Citação Chave:
Na idade média blasfemar a igreja sagrada era chocante. Hoje, entretanto, a igreja não tem a mesma imagem que possuia durante a inquisição. A missa negra tradicional não é mais o mesmo espetáculo ultrajante que foi no passado para o diletante ou para o sacerdote renegado. Se o Satanista deseja criar um ritual para blasfemar uma isntituição aceita, com o propósito de psicodrama, ele toma cuidado para não escolher uma que já esteja sendo parodiada. Desta forma ele de fato está chutando uma vaca sagrada. Uma missa negra hoje em dia consistiria na blasfêmia desses tópicos “sagrados” como por exemplo o misticismo ocidental, a psiquiatria, o movimento psicodélico, o ultra-liberalismo, etc. O patriotismo seria exaltado por todos, as drogas e aqueles que pregam a seu favor seriam profanados, militantes aculturais seriam deificados e a decadência da teologia clerical poderia até receber um empurrãozinho satânico. O mago Satânico sempre foi um catalisador para a dicotomia que é necessária para se moldar as crenças populares e neste caso uma cerimônia como a missa negra acaba servindo a um propósito mágico mais amplo.
Considerações:
O último capítulo do Livro de Lúcifer é o começo da transição do
racionalismo puro para a via mágica experimental. Nele LaVey conta a
breve história das Missas Negras inicialmente como uma simples invenção
cristã para assustar os leigos. A partir do século IV, o cristianismo se tornou religião oficial em Roma. Apesar disto, muitos continuaram fiéis ao seus deuses e deusas. Os habitantes do
campo eram chamados “paganus” e por não terem aderido ao cristianismo passaram
a serem perseguidos a forçados a conversão. A partir desta época todo aquele
que não fosse cristão era considerado “pagão”. A transição da Antiga Religião
Pagã para a Religião Cristã, aconteceu durante um longo período. Nenhum pagão
tornou-se cristão do dia para a noite. Os aristocratas foram menos resistentes,
porque percebiam o poder da nova crença, mas os habitantes dos campos
(paganus), recusaram-se a aceitar a nova fé. Durante um período, houve uma fé
dupla: acreditavam no novo Deus cristão, mas não abandonavam suas crenças. A
Igreja Cristã nunca conseguiu extinguir, de fato, as crenças classificadas por
ela como pagãs. No final do século XIV, começou a temporada da perseguição aos
pagãos, às Bruxas e a tudo que era contrário às crenças cristãs. Durante quase
400 anos, muitas pessoas morreram acusadas de prática de bruxaria e missas negras.
Mais tarde, com a Igreja perdendo poder e influência, não demorou a aparecer interessados em participar das Missas Negras que por tanto tempo habitaram o imaginário pupular. isso era em geral realizado por ricos e nobresexcêntricos para afirmar sua independência das igrejas e satisfazer suas vontades reprimidas.
Este ato libertário foi usado pela própria Church of Satan nos
primeiros anos de sua fundação, mas posteriormante LaVey admitiu que
não havia mais qualquer necessidade de se continuar com isso. Não há
mais nada a se blasfemar visto que nada mais é respeitado. Não há
sentido em profanar o que não é mais sagrado.
Esta talvez seja uma das propostas mais radicais de LaVeY, observando as rápidas mudanças sociais e comportamentais de seu tempo, o autor advoga que a transformação que está ocorrendo e tão grande que pode ser usada como um divisor de águas naquilo que conhecemos como História Universal. Segundo ele nesta nova era satânica, as pessoas não precisam mais se desculpar por serem humanas, não precisam disfarçar seus anseios animais e sua aspiração divina e podem orgulhosamente e sem restrições reconhecerem que carregam em si mesmas todos os valores que por milênios foram tidos como errados, proibidos ou em outras palavras, satânicos
A última ressalva de LaVey sobre as Missas Negras é que elas podem ser mais do que uma simples paródia. O mesmo contexto ritual pode ser usado de forma inteligênte e útil. Um psicodrama bem montado possui tremendas consequências emocionais e pode ser usado de maneira proveitosa como um meio de descompressão, diverssão e motivaçãoemocional se feito da maneira apropriada. Este será o tema da próxima parte da Bíblia Satânica, o Livro de Belial.
