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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos A História do Satanismo Satanismo Anos 70

Satanismo Anos 70

70tinhaOs anos 60 haviam terminado e algo com certeza deu errado. Aquele que parecia ser o mais forte movimento jovem e popular, que pregava paz e amor simplesmente desapareceu. Enquanto os hippies choravam e esperneavam com fim do sonho da era de aquário tal como entendiam, novas mudanças pareciam tornar o mundo mais sombrio. A maior potência do mundo percebia que sua guerra contra um bando de ninguém num fim de mundo oriental estava chegando a um fim humilhante. Aquela nova era brilhante que as crianças das flores pregavam era substituída por uma guerra fria com a União Soviética. E toda a esperança por um futuro melhor era substituído pela noção clara e fatídica de que alguns países possuíam o poder para aniquilar totalmente o planeta e tudo o que vivesse em sua superfície se assim desejassem.

Não é surpresa alguma que fosse esta nova década aquela em que o Satanismo deixou de ser mera curiosidade e ofensa para se tornar uma das religiões mais populares de todas. Afinal, com as sombras se avultando sobre o futuro, ninguém mais queria esperanças vazias, parecia que o mundo começava a dar valor ao aqui e agora.

Com 'O Bebê de Rosemary' o Diabo chegava triunfante aos cinemas e logo filmes como 'O Exorcista' e 'A Profecia.' também cativariam o público. As rádios populares falavam sobre o Inferno e demônios, primeiro com "Black Sabbath" e depois com "AC/DC". Satã estava sob os holofotes com o crescimento da Church of Satan.

Nesta altura já haviam sido estabelecidos diversos grottos (organizações locais de satanistas) por todo o mundo, ligados à instituição e LaVey tentou fazer visitas papais a todas eles, conforme podia, sempre seguido de muita pompa e cerimônia. LaVey começou a admitir que sua situação estava se tornando um tanto quanto incomoda para ele:

“Tornou-se motivo de embaraço depois de um tempo. Mal eu colocava os pés para fora do avião e já havia aquela multidão de desconhecidos vestidos com capuzes pretos e medalhões com o símbolo de baphomet. Eu estava tentando apresentar uma nova cultura e uma imagem sóbria, mas a idéia deles de protesto era chocar as pessoas usando suas roupas na lanchonete mais próxima.”

LaVey tinha o costume de imprimir publicamente seu telefone e endereço pessoais nas peças publicitárias da Church of Satan e dava livre acesso aos repórteres e às coordenadas de como entrar em contato com ele. Na verdade uma das táticas preferidas de LaVey era imprimir notas de dólar com a propaganda da Igreja no verso, para então soltar na rua para o povo achar que era grana, seguir seus interesses pessoais e pegar o material da única Igreja que não os condenaria por isso.

Agora, pregar o bom-senso não significa atrair pessoas de bom-senso para ouvir o que você está dizendo. E logo as pessoas que não desejavam pensar por si próprias, mas apenas seguir algo começaram a se avolumar. LaVey buscava dragões e como efeito colateral conseguiu atrair enxames de mariposas que apenas se sentiam atraíadas pelas chamas - começavam a surgir os primeiros fanáticos satânicos. 

Devido ao fanatismo cego e principalmente às constantes ameaças e agressões que recebia de terceiros, começaram a ocorrer alguns problemas de segurança para LaVey e sua família; Anton achou que devia cortar com as relações públicas e por volta de 1970 todas as palestras e rituais públicos conduzidos por ele deixaram de existir. Foi a época em que Anton tentou se proteger da armadilha que sua própria popularidade havia criado.

“Eu só queria que a Church of Satan fosse honesta, aberta e livre. Eu tinha um sonho de trabalhar em casa como muitos de meus amigos, artistas e escritores faziam. Eu era movido pelo prazer de sair da cama e ter o trabalho esperando por mim, sem ter que pegar o carro e dirigir até algum escritório. Eu ainda acho isso algo bastante razoável de se desejar, mas na época eu não entendi o quão traiçoeiras as pessoas podem ser.”

Algo irônico, vindo de alguém que sempre advogou a bestialidade humana.

Em 1972, todas as cerimônias semanais realizadas na Black House cessaram também. A organização e realização de atividades satânicas passaram a ser responsabilidade dos Grottos, enquanto que o Grotto Central (como a Black House passou a ser chamada) passou apenas a supervisionar, aprovar e guiar os membros ativos da Church of Satan.

Nos anos seguintes, LaVey concentrou suas energias em seus próprios projeto, ao invés de se preocupar com a publicidade da sua Igreja ou em ministrar seu sempre crescente numero de acólitos. Conforme disse na época, era hora de “parar de agir satanicamente e começar a praticar o Satanismo”. A Church of Satan já havia causado o impacto desejado no mundo, e LaVey queria encorajar os satanistas a seguirem novas direções, suas próprias direções. O período das atividades da Black House foi relativamente curto mas durou o bastante para causar um dano irreparável nas religiões estabelecidas e na imagem que sempre havia sido feita de como o Satanismo deveria ser.

“Depois do grito inicial, não há mais necessidade de nos dedicarmos a rituais públicos e missas católicas invertidas. A Cristandade está se tornando mais fraca a cada dia e ultrajá-la hoje é como chutar um cachorro morto. O mundo está repleto de outras vacas sagradas para serem atacadas e é isso o que mantêm o Satanismo vivo.”

Em 1975 houve uma grande reorganização na Church of Satan e aqueles poucos que eram contraprodutivos para os planos de LaVey, e que estavam mais interessados naquilo que Anton chamou de “Satanismo Fase Um” (i.e rituais grupais de blasfêmia e uma estrutura rigidamente limitada), foram proscritos. Esta atitude intensamente elitista foi necessária depois que Anton viu sua criação degenerar em um “Fã-Clube do Diabo” onde os mais fracos e menos inovadores membros roubavam o tempo e atenção que por direito deveriam ser dos membros mais produtivos e verdadeiramente mais satânicos.

LaVey sentiu que se não colocasse ordem na casa, a Church of Satan logo se tornaria um simples Clube do Mickey com um par de chifres usados no lugar das orelhas redondas. Sua intenção era agora tornar seu grupo em uma organização realmente interessada em desenvolver uma nova forma de viver e de pensar e assim deu início a uma vasta “limpeza” em sua casa, expulsando todos aqueles que sentia estarem obscurecendo o verdadeiro destino da Igreja de Satã. O sistema de grottos persistia, mas já não era mais diretamente dirigido pelo Grotto Central. Esta elitização foi certamente à coisa mais acertada que LaVey poderia fazer.

Infelizmente um de seus maiores acertos no rumo do Satanismo foi então seguido, na minha opinião, pelo maior de seus erros...

Para medir quem era ou não a elite LaVey usou o parâmetro do sucesso material, de modo que logo a Church of Satan tornou-se uma excentricidade para pessoas ricas, muitas das quais só tiveram sucesso graças à heranças, desempenho e esforços de seus pais - estes sim, os verdadeiramente satânicos. Ao mesmo tempo em que LaVey tornou-se mais seletivo, tornou-se mais inacessível e parou de dar entrevistas a imprensa.

Anton praticamente só contatava seus grottos através da revista: "The Cloven Hoof" que era o informativo oficial da Church of Satan. Quando a "Cloven Hoof" deixou de ser publicada em 1988, outras publicações satânicas, com destaque para "The Black Flame" (A Chama Negra), e “Not like Most” aproveitaram o legado que a "Cloven Hoof" deixou. As portas da Black House também não estavam mais escancaradas para qualquer um que quisesse participar de uma palestra e graças a esta interrupção abrupta das atividades começaram a aparecer boatos sobre o fim da Church of Satan e mesmo sobre a saúde de Anton LaVey.

 

Morbitvs Vividvs

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