitas sociedades durantes séculos. No feudalismo, a fidelidade e a honra de se manter os contratos com os senhores feudais era o mais alto valor moral e a vida de orgias, o parasitismo e a ociosidade da nobreza era considerados como perfeitamente lícitas. Foi só a burguesia posterior dos séculos XVI, XVII e XVIII que imbuída do espírito empreendedor, olhou com desprezo os vícios feudais, de esbanja­mento, indolência, ociosidade, e pregava como alternativa a moral puritana, da parcimônia e a laboriosidade. Mais tarde, porém, a mesma burguesia, ao converter-se ao poder mudou também os seus princípios morais. Hoje o ócio e o parasitismo já não são considerados vícios, mas privilégios.

Na sociedade do consumo em massa o imoral não é ir contra a Igreja, a nobreza, ou os senhores feudais, mas sim discordar da moda, das propagandas e da televisão. O novo poder está nas mãos da mídia que determina tanto quem será eleito como no que as pessoas devem acreditar. Hoje em dia alguém quem não assiste televisão e não consome da maneira indicada, quem vai contra as informações, as “verdades” difundidas,  é visto com a mesma estranheza com que era visto um aldeão medieval que não participasse da eucaristia.

A moral de uma sociedade é definida pela classe dominante. E assim como o poder muda de mão em mão também as certezas de conduta anteriores passam a ser questionadas. Como foi bem dito no Manifesto Comunista, tudo o que era sagrado é profanado, tudo o que era sólido se desmancha no ar.

[4] “Honestidade não é um dever social, não é um sacrifício pelos outros, mas uma das virtudes mais egoistas que um homem pode praticar; trata-se de rejeitar sacrificar a realidade da existência em prol das ilusões de consciencia dos outros.” - Atlas Strugged, Ayn Rand

[5] A mais brilhante técnica de propaganda mostrar-se a inútil ao menos que um princípio fundamental seja mantido em mente – tudo deve ser simplificado a uns poucos pontos que devem ser repetidos de novo e de novo. Propaganda deve portanto ser simples e repetitiva. (...) Uma mentira repetida o suficiente transforma-se em verdade. Se você diz uma grande mentira e persiste em repeti-la, as pessoas eventualmente acreditarão nela. - Joseph Goebbels, Ministro de Propaganda do Terceiro Reich