Os deuses do caminho da mão direita brigaram e lutaram entre si por uma era inteira da Terra. Cada uma dessas deidades e seus respectivos sacerdotes e ministros tentaram encontrar sabedoria em suas próprias mentiras. A era glacial do pensamento religioso não pode durar mais do que um curto tempo neste grande esquema da existência humana. Os deuses daqueles de sabedoria maculada já viveram suas sagas, e seus milênios se tornaram realidade. Cada um, com seu próprio caminho “sagrado” levando ao paraíso, tendo acusado ao outro de heresia e inconsideração religiosa. O Anel de Nibelungo[1] de fato traz consigo uma maldição eterna, mas apenas porque aqueles que o buscam vivem em termos de “Bem” e “Mal” – estando eles mesmos sempre do lado do “Bem”. Os deuses do passado acabaram se transformando em demônios, exatamente iguais àqueles que combatiam, para poder continuar vivendo. Débeis, seus ministros jogam o jogo do diabo para manterem seus relicários cheios e a hipoteca de seus templos paga.
Ah!, por quanto tempo eles estudaram os caminhos da “virtude”, e que exemplares medíocres e incompetentes de diabos eles se tornaram. Então tomados por grande desespero todos eles dão as mãos em uma união “fraternal” e se dirigem ao Valhalla[2] para realizar seu último grande conselho ecumênico. “Se aproxima o brilho do crepúsculo dos deuses”. Os corvos da noite já partiram em seu vôo para convocar Loki, que incendeia Valhalla com seu incandescente tridente infernal. O crepúsculo terminou. O brilho de uma nova luz nasce da noite e Lúcifer ergue-se mais uma vez para proclamar: “Esta é a era de Satã! Satã governa a Terra!”. Os deuses dos injustos estão mortos. Este é o alvorecer da magia e da sabedoria imaculada. A CARNE prevalece e uma grande Igreja se erguerá e será consagrada em seu nome. A salvação do homem não dependerá mais de sua própria negação e todos saberão que o evangelho da carne e da vida será a maior preparação para todo e qualquer deleite eterno.
REGIE SATANAS!
AVE SATANAS!
HAIL SATAN!
SALVE SATÃ!
[1] O Anel de Nibelungo: (DER RING DES NIBELUNGEN)
Tetralogia operística de Richard Wagner. A primeira ópera intitula-se "Das
Rheingold" (O Ouro do Reno), conta a história sobre o anel mágico que é
capaz de dar a quem o possuir imenso poder, o anel é amaldiçoado por seu dono
quando Wotan (Odin) e Loki o tomam daquele que o confeccionou, o anão Alberich.
Logo em seguida Erda, a deusa da Terra, faz a predição do fim dos deuses no Ragnarok.
Os deuses então, tendo ouvido sobre seu destino, sobem pela Ponte do Arco-Íris
em direção a Asgard.
[2] O correto talvez fosse evocar aqui Asgard e não o Valhalla.
