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Feriados Religiosos

 

Citação Chave:

O maior e mais importante dia santo da religião Satânica é o dia do nascimento do Satanista. (...) O Satanista pensa da seguinte forma: “Vamos ser honestos. Se é para criar um deus à nossa imagem e semelhança então por que não concebê-lo exatamente como você mesmo?”. Cada pessoa é um deus ou uma deusa se decidir se enxergar desta forma. Por isso o Satanista celebra o próprio nascimento, o dia mais sagrado do ano.

Considerações:

Neste capítulo LaVey articula brevemente sobre os feriados religiosos satânicos, sendo que com larga vantagem o mais importante de todos é o próprio aniversário de cada satanista, o dia do nascimento do deus pessoal de cada um. Para um satanista o ser mais importante do universo é ele mesmo e não uma figura pública ou um herói mitológico qualquer e celebrar o próprio aniversário, da maneira que quiser e achar certa é a forma de honrar sua própria existência carnal.

A Encyclopœdia Britannica confirma as proposições de Lavey ao informar que tanto na época dos celtas como dos anglo-saxões o dia 31 de outubro era também a véspera do ano novo e um dos antigo festivais do fogo. Desde muito antes da influência cristã já era esta uma data reservada aos aspectos sombrios da vida devido ao fato de que novembro dá início ao semestre mais obscuro e mais infrutífero do ano, o chamado festival do outono assume sempre  um significado sinistro, com fantasmas, maldições, bruxas, duendes, fadas e demônios de toda sorte vagando por toda parte.

O festival era realizado em honra a Samhaim, senhor celta dos mortos, que, segundo se acreditava, permitia que as almas dos que haviam morrido no ano precedente voltassem à sua casa naquela noite. As festividades incluíam fazer enormes fogueiras ao ar livre para espantar as bruxas e os demônios. Sacrifícios na forma de safras, animais e até mesmo de humanos eram feitos para aplacar as almas dos falecidos. As pessoas se empenhavam também em tirar a sorte e vestiam-se de roupas feitas de cabeças e de peles de animais. Os romanos também contribuíram alguns de seus rituais pagãos aos costumes dos celtas que foram conquistados por eles. Um dos seus festivais do outono, realizado em honra a Pomona, divindade dos frutos e dos jardins, é provavelmente responsável pelo notório uso de maçãs nas festividades do "Halloween" até o dia de hoje como por exemplo, o costume de se pegar maçãs com os dentes de dentro de uma bacia cheia de água e de morder uma maçã suspensa na ponta de um fio de barbante.

Por séculos, os romanos conservaram as festividades que se concentraram no templo dedicado à deusa Cibele e a outras deidades romanas. Por volta de 610 E.C., o Imperador Focas deu de presente o templo ao Papa Bonifácio IV, que o rededicou a Maria e aos mártires da Igreja no dia 13 de maio, data de um feriado da Igreja em honra a seus mártires. Daí em diante, os conversos romanos podiam ir ao mesmo templo para orar pelos seus mortos, só que daí para frente em nome de Maria e dos mártires, ao invés de em nome das deidades pagãs. Por 200 anos, o aniversário da dedicação se tornou a principal celebração no Panteão "cristianizado", e esta observância, segundo acreditam muitas autoridades no assunto, tornou-se precursora do Dia de Todos os Santos.

O elo de ligação que faltava foi suprido pela conquista romana dos celtas, que subseqüentemente se tornaram cristãos. Entretanto, persistiram em seguir muitos de seus costumes, inclusive seu festival pelos finados, em 31 de outubro. Portanto, em 837 E.C., o Papa Gregório IV, segundo a praxe da Igreja de absorver e "cristianizar" os costumes dos conversos, ao invés de aboli-los, ordenou que o dia 1.° de novembro fosse observado em toda a Igreja como um dia para todos os "santos". Assim, num só golpe de diplomacia eclesiástica, uma festa totalmente pagã, com todos os seus acessórios intatos, foi acasalada com o costume de há séculos da própria Igreja de cultuar os mortos.

Cate Lineberry, da National Geographic nos lembra que as Montanhas de Harz, na Alemanha, um reino encantado de picos pontiagudos, ravinas íngremes e florestas luxuriantes, sempre estiveram embebidas de lendas de bruxedos e magias.  No calendário das estações do ano Walpurgisnacht marca a noite do pólo oposto ao Halloween - o auge da primavera, quando acreditavam os germanos, os deuses Wotan e Freya espantavam os duendes as bruxas e festejavam a primavera. Já os celtas festejavam na noite de 30.04 o casamento de Belenos, senhor do sol, com a deusa da vegetação. Os romanos tb festejavam essa noite em homenagem a Maia (mês de maio), que simbolizava o auge da fertilidade na natureza. É enfim uma grande festa da primavera, segundo tradição de vários povos europeus da era pré-cristã sempre remetendo a valores da sexualidade, da fertilidade e da alegria de viver.

Depois de a cristandade chegar à região, na Idade Média, o clero batizou essa noite de “Walpurgisnacht”, em honra de São Walpurga, um missionário inglês do século VIII, e reformulou-a como uma celebração para afugentar maus espíritos, a moralidade cristã imposta manteve a identidade sexual da data, mas a pintou com as cores mais dantescas possíveis. Foi então que nasceu a lenda de que na noite de Wallpurgisnacht as bruxas se reuniam no alto da montanha de Broken, na região de Harz para manter relações sexuais ininterruptas entre si, com homens devassos,  com animais e sobretudo com o próprio Diabo que se materializava em toda sua força para satisfazer cada uma das feiticeiras até a exaustão.

Posteriormente com o declínio do poderio cristão, a noite tem sido lembrada por eruditos e poetas do mundo todo como uma noite a ser dedicada a lascívia e aos prazeres da luxúria. Goethe consagrou essa noite na sua obra ‘Fausto’, quando em certa altura da narrativa Mephisto conduz Fausto até a montanha de Broken, para ele se entregar aos prazeres da carne.

As festividades em Brocken foram proibidas quando a zona passou a pertencer à Alemanha Oriental, mas na última década, milhares de pessoas deslocaram-se todos os anos ao topo da montanha, para dançar em celebração da “Walpurgisnacht”, da maneira apropriada.

 

Por fim, LaVey enfatiza a importância da celebração dos solstícios e equinócios a moda dos antigos pagãos. Sendo o satanismo a mais natural de todas as religiões é esperado que as datas de importância geológica das estações retomem seu ancentral significado universal. A tradução exata do texto seria:

“Existem solstícios no verão e no inverno, os equinócios ocorrem no outono e na primavera. O solstício de verão acontece em junho e o de inverno em dezembro. O equinócio de outono é em Setembro e o de primavera em Março”

É importante lembrar que LaVey viveu no hemisfério Norte onde as estações do anos são o inverso na nossa, em Dezembro temos o verão no hemisfério Sul, assim como em Setembro temos o anúncio da primavera que está por vir. Por isso a tradução que usamos está atualizada com o nosso clima. Essa diferença de estações entre os hemisférios até hoje é motivo de controvérsia no meio pagão onde existem os entusiastas da roda do ano do hemisfério norte e acabam realizando as comemorações de inverno em dias que chegam a ter 40 graus, de céu azul e limpo aqui no Brasil enquanto aqueles que defendem a roda do ano do hemisfério sul realizam as comemorações de verão.

Cada família, templo ou capela satânica possuem suas próprias tradições para celebrar todos estes feriados, mas sempre lembrando que o gosto pessoal e infinitamente mais importante do que os ditames das tradições.