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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Guia de Leitura da Bíblia Satânica O Deus que você salva pode ser você mesmo

O Deus que você salva pode ser você mesmo

Citação-chave: "Todas as religiões de natureza espiritual são invenções do ser humano. Ele criou um sistema inteiro de deuses usando nada mais nada menos do que seu cérebro carnal. Só porque ele possui um ego e não pode aceitá-lo acaba exteriorizando-o na forma de um grande ardil espiritual batizado por ele mesmo de “Deus”. Deus pode fazer tudo aquilo que o ser humano é proibido de fazer – como por exemplo matar outras pessoas, realizar milagres para gratificar a própria vontade, controlar sem ter nenhuma responsabilidade aparente, etc.  Se o ser humano precisa de um deus assim e reconhece esse deus então está adorando uma entidade criada por outro ser humano. Então, pela lógica, ELE ESTÁ ADORANDO A PESSOA QUE INVENTOU DEUS. Não seria muito mais sensato então que este mesmo ser humano adorasse a um deus que tivesse sido criado por ele mesmo ou ela mesma, um deus em harmonia com suas próprias necessidades emocionais – um deus que represente da melhor forma possível o ser físico, feito de carne e osso, que possui o poder mental capaz de criar um deus em primeiro lugar?"


Considerações:

Seguindo o conceito de  "Eu sou meu próprio deus" com uma completa explicação da visão de mundo satânica este capítulo declara que todos os deuses foram criações da mente humana, e adorar um deus externo é adorar o outro ser humano que o criou por tabela. Assim a conclusão de LaVey é que deveriamos criar nossos próprios deuses, a sabe nos mesmos, e então adorá-lo. O resultado obviamente é enxergar a si mesmo como o mais importante de todos os seres e adotar uma visão e comportamento centrados em si mesmo.

Contra uma tendência antiga da sociologia de reduzir todo o aspecto religioso a coerção social (Durkheim) ou as ilusões da superestrutura (Marx), temos em Carl Gustav Jung, a primeira defesa séria de que o dogma é mais uma resposta cultural a uma necessidade interna do que uma resposta interna a uma necessidade cultural. Ou como nas palavras de LaVey, o dogma é uma necessidade. Em ‘Psicologia e Religião’ Carl Gustav Jung expõe que o dogma é uma ferramenta do aparato mental humano, que pode ser observada em todos os indivíduos e povos. Exatamente como os sonhos o dogma reflete a atividade espontânea e autônoma da psique objetiva, isto e do inconsciente. Uma fidelidade tranqüila e relaxada as categorias religiosas pode nos resguardar de uma dinâmica dissolutiva prejudicial a integração com o Self.

Sobre a importância do dogma, basta ver os grandes movimentos sociais do século XX, o romantismo do século XIX e os fenômenos religiosos de todos os séculos anteriores. Quando a isso a leitura de Gustave Le Bon, em "As Opiniões e as Crenças” é reveladora. Segundo ele a fé num dogma qualquer é, sem dúvida, de um modo geral, apenas uma ilusão. Cumpre, contudo, não a desdenhar. Graças à sua mágica pujança, o irreal torna-se mais forte do que o real. Uma crença aceite dá a um povo uma comunhão de pensamentos que originam a sua unidade e a sua força. Sendo o domínio do conhecimento muito diverso do terreno da crença, opô-los um ao outro é tarefa inútil, embora diariamente tentada.

As leis que regem a psicologia da crença não se aplicam somente às grandes convicções fundamentais, que deixam uma marca indelével na trama da história. São também aplicáveis à maior parte das nossas opiniões quotidianas relativamente aos seres e às coisas que nos cercam.

A observação mostra que, na sua maioria, essas opiniões não têm por sustentáculos elementos racionais, porém elementos afetivos ou místicos, em geral de origem inconsciente. Se nós as vemos discutidas com tanto ardor, é precisamente porque elas pertencem ao domínio da crença e são formadas do mesmo modo. As opiniões representam geralmente pequenas crenças, mais ou menos transitórias.

Seria, pois, um erro supor que se sai do terreno da crença, quando se renuncia às convicções ancestrais. Teremos ensejo de mostrar que, as mais das vezes, ainda mais se aprofundou nesse domínio. Sendo as questões suscitadas pela gênese das opiniões da mesma natureza que as relativas à crença, devem ser estudadas de modo análogo. Muitas vezes distintas nos seus esforços, crenças e opiniões pertencem, no entanto, à mesma família, ao passo que o conhecimento faz parte de um mundo inteiramente diverso.


Um dogma e seus casos específicos como Deus, Sobrenatural, Tão, Mística, Magia e realidades últimas em geral, portanto não são simplesmente um fenômeno da cultura para aqueles que nele crê, mas uma demanda feita ao entendimento humano que vem de sua própria orientação biológica.

O Satanista deve contudo entender que isso não implica na veracidade de qualquer dogma, mas apenas reconhece sua existência e importância em nossa configuração psíquica. Novamente em ‘Psicologia e Religião’ Jung escreve: “Incorreria em erro lamentável quem considere minhas observações como uma espécie de demonstração da existência de Deus. Elas demonstram somente a existência de uma imagem arquetípica de Deus e, na minha opnião isso é tudo o que se pode dizer psicologicamente cerca de Deus.”

Segundo Carls Gustav Jung, todos os deuses já adorados e temidos pelo homem são de fato projeções coletivas de algo que existe previamente dentro da mente humana.  Os chamados arquétipos carregam em si as mesmas grandes aspirações e problemas enfrentados pela psique humana. Refletindo uma mesma realidade psíquica, eventualmente os povos criaram formas semelhantes de arquétipos, o que levou Jung a chamá-los também de Imagens Primordiais. Cada época e cada povo aprenderia contudo a trabalhar com estes arquétipos a seu próprio modo, mas Jung identificou que em todos os períodos sempre existiram indivíduos capazes de lidar com os arquétipos de modo mais “identificante”, íntimo e pessoal. Os trabalhos do místico no real sentido da palavra é uma das propostas do Satanismo.


Uma afirmação interessante neste capítulo é que, por mais cética e ateísta que uma pessoa seja, a necessidade de dogmas e rituais será sempre uma constante. Jean Baudrillard,  em A moral dos objetos confirma isso ao lembrar que “para as massas, o Reino de Deus sempre esteve sobre a terra, na imanência pagã das imagens, no espetáculo que a Igreja lhes oferecia. Desvio fantástico do princípio religioso. As massas absorveram a religião na prática sacrílega e espetacular que adotaram. Nenhuma força pode converte-las à seriedade dos conteúdos, nem mesmo à seriedade do código, isso não lhes importa, elas querem apenas signos, elas idolatram o jogo dos signos e de estereótipos desde que eles se transformem numa seqüência espetacular...”  LaVey conhecia essa necessidade de espetáculo e ritual, por isso arquitetou uma série de cerimônias que os satanistas poderiam se dedicar sem desviar sua atenção para mentiras metafísicas.

Nada obriga uma pessoa a satisfazer estas necessidades adorando um deus externo. Se reconhecermos que os rituais e cerimônias foram artifícios importantes que as religiões utilizam para manter sua fé em uma mentira, então segundo LaVey o mesmo tipo de ritual poderá agora manter sua fé na verdade. Voltando a Jung, os rituais encontrados em todas as expressões culturais da humanidade são, em sua grande maioria, formas de interagir e se aprofundar no relacionamento com os arquétipos de cada civilização.  De fato, como propõe LaVey, nada impede, que isso seja feito de maneira consciente e esta é inclusive a chave para diversas terapias psicanalíticas baseadas no trabalho de Jacob Levy Moreno e outros alunos de Freud.